recomeça o futuro sem esquecer o passado

13 de outubro de 2009

delírio ou recordação

Aproveito o sol e vou saltitando na areia da praia como fazia quando era criança. Faz conta estou a dançar com um pé no passeio e outro na estrada, assobiando uma música que acho e jazz que acabei de compor e nunca mais vou conseguir repetir. Foi do sol. Foi este o título que eu lhe dei. Não tem letra e é só mesmo composta para assobio de quem não sabe assobiar. Aí vou eu praia fora tentando carregar a bateria dos sonhos ou os sonhos em baterias para mais tarde descarregar. Sei que de repente sinto um nó na garganta. Acho que acabei de saborear a recordação dum beijo que me deste, ou que eu já não sei se é memória ou se é delírio. Mas de facto saborei-o e senti a tua mão a passar por entre os meus cabelos. Não, este sol não faz insolação, acho mesmo é recordação porque delírio não pode parecer assim tão é de verdade.

Agora sinto uma amargura que me parece que não entrou nos ouvidos porque não ouvi a tua voz a me dizer que me queres e outras coisas mimadas. Meus olhos entram em colapso lacrimal e não me deixam ver a linha do horizonte direitinha como me parece que ela é. Parei a dança dos pés e já não me lembro a música para um assobio.

Não, este sol não é o mesmo que eu me recordo, este mar não tem o mesmo marulhar e os biquinis não são mais como eram.

Acho vou para casa ver se é delírio ou recordação.


foto de C. Freire
Sanzalando

12 de outubro de 2009

eu e o sol

O sol regressou como que cansado de aquecer os trópicos ou então, para meu espanto, se lembrou de me vir aquecer o corpo que já gelava pelo estado de alma. Ele sabe que eu tenho dias que passo dum estado de alma a outro num breve espaço de tempo que nem dá para pronunciar a palavra clique.

Tem dias que desperto do sonho assim com cara de quem teve um bom sonho, sorriso estampado nos lábios e aquele brilho no olhar. Até o teu andar é de levar a boca dos outros que te olham a dizer que vais de cabeça erguida rasgando o vento e já nem te lembras que faz segundos estavas carrancudo, dobrado e olhos no chão como quem procura uma agulha dum outro palheiro, transportavas nas costas os pesadelos deste e doutro qualquer mundo.

Ele sabe como tu sabes essas coisas todas sobre mim. Até te digo que sabes mais de mim que nem eu sei, pois fico nas minhas dúvidas e na amalgama de sentimentos que nem uma varinha mágica conseguia fazer melhor.

Não, hoje não te falo na amargura em forma de palavras nem na solidão de tantas amarguras que se me dão um nó na garganta.

Hoje te falo só apenas deste sol que me veio dizer que estás bem, obrigada!


Sanzalando

11 de outubro de 2009

hoje não existo

Se eu pudesse gritar, chorar, rir e enlouquecer era feliz, mesmo carregando nas costas o peso dos sonhos e um ou outro pesadelo. Até era capaz de ver um pouco mais claro mesmo nos dias de muito cacimbo. Acho que está na hora de dar forma à minha louca loucura. Mas como é que vou formar um desenho que ainda não pensei, construir o seu esqueleto se eu não deixei ainda amadurecer a forma?

Acho mesmo deixar acentar o pó da loucura e ver se a vontade, como das outras vezes, passa.

Hoje vou sonhar em não fazer nada e deixar um ou outro neurónio desatar a voar por mim fora como quem não quer nada.


Sanzalando

As Horas de Domingo (3)


