recomeça o futuro sem esquecer o passado

Programas K'arranca às Quartas no Blog

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11 de julho de 2012

Usando Friedrich Nietzsche

“Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal, não hesitando em usar o bom senso, a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva e as mágoas, que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las.”
—Friedrich Nietzsche.   



Sanzalando

17 de outubro de 2011

prelúdio

Lá está ela, mais uma vez.
Não sei, não vou nunca saber, porque não dá para entender como ela não se cansa de me provocar. Parece que para ela tudo se passa como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever, que nessas escolhas eu erro. Ou melhor, até se podia prever, mas ela dispensa, dispersa, baralha e dá de novo.
Acredito que ela, lá no seu fundo, gosta dessas coisas. De se deixar ser apaixonada, de fazer com que me se jogue num rio onde ela não sabe se consego nadar. 
Ela não desiste e leva bóias escondidas para me atirar cada vez que eu me afogo.
E ela sabe se eu me afogar, me recupero. Estranho e que ela já me fez apanhar demais da vida e um dia se vai surpreender e eu lhe gritarei desisto que até lhe deixarei surda. 
Ela me provoca relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser substituta.
E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que me garante que  qualquer alguém não está somente servindo para tapar buracos, servindo de curativo paras feridas antigas? 
Ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Eu sei, mesmo não sendo o escolhido.
Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor para curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe para trás, fraco e sangrando. Daí  que se espera por alguém que venha me curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. 
E para ela? 
Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. Mas ela também, tal que nem eu, se levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você, eu e todos os outros, viemos ao mundo.

Sanzalando

5 de abril de 2009

Porque hoje é Domingo virei Guru de Blog

Porque hoje é Domingo e há muita coisa por aqui e por ali que optei por não fazer nada. Maneira de dizer, é claro. Sentei-me e desatei a pensar. Coisa péssima para fazer num Domingo.

Contarei uma história, das de agora ou dum antanho feito memória? Não me apetece porque de momento não se me ocorre nada.

Falarei de política? Nem pensar que já há muito quem o faça, que até fico verde de tanto laranja mesclado em rosa e vice versa.

Verterei lágrimas de nostalgia? Já foram muitas que, hoje Domingo, não me apetece fazê-lo.

Vou pensar vagamente e dou comigo a perguntar-me porque será que os blogs pioram com o tempo. Não sou um auto proclamado guru, mas sei do que falo porque não é primeira nem a quinta vez que leio, sem os piiiis da censura “ o teu blog já não é o que era, está uma merda…”

E com este mote continuo a desvendar linhas de pensamento e verifico que muitos dos meus blogs favoritos, alguns dos meus posts também isso mostram, há medida que o tempo passa vão-se deteriorando, ao ponto de alguns terem-se tornado intragáveis, que nem pago eu já os conseguiria ler. Maneira de dizer é claro, pois pode, em alguns casos, tratar-se de mera impressão, pela repetição de similar leitura. Assim numa maneira de leitura repetitiva, de quase já saber o que vai ser escrito por conhecer ‘bem de mais’ o blogger, conhecer o seu estilo, maneira de pensar, and so on, para dar um colorido linguístico a estas palavras.

Há momentos num blog que gera tranquilidade, fazem-nos sentir em casa umas vezes e, outras, totalmente contrários, sem rumo, numa mescla de estilo pastilha elástica com pneu usado em vias de reciclagem. Lidar com isto é difícil e por muito bem que se escreva, ou se pensa que se escreve, haverá sempre gente que se encanta e outra que dirá cobras e lagartos.

O tempo é o inimigo do blogger, se não for um blog de noticias, porque com o passar do tempo se esgotam as estórias, as Histórias e as memórias dum saber de cor.

Quando o blog começa tem por trás um monte de anos de vivências a serem contados. Este é o motivo principal da criação dum blog.

Penso na nostalgia e lá vai um post, na pena de morte e lá está outro, no telemóvel que não toca, outro, no beijo que não dei, outro. Porém chega um momento em que a totalidade dos teus conhecimentos e ideias já estão expostos no blog e já só tens o dia a dia para te alimentar. E se não vives o dia a dia os teus post reflectem a queda da qualidade.

Afinal parece que sou um guru que esgotada a ideia resolve ‘limitar’ as ideias de outros.

Bom Domingo!


Sanzalando

18 de janeiro de 2009

(07) - Texto Pedido - Acácia

ACÁCIA
Acácia seca, despida,
Bordejando os caminhos
Passam por ti e desdenham
Teus braços esguios, sedentos,
Na tranquila sonolência
Da tarde que vai morrendo.
Despertas! Já não és penumbra esguia.
És raiz feita flor,
Deixas de ser una, és múltipla,
Brotando toda em botões
Como sangue em borbotões
E raios de ouro em pó
Escorrendo das ramagens.
Talvez tu, na hora calma
Consigas colher estrelas…
Apanhar essa riqueza
Que vem deo sol e da brisa
E no teu tronco desliza…
Entre nuvens, vento e mar,
O teu destino é passar
A tirar sempre o melhor
Do pouco que a terra tem.
VERA LUCIA


