O telemóvel vibrou. Novas tecnologias em escrita inteligente mandou-me uma mensagem.
Desconsegui perceber o que me queriam dizer. Respondi um Como? e devolveram-me 'o que te apetecer'.
Conversa de surdos, pareciam-me, pelo que resolvi não replicar.
Foi então que me lembrei que devo ser um ser em vias de extinção. Estava qualquer coisa escrita como que: bons estão em vias de extinção. Pensei. Repensei. Eu sou um gajo literalmente bom. Estou extinto e não sabia.
É melhor ficar a olhar para a memória daquele aparelho que levantava e esperava um pouco até alguém me perguntar para onde queria ligar
Sanzalando

Virado para as tecnologias, procurando sempre um wi-fi livre, dou comigo a tropeçar em amigos que circulam na vida, que deambulam nas ruas virtuais de solidões com estórias esquecidas ou escondidas em falsos sorrisos, e lá vou eu seguindo sem estórias para contar, porque as minhas são verdadeiras mesmo que ainda não tenham acontecido.
E não é que num wi-fi em encontrei-te sorrindo-me como que cativa. Somos cativos um do outro e sem termos de sair de férias.
Foi assim que aproveitando este wi-fi eu digo que resumo a nossa estória num verbo que conjugo em três tempos: amei, amo e amarei. Vai ser assim num motor de todos os tempos.
Por favor, não desliguem o wi-fi
Sanzalando

Assim num modo de altamente tecnológico eu seguro o teu corpo num abraço e no meu peito faço o teu leito de repouso. Suavemente passo os meus dedos no teu corpo, beijo o teu pescoço e quando abro os olhos vejo que sorris.
O meu coração bate devagar, relaxado, sereno como que seguro.
Afinal de contas eu estou aqui a sonhar com a realidade enquanto não chegas e eu tenho medo da escuridão fria da solidão.
Afinal de contas sou refém num motim inventado por mim enquanto não acendes a luz com a tua chegada e o brilho do teu sorriso.
Assim, tecnológicamente, o meu abraço te aguarda.
Segura meu corpo dentro do teu abraço. Faz da minha alma a tua moradia. Estrelaça nossos dedos, não solta a minha mão. Faz cafuné, carinho no meu rosto. Beija-me intensamente me levando até o céu. Deita minha cabeça no teu peito pra acalmar meu coração. Tenho medo do frio da escuridão. Sou tua refém e você é o motivo da minha alegria. Acende a luz do meu olhar antes que as estrelas leve o brilho do meu sorriso.
Sanzalando

Queria tirar uma selfie. Essas fotos da gente mais no mesmo, braço esticado ou modernamente com stick. Uma vez e olhei, admirei e apaguei.
Estava a sorrir.
Mais uma vez. Outra e outras tantas mais que se fosse num antigamente de rolo a revelar eu não sei quando eu lhas ia ver.
Apaguei todas num todo. Eu estava ou de brilho nos olhos, ou de cara feliz ou só transparentizava raios de luz.
Não posso fazer uma selfie assim, pensei com a minha t-shirt que por mero acso não tinha botões para comigo pensar.
Foi assim que parei comigo a contar números impares quando a tendência é para se gostar de números pares.
Se eu não estou sozinho, não sou impar e nem sei se sou par e ando para aqui a tentar tirar selfies mesmo por causa de quê?
Sorri e fui transparentizar a minha felicidade por aí num lugar qualquer com o sorriso dela desenhado na t-shirt que por acaso não tem botões para pensarem comigo.
Sanzalando

Bebi uma tonelada de café para acordar para a vida. Tremi, é verdade. Transpirei ansiedade por quanto era poro. Gaguejei palavras que nunca saíram porque embarguei a voz em nós de desespero.
Afinal de contas também usei um mapa de península ibérica para encontrar uma aldeia de 5 pessoas. Perdi-me vezes sem conta e de que valeu parecer-me com um durão se não conseguia seguir em frente sem olhar para trás?
Com tudo isto aprendi que amar é uma arte e eu nem sempre soube ser artista.
Saio do elevador que me transporta na verticalidade e ouço vozes vindas dum além que mais não é que um muito aquém da felicidade. Desisto? Nem que as sombras me pareçam trevas!
Agora nem por nada deste mundo ou qualquer outro eu te quero perder. Eu sei que seria duro te soltar deste meu amor porque imagino que qualquer outro seria melhor que eu. Eu sei que às vezes até o céu chora.
Tu de perto és um amor e de longe uma saudade que não tem medida.
Sanzalando

