recomeça o futuro sem esquecer o passado

Programas K'arranca às Quartas no Blog

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5 de abril de 2009

Porque hoje é Domingo virei Guru de Blog

Porque hoje é Domingo e há muita coisa por aqui e por ali que optei por não fazer nada. Maneira de dizer, é claro. Sentei-me e desatei a pensar. Coisa péssima para fazer num Domingo.

Contarei uma história, das de agora ou dum antanho feito memória? Não me apetece porque de momento não se me ocorre nada.

Falarei de política? Nem pensar que já há muito quem o faça, que até fico verde de tanto laranja mesclado em rosa e vice versa.

Verterei lágrimas de nostalgia? Já foram muitas que, hoje Domingo, não me apetece fazê-lo.

Vou pensar vagamente e dou comigo a perguntar-me porque será que os blogs pioram com o tempo. Não sou um auto proclamado guru, mas sei do que falo porque não é primeira nem a quinta vez que leio, sem os piiiis da censura “ o teu blog já não é o que era, está uma merda…”

E com este mote continuo a desvendar linhas de pensamento e verifico que muitos dos meus blogs favoritos, alguns dos meus posts também isso mostram, há medida que o tempo passa vão-se deteriorando, ao ponto de alguns terem-se tornado intragáveis, que nem pago eu já os conseguiria ler. Maneira de dizer é claro, pois pode, em alguns casos, tratar-se de mera impressão, pela repetição de similar leitura. Assim numa maneira de leitura repetitiva, de quase já saber o que vai ser escrito por conhecer ‘bem de mais’ o blogger, conhecer o seu estilo, maneira de pensar, and so on, para dar um colorido linguístico a estas palavras.

Há momentos num blog que gera tranquilidade, fazem-nos sentir em casa umas vezes e, outras, totalmente contrários, sem rumo, numa mescla de estilo pastilha elástica com pneu usado em vias de reciclagem. Lidar com isto é difícil e por muito bem que se escreva, ou se pensa que se escreve, haverá sempre gente que se encanta e outra que dirá cobras e lagartos.

O tempo é o inimigo do blogger, se não for um blog de noticias, porque com o passar do tempo se esgotam as estórias, as Histórias e as memórias dum saber de cor.

Quando o blog começa tem por trás um monte de anos de vivências a serem contados. Este é o motivo principal da criação dum blog.

Penso na nostalgia e lá vai um post, na pena de morte e lá está outro, no telemóvel que não toca, outro, no beijo que não dei, outro. Porém chega um momento em que a totalidade dos teus conhecimentos e ideias já estão expostos no blog e já só tens o dia a dia para te alimentar. E se não vives o dia a dia os teus post reflectem a queda da qualidade.

Afinal parece que sou um guru que esgotada a ideia resolve ‘limitar’ as ideias de outros.

Bom Domingo!


Sanzalando

13 de outubro de 2007

com armadura

Me sento aqui e atiro os olhos para longe. Muito mais longe do que vão as palavras. Às vezes parece mesmo ser necessário construir escudos para me defender, levantar muros para que as flechas não cheguem assim num facilmente. Tento recuar no tempo para ver desde quando me tornei um perito nessas construções e desde quando fechei a alma para não sentir essas dores. Desconsigo descobrir porque penso que não tem um momento certo. Foi um somatório de coisas e tempos.
Quando a armadura está forte poucas coisas conseguem atingir-me e eu por vezes penso mandá-la para as urtigas mas lá aparece uma outra coisa insignificante a dizer-me que é melhor continuar assim.
E por isso assim me sento, olho longe e digo as palavras que me apetece dizer no significado que lhes quero dar.

Sanzalando

20 de junho de 2007

o vento de mar

Anda, vamos dar de caminho, deixar os meus pés marcados nesta areia de mil cores até que uma onda assim mais rebelde lhes venha apagar.
Vamos caminhar neste final de zulmarinho sem rumo. Encadernando as palavras que eu te digo e tu me acompanhas neste caminhar de solidão. Caminhamos aproveitando ventos e marés, por portos de águas mansas e transparentes.
Agora estou aqui atracado sem poder, ou querer, sair. Tens de ser tu a ajudar-me a encontrar o caminho de volta que ainda tenho a certeza de querer conhecer. Ainda quero sentir o perfume, ainda quero ver os lugares, ainda quero viver a vida.
Vê se ouves algum recado que chega de desde o lado de lá da linha recta que é curva, se encontras algum sinal nas nuvens.
Vamos dando passos nas palavras como quem monta um caminho.
O vento me sussurra que talvez devesse aproveitar a corrente que nos é favorável para nos encontrarmos e saber alguma coisa mais de nós. Consegues ouvi-lo? Talvez devêssemos caminhar mais juntos, eu sem sombra e tu sem corpo, numa repartição de tarefas, de silêncios e de palavras, de lágrimas e de sorrisos, de euforia e angústia.
Vamos aproveitar o vento que está a trazer o sabor a mar.