Sanzalando

10 de outubro de 2009

sonhei um sonho que não tive tempo


Me deixo embalar nas memórias do cacimbo, que quase já nem me lembro mais como é que é, me envolvo na corrente do rio que quer dizer que choveu bué nas terras do planalto e me acastanhou o zulmarinho não me deixando ver claro a transparência que eu queria ter na alma.
Pouco a pouco as gotas do tempo caiem como guilhotina nos meus sonhos. Pode ser que eu ainda tenha tempo de chorar os sonhos que não tive tempo de sonhar, que abafei nos gritos calados da zanga interior como que lhes varrer de dentro de mim como se fossem lixo que me entorpece as articulações mentais. Enfim, todos os dias a guerra cai na mesma lenga lenga de sobrevivência mental. Acho que está na hora de comer um chocolate, deixar aquecer a noite nas saudades escaldantes da memória, agarrar um caderno de capa vermelha e tirar apontamentos enquanto a liberdade de movimentos está mantida.
Ai, quem me dera que o meu sonho não termine assim num dia carregado de repentementes, surpresas salgadas das lágrimas daqueles que fingem estão a chorar por mim e a dizer bem baixinho que eu bem lhe avisei que sonhar não enche barriga.
Mas que me importa se eu consigo passear nas avenidas das acácias, das palmeiras, das bungavílias, da D. Josefa e senhor Serafim, sem me importar se está frio, chove ou o sol torra que até pode pensar eu sou café que seca ao sol.
Faz hora que é hora e vai ter uma hora que a gente ainda diz que chegou. Depois, logo se verá se ela vem envolta num cilindro de ternura.


Sanzalando

9 de outubro de 2009

Eu, o luar e os meus sonhos que um dia sonharei

Me sento no meu canto e desato a sonhar que é lua cheia, ela está redonda, absolutamente redonda e reflecte-se nas ondas do meu zulmaringo como uma bola que chega a meus pés. Sonho que ela passa atraves dum vidro que não existe e que me separa do mundo exterior, esse mundo verdadeiro que não me deixa ser assim como aquele que eu gostava de ser. Ela inunda-me da sua luminosidade cinzenta clara, transformando os meus brancos cabelos num prateado brilhante de quem se penteou com a velha brilhantina, dando-me um ar de quem sonha com um amanhã que espera ser ainda hoje. Me imaginas?

Lhe olho como quem não vê mas deseja ardentemente abraçá-la e só espero um momento de luz verde, um sinal, um acenar e desataria num voo razante, à velocidade da luz, num evaporar de segundos, para seus braços.



Sanzalando

8 de outubro de 2009

sonhos de vento

Desalinho o ouvido de modo que não ouço o silvar do vento azucrinar as orelhas. Não me interessa construir muros de pedra para que um dia fiquem ruínas e alguém conte estórias que nem se quer foram sonhadas quanto mais realizadas, para me proteger desse vento que resolve me soprar até parece quer me limpar num sopro. Eu assim nem consigo falar as coisas que gostava de saber falar e o vento me empurra as palavras para dentro como a querer que eu me cale num silêncio. Mas se eu sou teimoso porque é que agora eu ia ficar de braços cruzados a ver o vento me comandar?

Mas afinal até o vento me faz chorar também. Me sopra nos olhos que eu lhes fecho e mesmo assim escorre uma lágrima parece eu estou a chorar. Nem calma nem desassossego, curiosidade de amanhã quando não ventar esse sopro de arrepiar.

Dúvidas, amarguras e tristezas eu deixo que esse vento lhas leve para longe e me deixe aqui num canto vivendo os meus sonhos voláteis dum deserto escaldante que me trouxe a memória.


Sanzalando

7 de outubro de 2009

sonhos que não sei

Devia deixar o meu coração errante guiar os meus passos e perder o controlo da cabeça que quer fazer tudo direito que nem régua e esquadro. Devia de me ausentar da minha própria vida, ir até aos horizontes horizontais da imaginação sonhada nas noites de insónia. Acho mesmo que me devia de realojar num reencontro onde o meio não tivesse fim e onde eu não tivesse possibilidade de me perder. Também não quero perder de vista o mundo real que me rodeia, nem os meus problemas, nem as minhas alegrias. Me contradigo nos quereres, porque não me perco de vista as imagens imaginadas, os amores amados nem os sonhos que ainda não sonhei, muito menos as lágrimas que verti.

Quero visitar cidades feitas nada, ouvir músicas ainda não compostas, admirar fotos ainda não disparadas.

Quero… quero, só sei o que não quero. Duques e valetes, cartas fora do baralho, ventos que sopram pedras, montanhas desventradas.

Enfim, sonho com uma montanha de desejos e sorrisos na cara.


Sanzalando

6 de outubro de 2009

porque é hoje

Hoje acordei e disse-me que era a última garrafa que eu ia atirar ao mar com o último recado.

Quantos recados escrevi?

Quantas visitas recebi?

Qual o resultado prático?

Tudo porque hoje não sonhei e parece que não me apetece sonhar. Até dá ideia que o barco em que tenho viajado se afundou num mar de realidades, entrou numa tempestade de trovoadas mentais. Ou até pode não ter sido nada disto e apenas me faltar a garrafa onde pôr a mensagem escrita com as palavras que sonhei num dia menos bem.

