recomeça o futuro sem esquecer o passado

Programas K'arranca às Quartas no Blog

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29 de setembro de 2009

Sonho ou loucura?

Já não sei onde estou do além por aqui, que é como habitualmente me oriento perante os outros.

- Por onde andas, Pá?

- Por aqui! secamente e sem mais adjectivos, substântivos, subtrativos e outras coisas que não saõ para aqui chamadas, lhes respondo. Mania de quererem saber tudo. Brrr.

Na verdade, quando uma pessoa se consegue convencer, de que toda a vida se rege por absurdos, é porque a sua capacidade de sonhar está dando as últimas e está para se despedir de si que é um instante. Diga adeus, despeça-se da sua existência porque os fuzíveis se fundiram num incandescente inferno, num aberrante estado de loucura.

Eu por aqui há muito me despedi de mim e me entreguei a ti num absurdo estado de descartável insanidade mental.

Se não me conhecesse, diria que me tinha afundado num aberrante estado de saudade inecessário.

Na verdade não consigo olhar para trás e lembrar-me de todas as mentiras, nem olhar para a frente e sentir o peso da imortalidade. Vejo cores com que me defino o tempo. É cedo e por isso vejo uma cor clara. Como será o branco claro? E o preto escuro? Só encontro clausulas, leis, regras, sistemas prisionais. Ah! o meu sonho. Felizmente que o tenho e com ele assinei contrato para a vida.


Sanzalando

24 de setembro de 2009

Caixotes de sonhos


È dia como se fosse noite. Silêncio. Um vazio completo me rodeia que até parece eu sou ilha perdida no meio dum qualquer oceano. Enfim, está a quitude completa para eu ne deixar embalar no sonho de sonhar-te. Imagino-me a procurar uma tantas caixas de cartão, de dimensões aceitaveis, nem grandes nem pequenas, subjectivamente do tamanho ideal. Procuro esferovite ou aquele plástico de estalar de modo que consiga protejer o meu fragil coração. Ponho uns tantos saquitos de silica, uma ou outra tablete de chocolate, não lhe vá dar uns apetites, assim como quem não quer a coisa, deixo uns tantos desejos escritos nuns papeis estrategicamente desarrumados, mal embrulhado deixo cair um pouco da minha ingenuidade e absurdamente cai também uma lágrima.

Os sonhos não caducam mesmo que se sonhe tarde numa manhã quase cedo. Não têm efeitos secundários também. E com um outro retoque até parece que são sempre novos. Pelo menos os meus sonhos são assim.

Olha, numa das caixas vou arquivar as pequenas frustações, alguns medos, os ilimitados limites a que consigo ir. Noutra, bem mais pequena, ponho as coisas boas, os nomes poucos de gente boa.

Se alguém perguntar eu direi que são as caixas dos meus sonhos. Da pequenina à grande. Em conjunto fazem um conjunto de harmonia e desgarradamente são um chinfrim que ensurdece um surdo.

Um dia ou outro abro uma caixa. Ao acaso, por acaso e sem ter preocupações no caso. Todas as caixas são minhas e todas estão bem condicionadas.

São os meus sonhos encaixotados.


Sanzalando

22 de setembro de 2009

sonho-te para ser teu

Sonho-te como se ouvisse uma qualquer canção de amor. Em francês, por exemplo, porque acho a língua doce, apaixonante. Não a entendo, mas transmite-me uma qualquer magia que faz com que me apeteça compartilhar este amor que te sinto. Eu não sei se a entendes. Mas serve-me bem para te amar neste sonho. Mais ou menos fazer com que me vejas sem necessidade de gritar ou espalhafatar. A música embala-me neste sonho. E tenho a sensação que me olhas, que me reparas com os teus olhos amendoados e doces, mesmo que seja numa superficialmente forma de ver. Um dia os teus olhos penetrar-me-ão na alma e ver-me-ás. Estou tão certo como a melodia da canção que ouço, te apaixonarás um dia por mim e retribuirás todos estes sonhos. Procurarei, diariamente, a confirmação, assegurarei que teus olhos só me verão a mim, na base do egoísmo chamado amor. Sonho-te castrando-me de segundos, carregando-me de medos, voando pelos céus como uma criança na sua inocência. Descobrirei que sou grande e que grandes coisas nos esperam para além deste mundo de sonho que construi à tua volta.