Caíram as primeiras folhas da minha árvore de ler. É verdade que eu tenho uma árvore onde me sento a ler nas tardes quentes da primavera e verão. Já lhe perguntei o nome e com silêncio de árvore propriamente dita me respondeu. É antiga porque é mais velha que a minha memória da sua não existência.
Tudo isto para dizer que a minha árvore de ler me disse que era outono. Eu aí pensei no outono da vida. Reli a primavera e o verão.
Aqui, sujeito a levar com uma folha na cabeça dou comigo a sonhar que o amor é uma coisa tola de gente tola. Sou tolo, eu sei. Em cada 5 segundos eu sinto borboletas na barriga, uma vontade enorme de sair a correr, um repente de calor e frio arrepiante.
Caíram as primeiras folhas da minha árvore de ler.
Sanzalando

Vou num ziguezague parece eu sou um lunático. Olho o mar e olho a areia. Procuro palavras como se elas estivessem numa profundidade de mar que a minha apneia não dava nem para olhá-las de longe, onde as minhas pupilas dilatadas não conseguiam nem focar. Eu caminhava num meio escuro, meio claro, onde fazia falta a luz dum projector de cinema a me indicar uma qualquer palavra, surda, muda, com ou sem til, acento circunflexo ou seja lá o quê.
Vou por aí, num filme de comédia, coisa séria sem gargalhada, passeando na praia à procura de palavras que os meus lábios possam dizer-te num fim de tarde em que o sol vai parecer é fogo e em que o dia se some para uma noite retemperadora.
Vou por aí.
Sanzalando

Faz tempo não falas para eu chorar. Foi assim mais ou menos eu recebi uma mensagem. Foi assim mais ou menos eu recebi um elogio.
Mas não me apetece chorar e também ando entretido noutras feituras que nem me apetece gastar palavras assim.
Mas hoje até liguei o rádio onde dá música daquela que parece é chorar, num calmo sem barulho, num ritmo é dança, num esquecer que o tempo passou dos tais de anos 60.
O condutor dum carro atrás apitou parece tem pressa de ir nem ele sabe onde. Foi nesse instante que acelerei o meu carro e disse comigo agora corre para ver se me apanhas. Olhei no espelho e nem no por trás do pó lhe via.
Sorri. Voltei a ser um cabeça tonta como era nos tais dos anos 60.
Inventei uma desculpa e voltei a ser o mesmo que era até à pouco. Ocupado sem tempo para gastar as palavras que tem vezes fazem chorar
Sanzalando

Sem o teu sorriso no meu olhar eu não vou a lugar nenhum. Eu quero ver o teu sorriso, eu quero sorrir-te em cada segundo.
Anda, pega na minha mão e de mãos dadas vamos correr a praia de fim de tarde como um par que é só um.
Anda esquecer a desarrumaçâo mental da vida, esquecer as respostas das perguntas que não se fizeram, esquecer os acontecimentos que não aconteceram.
Anda sorrir-me.
Sanzalando

Já o sol não é quente nem a gente se atrapalha no meio de tanta gente. Já o vento sopra lento e pouco a pouco se vai o talento de por as palavras num qualquer computador lento.
Bem, na verdade a gente acha que tem tempo e o tempo se gasta e não houve tempo para as letras. Pode ser agora, que o sol não está mais tão quente, que o vento sopra lentamente, eu tenha tempo para com palavras escritas te dizer que gosto de ti tanto como outrora.
Eu sei que sabes. Muito sabes tu. Sei que desafias diariamente a gravidade, o tempo e és o meu parapeito da alma. Sei que sabes que recomeçar é o meu lema em cada minuto, o meu reinventar de flor que trago na lapela, a minha descoberta de novamente ser eu em cada tempo que gastei.
Já o sol não é quente e o vento sopra lento.
Sanzalando

