recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de dezembro de 2004

Pescador - Cajoão6


  • citação:
    Originally posted by carranca: Conta aí as tuas andanças pelo rio que não viste, pelo mar que não atravessaste, pelas estradas que não percorreste.
Mermão, manda mais umas. Hoje preciso de muitas. Bastantes. Preciso de lavar os olhos com algo que não sejam lágrimas. Porque preciso de ganhar coragem para contar-te algo que sei que queres saber. E é importante para mim que o saibas. Porque, como eu, sei que não acreditas em acasos nem em manobras tecidas em obscuros universos que mais não servem que para encher revistas de gosto e moral duvidosa. Mas como dizem os espanhóis: "yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay". E a coragem serve-se em copo gelado. Por isso manda vir mais e ouve.Fevereiro do ano passado. Dia 21. Sexta-feira. Tinha programado sair ao fim da tarde, com um grupo de amigos para um fim de semana na foz do Rio Onzo. Ao fim da manhã aparece outro programa: Lobito - Benguela - Caota - Caotinha - Baía Azul... Como resistir ?!?!?! Sem hesitar optei pelo reaproximar do sul. Saímos de Luanda às 22/23 horas com o objectivo de pernoitar em Porto Amboim e seguir viagem na manhã seguinte. Por razões e peripécias várias, desconseguimos e o mesmo se passou no Sumbe. Por isso, resolvemos seguir em direcção ao Lobito até onde o sono apertasse ou as forças faltassem. Isso aconteceu por volta das 5 da manhã, e parámos para descansar um pouco. Só quando fecho os olhos me apercebo que estamos na Canjala !!!! É então que tomo consciência que, sem saber e sem o programar, estou no local onde foi assassinado e jaz, insepulto em localização desconhecida e nunca encontrada, o meu irmão FANÉ. Justamente no dia em que faria 47 anos...
MARzé

__________________Entre o Mar e o Deserto há gente.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Umas para o Fané

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Fané, estou aqui Hoje, 18:46
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Senta aquei , mermão, e tem ouvidos cheios de atenção, pois só vou mesmo te contar só uma vez, que mais inda faz correr água desse zulmarinho nos meus olhos que não tem barragem para travar eles. Faz bué de times, que já não tem dedos para contar, candámos á porrada perto do ringue lá mesmo no parque infantil que pensava que era zoológico. Porrada que só podia ser por causa da garina que não te vou dizer quem é senão ainda apanho que nem outra vez. Quando caboo a porrada que mais não foi que um empurra e abraça que nem dois gafanhotos, se andou assim quem nem zangado mais que menos que uma semana. Depois, mermão, paraecia que nem tu, dois irmãos que estavam como que inseparaveis e quando foi essa hora de ir pegar nos canhangulos foi tal e qual que nem gémeos que não podem ser separados. Mas um, que por acaso teve mais que pensar ou medo ou sei lá que passou na cabeça, cheia de ideal, cheia de coisas que ainda hoje acredita, cheia de fliques e flaques, com ou sem traques, fez uma de arrequa e se deu a separação que só foi fatal poorque lhe atraiçoaram que nem sei quem foi mesmo, na certeza do absoluta que ainda hoje está que nem dúvidas mas que ainda vai mesmo querer saber a verdade.Manda vir só uma grade de geladas porque isso dá que nem sede de um mar morto.Mas, mermão, esse do zulmarinho faz coisas que nem coincidências nas cedências que te fez parar lá mesmo no sítio que foi. Anda, mermão vamos beber umas em nome dele e por ele que a gente os dois que está mesmo a merecer.Mermão, possivelmente esta esplanada antes do virar do ano vai parar nas páginas tantas lá dos confins do fim do mundo, pois tem coisas que hoje está na ressuscitação que neu o outro das calendas meio orientais.Por isso, avilo, vamos mesmo enfrascar sem parar e deixar correr o barco nas ondas do zulmarinho.
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Carlos Carranca

Umas 5 geladas

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Umas 5 geladas 28-12-2004 18:54
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Senta, e vamos varrer umas pela goela, olear os olhos e ver que tudo é um instante, mas que o podemos prolongar usando a imaginação, o sonho e alegria de ver que tudo é feito de água igual à desse zulmarinho.Umas vezes está que parece chão, outras revolto que parece que todas as barreiras são feitas de papel.Mas mermão, vamos mesmo beber porque a vida da gente é feita de coisas que não param. Olha só, o futuro é passado só que ainda não passou.Vamos, mermão, vamos olear as goelas e dar forma de palavra aos sonhos que temos para contar.Senta por aqui e sente o perfume suave desse zulmarinho que tem o sei início lá mesmo onde ele começa.
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Carlos Carranca

