recomeça o futuro sem esquecer o passado

Programas K'arranca às Quartas no Blog

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24 de março de 2025

Olha bem para mim e sorri.

Olha bem para mim e ouve-me atentamente. Atira os teus olhos carregados de rancor e ouve-me, porque eu não vou gritar e muito menos tenho pachorra para repetir. A dona da tua felicidade és tu. Não causes dores tridimensionais em ninguém nem atentes contra a minha paciência porque o problema teu é teu unicamente. Perdes a cabeça, doí-te o corpo e tens os olhos sem brilho. Refresca-te e retira essa pose de vingança. Canta-te e sorri, atira o drama borda fora que ele não precisa do teu corpo para dramatizar. Deixa o drama viver a vida dele e tu vive a tua. 
Olha bem para mim e sorri. 



Sanzalando

12 de março de 2025

tão certa a minha incerteza

Faço escolhas sob a sombra do sobra. Tem coisas que sinto, outras que preciso e almas que me sentem. Será que a minha alma confia no futuro? Essa incerteza absoluta, imprevisível e quase sempre dúbia? Instalo-me na minha letra ilegível, rabisco desenhos como pés descalços, cabeças carecas, se calhar tentando distrair o pensamento para que não precise escolher. A sorte ditar-me-á a opção. Azar o meu que nem essa sorte eu tenho.
Tenho de escolher e as escolhas feitas, arrancam pedaços da minha incerteza. Tenho de encontrar fé em mim mesmo, de lápis na mão escrevo rascunhos que nem eu sei ler.
Há todo um céu incerto nas minhas absolutas certezas


Sanzalando

6 de março de 2025

gente

Tem janelas que machucam a gente. Tem portas que fecham quando a gente passa. Tem gente que faz mal na gente. E tem nós mesmo que não compreende a gente. As janelas e portas a gente fecha e não lhes olha nem passa e arrumado fica o assunto. Na gente que a gente até que nem desgosta mas nos desgostam, a gente põe de lado faz de conta é capim para gado pastar. Mas quando a gente não gosta da sua própria gente nem a sombra pode pôr de lado que ela vai com a gente. Esse é um dilema que até dá dor de cabeça só de pensar. Não precisa olhar no espelho. Basta a gente se olhar para dentro e fica logo desolado. Vamos fazer mais como. Tem mesmo a gente que aturar a gente que é a gente.

Sanzalando

3 de março de 2025

no meu Espaço

Deixo-me esparramar sobre o meu espaço pessoal, que é aquele em que cada pessoa se perde nos pensamentos, em que me creio sentir confortável e seguro. Pode ser um quarto aconchegante, uma mesa de trabalho organizada, um cantinho para relaxar ou o vazio de quem vê o mar. Este espaço reflete a minha personalidade bem como as necessidades essenciais para o meu bem-estar. Respeito-o porque o espaço pessoal é fundamental em qualquer momento. A maresia, a solidão, a brisa, eu, um mundo cheio de mim, carregado de vida, sorrisos dispersos, lágrimas perdidas. O meu espaço no mundo, sem fronteiras nem barreiras leva-me por tantos aís que acabo de me encontrar num espaço urbano onde me cruzo com muita gente, onde observo as fachadas, as árvores, os rostos fechados, os silêncios barulhentos e confusos, caóticos momentos. Mantenho-me equilibrado na minha qualidade de observador pensante, vagabundo de pensamentos e sem abrigo desobrigado de rotinas pelo que num instante dou comigo num espaço cósmico, num vazio repleto de sonhos e desejos, porque estes não ocupam lugar embora fascinem.
Vou por aí, até entrar no buraco negro que é a vida que tudo absorve e tudo confunde.