Passo a passo sigo em frente. De quando em vez um desvio, uma paragem, um sopro de descanso. De vez em quando crio uma personagem na minha mente, cheia de palavras, frases imperfeitas, parágrafos inacabados. Mas quem ouve ou lê meus sons ou meus lábios? O vento, creio eu, que no seu silvo me abafa.
Passo a passo sigo em frente, numa viagem que um dia terá o seu fim e alguém acrescentará um posfácio. Eu não direi adeus e nem fico sentado à espera. Sigo, passo a passo, de braço dado de preferência, sempre em frente, mesmo que de vez em quando faça um desvio, uma paragem ou dê um sopro de descanso.
Sei que nada dura para sempre. Nem as dores nem a felicidade.
Por agora sigo em frente, feliz, mesmo que às vezes possa fazer uma paragem.
Sanzalando

Assim descalço sigo caminho rente ao mar. Ouço o marulhar e me lembro das vozes dos anteriores aos antepassados me contar estórias que eu não sei eram verdadeiras ou apenas delírio dos tempos mortos. Sei assim num fugazmente que se eu me calar eu vou morrer sufocado nas palavras que calei. Por isso agora vim ao mar gritar todas as vozes que ouço das palavras que um dia direi.
Delírio, pensam.
Loucura, imaginam.
Vertigem de vapores alcoólicos, sussurram.
Apenas palavras. Exercito letras, parágrafos e concluo ideias. São escritos de verão, dum tempo que não dá tempo para parar e pensar. Ouve-se e anda-se num embora para a frente que o tempo não pára.
Afinal de contas as palavras não acabam.
Sanzalando

Passo a passo sigo em direcção ao mar. Contra o vento porque ele hoje vem de sul. Quente como quem me trás notícias. Sorriu enquanto caminho. Brilham-se-me os olhos enquanto saboreio o perfume de sabor a mar.
Desde pequeno aprendi a desfrutar de coisas simples, impossíveis de comprar e não entendia como havia quem não me entendesse.
Passo a passo, simples, tenho dias que gostava de ser diferente. Mas é impossível. Estou amarrado ao meu carácter.
Se às vezes até o céu chora em forma de trovoada porque não posso eu continuar a ter um simples choro de silêncio.
Passo a passo vou atirar-me ao mar, sorrindo.
Sanzalando

Às vezes tem vezes parece eu tirei férias de mim, assim num banho de preguiça, num carregado de vontade de faz nada, num dormir acordado parece é sonambulismo agudo que até parece eu não sei onde estou, me deito ou acordo. Tem dias guardei as letras, as palavras, acentos e parágrafos num saco e fui a banhos de sol numa vertigem de vontade.
Mas depois há um acordar lento, se calhar pausado, com uma vontade de debitar parece é doença, numa vontade de dizer que parece as estrelas brilham é para mim e que a brisa que às vezes sopra por cima dos meus cabelos trás um perfume que é igual que nem o teu e aí bota a saudade de te dizer: gosti, pá.
Às vezes tem vezes eu sinto saudade das palavras.
Sanzalando

Faz tempo decidi poupar nas palavras e amar de coração, sendo que uma das razões foi o medo. É que tenho medo que a força deste medo me impeça de ver o que desejo, que a morte desaparecida do que acredito me tape ouvidos e boca e eu não consiga dizer amor com o sentimento marcado em cada letra.
Faz tempo decidi poupar palavras porque metade de mim é o que eu grito e outra metade é silêncio que calo.
Faz tempo decidi ouvir a música, ao mesmo tempo que deixei de a inventar, cansado de a inventar triste.
Faz tempo que metade é o que ouço e outra metade é o que calo.
Faz tempo que eu desejo ter tempo para não sentir a solidão, que a vontade se me torne calma, que a solidão me traga sossego e que um teu sorriso me preencha a outra metade calada.
Faz tempo que eu desejo que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor e as outras metades são ficção para plateias anonimas que fazem florescer as pontes duma qualquer existência.
Faz tempo eu teria querido falar de futebol, de sexo e de cor mas deixei a minha loucura abrigar-se num canto de ti.
Faz tempo eu decidi fazer as minhas escolhas e se eu errar, acredita, foi por uma escolha que fiz, não tua, coração
Sanzalando