26 de dezembro de 2004

Falar só

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 18:14
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Vamos aviar umas quantas, avilo?Já acabou o espírito, já podemos bumbar nas cordas vocais e tímpanos que não tem o que parar.Vamos, avilo, sentido o perfume desse zulmarinho com sabor a marzia e frescura de poucos graus acima do 0, enquanto que lá no início dele deve estar quase que na hora de ferver.Vamos, avilo, pôr as goelas em roldanas e rolamentos e falar até que a estória não inventada acabe e a imaginação funda-se com sonolência dos prazeres carnais e nada mais saia que não ais.Conta aí as tuas andanças pelo rio que não viste, pelo mar que não atravessaste, pelas estradas que não percorreste. Conta, avilo, como foram estas tuas férias passadas no espírito de ter de haver um dia no ano com espírito.Manda aí mais umas quantas, que a falar a gente chega lá, ao início deste zulmarinho.
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Carlos Carranca

Mais umas quantas

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Mais umas quantas 25-12-2004 18:26
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Senta, mermão, e vamos devorar as que pararem aqui em cima da mesa. Vamos curtir ao fogo dos papeis de embrulho dos mil presentes recebidos, 999 que servirão para fazer colheita de pó e o outro, o par de cuecas, para vestir no dia 31 para dar sortes nos amores do próximo ano.Faz frio mesmo de gelar o zulmarinho em c^r de gelo. Por isso, mermão, temos que aproveitar o calor desses kilos de papel.Vês só como está chão esse zulmarinho, não corre brisa, e só de saber que lá no início dele tem gente que me espera...e eu ainda aqui, sentado, bebendo e falando, olhando a linha recta que é curva e ver se ela se aproxima para lhe saltar e pum chegar lá.Bebe, mermão, vamos esperar o tempo corra mais veloz que o vento nos dias dele, e possamos mesmo que abraçar quem está lá, no Mussulo, no Cunene, sei onde os marcos marcam o início desse zulmarinho.Vamos, mermão, bebendo até chegarmos a bordo da Magia.
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Carlos Carranca

25 de dezembro de 2004

Natais?

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 00:21
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Mermão, vamos sentar e beber que passaram 13 minutos de um dia que nasceu uma criança numa gruta qualquer num lado qualquer de um mundo que não é qualquer porque inda só temos este.Senta e trás as geladinhas.Quantoas crianças ainda hoje nascem assim num gruta, numa possilga, num mato? Dessabes? Tás mesmo como eu, embora saiba que nascem. Achas mesmo que desses trilhões que nasceram só se deve comemorar mesmo um só? Não, mermão, não vamos entrar na discussão que isso não leva a fim que seja. Mas foi mesmo só para lembrar, mermão, que mesmo mais importante é para as crianças que deves que olhar, é nelas que está o sorriso, a pureza e o brilho de afinal só um dia. Mermão, eu inda prefiro o sorriso igual desse zulmarinho que me leva nos sonhos da utopia utópica de ser feliz e ter capacidade de esperar de ver a tal de estrela de cadente a dizer que euzinho cheguei lá, onde esse mar verde que se chama de zulmarinho tem o seu início.

Quem sai aos seus...não é de Genebra Posted by Hello

24 de dezembro de 2004

Só um sonho

Na minha mão cansada a fronte repousei
Dos mágicos cansaços e brandas incertezas.
E assim adormecendo, então sonhei
Que eras o mais belo de todos os príncipes!
E esse reino, que em sonho arquitectei,
Tinha mil glórias, mil graças, mil riquezas.
E era meu: era meu porque o criei!
Era do mais belo de todos os príncipes...
Mas eis que acordo e busco esse reinado,
O mais rico, o mais belo, o mais dotado
De todos os reinos vivos de aqém-Céu.
E então o meu peito revoltado
Compreende que esse Reino foi roubado,
Retalhado e convertido no meu Eu.