Na verdade fui sonhando sonhos, criando listas de palavras que diariamente vou enviando mar fora. Uma chega, outra não. Não contabilizei em caracteres, lágrimas e silêncios. Sonhei, falei e escrevi sempre que me apeteceu.

Hoje faltam-me as palavras ou apenas onde as guardar.

Hoje… apenas porque é hoje e não sei o que é amanhã.

Não, não me esqueci de ti. Não tenho é palavras para te dizer, nem uma garrafa onde as possa guardar, nem um papel onde as possa escrever para não me esquecer um dia de te dizer que te amo.

Hoje não te dou nenhum recado nem te conto nenhum sonho.


Sanzalando

5 de outubro de 2009

o que é a minha realidade

Navego por imagens que imagino, que penso ou que sonho. Já não sei quais são as reais e as que são apenas minhas. Se não fosse por outras coisas eu diria que a minha alma me pea mais que chumbo.

Mas afinal de contas eu tenho de sorrir, tenho de alegrar-me e viver a vida com muito menos carga do que aquela que eu imagino que transporto. A alma não me pode estar a doer assim tanto, o sonho não pode ser sempre um pesadelo e as preocupações são apenas frutos do meu pensamento. Nada disto mais me pode oprimir o coração, enevoar os olhos nas lágrimas transparentes que imitam lentes de desfocar.

Sei, sei que não tenho super poderes para além do poder de sonhar sonhos que me regem a vida.

É verdade que estar triste não significa estar debil, morto ou acabado. Há coisas que merecem a tristeza assim como há outras coisas que valem a pena. Uma recompnsa recebida por algo que superou um qualquer sofrimento se poderá dizer depois que valeu a pena. Pode não apagar a tristeza. Esmola-a.

Mas de verdade mesmo é que eu não gosto de sofrer. Cansa-me.

Por isso sonho-te, por isso desejo-te em cada sonho, em cada imagem que sonho. Já não sei qual é a minha realidade.


Sanzalando

3 de outubro de 2009

Ou vice-versa

Sinto a pele seca. Sabor a sal. Salpicos desse mar que bate aqui nas rochas embalado das saudades que me chegam desde lá. Parecem até que são lágrimas carregadas de vida que lhe largam só para me tocar. Não tivesse a água quase congelada e eu me atirava nele só para me deixar enrolar nesse mar de saudade.

Respiro com dificuldade devido à emoção desses pensamentos que viraram sonho ou vice-versa. Um dia vou descubrir mas até lá não me vou preocupar. Vou-me deixando embalar nestes pensamentos e assim esqueço que o lado obscuro passa ao largo, para lá de não sei onde.

Sonhos, presentes e passados, escritos na memória que um dia os vai esquecer. Ciclicamente é a vida num grirar de carrocel em dia de feira.

Sonho porque estou vivo. Ou vice-versa.



Sanzalando

2 de outubro de 2009

nostálgicamente sonhando

Me sento na escadaria e espero em vão que o passeio dos tristes comece. Eu te pagaria rios de lágrimas se lhe olhasse uma vez apenas e ela do alto da sua altivez me desse num relance um esboço de sorriso.
Faz tempo sonho este sonho e penso se a tristeza quando chega a gente lhe vê. Sentir a gente sente até na alma. Mas tantas vezes eu penso que não lhe consigo ver. Os olhos brilham de entusiasmo, o coração palpita num acelerado batuque de festa que se adivinha e não acontece. Quem ia dizer que eu estava triste? Acho mesmo que a gente não lhe vê doutra forma se não apenas com olhos do sentir. Tristeza é marca de coração, embarga a voz num disfarçado fado de melancolia. A tristeza não se apaga quando a gente segue adiante. Cicatriza na sua marca registada, numa etapa a que mais dia menos ano vai ter outra e assim se faz uma vida.
O sonho não apaga, não afoga nem desconecta a tristeza. Lhe atenua assim como a tua ausência me trás recordações que eu não consigo recordar com o brilho das cores quentes da paixão que não acabou, mas apenas com as cores ténues das lágrimas que choro calado no sono.
Hoje me sento na escadaria do tempo a ver se tejo passar na passarela da vida.

