Sanzalando
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31 de outubro de 2007
30 de outubro de 2007
29 de outubro de 2007
28 de outubro de 2007
27 de outubro de 2007
26 de outubro de 2007
25 de outubro de 2007
24 de outubro de 2007
23 de outubro de 2007
22 de outubro de 2007
vou de férias e ao silêncio
Tou numa de achar que um dia a coisa vai dar certa para mim. Não, não estou a ser injusto com o que eu já tive.
E tu sabes o quanto estou agradecido ao que já tive!
Mas tem alturas... que a gente quer mesmo é mais. Eu não sou do género de gente que é todo sorriso e gargalhadas e depois na solidão arranca os cabelos, aperta o pescoço e se injuria dos cabelos aos pés. Eu sou assim tal e qual, sem maquilhagem, sem plásticos formantes ou deformantes.
Transparentizo-me quando te falo. Redondamente!
Estou mesmo numa de achar que este ano eu fui assim como um enteado da vida que se enlatou num molho de vinagre e se aqueceu em banho-maria à espera de dias melhores.
E tu sabes o quanto estou agradecido ao que já tive!
Mas tem alturas... que a gente quer mesmo é mais. Eu não sou do género de gente que é todo sorriso e gargalhadas e depois na solidão arranca os cabelos, aperta o pescoço e se injuria dos cabelos aos pés. Eu sou assim tal e qual, sem maquilhagem, sem plásticos formantes ou deformantes.
Transparentizo-me quando te falo. Redondamente!
Estou mesmo numa de achar que este ano eu fui assim como um enteado da vida que se enlatou num molho de vinagre e se aqueceu em banho-maria à espera de dias melhores.
Depois de vários anos de aqui estar num quase diariamente a falar-te as palavras, que me são ditas quer pelas ondas do zulmarinho quer as que eu digo depois de as amadurecer no meu coração, acho estou a mercer, e a precisar, de umas férias graciosas em terrenos do silêncio.
Daqui a uns quinze dias, mais coisa menos coisa, eu estarei de volta a dizer-te novas palavras, ou não.
Sanzalando
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21 de outubro de 2007
num domingo
Hoje me carreguei de preguiça e me sentei num não fazer nada que às vezes até sabe bem.
Me desculpem só nem que seja por ser apenas Domingo.
Hoje te falo em silêncio!
Sanzalando
Me desculpem só nem que seja por ser apenas Domingo.
Hoje te falo em silêncio!
Sanzalando
20 de outubro de 2007
26 - Estórias no Sofá - mergulho
- Salta!
Aqui estou eu em posição adequada, na que me disseram que era a correcta para efectuar um salto de cabeça. Pareço um atleta, um atleta olímpico. Os braços bem esticados por sobre a cabeça, mão sobre mão, pernas esticadas, os dedos dos pés sobressaindo um pouco da plataforma. O meu porte bem esculpido no ginásio sobressai da pálida decoração do cenário da falésia trabalhado pelos ventos e marés.
- Salta!
Antes das inoportunas interrupções dos meus múltiplos pensamentos que me interrompem a concentração requerida para este salto importante num bom atleta, eu sabia que ao chegar aqui não podia nem olhar para trás. Tinha de saltar e de forma correcta nuns 9,9 pontos em 10. Com estas interrupções a certeza não é tão certa, há assim como que um bloqueio. Estou molhado ainda sem ter tocado na água. A posição, sinto, ainda está correcta, mas a paralisia impede-me de dar movimento ao corpo.
Invoco santos e talvez pecadores numa reza mental. Colei-me à plataforma continental.
- Salta!
Ouço os gritos duma multidão invisível.
Abro os olhos e a vertigem do medo faz que me descole e voe como um prego directo ao fundo do mar.
A entrada no mar foi perfeita com apenas o senão de não ter feito nenhuma volta no ar e ter entrado 180º diferentes dos que eu havia imaginado.