Uma prenda de Natal que recebi de MCD

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Carlos Carranca

23 de dezembro de 2004

Numa volta tudo mudou

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carranca
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Numa volta tudo mudou Hoje, 19:02
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Mermão, venho mesmo numa berrida, beber uma ou outra, zarpar a todo o vapor para o mar da solidão, para perto daqueles que já gastaram a idade faz tempo, que já mudaram as fraldas nos tempos em que eram de pano e tinham alfinete-ama e que hoje estão perdidos no tempo, alguns no lugar e do nome nem já lembram. Hoje, mermão, não vou ficar perto deste zulmarinho, vou mesmo no outro mar que não é nem azul nem verde mas cinza, escuro e por vezes frio. Juntar-me aos que foram esquecidos por aqueles mesmos que já foram mudados, embalados, afagados e agora deixados numa porta à espera que se abra a outra, a final.Me vais perguntar, mermão, se estou triste e te vou responder que não. Nem alegre. Mas também te digo, mermão, que bebendo umas e outras, não fico indiferente.Mermão. não te posso contar tudo o que vi, que vejo e que sei que verei quando chega este dia de hoje. Te esqueces que passaram 356 dias. Foram 356 dias que eles estiveram esquecidos, perdidos e só têm 8 dias de atenção, mas que se resumires tudo fica, umas só horas porque depois são levados para onde já deviam ter passado faz bué de tempo e agora nada se pode fazer a não ser dar o que não lhes foi dado.Manda uma de litro, mermão, para esquecer que afinal só um dia é dia da Família.
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Carlos Carranca

Avilos

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carranca
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Avilos 22-12-2004 12:03
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Sentem só ai na esplanada. Bebam, conversem sem parar, e mantenham as loiras geladas dentro da geleira para quando eu voltar eu beber as que não bebi com as que tenho a beber. Sabes, avilo, às vezes a vida de gente tem tempestade que nem calema desse zulmarinho que é o meu contentamento. Mantens o teu ar calmo, o ar que dominas tudo, o sorriso que te faz viver cada dia como se fosse mesmo o último, mas depois lá dentro, no teu eu, parece trovoada, relampagos, cheias devoradoras, tremores de terra, e portanto precisas mesmo que parar e ficares só a ver o zulmarinho e ver que para lá dessa linha recta que é curva tem um mundo que te espera. Avilo, mantem as birras geladas que eu vou só ficar ali, mais dentro do zulmarinho a ver a vida que foi passado, que é presente e que quero ver se mudo o futuro. Te juro mermão, conterra, cambas de todas as formas, me esperem que eu volto mais igual a mim mesmo.
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Carlos Carranca

esquecendo

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carranca
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18-12-2004 23:54
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Senta, avilo, e vamos emborcar umas quantas. Quimporta o número. Tem mesmo de ser em conversa para desconseguir saber o que passa neste lado do mundo. Interessa só mesmo o que existe lá no início deste zulmarinho que hoje trouxe o cheiro-sabor da terra molhada da chva que caiu lá na Lua que lhe reflete a luz.Mermão, conta mesmo o que tens feito no feitio de ser amado por uma terra. Conta as tuas aventuras nas ruas engarrafadas da cidade grande, tu que vivias na cidade do lá vem um. Conta, avilo, as noites quentes dos serões passados com os irmãos do tempo. Conta, mermão, tudo o que podes contar. Desconsegues descrever tal qual, descreve tal qual sentiste. Vês, avilo, esse zulmarinho com cores de verde e espuma branca espraiando-se na areia dourada, entra dentro dele e sente-lhe o espírito. Mas, avilo escreve mesmo na tua letra, desprecisas de fazer sotaque que tem gente a mais a fazer essas coisas que parece vidr a partir, serve para nada.Manda vir mais umas...
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Carlos Carranca

