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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

4 de novembro de 2015

como parei aqui

E assim de repente perdi palavras e me perguntei: como vim parar aqui?
A resposta foi óbvia. Segui o coração! Taxativamente.

Larguei a marginal, a Torre do Tombo, a Oásis, Avenida, Impala e segui o coração. Simplesmente fácil.
É a estória mais antiga do mundo. Segui o coração da adolescência. Mas na verdade é que não moro mais no meu passado. Esse foi um caminho de passagem para chegar aqui, ao hoje. Fui atrás do coração. Fui desejando, querendo, procurando. Ambição é boa quando integra. Sonhei
Fiz. Faço e não espero. Segui o coração. Sigo o coração. Sigo a mágica e com todo o coração eu acredito no amor.


Sanzalando

3 de novembro de 2015

golpe de vida

Recorrendo da memória, procurando na imaginação, sentido nos sentidos, me pergunto se a vida que tenho é a que sonhei.
Nem por sonhos, diria baixinho com medo que entre areia na engrenagem. Já dei tantas voltas às rotundas da vida, já tive tantos sonhos, tantas partidas e tantos regressos, tantos desejos  e tantos medos que me apetece até dizer que não é preciso sofrer para saber o que é melhor para mim.
Mas olhando bem, vasculhando tudo, hoje digo à boca cheia que sim: sou feliz. Podia estar melhor? Podia. Mas se calhar não estava-o.
Recorrendo à memória sinto saudade. Mas feliz. Felizmente, acrescento.
Já percorri uns tantos mares, já chorei umas quantas lágrimas que agora sorrio de saudade. Felizmente. 
Enfim, é um golpe de vida que vivo.


Sanzalando

30 de outubro de 2015

autoretrato

Deu assim uma de voltar antigamente no mais agora. Imagina só subir a SOS de burra, ainda não lhes tinham inventado mudanças e a força das pernas era a desmultiplicação dos pensamentos para aguentar e não sair da chica e lhe levar subida acima ao lado.
Assim num repentemente eu queria descobrir o que é que me fez ser assim tão bondoso que lembro até de quem me chingava porque as orelhas pareciam era avião a aterrar.
Assim num agoramente me recordo que o vento que ondula as searas é o mesmo que ondulava o capim do deserto uns dias depois de chuva miúda que tinha caído e inundava as ruas da cidade quadriculadamente desenhada e sem essas modernidades de saneamento.
Assim num instantaneamente sonhei acordado com os lábios que pela primeira vez se encostaram nos meus.
Assim, num ápice, voltei uns anos atrás e desenhei-me numa folha de papel.



Sanzalando

29 de outubro de 2015

Obrigado, simplesmente lindo

Que belo e grande texto eu poderia por aqui espraiar. Mas eu ainda não aprendi a escrever para escrever assim, pelo que, usando as poucas palavras que sei, aquelas que o professor Amaral teve a gentileza de começar a me ensinar e que outros bem mais tentaram e ainda hoje tentam, eu quero dizer que ontem eu tive saudade. Sim, esse sentimento tantas vezes doloroso porém também significa alegria. Pois se a gente sente a falta de algum pedaço da nossa estória e porque valeu a pena e a gente quer reviver esse momento assim num novamente.
Eu ontem senti saudade de ser criança, de fazer aquela festa no quintal e juntar gente à minha volta.
Mas ontem senti-me feliz com a prova de carinho enorme que as novas tecnologias me proporcionaram. Acho que não faltou forma nenhuma de me chegar carinho. Já sei que faltou uma, essa que já não se usa faz tempo: a carta perfumada vindo pelos correios.
A todos o meu muito obrigado e vos trago no coração.


Sanzalando

28 de outubro de 2015

ANIVERSÁRIO

Hoje"ele " faz anos.