Sanzalando


1 de março de 2025

divagação de mim

Deixo-me esparramar sobre o meu espaço pessoal, que é aquele em que cada pessoa se perde nos pensamentos, em que me creio sentir confortável e seguro. Pode ser um quarto aconchegante, uma mesa de trabalho organizada, um cantinho para relaxar ou o vazio de quem vê o mar. Este espaço reflete a minha personalidade bem como as necessidades essenciais para o meu bem-estar. Respeito-o porque o espaço pessoal é fundamental em qualquer momento. A maresia, a solidão, a brisa, eu, um mundo cheio de mim, carregado de vida, sorrisos dispersos, lágrimas perdidas. O meu espaço no mundo, sem fronteiras nem barreiras leva-me por tantos aís que acabo de me encontrar num espaço urbano onde me cruzo com muita gente, onde observo as fachadas, as árvores, os rostos fechados, os silêncios barulhentos e confusos, caóticos momentos. Mantenho-me equilibrado na minha qualidade de observador pensante, vagabundo de pensamentos e sem abrigo desobrigado de rotinas pelo que num instante dou comigo num espaço cósmico, num vazio repleto de sonhos e desejos, porque estes não ocupam lugar embora fascinem.

Vou por aí, até entrar no buraco negro que é a vida que tudo absorve e tudo confunde.


Sanzalando

28 de fevereiro de 2025

Tempo descicatrizante

Me estão só para aqui a dizer que o tempo cura as feridas. Mas me estão a mentir. O tempo faz só com que a gente fique habituado até no ponto de a gente se esquecer como é que era. De repente vem uma notícia, uma fotografia, um som ou um cheiro e a ferida reabre parece ainda é a mesma. Agravantemente a reabertura faz com que pareça que a morte te entranhou e já não estás vivo. 
Esse tempo é malvado. Nos branqueia, nos engorda, nos curva e ainda nos faz recapitulações da matéria passada. 
Não tem essa do amor e coisa e tal. É mesmo só fruto do tempo descicatrizante.
Paz na alma do tempo.


Sanzalando

26 de fevereiro de 2025

eu na minha cidade

Me olho e me vejo. Quem sou? Já sei que sou o intermédio da matéria visível e o espírito que realmente penso. Nem apenas o físico que podem ver nem a mente que penso. O visível é dependente da percepção e capacidade visual de quem me olha. O que penso pode ser alterado pela intuição e interpretação de quem me imagina ver.
Na minha rua eu era o menino que estava sempre bem, a simplicidade fazia parte da minha essência. Nas outras ruas eu já podia ser outra coisa. Mas a minha cidade era pequena por isso eu não podia ser muitas coisas. Ao que sei tinha gente que nem imaginava eu existia., logo não tinham ideia de quem eu era ou podia ser. Mas eu era um habitante da minha cidade. Era um transparente porque inexistente nessa parte da cidade. Mas eu era eu. Disso eu tenho a certeza. Eles não podem ter a certeza porque estavam errados, mesmo não sabendo.
Era a minha cidade onde eu era conhecido e também desconhecido. Era eu e não era eu.
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Sanzalando

25 de fevereiro de 2025

a minha cidade

Deixo o meu corpo caminhar sobre uma cidade que inventei.
Perdida no tempo e sem espaço, a minha cidade cresce até onde os meus olhos alcançam. Ela é linda, talvez porque seja feita sob a minha imaginação e eu não gosto de a desperdiçar. Ela é plana porque eu não gosto de caminhar aos altos e baixos, além de que gosto de ver longe, muito longe, sem barreiras. 
A minha cidade tem ruas quadriculada e matemáticamente certas. Eu não gostaria de me perder na minha cidade. Gosto de saber por onde ando e por onde posso voltar.
A minha cidade é grande como grande é a imaginação de quem a visitar. Mas é linda, independentemente de quem lhe gostar