17 de dezembro de 2004


Uma prenda de A.Delgado para ilustrar o meu zulmarinho. A minha força vem desse mar que tem o início dele lá, onde mora a minha alma Posted by Hello

continuando a estória

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Continuemos Hoje, 22:21
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Comde mesmo eu ia?Mermão, te falei do cair da noite, te falei do dobrar da esquina e do canto da sala. Te conto com a verdade de que não sei esconder, que eu estava mais assustado que susto em dia de trovoada. Apaguei a luz outra vez e fiquei assim com os olhos todos abertos como quem num quer perder mesmo nada do acontece no mundo, limitado que estava na casa. Assim como num repente, pulei do sofá, susto mesmo quase de morte morrida, com os berros que comecei a ouvir. Maginas mesmo como eu estava, mermão. Nem perfume de zulmarinho era capaz de arrefecer o bate bate que queria sair do peito. Procurei e não é que era os berros das minhas camisas de côr berrante dentro do guarda-fatos e gavetas do psichet. Tava a ver mesmo, mermão que tinha que ir para dentro do zulmarinho buscar a paz que me estava já a faltar. Para descontrair, mermão, comecei a pensar nas primas lá do oriente, nas do ocidente, do norte e do sul. Mas estava mesmo com nada. Acho mesmo que a atenção arterial central e periférica tinham atingido o vermelho que não é saia. Fui na cama, roupa vestida, só sapato foi tirado, num tevisse que levantar e ir a correr num licenciado qualquer pedir licença para viver. Estava mesmo quase a adormecer, mermão, quando ouvi assim um barulho de rasgar pano, um tzzzzzzzzzz, que ao mesmo tempo assustava e fazia eu voltar ao estado de panico de quem vê os últimos minutos da vida a correr por ela toda. Levantei num rompente, e depois de vasculhar tudo, mesmo debaixo da cama, descobri que tinha sido mesmo o romper da aurora.Aí mermão, agarrei-me numa loira gelada, escutei o marulhar desse zulmarinho e adormeci para acordar hoje e te poder contar que afinal as pequenas coisas de um dia só são mesmo desse dia.
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Carlos Carranca

16 de dezembro de 2004

Divagando

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Senta para ver se lembra mesmo 15-12-2004 18:50
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Conversas de Café
Mermão. Paga e não refiles que aqui não tem dessas coisas. Vamos mandar umas pela goela e depois a gente vê de quê mesmo que fala. Pouco importa a importância, que tem de importante mesmo é a gente falar um com o outro para não fazer assim de interiorização, que até parece que está mesmo no mato só com o céu e o floresta do deserto por volta.Se te conto como foram as útimas 24 horas tu caté cais para o lado. Pois te vou contar depois de beber mais umas geladas.Mais ao menos nesta hora, de ontem, ouvi assim como que um estrondo de bum a bater no chão que nem rabo bate com esse barulho. Olhei mesmo nas voltas todas. Procurei e não descubri nada que estivesse fora do lugar que estava antes. Mas procurei mesmo com olhos de ver as coisas e descubri, inteligente que sou. Foi mesmo o cair da noite. Tás a imaginar o susto que foi. Quando estou a ir para o dentro de casa ouço outro barulho assim com treeeee, ferro a dobrar. Mais uma vez com olhos que querem sair da cara procurei. Desconsegui nos primeiros instantes mas depois lá vi: tinha acabado de dobrar a esquina. Maginas mesmo a pulsação do coração a bater? Desconsegues, mermão. Manda lá vir outra que está a ficar perra a corda vocal. Entro em casa, me atiro no sofá e nem acendi o candeeiro pois estava como que tinha visto fantasma. Começo a ouvir lá lá lá que parecia sereia a cantar. Acendi a luz. Tudo estava desligado. Olhei mais uma vez, coração a querer dar o fora. Encontrei. Era mesmo o canto da sala. Mermão. hoje te fico mesmo por aqui que estou a ter o ritmo do tan tum a querer acelerar outra vez e não tem físico que aguente duas.Olha só zulmarinho como está calmo que parece o contrário do eu mesmo.
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Carlos Carranca