Sanzalando

1 de outubro de 2009

pode e poderá

Posso gritar, chorar, rir e até enlouquecer. Posso beber uns copos, fumar até rir e morrer. Mas de nenhuma maneira poderei escapar à minha capacidade de sonhar nem de estar no outro lado escuro dos meus desejos.

Pode até sobrar loucura e a morte ser branda e gradual, pode haver mentira, guerra e sangue, pode haver tantas outras coisas como o som duma guitarra colada ao ouvido, um falso amor ou um abismo que eu não deixarei de te sonhar.

Afinal de contas tu estás no meu absurdo modo de viver, não tenho como neutralizar-te, afogar-te dentro de mim, usar-te em exclusividade como se eu fosse o único ser da terra. Serei eu assim um monstro que não tenha direito a um esboçar de sorriso? Foges cada vez que eu penso que me aproximo.

Um dia, de manhã de tarde ou de noite, assim numa hora qualquer, escrito em letras de sangue tatuar-te-ei o nome num qualquer canto de mim. Não juntarei as palavras banais, amor de mãe, amor de filho, ano. Será apenas o teu nome e por baixo, pingando lágrimas escreverei eternamente.



Sanzalando

30 de setembro de 2009

hoje

Me sento de frente à janela e disparo o meu olhar para lá do que alcança a vista. Te parece impossível? Desengana-te, desde que sonhes tu chegas só onde mesmo é que queres.
Te parecem diferentes as palavras que eu hoje te digo? Não te admires é que eu, sempre a sonhar, regressei na origem da minha caligrafia desenhada onde, até os que não sabem, conseguem me ler; onde, os que não conhecem o boca de sapo castanho que passeava todos os dias no fim da tarde o famoso passeio dos tristes, se vão roer de inveja e procurar os sonhos de faz muito tempo eu te contei nas palavras que te fui dizendo, mesmo quando ficava em silencio; onde, todas as manhãs de agora duns tempos atrás eu procurava o biquini azul a fim de pagar o fogo intenso que parecia me queria comer num inferno interior.
É, hoje me apeteceu te falar com as palavras simples dos meus sonhos simples.
Hoje me apeteceu apenas dar um beijo com sabor a amor antigo mas nunca velho.

Sanzalando

29 de setembro de 2009

Sonho ou loucura?

Já não sei onde estou do além por aqui, que é como habitualmente me oriento perante os outros.

- Por onde andas, Pá?

- Por aqui! secamente e sem mais adjectivos, substântivos, subtrativos e outras coisas que não saõ para aqui chamadas, lhes respondo. Mania de quererem saber tudo. Brrr.

Na verdade, quando uma pessoa se consegue convencer, de que toda a vida se rege por absurdos, é porque a sua capacidade de sonhar está dando as últimas e está para se despedir de si que é um instante. Diga adeus, despeça-se da sua existência porque os fuzíveis se fundiram num incandescente inferno, num aberrante estado de loucura.

Eu por aqui há muito me despedi de mim e me entreguei a ti num absurdo estado de descartável insanidade mental.

Se não me conhecesse, diria que me tinha afundado num aberrante estado de saudade inecessário.

Na verdade não consigo olhar para trás e lembrar-me de todas as mentiras, nem olhar para a frente e sentir o peso da imortalidade. Vejo cores com que me defino o tempo. É cedo e por isso vejo uma cor clara. Como será o branco claro? E o preto escuro? Só encontro clausulas, leis, regras, sistemas prisionais. Ah! o meu sonho. Felizmente que o tenho e com ele assinei contrato para a vida.


Sanzalando

28 de setembro de 2009

já sei

Me dizem que eu tenho de sair do ensimesmento em que me meti. Gasto as minhas horas, os meus minutos, a sonhar-te, a naufragar nas minhas angústias, a delirar nos meus pressupostos. Mas vou fazer como para deixar de seguir agarrado às recordações e às dúvidas do futuro incerto sem ti?

Já sei que está na hora de pôr os medos e fantasmas, vestidos num pijama, em sono profundo, numa cama do espaço fechado da eternidade. Já sei que está na hora de tomar um banho gelado, arrefecer as ideias e no espaço do passado, deixado livre, esperar que entre um qualquer futuro que possa aparecer.

Já sei que está na hora de me olhar no espelho, descubrir-me para além da anatomia, esquecer-me das tuas carícias que nunca fizeste, e partir para um novo amanhecer.