Sanzalando

26 de outubro de 2015

Memória sem ramo

Olho o mar que teima em parecer bravo. Espumoso, barulhento e espraiando-se como que violentamente na areia e atirando a maresia até mim. Não me trás nenhuma mensagem nem recorda nenhuma lembrança. Olho à volta e vários somos os que desde aqui de longe vamos olhando admiradamente. Devem ter eles mensagens ou lembranças e nada sobrou para mim. As folhas continuam nas árvores e os parques estão cheios de gente que brinca ao tempo no tempo que tem.
Está a fazer anos que eu pensava que a vida fora deste mar era mais bonita que a vida que eu iria viver nele. Talvez tanta coisa foi acontecendo que passados anos eu me lembro como se fosse hoje das caras, dos sorrisos e gargalhadas, das surpresas e abraços, das certezas e dos cansaços.
Olho o mar e vejo a conterra com um maboque a sorrir-me.
Vejo tanta gente bonita a gostar-me.
Mas as folhas continuam nas árvores e o mar não me trouxe nenhuma mensagem.


Sanzalando

22 de outubro de 2015

todos os caminhos

Todos os caminhos são curtos, mesmo que nos levem a lado nenhum, mesmo que nos obriguem a dar voltas sobre um eixo imaginário.
Todos os caminhos são fáceis mesmo que por escarpas ou nuvens tenhamos que passar.
Todos os caminhos que usarmos são os nossos caminhos, pelo que mais vale sorrí-los que lamentá-los.
Todos os caminhos são claros mesmo que os façamos nas noites sem lua ou de tempestade.
Todos os caminhos nos levam à memória. Mais cedo ou mais tarde!


Sanzalando

16 de outubro de 2015

altamente tecnico

Seguro o meu notebook, aprendi palavra estrangeira para dizer uma computador verdadeiramente portátil. Mais coisa menos coisa. Por aqui vou ficando a saber como está o mundo mas ao mesmo tempo o mundo não sabe como estou eu, o que pode parecer uma pena ou descano, conforme as diversas e possíveis opiniões.
Pois bem, no meu notebook eu procuro notícias da terrinha que fica para lá da linha curva que separa o que os meus olhos vêem e o coração sente. Coisas de alta tecnologia que um sábio vai aprendendo a usar com mestria de aprendiz.
Mas na verdade eu confio em mim, sei que vou aprender, inclusive a escrever. Tudo porque me disseram que confiança é como vidro. Se parte, não importa se tudo fica direito que nem puzzle da Majora, porque na verdade ele nunca mais vai ficar direito e as marcas da cola nunca desaparecerão.
Por isso eu tenho confiança que vou dizer as coisas certas nos certos momentos, porque as coisas certas são ditas com o o coração e é invisível aos olhos incrédulos.



Sanzalando

14 de outubro de 2015

Notificação de extinção

O telemóvel vibrou. Novas tecnologias em escrita inteligente mandou-me uma mensagem.
Desconsegui perceber o que me queriam dizer. Respondi um Como? e devolveram-me 'o que te apetecer'.
Conversa de surdos, pareciam-me, pelo que resolvi não replicar.
Foi então que me lembrei que devo ser um ser em vias de extinção. Estava qualquer coisa escrita como que: bons estão em vias de extinção. Pensei. Repensei. Eu sou um gajo literalmente bom. Estou extinto e não sabia.
É melhor ficar a olhar para a memória daquele aparelho que levantava e esperava um pouco até alguém me perguntar para onde queria ligar

Sanzalando

12 de outubro de 2015

wi-fi

Virado para as tecnologias, procurando sempre um wi-fi livre, dou comigo a tropeçar em amigos que circulam na vida, que deambulam nas ruas virtuais de solidões com estórias esquecidas ou escondidas em falsos sorrisos, e lá vou eu seguindo sem estórias para contar, porque as minhas são verdadeiras mesmo que ainda não tenham acontecido.
E não é que num wi-fi em encontrei-te sorrindo-me como que cativa. Somos cativos um do outro e sem termos de sair de férias.
Foi assim que aproveitando este wi-fi eu digo que resumo a nossa estória num verbo que conjugo em três tempos: amei, amo e amarei. Vai ser assim num motor de todos os tempos.
Por favor, não desliguem o wi-fi


Sanzalando

9 de outubro de 2015

tecnológicamente

Assim num modo de altamente tecnológico eu seguro o teu corpo num abraço e no meu peito faço o teu leito de repouso. Suavemente passo os meus dedos  no teu corpo, beijo o teu pescoço e quando abro os olhos vejo que sorris.
O meu coração bate devagar, relaxado, sereno como que seguro.
Afinal de contas eu estou aqui a sonhar com a realidade enquanto não chegas e eu tenho medo da escuridão fria da solidão.
Afinal de contas sou refém num motim inventado por mim enquanto não acendes a luz com a tua chegada e o brilho do teu sorriso.
Assim, tecnológicamente, o meu abraço te aguarda.