Aqui estou eu em posição adequada, na que me disseram que era a correcta para efectuar um salto de cabeça. Pareço um atleta, um atleta olímpico. Os braços bem esticados por sobre a cabeça, mão sobre mão, pernas esticadas, os dedos dos pés sobressaindo um pouco da plataforma. O meu porte bem esculpido no ginásio sobressai da pálida decoração do cenário da falésia trabalhado pelos ventos e marés.
- Salta!
Antes das inoportunas interrupções dos meus múltiplos pensamentos que me interrompem a concentração requerida para este salto importante num bom atleta, eu sabia que ao chegar aqui não podia nem olhar para trás. Tinha de saltar e de forma correcta nuns 9,9 pontos em 10. Com estas interrupções a certeza não é tão certa, há assim como que um bloqueio. Estou molhado ainda sem ter tocado na água. A posição, sinto, ainda está correcta, mas a paralisia impede-me de dar movimento ao corpo.
Invoco santos e talvez pecadores numa reza mental. Colei-me à plataforma continental.
- Salta!
Ouço os gritos duma multidão invisível.
Abro os olhos e a vertigem do medo faz que me descole e voe como um prego directo ao fundo do mar.
A entrada no mar foi perfeita com apenas o senão de não ter feito nenhuma volta no ar e ter entrado 180º diferentes dos que eu havia imaginado.
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19 de outubro de 2007
idade
Me sento aqui e reparo assim como quem não quer a coisa que eu tenho uma idade em que olho para as coisas com mais calma, em que as ilusões se convertem em esperança, em que o amor às vezes é uma tempestade e outras uma reminiscência de paz. Tenho uma idade que é igual há que me dão as experiências vividas, as coisas conseguidas, as lágrimas choradas, o caminho percorrido, as ilusões tidas. Tenho uma idade que me é suficiente para dizer e pensar o que assim desejo, para decidir o que assim decido.
Mas o que me importa a idade se o que vale é o que o coração sente e a cabeça pensa!
Mas o que me importa a idade se o que vale é o que o coração sente e a cabeça pensa!
Sanzalando
18 de outubro de 2007
esquecimento
Cá estou eu sentado, carregado de saudades do marulhar das ondas do zulmarinho, de verter uma e outra loira estupidamente gelada, falar-te sem saber se me ouves, caminhar na areia das mil cores sem saber quando os meus passos chegam a um fim.
Mas aqui estou sem alguma vez dizer o teu nome mas a imaginar-te com um sorriso no olhar, esquecendo as palavras que calaste talvez porque não tinham nada para me dizer, os silêncios que me enviaste pelas ondas deste zulmarinho carregado de magia.
Aqui estou eu pronto a ouvir-me nas muitas palavras que te falei, nas lágrimas que te chorei e nos sorrisos que te sorri. Aqui estou, peito aberto, sem esquecer-te mesmo que tenha de adiar-te, sem rancores mesmo que sinta, ou veja, que te caí no esquecimento.
Mas aqui estou sem alguma vez dizer o teu nome mas a imaginar-te com um sorriso no olhar, esquecendo as palavras que calaste talvez porque não tinham nada para me dizer, os silêncios que me enviaste pelas ondas deste zulmarinho carregado de magia.
Aqui estou eu pronto a ouvir-me nas muitas palavras que te falei, nas lágrimas que te chorei e nos sorrisos que te sorri. Aqui estou, peito aberto, sem esquecer-te mesmo que tenha de adiar-te, sem rancores mesmo que sinta, ou veja, que te caí no esquecimento.
Sanzalando
17 de outubro de 2007
voltar
Me sento por aqui e num nada apetecer fazer desato a pensar e concluo que voltar, é assim por definição, o regressar a um lugar ou estado em que já se tenha estado. A um lugar conhecido e recordado. Então pode acontecer que não encontre a palavra, ou se calhar ela não existe, para indicar que voltei mas não ao mesmo lugar, a um lugar novo, a um novo estado, a uma nova linha de pensamento, a uma nova maneira de estar e ser. Não é um chegar, embora possa parecer. É assim um mais ou menos estar perdido e se reencontrar novamente em qualquer parte, um reencontrar-me por fim.
