recomeça o futuro sem esquecer o passado

Programas K'arranca às Quartas no Blog

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18 de novembro de 2020

escrever

Tem dias a gente se pergunta escreve porquê? Não tem resposta concisa e pronta na ponta da língua. Uma das coisas é mesmo só porque apetece escrever. Mas não tem gente que lê? Tem. Basta uma pessoa ler e já valeu a pena. Mas eu não escrevo para mais ninguém para além de mim. Tretas. Todos gostamos que alguém leia e se elogiar ainda melhor. Mas não é obrigatório, mas faz borboletas no estômago. Portanto, no outono ou no inverno, em qualquer altura do ano apetece escrever, umas rir e outras chorar. Usa-se a vontade e a vontade não se gasta mesmo que se desgaste. 
A gente escreve porque gosta e um dia a gente vai aprender a escrever.

Sanzalando

17 de novembro de 2020

a gente tem

Num cantinho do outono aproveito para meditar. Habito antigo de tomar consciência de mim. Ancestral treino para virar páginas da vida, tranquila e eficazmente. 
Eu sei que tem gente que vive em tanta obscuridade que não nota que no inverno também há luz. Tem gente que é preciso que a gente mostre que há mais alguma coisa para lá do céu que a gente vê, que há mundo por trás de qualquer montanha, rio ou mar. Tem gente que a gente precisa ajudar a pôr no presente porque está amarrado num passado que não tem futuro. Tem gente, que nem eu, que precisa ajudar apenasmente porque sim e a gente precisa caminhar para equilibrar os desequilíbrios provocados por se imaginar que tem força maior que a real.


Sanzalando

13 de novembro de 2020

fantasma

Hoje me apeteceu fantasmar. Vou caminhando sem que me vejam, meu corpo não espelha sombra, meu movimento não move o ar nem levanta a mais leve brisa. Caminho por pensamentos em caminhos passados. Fantasmei-me do presente. Eu fui.. tanta coisa bonita que me orgulho. Ah! isso? foi um momento menos belo, porém cresci, aprendi. Isso?! foi maravilhoso, fez-me chorar mas tomei conhecimento de coisas que nem fazia ideia podiam fazer a uma pessoa. Fantasma de mim em caminhos que me levam a um hoje em constante mudança.
Mesmo a fantasmar sou feliz.


Sanzalando

12 de novembro de 2020

natal é quando se quiser

Olho na minha volta e penso que o Natal é quando a gente quiser. Foi sempre isto que ouvi e agora vou mudar mais porquê? Prendas e comida à farta? Te portaste bem? Tens fome ou gula? Coisas pequenas para dar importância ao Natal. Festa da família é quando e como a gente quiser. Começo hoje a dar as minhas prendas:
- Um soco forte no estômago àqueles que se preocupam mais com o durar para sempre do que disfrutam o que têm;
- um pontapé na bunda aos que pensam que são o centro do universo, o ponto primordial da existência
Hoje fico por aqui a preparar a minha ceia natalícia a somar os ocasos e as subidas da minha montanha russa que é a minha vida. Feliz que sou.


Sanzalando

11 de novembro de 2020

os medos

Uso os dias como se amanhã não tivesse. Ontem não sabia como é que ia ser hoje. Hoje tem sido muito bom. E depois? Desconhecimento certo. Assim, cada momento é único e vivível ao máximo. Tenho medos? Claro. Não me importam quanto sejam ruidosos ou penosos, sei que os tento incinerar à nascença e às vezes desconsigo. Remoem-me a paz mental, revoltam-me o físico, atabalhoam-me o espírito. Mas não tento gostá-los, dar-lhes um tom engraçado ou distraído. Tenho-os como medos na mesma. Eu tenho de viver com os meus medos. Ainda não cheguei à loucura. 


Sanzalando

10 de novembro de 2020

vida de paz

Caminho sobre os meus segredos, aqueles que nunca foram falados, sussurrados ou apenas insinuados e que me consomem por dentro. Esses são os meus verdadeiros segredos. Bons ou maus? São os meus segredos e assim vão continuar a ser, mesmo que eu, consumada e sacrificadamente caminhe por eles numa catarse minimalista.
Ponho os meus olhos de mistério, deixo a minha mente caminhar pelos segredos, dirão alguns que caminho na loucura, quando apenas vou caminhando nos meus segredos. Não os desvendo porque sinto necessidade de esconder algo para mim, algo que sou eu, somente meu. Não sou feito gota a gota, mas sim de segredo em segredo, de vida em vida, de momento a momento, conseguindo crescer e me mostrar como sou sem me revelar na totalidade. Um simples estalar de dedos me trás à realidade do aqui e agora, das borboletas que voam, dos olhos que riem das palavras simpáticas mesmo que caladas. 
Eu sou vida carregado de coisas, visíveis e misteriosas até me encontrar no meu ponto de paz.

Sanzalando

7 de novembro de 2020

amor e o tempo

Eu aprendi a viver contigo, 
mas sem ti a meu lado
eras uma constante, um abrigo
num silencio calado.