Segura meu corpo dentro do teu abraço. Faz da minha alma a tua moradia. Estrelaça nossos dedos, não solta a minha mão. Faz cafuné, carinho no meu rosto. Beija-me intensamente me levando até o céu. Deita minha cabeça no teu peito pra acalmar meu coração. Tenho medo do frio da escuridão. Sou tua refém e você é o motivo da minha alegria. Acende a luz do meu olhar antes que as estrelas leve o brilho do meu sorriso.


Sanzalando

7 de outubro de 2015

selfie

Queria tirar uma selfie. Essas fotos da gente mais no mesmo, braço esticado ou modernamente com stick. Uma vez e olhei, admirei e apaguei.
Estava a sorrir.
Mais uma vez. Outra e outras tantas mais que se fosse num antigamente de rolo a revelar eu não sei quando eu lhas ia ver.
Apaguei todas num todo. Eu estava ou de brilho nos olhos, ou de cara feliz ou só transparentizava raios de luz.
Não posso fazer uma selfie assim, pensei com a minha t-shirt que por mero acso não tinha botões para comigo pensar.
Foi assim que parei comigo a contar números impares quando a tendência é para se gostar de números pares. 
Se eu não estou sozinho, não sou impar e nem sei se sou par e ando para aqui a tentar tirar selfies mesmo por causa de quê?
Sorri e fui transparentizar a minha felicidade por aí num lugar qualquer com o sorriso dela desenhado na t-shirt que por acaso não tem botões para pensarem comigo.



Sanzalando

6 de outubro de 2015

em resumo de vida

Bebi uma tonelada de café para acordar para a vida. Tremi, é verdade. Transpirei ansiedade por quanto era poro. Gaguejei palavras que nunca saíram porque embarguei a voz em nós de desespero.
Afinal de contas também usei um mapa de península ibérica para encontrar uma aldeia de 5 pessoas. Perdi-me vezes sem conta e de que valeu parecer-me com um durão se não conseguia seguir em frente sem olhar para trás?
Com tudo isto aprendi que amar é uma arte e eu nem sempre soube ser artista.
Saio do elevador que me transporta na verticalidade e ouço vozes vindas dum além que mais não é que um muito aquém da felicidade. Desisto? Nem que as sombras me pareçam trevas!
Agora nem por nada deste mundo ou qualquer outro eu te quero perder. Eu sei que seria duro te soltar deste meu amor porque imagino que qualquer outro seria melhor que eu. Eu sei que às vezes até o céu chora.
Tu de perto és um amor e de longe uma saudade que não tem medida.


Sanzalando

23 de setembro de 2015

Caíram as primeiras folhas da minha árvore de ler

Caíram as primeiras folhas da minha árvore de ler. É verdade que eu tenho uma árvore onde me sento a ler nas tardes quentes da primavera e verão. Já lhe perguntei o nome e com silêncio de árvore propriamente dita me respondeu. É antiga porque é mais velha que a minha memória da sua não existência.
Tudo isto para dizer que a minha árvore de ler me disse que era outono. Eu aí pensei no outono da vida. Reli a primavera e o verão.
Aqui, sujeito a levar com uma folha na cabeça dou comigo a sonhar que o amor é uma coisa tola de gente tola. Sou tolo, eu sei. Em cada 5 segundos eu sinto borboletas na barriga, uma vontade enorme de sair a correr, um repente de calor e frio arrepiante.
Caíram as primeiras folhas da minha árvore de ler.