Sanzalando

7 de dezembro de 2008

(06) Texto Pedido - MORROS DE BENGUELA

MORROS DE BENGUELA

Vós que vos ergueis agrestes
Sob o azul do céu nevoado,
Vós que pareceis negros gigantes
Que a Terra (santa mãe)
Não sepultou no ventre ubérrimo,
Dizei-me: Quem sois?
Sim! Contai a glória, ou martírio
(Mistério transcendente)
Dessa vossa vida surpreendente.
Sois monumentos sagrados
De feros dramas e façanhas?
Quem pisou o vosso chão?
Tu, pedra escura,
Que linguagem estranha,
Que mistério escondes?
Dalgum santo missionário
Que pisou e sagrou a tua gleba?
Dum valente, indómito colono
Que com galhardia e amor pátrio
Fecundou Angola, que era Portugal?
Falai-me, por Deus,
Da vossa vida, da vossa lenda,
Penedos escuros de estranhas vidas.
No silêncio perpétuo e eterno
Oh morros de Benguela,
Concedei-me que eu, um dia,
Feita pó, feita lodo,
Durma prostrada, em paz.
Mas depois da minha morte
Feito pedra, pedra forte,
Meu pobre coração
Permaneça eternamente
Repousando a vosso lado.

Vera Lucia

Sanzalando

5 de outubro de 2008

04 - Texto Pedido - Tempo Perdido e Sempre

TEMPO PERDIDO

Sinto raiva só de pensar

Em todo esse tempo perdido,

Nesse oco, esquivo tempo,

Nesse tempo não vivido

Porque o tempo eras tu.

Tempo que nada levou

Porque nele nada valia.

Eras tu a noite e o dia

E como eras tempo te foste

Deixando só amargura.

E porque o tempo tem pó

E é vago tempo sòmente

Não me doi o ficar só.

Tenho raiva unicamente

De ter perdido esse tempo.

  

 SEMPRE

É sempre do passado o mesmo incenso

Qu'envolve o presente

Em luto intenso.

É sempre no meu peito a mesma garra

Este tédio, este andar

Sem uma amarra.

É sempre em cada dia

A escura noite

Sempre dentro de mim amarga essência

Porque o sempre, do meu sempre

É a tua ausência.

Vera Lúcia Kalaari
Sanzalando

24 de agosto de 2008

(02) Texto Pedido - ORIGENS

Aqui estou eu caminhando palavras e imagens de sonhos quando vejo que o sol está a pintar-me sombras como se eu fosse uma tela em branco.
Assim, ao domingos e quando tiver textos pedidos, publicarei textos alheios.
Vá lá, quem tem mesmo uma caixinha com eles assim num esconde esconde manda para mim…


Eu vim da terra dos traídos
Vim dum monte de sonhos destroçados
Vim de cidades em ruinas
Dum bando de famintos revoltados.
Amei os pobres, as crianças, as mães amarguradas.
Fui choro, fui pranto de muitos lares,
Fui o roçar de facas, de chibatadas.
Entrei nos templos, p'ra achar pureza,
Desci às ruas, p'ra conhecer tristeza.
Fui bandeira branca, desfraldada,
Fui lágrima de noiva abandonada.
Fui grito de dor, brado de morte,
Fui brinquedo morrendo com um menino.
Fui solidão e fui miséria
Fui flor de sangue derramado.
Eu vim da terra dos traídos...
Da terra sem lares, ou maternas mãos...
Sem portos, sem ruas, sem amores,
Sem Credos, sem Deus, sem alvoradas...
Vim dum bando de crianças inocentes
Qu´esperavam com fé p´la madrugada,
Que não conheciam ódios raciais
E tinham direito à sua sobrevivência.
Eu sou a que está convosco, incompreendidos,
Que não querem curvar-se ao cativeiro,
Que querem ser livres, encontrarem-se,
E acreditam que num futuro aurifulgente,
Num mundo sem ódios, nem concessões,
Tudo será melhor, será diferente.
Vera Lucia

Sanzalando

17 de agosto de 2008

(01) Texto Pedido - NOSTALGIA

Aqui estou eu caminhando palavras e imagens de sonhos quando vejo que o sol está a pintar-me sombras como se eu fosse uma tela em branco.
Assim, ao domingos e quando tiver textos pedidos, publicarei textos alheios.
Vá lá, quem tem mesmo uma caixinha com eles assim num esconde esconde manda para mim…

Escondida na minha choupana, nos caminhos que serpenteiam na verdura da minha montanha/paraiso, onde a saudação dos pássaros me anunciava a hora de começar o dia...
Perdida na tranquilidade da natureza, onde o tocar do tambor consolava pelo excesso de paz, nesse sorridente, belo e doce vale, entre os companheiros meigos e mudos da minha silenciosa solidão: o meu cão e as minhas filhas miudas.
A realidade do quotidiano (a minha realidade) não conhecia nada, além do bom senso que me era legado por esse Deus, que eu alcançava, interpretando-o como fogo, chuva, trovão, ou mesmo sol, mas com o Qual eu vivia em harmonia.
Fosse esta uma interpretação bárbara, era esse o meu Credo, era essa a minha vida.


Sanzalando