Sanzalando

24 de fevereiro de 2025

esvaziei a imaginação

Sentei-me frente ao papel. Olhava-o e ele inerte e branco, vazio de letras e palavras. Que faço, pergunto-me sem articular qualquer palavra. Ouço-me em pensamento e respondo-me na volta com um 'estou em branco'. Com a caneta fiz um desenho. Eu a desenhar é lindo de esconder. Mas palavras, que eu queria, nem uma.
O desenho por mim feito parecia ter criado vida e até parecia me atirava a língua de fora a fazer pouco. Nem uma palavra fazia companhia ao desenho já quase desfeito por mim. A Rua das Hortas ou a Avenida da Praia do Bonfim vinham-me à cabeça mas palavras que é o que eu queria, nada. A D. Maria Guedes vinha à janela da minha imaginação, mas não dizia palavra nem fazia algo que me tirasse daquele bronco vazio de palavras. A esposa do Raul Gomes também veio à janela. Sorriu-me e palavras nem uma. E o desenho quase rasgado de raiva sorria-me atirando a língua para fora num faz pouco deste vazio imaginário. D. Lucia salvou-me quando me disse vai para casa que está cacimbo.
Eu fui e abriguei-me desta vergonha vazia de ideias e palavras.

Sanzalando

15 de fevereiro de 2025

desenho-te com palavras

Quantas vezes te fiz o retrato usando as minhas palavras. Sei-te de cor cada desenho meu. Porém sei que estou completamente desatualizado. Recordo-te com 18 anos e faz meio século que te perdi no olhar. Como te desenharia hoje? Manteria o teu riso enigmático? Poria o teu olhar brilhante porém questionante? Ou será que te deveria descrever a bold e em maiúsculas onde o teu poder coubesse? Não faço a menor ideia. Os teus castanhos cabelos agora têm cor artificial ou branquearam como o salitre dos nossos dias de verão?
Raios me partam se eu sei como te poderia desenhar hoje com as minhas palavras?

Sanzalando

14 de fevereiro de 2025

delirante

Cada vez que escrevo uma palavra eu enriqueço. Um som, uma frase, uma admiração, eu atenciosamente ouvindo, enriqueço. Sem grandes ou pequenas palavras eu vivo, desde que sejam palavras audíveis. 
Se cada palavra representar uma pessoa, eu estou rodeado de multidão e, dessa gente, algumas eu levarei para um lugar grande de mim: a minha vida.
Cada palavra parece ser um código de barras de alguém. Eu em delírio.


Sanzalando

12 de fevereiro de 2025

o que fomos

Enamorado de ideias, dançando ao sabor da música dos desejos, vagueio por pensamentos com vontade de atracar num porto seguro.
Os teus braços fechados encerram abraços que me podias dispensar, os teus lábios serrados escondem os beijos que não me destes. Desviei-me de desejos com medo de te acordar. 
Somos luz e escuridão, dia e noite, aberto e fechado. Desentendemo-nos na sincronização da vida, perdemo-nos nos afectos e vontades.
Fomos um ponto e virgula que se desentendeu, ficaste no ponto e eu fui-me na vírgula.


Sanzalando

10 de fevereiro de 2025

divagando

Vagueando o olhar por entre o cacimbo da manhã na praia encontro-me mesclado de saudade e esperança. Já tentei parar de olhar e recolher-me a casa, deixando esta não vista para outro dia em que eu a tenha, porém a maresia, o marulhar e a solidão agarram-me como se eu tivesse que estar ali. Se calhar há um qualquer verão que me chama. No âmago da minha existência, no centro do meu querer. Mas quem sou eu para estar aqui, ao cacimbo à espera de quê? 



Sanzalando

5 de fevereiro de 2025

memória

Saltitando de pensamento em pensamento vou vagueando feito um tonto perdido sobre mim. É, acho que me perdi. Desencontrei-me de mim e fui por aí ao sabor da memória como se fosse um mar de maré vazia, sabor a sal e quente como tropical fosse. Deixo-me ir. Sou um jovem sem pátria, sem ponto de partida e nem sabe onde fica a chegada. Sigo-me de memória, rastejo ideias, umas rascas e outras aparentemente sérias e perfumadas. Mesmo estas são fachada porque desconsigo viver a memória. Tenho-a, mas isso mesmo, é só memória.