Aprendi a respirar o teu nome
quase esquecendo o meu
senti borboletas de fome
sonhando o rosto teu.

Eras uma constante
amiga e confidente. 
Estavas distante
mesmo noutro continente

Olhei fotografias, 
guardei recordações
e com o passar dos dias
perdi-me noutras paixões

Sempre quis mais
sem medir intensidades
e tu foste uma das tais
que quis ter por eternidades

Mas o tempo foi-te apagando, 
o amor feito dor
fui-me mudando
como murcha uma flor.



Sanzalando

6 de novembro de 2020

mar de saudade

Se calhar faz hoje anos que eu estava na praia a apanhar banhos de sol e a namorar sem que ela soubesse que eu lhe namorava enamorada e profundamente. O boca-de-sapo-tinha pousado suavemente no estacionamento das arcadas, tu, que caminhavas suavemente na elegância dos teus 15 anos, alta e direita porém não altiva, em direcção à areia onde eu deitado te procurava no melhor ângulo de te ver sem ser visto. Se houvesse mais mar daquele eu me afogava, me afundava, por ter engolido tantas vezes as frases de amor que decorava e repetia no espelho de casa para mais tarde para sempre calar. Mas nesse tempo eu engoli os restos de tanto amor, apaguei tantos incêndios ardentes no coração que se sofresse de remorsos eu era uma manta de retalhos. Mas nesse mesmo mar eu naveguei sonhos levando-te como capitã num barco que afinal nunca houve. Tu fugiste do meu barco porém eu continuei a navegar até chegar a algum porto que me abrigou, felizmente.
Se calhar faz anos hoje e tu nem eu nos lembramos de quase nada.


Sanzalando

5 de novembro de 2020

amar a vida

Sorrindo à vida, cabeça levantada, sigo caminho sabendo que uns dias estou assim e outras nem tanto. Mas é ela, a vida assim e vou fazer mais como? Tem dias que o dia corre parece é flecha e outros que a noite parece nunca mais chega. Vou fazer mais como? Viver. Isso é importante. Chove? Te resguarda. Venta, te protege. Soleia? Te abriga. É a vida, esta inconstância maravilhosa de vivê-la. Na vida parece que o principal problema é ter-se amor para não se sentia vazio, isolado, quando na verdade é o contrário, a gente precisa de vida para amar.


Sanzalando

4 de novembro de 2020

viva-se

Acho que tudo na vida é irrepetível assim como o amor é indestrutível enquanto durar. Eu acho e a realidade me tenta mostrar o contrário só para me contrariar. Olho para o mapa mundo e vejo-o plano. Gronelândia gigante e Austrália gigante. Eu não acredito. Mas eu compreendo a representação. Estudei-o e percebo porque é que assim me parece. Agora a vida... pode ser que às vezes faça falta um olhar adocicado, uma carícia ou um sorriso. A vida é um constante amanhecer com um dia pela frente, uma incógnita fugaz que rapidamente se desfaz, um namoro eterno enquanto durar, uma alegoria que floresce enquanto a noite se transforma em dia, um namoro enamorado, fantástico, mágico, por vezes trágico, boémio, errante, silenciado ou irritante. A vida é para se viver e mais tarde compreender em forma de saudade. A vida é ela mesma. Viva-se.


Sanzalando

2 de novembro de 2020

ser feliz

Me sento num passeio que ladeia a minha rua. Olho para lado nenhum. Não vou meditar no zulmarinho porque até parece vai chover e se tem coisa que hoje nem me apetece é ficar molhado. Mesmo que eu pense que eu seja um plural de mim antigo, um abrigo de felicidade, uma bolha de liberdade, um ser inexistente, nada, não me apetece ficar molhado. Euforicamente medito sentado no passeio da minha rua porque posso voltar para dentro mal caia o primeiro pingo de chuva. A euforia vem da minha alegria interior, da minha sabedoria de mim, do meu aroma a mim mesmo, do ser diferente por ser plural. Um eu só é solitário demais para a minha alegria de ser feliz.

Sanzalando

1 de novembro de 2020

mar de vida

E sem deixar o barco à deriva vou navegando lenta e calmamente.. Já me contei estórias para me lembrar de onde venho, o que fui fazendo, os portos por onde aportei e um dia escreverei estórias que realmente vivi sem me importar da felicidade que sempre procurei.
Não, não existe nenhuma raxa, fissura ou buraco por onde esteja a entrar água e eu me sinta a afundar. Simplesmente sei que não sou um barco totalmente à prova de água, que há coisas que podem acontecer, pessoas que chegam e partem, entendimentos que se desentendem, finais felizes que deixaram de o ser, cansaço, mágoas, tristezas e até frustrações, tudo coisas que podem alterar a flutuabilidade do meu barco. Eu não quero ver o meu barco no fundo porque seria o inevitável fim. Eu ainda quero escrever as estórias que me faltam, ainda quero viver a vida que me falta, ainda quero dar os abraços que me faltam.
É por tudo isto que eu navego lenta e calmamente por este mar de vida.