Sanzalando

5 de junho de 2007

Angústias

Vamos caminhar nos nossos passos seguros de equilíbrio instável. Eu falo e tu ouves, ou finges que ouves. Tanto faz, porque o que eu gosto mesmo é de falar.
Às vezes parece estar contaminado com a ideia do ser e perco um pouco a noção da realidade, de não crer na real existência.
Sabes, tenho que acreditar que quando fecho os olhos o mundo não desaparece. Ele continua ali, à minha volta na sua fervura lenta até à evaporação total.
Te parece estranho o que eu te falo logo hoje? Hoje porque é agora, logo é agora, tudo é hoje, intemporal tempo marcado no calendário da vida.
Fecha os olhos, finge que os tens. O mundo parece desapareceu e se agora os abrires lá está tudo na mesma como te rodeava nuns instantes atrás.
O mundo não desaparece quando fecho os olhos. Mas é pena, te digo eu. Não é porque eu queria que alguma coisa desapareça, mas sim para que enquanto eu estiver de olhos fechados não perca um instante deste mundo.
Mas a realidade é aquilo que os teus olhos vêem, que o teu corpo sente?
Tenho medo que a realidade que eu sinto não seja a real forma de existência.
Me entendes?
Pelo teu silêncio parece que sim. Ou não?
Olha, eu tenho medo que na realidade nada seja real e eu ande a perder tempo com angustias inexistênciais.
Mas a verdade é que a angustia está aqui, rodeando-me, embrulhando as minhas palavras que te dirijo, como se fosse uma prenda qualquer.
Olha, o melhor mesmo é embrulhar-me de angustia e não pensar em nada, seguir o caminho como uma marioneta, procurar-te num outro lugar, onde possa descansar à tua sombra.
Sanzalando

15 de março de 2007

Valeu a pena


Vá lá, esperemos que amanheça num amanhecer de sol, mas façamos algo de útil, alguma coisa que nos dê prazer, que nos faça feliz no instante deste momento.


Se eu tivesse um espelho para olhar-me, ver as curvas da cara se vincarem numa marca indelével do tempo, que abstractamente não existe porque o tempo é real, e ver-me sorrir porque me sinto feliz.


Depois de uns tantos anos de sonhos e fantasias queria olhar-me e ver se valeu a pena, queria perguntar-me se é o destino que me conduz ou se é a força de um trabalho que me alcançou até aqui. Queria ver-me, numa de cara a cara, e saber se o desejado tinha sido alcançado e se por algum motivo eu devia estar arrependido dos caminhos até então percorridos.


Sem o espelho eu imagino que o esforço das vontades confluíram até este momento em que sorrio porque estou feliz. Sem o espelho penso que valeram a pena os anos, os dias e as noites de insónia.


Esse lugar que me persegue nas horas que têm os dias está ali. Espera-me. Eu lhe olho outra vez desde longe. Experimentei-o, saboreei-o, vivi-o. Cresci, amadureci e aprendi. Sem o espelho digo-me que valeu a pena, mesmo que eu me sinta prisioneiro dele. Mesmo que a força dos meus desejos arrastem para longe as moscas que, num equilíbrio instável, pairam sobre a minha cabeça como se fossem helicópteros tentando ler-me o pensamento. Mesmo que os meus suspiros façam acinzentarem os castanhos cabelos que ainda teimam em resistir. Mesmo que o sorriso fácil tenha dado lugar ao esboço e eu me sente sobre as piadas contadas. Mesmo que olhares confusos me olhem. Valeu a pena!


Sanzalando

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11 de dezembro de 2006

A areia do meu desejo


Procuro o teu lugar.
Esse lugar de onde tu vens, de onde estás, de onde és.
Procuro-te, nas areias da minha desilusão, um sentido adequado para dizer-te desta angústia desconectada do conteúdo de um disco rígido.
Estranhos medos dos silêncios que me devolves.
Caminho nesta areia das mil cores neste verão do meu interior, procurando o teu lugar.
Que lugar ocupas em mim?
Alucino-me na textura das tuas imagens, das tuas recordações, dos teus amigos. Tu tão terrena e para mim tão celestial.
Tento encontrar o caminho nas horas que passam, de modo a aprender a voltar para o teu encadeado silêncio.
Silencio-me também? Sabes que eu jamais conseguiria ser o teu silêncio, a tua boca fechada. És tu a minha lágrima.
Afinal somos feitos de areia, maleável e despretensiosa, mas ao mesmo tempo firme e serena.
Caminho ouvindo o marulhar arritmado das ondas do zulmarinho tentando abafar os teus silêncios.
Alucino-me!
As nossas partes infinitesimais sabem levar uma mensagem. Nostalgia, angustia, saudade.
Caminho de um lado para outro. De areia em areia à procura do teu lugar dentro de mim.
Se calhar era mesmo ao contrário o que eu devia procurar, o meu lugar dentro de ti.
Olho-te na minha imaginação. Subo os teus montes, desço as tuas colinas. Saboreio-te com a vontade de te possuir de uma forma frenética. Não encontro nada mais belo que o teu contexto. Não há nada mais belo em mim se não o caminhar-te nos pensamentos, procurar-te nos meus lugares comuns. Vivo-te ausente.
Eu sei que vou descobrir-te, um lugar novo onde possamos ser tu e eu num alucinado ritmo de utilidades reciprocaras.
O que eu sempre devia ter descoberto é que não te devia ter perdido nunca. Hoje não teria que te procurar, não estaria na dúvida dos nossos lugares em cada um do outro.
Te esculpo, em cada segundo de mim, numa imagem real de todas as dimensões e calores.
Procuro-te na minha desilusão cobardemente disfarçada de medos.
Construo-te na perfeição imperfeita de um ser perfeito.
Construo-te nas minhas cores e paladares.
Construo-te castelo de cartas enfadadas de sonhos.
Bebo à tua saúde.
Na nau da minha imaginação recolho as velas e deliro-me nas tuas areias, beijo-te a alma.
És a areia do meu desejo.


Sanzalando