Sanzalando

4 de fevereiro de 2025

navego

Navegando por pensamentos e sonhos dou comigo a rever amores. Uns perfeitos e outros impuramente desfeitos. Há amores que parecem belos porém tal como os seus frutos são amargos. Há outros que feios dão cor à vida e se perpetuam indefinidamente reluzentes. É isso. Amor não precisa de truques nem magias porque ele só por si é uma magia. 
Vagueando por ideias e pensamentos dou comigo a falar sozinho, entre a minha dormência impaciente e a minha demência inocente.
Vagueio-me vagabundando por ruas de sonhos e desejos, memórias e palavras soltas.

Sanzalando

31 de janeiro de 2025

Falando à toa

Tem dias que as palavras são mudas, caladas e silenciosas. Tem dias que o pensamento parou num tempo vazio. Tem dias que só apetece dizer que a ilusão ou o sonho duram um instante e a realidade é constantemente real.

Sanzalando

30 de janeiro de 2025

será assim ou não

Eu não sei se algum dia às pessoas verão a minha melhor versão. Na verdade, não sei, talvez ela nunca irá existir. Eu sou esta bagunça, este emaranhado de pontos e vírgulas, de perguntas e respostas que às vezes eu consegue dar um jeitinho ás coisas.
Às vezes eu escondo a confusão e sorrio.

Sanzalando

28 de janeiro de 2025

Não fiz triste a saudade

Se o vento sopra leve e me deixo adormecer, junto do mar, eu sonho. Tantas vezes sonho contigo e com tudo o que planeamos. Tantos desses planos foram só da minha cabeça que eu já começo a pensar que nunca soubeste que eu existia, quanto mais pensava e planeava. Mas na verdade entravas sempre nos meus planos. 
Aqui, ouvindo o marulhar, deixando-me embalar pelas ondas suaves deste fim de tarde calmo e sereno, parece chove dos meus olhos umas quantas lágrimas lastimando o tempo que te sonhei e nada fiz. Essa dor de ter ficado calado, essa dor de não me ter despedido, a desesperança de te ter visto voar levando contigo o amor e deixando a solidão, me entristece, me inverte numa morte viva de tristeza.
Acho mesmo foi o melhor que me aconteceu. Não te fiz triste.


Sanzalando

27 de janeiro de 2025

poeticamente complexo

Tem dias são tempestades, outros são calmaria. Um olhar, um sorriso, uma máscara, uma moeda, coisas simples, transformam o dia.
Eu refletido no espelho não é outro lado de mim. É reflexo. Eu deste lado é complexo.
Tudo é tão simples. O coração bate ritmado. Ninguém pensa nele. Desritma e é complexo, tempestade.
Tudo é tão simples que até parece poesia no final.

Sanzalando

26 de janeiro de 2025

que pergunta faria?

Se eu pudesse te perguntar algo agora, que pergunta te faria? Quantas vezes eu pensei esta pergunta? Cada vez que dou resposta a pergunta sai diferente. É o clima, é o tempo decorrido, é o facto de não saber se quero mesmo fazer alguma pergunta que me faz com que defira ou difira a pergunta que te gostaria de fazer se alguma vez a pudesse fazer.
Eu sei que amar é um verbo que se conjuga em acções e não em palavras e muito menos em perguntas. Se te amei? Juro que agora não sei responder. O tempo passou, muitos ventos, muitas calemas, muitas quedas e muitas lágrimas passaram para poder dar uma resposta sem traumas ou subjectividades. Posso dizer-te que na altura eu morri, morri de amores por ti. Passou o tempo e a recordação foi ficando mesmo isso: recordação.
Eu não enjaulo as minhas palavras, não escondo as minhas perguntas, nem camuflo os meus sentimentos. Mas na verdade eu não sei agora que pergunta te faria se te pudesse perguntar algo agora. Se calhar era capaz de perguntar se ainda te lembras de mim, ou se o tempo estava bom para ti. Era capaz de sair uma pergunta tão trivial que tu me olhasses e te perguntarias se depois de tanto tempo eu não mudei nem um bocado. Continuo a ser o mesmo de sempre, sem malícia nem capacidade de esconder a minha natureza. Foste um pedaço de mim que um dia perdi por um caminho que nem me lembro já onde foi.
Estás viva? olha, foi o que saiu!


Sanzalando