Sanzalando

18 de setembro de 2015

vou por aí

Vou num ziguezague parece eu sou um lunático. Olho o mar e olho a areia. Procuro palavras como se elas estivessem numa profundidade de mar que a minha apneia não dava nem para olhá-las de longe, onde as minhas pupilas dilatadas não conseguiam nem focar. Eu caminhava num meio escuro, meio claro, onde fazia falta a luz dum projector de cinema a me indicar uma qualquer palavra, surda, muda, com ou sem til, acento circunflexo ou seja lá o quê.
Vou por aí, num filme de comédia, coisa séria sem gargalhada, passeando na praia à procura de palavras que os meus lábios possam dizer-te num fim de tarde em que o sol vai parecer é fogo e em que o dia se some para uma noite retemperadora.
Vou por aí.


Sanzalando

16 de setembro de 2015

Tem vezes as palavras fazem chorar

Faz tempo não falas para eu chorar. Foi assim mais ou menos eu recebi uma mensagem. Foi assim mais ou menos eu recebi um elogio.
Mas não me apetece chorar e também ando entretido noutras feituras que nem me apetece gastar palavras assim.
Mas hoje até liguei o rádio onde dá música daquela que parece é chorar, num calmo sem barulho, num ritmo é dança, num esquecer que o tempo passou dos tais de anos 60.
O condutor dum carro atrás apitou parece tem pressa de ir nem ele sabe onde. Foi nesse instante que acelerei o meu carro e disse comigo agora corre para ver se me apanhas. Olhei no espelho e nem no por trás do pó lhe via.
Sorri. Voltei a ser um cabeça tonta como era nos tais dos anos 60.
Inventei uma desculpa e voltei a ser o mesmo que era até à pouco. Ocupado sem tempo para gastar as palavras que tem vezes fazem chorar


Sanzalando

11 de setembro de 2015

Anda sorrir-me

Sem o teu sorriso no meu olhar eu não vou a lugar nenhum. Eu quero ver o teu sorriso, eu quero sorrir-te em cada segundo.
Anda, pega na minha mão e de mãos dadas vamos correr a praia de fim de tarde como um par que é só um.
Anda esquecer a desarrumaçâo mental da vida, esquecer as respostas das perguntas que não se fizeram, esquecer os acontecimentos que não aconteceram.
Anda sorrir-me.

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9 de setembro de 2015

PAZ

Posted by Abdalmajid Askari on Sábado, 7 de Março de 2015
Sanzalando

Já o sol não é quente e o vento sopra lento

Já o sol não é quente nem a gente se atrapalha no meio de tanta gente. Já o vento sopra lento e pouco a pouco se vai o talento de por as palavras num qualquer computador lento.
Bem, na verdade a gente acha que tem tempo e o tempo se gasta e não houve tempo para as letras. Pode ser agora, que o sol não está mais tão quente, que o vento sopra lentamente, eu tenha tempo para com palavras escritas te dizer que gosto de ti tanto como outrora.
Eu sei que sabes. Muito sabes tu. Sei que desafias diariamente a gravidade, o tempo e és o meu parapeito da alma. Sei que sabes que recomeçar é o meu lema em cada minuto, o meu reinventar de flor que trago na lapela, a minha descoberta de novamente ser eu em cada tempo que gastei.
Já o sol não é quente e o vento sopra lento.


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2 de setembro de 2015

Passo a passo

Passo a passo sigo em frente. De quando em vez um desvio, uma paragem, um sopro de descanso. De vez em quando crio uma personagem na minha mente, cheia de palavras, frases imperfeitas, parágrafos inacabados. Mas quem ouve ou lê meus sons ou meus lábios? O vento, creio eu, que no seu silvo me abafa. 
Passo a passo sigo em frente, numa viagem que um dia terá o seu fim e alguém acrescentará um posfácio. Eu não direi adeus e nem fico sentado à espera. Sigo, passo a passo, de braço dado de preferência, sempre em frente, mesmo que de vez em quando faça um desvio, uma paragem ou dê um sopro de descanso.
Sei que nada dura para sempre. Nem as dores nem a felicidade.
Por agora sigo em frente, feliz, mesmo que às vezes possa fazer uma paragem.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007