14 de dezembro de 2004

Mensagem escrita por Pedro Dornellas e depois editada pela ESA
OUVE LÁ Ó SILHÉU
Em vez de andar por aqui a propor a expulsão de outros porque é que não te vais embora tu. É uma vergonha o que aqui se assiste. Aprendizes de ditadorzecos de meia tigela, de peito cheio de ar, arrotam postas de pescada e ameaças e, armados em possuidores da verdade definem quem deve estar e quem deve sair. É fácil, é barato e tem eco. Se tivesse tempo para esta m****, fazia como o Mandovi e abria uns quantos "fios" par desancar em umas quantas pessoas...Por exemplo
1-Rafeirices, criadagem e a voz do dono ou "o PERFIL DE SCHILEU"
2 Ódios de estimação, impotências e perseguições ou a GELATARIA DE CREATHOR E O Salvador Correia
3- Fachos, PIDES OPVDCAS e similares na Sanzala
4 Retornados, saudosistas raivosos e outros parados em Abril de 745-Rezas, preces e sacanagem ou " Vícios privados ...mas sempre, oh sempre públicas virtudes por Calcinhas, Geninhas e outros defensores da Ordem, da Moral e da CIVILIZAÇÃO CRISTÃ
6- As fabulosas aventuras de caça dos "bandeirantes que tudo fizeram por Angola" ...e que os "Lacaios do Imperialismo" soviético destruiram.....ou Contos de salão, E OUTRAS FABULOSAS MENTIRAS, para meninas e meninos virgens por Francisco Nóbrega e seus apaniguados.
7-A matilha de rafeiros sempre pronta a ladrar à ordem do dono ou ....O papel dos Luizinhos, e similares na Sanzala.
Metia férias e entretinha-me a desancar no "perfil" de curiosas e interessantes "personalidades" que por aqui andam em vez de irem ao psiquiatra, a ver se conseguem curar as suas maleitas.Aos atingidos:Só dei estes poucos exemplos- se quiserem posso ser muito mais extensivo . Para perguntar...Desde quando e a que propósito é que se abre um,fio para desancar numa pessoa? Por este caminho isto vai mas é acabar no "cabaré da coxa"....que as "meninas" têm muito mais ética que muita gente que por aqui andaJá agora O senhores moderadores ainda não repararam que quase todos os fios da sanzalça têm umtexto de um anónimo que todos sabem quem é e a quem se refere que o Nóbrega andou por aí espalhando.É que eu queria saber quem lhe encomendou op recado
Pedro
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Carlos Carranca
"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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A ti Marzé e com ps... Hoje, 18:47
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Conversas de Café
Que fizeste muito bem em saltitar de mesa em mesa, bebendo umas e outras e pagando mesmo as que eu te cravei como nos tempos mais que antigos o Ernesto Lara Filho fazia o favor de me fazer igual. Mermão, umas palavras seguidas de outras e estás a contar o mesmo que te vai na alma, com carinho e com o teu amor que é coisa que só tu mesmo podes ter, sentado aí na borda do passeio, com a bunda sentada mesmo na terra que eu quero ter sob mim. Bebe, mermão e vais ver as letras soltarem-te da boca e chegarem aqui ao fim do zulmarinho com a alegria e o teu encanto.Mermão, não deixes de me contar tudinho que passa mesmo que seja impossivel embrulheres em papel de festa. Conta tudo mermão e não te esqueças de pagar as que eu beber.Mermã, conterra, os salpicos chegaram mesmo em condições de tu veres que sairam dos meus olhos? Guardaste num fraco de vidro para me devolveres na mão quando chegar a hora?
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Cajoão5 - pescador se confessa

Eu pescador me confesso...

Mermão, hoje é dia de acto de contrição. Quando cheguei a esta esplanada, pedi-te desculpa pelo abuso de sentar sem ser convidado. Na tua mesa. Como se precisasse. Mas m'inducaram assim. E fui ficando, de abuso. Sem arranjar mesa própria, cambulando cada dia uma diferente. Bebendo umas e outras. Trouxe amigos e estórias. Tentei trazer sons, cores e cheiros. Às vezes tento contar causos e acontecências mas faltam-me as forças... Apetece-me falar sem parar do tudo e do nada. Principalmente do nada para o transformar em tudo. Porque dizemos sempre menos do que queremos. Porque fica nos dedos uma sensação de secura que nem as loiras amaciam. E ficamos com raiva de não podermos emular mais facilmente o que sentimos. Só a escrita não chega. Falta o olhar que denuncia e ilustra nossas estórias. Alguns ainda conseguem. Mas eu... Desconsigo. Vamos mergulhar os lábios nessa espuma gostosa que transborda dos copos e transbordar os corpos na espuma desse zulmarinho gostoso. Talvez amanhã já me sinta melhor. Há dias assim...MARzé
__________________Entre o Mar e o Deserto há gente.