Já sei tanta coisa que eu não sei que o que sei é o certo ou não.

Se tivesses olhos, que eu já não me lembro como são, olhar-te-ia neles e dir-te-ia apenas que te quero e levar-te-ia a passear no vestido da minha imaginação pelo jardim da minha paixão.

Já sei… não é recaida. É amor.


Sanzalando

26 de setembro de 2009

Outono num sonho


Me disseram como que num segredo que aqui é Outono. Olho para aquele jardim duma rotunda qualquer, uma das muitas que por aqui despontam em cada noite, e vejo que está ali uma flor que parece estar contente. Só pode estar apaixonada. Até parece que ela me ouviu pois ficou mais brihante a sua postura, a nitidez das suas cores sobressairam. Já deu para ver que estou perante uma flor apaixonada e vaidosa. Percebi que as flores bonitas quando se apaixonam ficam vaidosas. Não foi estudo, foi mesmo só é observação. Olhem bem para ela como está replandescente. Se ela fosse luz eu diria que estava incandescente de paixão. É hoje a minha fluorescente flor duma rotunda que me brilha.

Mas como me disseram que era Outono mudei as agulhas da minha direcção e vou para um recanto, protegido do vento e da frscura do mar, carregado de livros, ler as palavras que os outros me escreveram com sabedoria, enchendo as horas do meu passar. Mas esta flor quase me fez chorar ao me dar brilho neste cinzento dia de Outono. Voltei a mudar as agulhas, virei o leme e vou antes à procura dos amigos para conversar ou lhes ouvir, mesmo que sejam os silêncios.

É, hoje parece que me apetece florescer neste sonho de um dia de Outono cinzento.


Sanzalando

25 de setembro de 2009

sonhos e pesadelos

Não sei o que é que se passa. Mas neste momento estou-me nas tintas que sinta as mãos, principalmente a direita, como se estivesse gelada, prestes a quebrar como se parte um pedaço de gelo e que a pele esteja super sensível, quase parecendo cristalizada. Isso, fruta cristalizada. É assim mesmo que eu sinto que está a minha pele.

Vais dizer-me, se falasses comigo, que era a auto-estima que está embaixo, destilado no estilo e no charme.

Na verdade continuo a sonhar-te desde que me desperto até que cansado adormeço. Há momentos em que parece que desvaneces, mas acho que é impressão, estás sempre presente nesta estória invisível. Até parece que vivo invisivelmente. Não me vês, não me ouves e se calhar não me sentes, apesar da distância. Eu sinto-te sempre, até no paladar.

Imagino-me que me encontras, que esta ferida cicatriza, a minha pele se torne numa pele normal, que os dedos se movimentam na sensibilidade da minha alma. Que faço? Fujo para o anonimato? Escondo-me num canto para continuar a estar só? É que eu acho que já não sei viver sem ser a sonhar-te.

Não, não te preocupes. Não estou só. Estou com os meus sonhos, estou a viver a minha vida.

Fecho os olhos e vivo. Como vês, até parece que acabei de ter um pesadelo.

foto que me apareceu sei lá donde.
Sanzalando

24 de setembro de 2009

Caixotes de sonhos


È dia como se fosse noite. Silêncio. Um vazio completo me rodeia que até parece eu sou ilha perdida no meio dum qualquer oceano. Enfim, está a quitude completa para eu ne deixar embalar no sonho de sonhar-te. Imagino-me a procurar uma tantas caixas de cartão, de dimensões aceitaveis, nem grandes nem pequenas, subjectivamente do tamanho ideal. Procuro esferovite ou aquele plástico de estalar de modo que consiga protejer o meu fragil coração. Ponho uns tantos saquitos de silica, uma ou outra tablete de chocolate, não lhe vá dar uns apetites, assim como quem não quer a coisa, deixo uns tantos desejos escritos nuns papeis estrategicamente desarrumados, mal embrulhado deixo cair um pouco da minha ingenuidade e absurdamente cai também uma lágrima.

Os sonhos não caducam mesmo que se sonhe tarde numa manhã quase cedo. Não têm efeitos secundários também. E com um outro retoque até parece que são sempre novos. Pelo menos os meus sonhos são assim.

Olha, numa das caixas vou arquivar as pequenas frustações, alguns medos, os ilimitados limites a que consigo ir. Noutra, bem mais pequena, ponho as coisas boas, os nomes poucos de gente boa.