Sanzalando

11 de julho de 2008

filosofia da vida

Para ler com um cafezinho, mesmo eu não sabendo quem é o autor. Agradeço mesmo a quem me mandou.
Abraço paro o ORIENTE
Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que 'sim'.
O professor pegou então numa caixa de fósforos e vazou-a dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe.
O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que 'Sim'.
Logo, o professor pegou numa caixa de areia e vazou-a dentro do frasco.
Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio.
Os alunos responderam-lhe com um 'Sim' retumbante.
O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nesta ocasião.
Quando os risos terminaram, o professor comentou: Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes, a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia. Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro etc. A areia é tudo o resto, as pequenas coisas.
Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe.
O mesmo ocorre com a vida.
Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Presta atenção às coisas que realmente importam. Estabelece as tuas prioridades, e o resto é só areia.'
Um dos estudantes levantou a mão e perguntou:
- Então e o que representa o café?
O professor sorriu e disse: ' Ainda bem que perguntas! Isso é só para lhes mostrar que por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, sempre há lugar para tomar um café com um amigo.

Sanzalando

24 de junho de 2007

Me sento onde ninguém me vê

Me sento aqui neste canto, assim como quem não me vê e falo de mim para mim numa voz calada que eu não me sou surdo.
Olho e vejo que o mundo gira como se não houvesse outra coisa mais para fazer. Matuto na infância que tive, relembro os amigos que fiz e desfiz, m’atrapalho nos episódios que vivi e que agora não queria ter vivido, me gargalho doutros que foram belos e por isso ainda me lembro.
Afinal de contas quantos anos tem a hora? É! tudo depende mesmo da velocidade com que passam as lembranças assim neste cinema das recordações, neste filme de imaginação.
O zulmarinho está nas minhas costas como que a marulhar para ver se eu lhe dou atenção, que hoje eu não estou para ali virado.
Mas hoje mesmo me sento neste canto a ver para que lado se orienta a minha bússola. Nas raízes ou em novos troncos? Mesmo melhor é deixar passar as imagens do filme e ver onde é que aparecem as legendas, que eu não sou árvore mas tenho as minhas raízes, tenho o meu tronco e os meus ramos que dão outros ramos e por aí fora que isto não é aula de biologia.
Me lembro que um dia me contaram que o dia se apaixonou da vida numa paixão de ferver o gelo de um dos pólos se não mesmo dos dois. E nessa paixão que era correspondida, nunca se queriam separar um do outro. Daí resultou que a vida se murchava nessa não separação e o dia, ao ver esse mirrar na permanência, resolveu partir assim num suave descair de claridade até à escuridão fechada, dizendo à vida que se tinha apaixonado pela noite e que lhe ia visitar.
A vida, que não é parva de todo nem de nada, achou mesmo que ali havia mentira e deixou cair-se na tristeza, amargamente chorou lágrimas salgadas. Ainda hoje chora, cada vez que se lembra do seu amado dia, por isso de vez em quando chove nos dias de nostalgia, por isso ainda hoje existe noite para que a vida possa continuar sem definhar-se na sua paixão pelo dia e por isso cada dia nasce um dia como forma de nascerem novos amores.

Sanzalando

6 de junho de 2007

Filosofia de vida

Sento-me aqui enquanto na posição fetal te deitas na areia de mil cores sem deixar uma única marca. És a leveza instantânea do ser sombra. Te deitas e escutas as minhas palavras como se elas fossem totalmente tuas. Bebes-me as palavras, porque depois de eu as dizer olho em redor e não as vejo.
Hoje te falo de mim, do eu mesmo que existe aqui dentro e que se transparentiza nestes dia´logos contigo como se fosso ema frágil folha de vidro voando através da brisa marítima que me despenteia os ralos cabelos que ainda teimam crescer na cor natural deles, porque os outros de tão claros nem se dá por eles.
Na verdade , e como tu sabes porque eu ao longo destas nossas conversas já te devo ter dito e se não te lembras é porque já esqueceste nessa oca cabeça de vento, uma pessoa não chega a ser ela mesmo se não se esquecer de si e não se entregar ao amor. Independentemente de que amor a gente queira mesmo é pensar. Para quem não tenha encontrado um rumo, usando sextante, traçando no mapa da vida a rota, de esquadro e transferidor que nada transfere, segundo as estrelas, os satélites e o impulso, todo o seu passado se converte assim numa carga, o presente num problema e o futuro não passa de uma ameaça.
A felicidade não está no final do caminho, mas está só depois da acção realizada com sentido, quer a gente tenha necessidade ou não. Ela mesmo não está no fazer o que se quer mas sim no querer com que se faz. Num esquece nunca que eu sou filho do meu passado e penso ser pai do meu futuro.
Ouve bem o que eu te digo, porque não sei se algum dia te vou repetir as palavras que te digo.
Desde que tu tenhas um desejo de viver és capaz de aguentar qualquer coisa, porque a vida tem mais sentido quanto mais difícil ela é. A vida fácil é difícil.
Portanto, e assim numa forma de resumo, eu te digo, olhando o zulmarinho e saboreando o perfume da maresia, que sem sentido a existência não se vive plena e a vida não é sã.

Sanzalando