Sonhar-te não é esforço desde que eu não me separe de mim, desde que eu não me equivoque.

Sonho-te para que um dia me deixes ser teu. Eternamente.


Sanzalando

21 de setembro de 2009

hoje também te sonho


Me procuro nos sonhos. Não são grandes sonhos, também não os são pequenos. São sonhos de embalar, com que adormeço a saudade, com que limpo as lágrimas, com que escondo as borbulhas causadas pela triste sina de ter um fragil estado de ser. Corações fracos que se resfriam na humidade dum cacimbo. Que fazer contra a realidade se não a afagar em sonhos?

Podia beber uma taça de chocolate, um copo de vinho, um outro mimo qualquer e refugio-me no sonho de te sonhar.

Podia olhar por aqui e por ali, abstrair-me da tua ausência, esquecer o teu perfume, ar rebelde dum pôr de sol carregado de cor de fogo, mas continuaria a crescer em mim o absurdo real de te sonhar no sentido incompreendido duma qualquer cumplicidade.

Sonho-te como se fosse uma forma estranha de estar disperto.

Será que os sonhos têm prazo de validade? Caducam?

Enquanto te sonhar estou certo eles não me azedam no frigorífico da alma gelada. Sonho-te como uma forma de energia que me eleva ao nível das nuvens.

É assim que decido o balancete da experiência e da aprendizagem, pequena maravilha de poder compatilhar todos os meus sentidos.

Sonho-te, eternamente, por hoje.


Sanzalando

16 de setembro de 2009

sonhar-te assim é forma de vida

Me sinto como que perdido nos gritos, mais pressentidos que gritados, por entre gente invisível que me vai povoando o labirinto da imaginação, ruas poeirentas dum passado que acho que não foi o meu. Se o foi, deve ter-me passado despercebido, ou então é mais um fruto dos sonhos que sonho de ti. Também não é hora de perguntar se o passado me volta a visitar, porem navego por rostos que me são familiares mas que se calhar hoje não os reconheceria. Enigmas. Enigmas da minha interioridade física e metafísica. Afinal de contas sou um conjunto de espelhos quase paralelos que mostram numa repetição infinita o reflexo dos meus sonhos, mesmo os não sonhados ainda. Vá lá que não me cai o céu em cima, nem flocos de neve caiem numa marginal desconhecida. Não me afundo na triste notícia da incapacidade de ver mais além que o alcance dos meus olhos, não me afogo nas lágrimas que choramos os dois, cada um por si e seus motivos. Enigmaticamente sonho-te, dia e noite, ininterruptamente e abruptamente. Quem sabe até violentamente. É o meu modo de vida, sonhar-te, ter-te, possuir-te, viver-te. Mas também o é chorar-te.

O marulhar deste mar que é meu, a água dum rio numa zona de rápidos, são cânticos que te canto e te ouço e me socorrem na forma de vida cinzenta da nostalgia dorida que escolhi vestir.

Aos poucos, sobe-me a sabedoria do socorro carregado de medo, elevo-me quase aos céus numa entrega que me faz esquecer a matéria e quase me faz rezar rezas que não aprendi.

Aos poucos deixei de ter pressa e, num caminhar pensativamente dolente, me elevo para ver os tuneis da vida sulcados num qualquer manto de luz.

Sonhar-te e assim procuro a minha vida aqui neste catinho de silêncios.

Sanzalando

14 de setembro de 2009

sonho de adeus

Me deixam estar aqui quietinho, silenciosa e escultutoricamente. É, virei estátua do meu silêncio enquanto a tarde avança rápida por entre o chegar da noite. Foi hoje o dia que as andorinhas se juntaram na minha porta como que a me pedir autorização de partirem para terras mais quentes e me deixarem aqui a lhes esperar mais uns tempos. Nesta estátua de observação procuro a tranquilidade desejada nas entrelinhas da minha estória que um dia ousei viver desde que nasci. Ouço o zulmarinho mesmo não lhe estando ao pé, porque é ele que me faz regressar à vida numa figurinha dum cromo descolada dessa estória que me vai escapando da memória. Hoje regressei ao bairro antigo onde nasci mesmo que não tenha nascido num bairro porque a cidade era em si um bairro apenas. Hoje olhei nos olhos dos amigos com quem brinquei as primeiras brincadeiras que tenho lembrança.