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Carlos Carranca

Voltemos às birras

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Voltemos às birras 13-12-2004 16:03
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Conversas de Café
Geladinhas. Estupidamente geladas.Mermão, hoje não te faço companhia na mesa, não te conto estórias, não te alegro a alma nem alimento teus sonhos. Hoje, mermão, enquanto vais pagando as que eu beber, vou ficar aqui a atirar pedrinhas nesse zulmarinho e ver se bato o meu recorde de três toques na água antes de se afundar. Vou ver se consigo atingir a linha do horizonte, aquela linha recta que é curva, e ver se a pedrinha redondinha fica mais perto do teu início. Pouco me importa que esteja vento, chuva ou a trema terra neste lado do zulmarinho. Quero mesmo ter algo de mim o mais perto possível do teu início. Vai pagando, mermão, e vai anotando até que o braço me doa.

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Um sem gelo

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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um sem gelo 12-12-2004 16:53
Forum: Conversas de Café
Hoje, mermão, vou variar. Vou dar uma de importante e beber um whisky, mas sem gelo. Dourado sem ser frio. O ar está frio. Não é esse que vem do zulmarinho, é mesmo o que vem deste lado da terra, do que dizem ser vento norte, porque aqui perto do zulmarinho está com ar de quem vai cair o céu mas só as almas têm medo, que o corpo é de ferro.Se há tempos te dizia que para lá da linha recta que é curva do horizonte não existia nada, que só existia o umbigo da gente mesmo, hoje te digo o contrário. Não que eu seja um vira ideias, só mesmo porque tem gente que me faz mudar de latitude quando lhes vejo que a linha do pensamento passa em tangente, por defenição toca num ponto, do inferno maquiavélico e facínora das guerras psiquicas e químicas dos cotovelos doridos. Mermão, podes pagar outro, que eu sei que estes são mais caros?Sabes, mermão, tem palavras que em algumas bocas quando saiem sabem a elogio mesmo que pareça que estão falando mal. O zulmarinho com o seu perfume salgado de marzia me ensinou esssas coisas.Avilo, vamos buscar umas lenhas para fazer uma fogueira para dizer na Magia qual o caminho certo e direitinho?Essa Magia parece quem nem a Arca do Noé, mas tem felizmente um limite que chama mesmo quem não imagina não viaja. Vamos bolinar ao gosto deste whisky que vem lá das terras do norte e vamos temperá-los com os ares que vem do sul.
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Carlos Carranca

PassaFome

"Fio": Pelos vistos aqui tambem não.......

carranca
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11-12-2004 12:29
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Liceu Américo Tomás
Nos meus calcçanitos e minhas sandálias feitas de pneu de um carro qualquer, deixo a Rua das Hortas, parei na Farmácia Portugal para comprar curitas e sigo rumo à Casa Soares. Sim senhora, à Casa Soares. Num tás a ver que nem onde é?. Pois fui mesmo no PassaFome comprar remendos pra burra comprada muitas mãos depois. Matendeu o filho no alto dos seus muitos centímetros e seu ar de quem nunca viu sol, sua simpatia que nunca sentiu um sorriso na face. PassaFome está lá para trás a contar pregos, ou parafusos, ou mantas de contratado, ou panelas, ou fios de electricidade, ou...sei lá, que lá tem tudo e mais há-de de ter que nem me lembro. Tem na garagem um carro muita grande, assim como dos anos 30 da américa, que leva 5 litros de gasolina no depósito e outros no garrafão que é para a volta nos passeios mensais. Toda a gente vai na Casa Soares p+elo menos uma vez no mês porque lá tem. Um bico para o fogão primos da Hipólito. Uma camisa para o petromax. Um sei lá. Lá tem!
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Carlos Carranca

Fosse eu psiquiatra, psicólogo ou sociólogo

"Fio": Às Pedradas!