Se alguém perguntar eu direi que são as caixas dos meus sonhos. Da pequenina à grande. Em conjunto fazem um conjunto de harmonia e desgarradamente são um chinfrim que ensurdece um surdo.

Um dia ou outro abro uma caixa. Ao acaso, por acaso e sem ter preocupações no caso. Todas as caixas são minhas e todas estão bem condicionadas.

São os meus sonhos encaixotados.


Sanzalando

23 de setembro de 2009

Casualidade


Me sento neste canto onde ninguém dá por mim. Silênciosamente escuto as conversas que se cruzam perdidamente nos espaços vazios. Ninguém dá por mim. Ouço alguém dizer que a casualidade não exite. Silenciosamente me rio num esquiço de gargalhada contida que me possa denunciar. Dou comigo a recordar um cem número de casualidades. Sempre a mesma estória. E ouço dizer que não existe? Será que é um sinal que eu não estou a interpretar como deve ser? Desalinho dessa linha de pensamento. Eu sei. Existe e afirmo categoricamente. Má sorte? Mau olhado? Bruxedo? Pura casualidade. Ou será que tudo tem explicação, motivo e eu é que estou enganado?
Afinal de contas tudo faz parte do meu sonho, uma estória como principio, meio e fim. Eu é que ainda não os consegui alinhar e acho começei-me do fim. Por casualidade, só pode.
O que vale é que neste meu canto ninguém me vê e não há quem testemunhe o meu sorriso no olhar. Fico-me por aqui na esperança que se calem e eu possa usufruir casualmente do meu silêncio.



Sanzalando

22 de setembro de 2009

sonho-te para ser teu

Sonho-te como se ouvisse uma qualquer canção de amor. Em francês, por exemplo, porque acho a língua doce, apaixonante. Não a entendo, mas transmite-me uma qualquer magia que faz com que me apeteça compartilhar este amor que te sinto. Eu não sei se a entendes. Mas serve-me bem para te amar neste sonho. Mais ou menos fazer com que me vejas sem necessidade de gritar ou espalhafatar. A música embala-me neste sonho. E tenho a sensação que me olhas, que me reparas com os teus olhos amendoados e doces, mesmo que seja numa superficialmente forma de ver. Um dia os teus olhos penetrar-me-ão na alma e ver-me-ás. Estou tão certo como a melodia da canção que ouço, te apaixonarás um dia por mim e retribuirás todos estes sonhos. Procurarei, diariamente, a confirmação, assegurarei que teus olhos só me verão a mim, na base do egoísmo chamado amor. Sonho-te castrando-me de segundos, carregando-me de medos, voando pelos céus como uma criança na sua inocência. Descobrirei que sou grande e que grandes coisas nos esperam para além deste mundo de sonho que construi à tua volta.

Sonhar-te não é esforço desde que eu não me separe de mim, desde que eu não me equivoque.

Sonho-te para que um dia me deixes ser teu. Eternamente.


Sanzalando

21 de setembro de 2009

hoje também te sonho


Me procuro nos sonhos. Não são grandes sonhos, também não os são pequenos. São sonhos de embalar, com que adormeço a saudade, com que limpo as lágrimas, com que escondo as borbulhas causadas pela triste sina de ter um fragil estado de ser. Corações fracos que se resfriam na humidade dum cacimbo. Que fazer contra a realidade se não a afagar em sonhos?

Podia beber uma taça de chocolate, um copo de vinho, um outro mimo qualquer e refugio-me no sonho de te sonhar.

Podia olhar por aqui e por ali, abstrair-me da tua ausência, esquecer o teu perfume, ar rebelde dum pôr de sol carregado de cor de fogo, mas continuaria a crescer em mim o absurdo real de te sonhar no sentido incompreendido duma qualquer cumplicidade.

Sonho-te como se fosse uma forma estranha de estar disperto.

Será que os sonhos têm prazo de validade? Caducam?

Enquanto te sonhar estou certo eles não me azedam no frigorífico da alma gelada. Sonho-te como uma forma de energia que me eleva ao nível das nuvens.

É assim que decido o balancete da experiência e da aprendizagem, pequena maravilha de poder compatilhar todos os meus sentidos.

Sonho-te, eternamente, por hoje.


Sanzalando