Hoje tenho uma tarde como se estivesse a dizer adeus a um sonho. Quieto, olho à minha volta como quem procura uma saída que não diga entrada de coisa nenhuma, quero meter na gaveta do esquecimento as dores, as lágrimas, as minhas e as de outros que eu testemunhei.

Hoje, aqui no silêncio da quietude isolada da solidão, sonho-te de braços abertos à minha espera, como quem espera essas andorinhas que hoje me vieram pedir licença de partir sem mim.

Hoje, a tarde avança rápida por entre lágrimas que não me apetecem chorar.



Sanzalando
Posted by Picasa

15 de abril de 2008

Máscaras

Em cada lado vejo um espelho. Olho-me por um, por outro e outro, num não terminar sem concluir que tenho uma cara para cada ocasião. É assim mais ou menos como que uma mentira que vou projectando ao gosto do momento.
Às vezes estamos com cara de caso único, particular e esquecemos que quem nos olha já teve a mesma cara noutras horas, noutros momentos. Ou vai ter.
Há sempre um momento para cada cara, segundo as personagens dos vários papéis, segundo os momentos de cada ocasião.
Quando nos encontramos sozinhos todas estas caras caiem por terra, a não ser que nos enganemos a nós mesmo. Não existe aqui a máscara, apenas a cara.
Mas nem sempre a máscara é uma mentira. Às vezes é a máscara necessária para ocultar sentimentos, bloquear transparências.
Afinal de contas a cara é uma máscara!



Sanzalando

6 de setembro de 2007

reconstruindo o passado

Me sento na sorte de um acaso.

Recordo-me de construir castelos na areia das mil cores. É, quando ia passear na areia, esperar as mukandas que me chegavam desde lá do outro lado do início do zulmarinho, construía castelos de areia e depois fazia bolas de areia como que a me preparar para a brande batalha, que só ia existir na minha imaginação.

À volta do castelo construía sempre um muro com um túnel de acesso bem escondido, pois assim ficava mais protegido, pensava eu.

Ainda hoje brinco de castelos de areia, mesmo que não possa tocar na areia que fica de baixo do sol. Brinco quando encontro pessoas da minha memória, brinco quando estou na solidão da minha caminhada. Mesmo que não se consiga ver o castelo de areia construído numa praia qualquer, ele existe, mesmo que seja só na minha cabeça. Às vezes parece ruína destruída por uma onda mais atrevida e desmancha prazeres. Mas ele existe e acho vai existir sempre.

Mas acho que ele tem um muro mais forte a lhe rodear a toda a volta. Acho mesmo é a continuação do muro que comecei a lhe construir ainda eu tinha esperança de lhe encontrar o biquini azul a lhe mirar do alto do seu ar de autoridade.

Tantas vezes esse muro foi derrubado que cada vez eu lhe construí mais forte.

Me olhando por aqui, eu vejo que construí esse muro, sem dar conta, tão forte que ninguém mais lhe consegue atravessar. Com esse muro mesmo, eu me sinto mais protegido mas ao mesmo tempo eu me sinto assim mais como que sozinho. Vais ver, me esqueci de deixar uma porta onde possa entrar a companhia. Não lhe vou destruir assim num repente mas acho lhe vou fazer uma porta, mesmo que seja estreitinha.



Sanzalando

11 de julho de 2007

Eu e a Solidão

Sentado no meu canto, olho o mundo como quem está de guarda, vigilante porem calado para não perder pitada do que vê.
Deixaste a janela entreaberta o suficiente para que a luz te colasse no corpo um vestido de sombras, construísse um caminho por onde eu possa percorrer com as minhas mãos num trânsito suave de carícias, rotas para um beijo.
Sei que estou só. Dormes profundamente para me deixares na solidão. Eu e a tua silhueta. Eu e o desejo. Eu e o teu respirar de sono profundo.
Sentado no meu canto, olho-te. Calado para te ouvir, se calhar até fecho os olhos para te ver melhor na concentração da imagem gravada.
Sentado no meu canto, eu e a solidão.
Até quando?


Sanzalando