Imagina assim um lugar isolado onde a neblina só nos deixa ver a nós mesmo e nos esconde a nossas próprias ideias, um lugar carregado de medos e indecisões donde não se sabe nem como sair e nem se se consegue sair, uma prisão sem paredes, um lugar que se aprende a conhecer desde a absoluta escuridão até ao silêncio total, um lugar sem aromas nem odores, um lugar sem sabor, um carrossel de vazio. Nada te detêm e nada te indica como sair.
Mas de qualquer maneira sinto que voltei e imagino a levar-te comigo a voltar para um lugar que eu já conheci.
Sanzalando
Imagina assim um lugar isolado onde a neblina só nos deixa ver a nós mesmo e nos esconde a nossas próprias ideias, um lugar carregado de medos e indecisões donde não se sabe nem como sair e nem se se consegue sair, uma prisão sem paredes, um lugar que se aprende a conhecer desde a absoluta escuridão até ao silêncio total, um lugar sem aromas nem odores, um lugar sem sabor, um carrossel de vazio. Nada te detêm e nada te indica como sair.
Mas de qualquer maneira sinto que voltei e imagino a levar-te comigo a voltar para um lugar que eu já conheci.
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16 de outubro de 2007
despertar
Me sento por aqui e tento recordar-me, buscando no fundo da memória, o perfume da terra molhada, o calor sufocante dum meio dia, o barulho ensurdecedor dum engarrafamento permanente.
É, porque sempre que é noite regressam as sombras ténues das recordações que vivi. Com elas regressam todos os sons, todas as cores e todo o ciclo de passos incertos duma aposta de vida.
Aqui me sento como um ferido que se deve cuidar, abafando a dor da perda, a dúvida medida em certezas dum copo vazio de vida.
Aqui me sento tentando ver como irá acabar a ilusão da incerteza duma mudança de vida que se transforma num pouco a pouco de recordações e memórias. Aqui me sento sabendo que deixo para trás uma cama desfeita de sonhos e um caminho iluminado por uma vela acesa de esperança num despertar diferente.
Aqui me sento como um ferido que se deve cuidar, abafando a dor da perda, a dúvida medida em certezas dum copo vazio de vida.
Aqui me sento tentando ver como irá acabar a ilusão da incerteza duma mudança de vida que se transforma num pouco a pouco de recordações e memórias. Aqui me sento sabendo que deixo para trás uma cama desfeita de sonhos e um caminho iluminado por uma vela acesa de esperança num despertar diferente.
Sanzalando
15 de outubro de 2007
sussurro
Por aqui me sento e acaricío as palavras com meus lábios de modo a que lhas ouças docemente.
Penso sentir-te mesmo sabendo que não nos voltamos a encontrar. Sei que fazes parte da sombra do meu ontem perseguindo-me no hoje e num calhar até amanhã. És assim mais ou menos uma luz crepuscular que me faz balançar na parede como uma sombra a preto e branco carregada de cinzentos.
Eu sei que ainda não é o ocaso da nossa união constantemente adiada, porque uma infinita parede foi construída de tempo, mas é um intervalo de carícias, uma brisa passageira, um horizonte de vistas mais alargadas.
Eu me sento aqui na esperança dum suspiro, num encadeado de letras soltas que te chegam como um murmúrio.
Penso sentir-te mesmo sabendo que não nos voltamos a encontrar. Sei que fazes parte da sombra do meu ontem perseguindo-me no hoje e num calhar até amanhã. És assim mais ou menos uma luz crepuscular que me faz balançar na parede como uma sombra a preto e branco carregada de cinzentos.
Eu sei que ainda não é o ocaso da nossa união constantemente adiada, porque uma infinita parede foi construída de tempo, mas é um intervalo de carícias, uma brisa passageira, um horizonte de vistas mais alargadas.
Eu me sento aqui na esperança dum suspiro, num encadeado de letras soltas que te chegam como um murmúrio.
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