carranca
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11-12-2004 10:17
Forum:
Conversas de Café
Fosse eu tudo isso e estaria aqui a tirar conclusões. Fosse eu tudo isso e chegaria a um diagnóstico e com ele sugeriria um tratamento. Infelizmente não o sou!1 ano e 3 meses depois e estou como entrei, sabendo o mesmo sobre o Homem, sabendo muito mais sobre a Terra, a minha Terra.A mente e comportamento humanos são difíceis de entender. Sei que o Homem é um animal. Aprendi isso desde a primária. Mantem instintos e com eles reacções animalescas. Por ser racional poderia raciocinar, mas momentos tem que o Homem é só mesmo animal. Instinto de sobrevivência? Recalcamentos? Sede de protagonismo? Sei que o Homem tem desejo de Sangue, de Dor, se de sentir o primeiro entre iguais (vejo isso na TV, no dia a dia, na profissão e consequentemente aqui), de ter sempre um culpado, desde que não seja ele mesmo.Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?O Homem é um ser com capacidades de evolução, com capacidade de se adaptar ao meio que o rodeia, mas com pavor da solidão. Em momentos de pavor todas as reacções são esperadas, racionais e irracionais. Mas o Homem mantém a sua capacidade evolutiva, a sua capacidade mutante. Pena que o Homem a não utilize.Fosse eu psiquiatra, psicólogo ou sociólogo e não cirurgião e talvez soubesse mais...Mas mantenho a esperança de ter a capacidade de aprender a refrear-me, a deixar a animalidade sucumbir perante a racionalidade, a EVOLUIR!

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Carlos Carranca

Mais uma corrida, uma viagem

"Fio": Sanzala Karting 24

carranca
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mais uma corrida, mais uma viagem 11-12-2004 09:44
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Sala dos "Aceleras"
Aqui sentado na grelha de partida. As pulsações sobem, sinto um aperto torácico, transpiro das mãos, embacio os óculos, treme o pé direito em acelerações arritmadas, pé esquerdo a querer sair do pedal, pela frente. Olho á direita e para esquerda num gesta maquinal de quam não quer ver mas finge. O barulho torna-se ensurdecedor. Aumenta a dor e o batimento cardíaco. Estou na grelha de partida de uma corrida de kart. Fui primeiro e fui último nos treinos. Estou só. Eu e a máquina. Um corpo que se quer em movimento mas parado porque as luzes não deram o seu sinal.Virtualmente estou com vocês.
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Carlos Carranca

11 de dezembro de 2004

Evolução

"Fio": Às Pedradas!

carranca
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Fosse eu psiquiatra, psicólogo ou sociólogo Hoje, 10:17
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Conversas de Café
Fosse eu tudo isso e estaria aqui a tirar conclusões. Fosse eu tudo isso e chegaria a um diagnóstico e com ele sugeriria um tratamento. Infelizmente não o sou!1 ano e 3 meses depois e estou como entrei, sabendo o mesmo sobre o Homem, sabendo muito mais sobre a Terra, a minha Terra.A mente e comportamento humanos são difíceis de entender. Sei que o Homem é um animal. Aprendi isso desde a primária. Mantem instintos e com eles reacções animalescas. Por ser racional poderia raciocinar, mas momentos tem que o Homem é só mesmo animal. Instinto de sobrevivência? Recalcamentos? Sede de protagonismo? Sei que o Homem tem desejo de Sangue, de Dor, se de sentir o primeiro entre iguais (vejo isso na TV, no dia a dia, na profissão e consequentemente aqui), de ter sempre um culpado, desde que não seja ele mesmo.Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?O Homem é um ser com capacidades de evolução, com capacidade de se adaptar ao meio que o rodeia, mas com pavor da solidão. Em momentos de pavor todas as reacções são esperadas, racionais e irracionais. Mas o Homem mantém a sua capacidade evolutiva, a sua capacidade mutante. Pena que o Homem a não utilize.Fosse eu psiquiatra, psicólogo ou sociólogo e não cirurgião e talvez soubesse mais...Mas mantenho a esperança de ter a capacidade de aprender a refrear-me, a deixar a animalidade sucumbir perante a racionalidade, a EVOLUIR!
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Carlos Carranca


Antes da evolução do Homem Posted by Hello

Uma corrida virtual

"Fio": Sanzala Karting 24

carranca
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mais uma corrida, mais uma viagem Hoje, 09:44
Forum:
Sala dos "Aceleras"
Aqui sentado na grelha de partida. As pulsações sobem, sinto um aperto torácico, transpiro das mãos, embacio os óculos, treme o pé direito em acelerações arritmadas, pé esquerdo a querer sair do pedal, pela frente. Olho á direita e para esquerda num gesta maquinal de quam não quer ver mas finge. O barulho torna-se ensurdecedor. Aumenta a dor e o batimento cardíaco. Estou na grelha de partida de uma corrida de kart. Fui primeiro e fui último nos treinos. Estou só. Eu e a máquina. Um corpo que se quer em movimento mas parado porque as luzes não deram o seu sinal.Virtualmente estou com vocês.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca