recomeça o futuro sem esquecer o passado

23 de novembro de 2018

#luacheia


outono presente

Se eu calar a minha boca eu vou dizer que estou na solidão? Não. estou mesmo só em silêncio a observar a lua cheia e deixar o meu coração sentir o cair da noite como se fosse a última noite.
Na verdade eu sou livre e como tal eu posso me calar, falar ou apenas assobiar. Sou livre porque o meu passado não tem erro. É meu, me construiu e me deixou ser o hoje. Não é emendável. Assimilei-o de corpo presente e consciente. Sou livre porque subi nas cavalitas de toda a minha estória e consegui chegar a hoje. Umas vezes falando outras calando, umas vezes gargalhando e poucas chorando porque não sou perfeito embora quase. Digo eu, porque sou eu.
É o outono a falar por mim. Outono presente.



Sanzalando

22 de novembro de 2018

#comida


#caminhos


tem tempo o tempo...

Com este tempo tem tempo que me apetece mandar tudo nas urtigas. Tem tempo que me invade essa coisa de frustração, esse amargo de boca, essa acidez que sobressai até na alma. Tem tempo que me canso. Mas a vida é uma subida que desce até na morte. é montanha que vai nas profundezas do corpo, que parece acorrenta uma constante revolta, que se ofusca em cristais e outros brilhos, que chora dores e outras cores, que tem sinónimos e antagónicos. A vida é uma constante cultura de sementes que pode ser germinem. É, tem tempo parece eu baralho e ilusiono a minha verdade.
Com este tempo sinto que a esperança é um ser voante, baixo e não quieto, permanente porém não eterno. Tal como a vida..
Tem tempo que a vida parece toda a hora renascer das cinzas.
Com este tempo, salva-me a memória e a felicidade de conseguir ser feliz.


Sanzalando

20 de novembro de 2018

#mangueira


sol e chuva num momento

Sol. Chuva. Sol. Chuva.
Intermitência no tempo.
Altos e baixos na minha voltagem corporal.
Fico em silêncio e em silêncio grito. Grito de revolta, grito de alegria, grito apenas. Em silêncio.
Deixo-me pensar que sou apenas um pensamento meu, enquanto chove e sou eu enquanto faz sol. O vento, feito de brisa, trás-me a maresia, o sorriso, o brilho nos olhos pelas lágrima inadvertida. 
Assim, o outono, faz-me lembrar a distância que me separa da essência da minha consciência. Lá longe, ao que me lembro, é verão. Animo-me e desanimo-me ao olhar para a chuva que se intercala com o sol, cada vez menos tempo deste.
A loucura me entende mesmo que eu não entenda a loucura.


Sanzalando

18 de novembro de 2018

É outono, outro modo de estar

Chove tormentas sopradas por ventos aluisados. Os alísios sopram de nordeste para sudoeste aqui para os lados do hemisfério norte, os aluisados sopram dum Luis para uma lado qualquer sendo que o Luis é o Zé Silva, ou seja ele quem for. Assim, com este tempo tormentado até parece que me venho despedir, agradecendo todas as letras que saem da minha cabeça deixando lugar para palavras novas que um dia usarei no ultimo escrito que escreverei. 
Os beijos, as carícias, a promessa do amor eterno, o limpar de lágrimas, os silêncios, tudo é o caminho da hibernação mental, é o recordar dum momento vivido, o entender duma dúvida, é um sonho convertido realidade.
Vim-me despedir e entrar no outono real, no cair da folha, no amarelecer da imaginação, no cruzar de abraços trocados perto da lareira
Olho nos olhos e não me os vejo vazios. É outono, outro modo de estar e de ser feliz.


Sanzalando

15 de novembro de 2018

lendo outono

Brilha o sol num cinzento outonal. É dia assim, outono cerrado. Me deixo embalar pelo marulhar do zulmarinho como se estivesse pronto para dormir. Mas ainda é cedo e não me apetece vagabundear madrugada fora até ser hora de levantar. Agarro um livro e ponho-me a pensar em vez de ler. Posso arrancar cada folha deste livro que não me apaga a memória. A vida que vivi está aqui, sempre presente e pronta para recordar. Sim, sei que não posso revivê-la. Mas quem foi que falou que recordar é mau? Aprendi com os meus erros. Se os repeti foi porque não aprendi direito à primeira. Não me torturo. A felecidade não é eterna. tal como a vida. Ser feliz não é fácil. Viver não é fácil. Sei que sofrer parece mais acessível, mais fácil porém é muito tóxico. Por isso vivo. Por isso tenho dias de sol brilhante e outros cinza. 
Não vou escrever dor porque isso não é saudável, assim, leio um livro que não rasguei e levo-me em memórias que não esqueci.


Sanzalando

13 de novembro de 2018

sofrer de outono aqui e verão lá

É outono. Lá é verão e chove. Daqui a pouco por lá vai passar a tifa para matar os mosquitos e eu sei correr atrás a respirar o fumo parece é brincadeira de muitos anos. Nunca ninguém disse faz mal aos pulmões e se calhar intoxica o cérebro e eu não sei como vou ficar no meu futuro. É, eu tenho futuro que já vivi no meu passado de boas recordações. Hoje eu vivo o futuro dos meus sonhos de criança porque os pesadelos eu esqueci ou não tive.
Eu não sou mais aquele que quer estar onde não está, que quer ter o que não pode, que não quer pensar o que pensa, que na incoerência se perde como se fosse um labirinto da estória de outros livros lidos.
Neste tempo só me vejo a remar contra corrente não sei se para encontrar ou me afastar de gente. Rapidamente dou comigo feito multidão, sigo-me na certeza de ter encontrado um caminho mesmo que siga para lado nenhum. Corro. Olho para trás e não paro, o mundo pode estar a dormir que eu acordo-o, mesmo que na minha insignificância esteja a sofrer de outono aqui e verão lá.


Sanzalando

cuido do mundo

Por aqui chuvisca e por lá faz sol de arrasar. Por aqui se fala e por lá se grita. Por aqui se chora  e por lá se canta. Estado de espírito outono verão.
Eu por aqui vou observando. Umas vezes calado, outras resmungando. O universo como está não foi feito para corações e almas puras. A minha alma limpa e depurada nos mais qualificados filtros da inteligência deambula pela minoria dos que sorriem, dança por entre benefícios colectivos, resvala por entre materialidades corrompidas e paira por brilhos de luz e altruísmos caritativos.
Afinal de contas é apenas outono e ainda faz sol, mesmo que seja de brincar e com as palavras soltas construo estradas por onde caminho livre de preconceitos e prisões ancestrais. Pelo menos na minha imaginação cuido do meu mundo

Sanzalando

11 de novembro de 2018

Tem dias assim. Outros não

Cai chuva que nem se vê. Faz frio que se sente. Outonomamente me dizem que lá do outro lado da linha recta que é curva finalmente começou o verão. Olho para lá e vejo que o mar encontrou o céu e mais não consigo ver. Sito o calor. Sinto o perfume e mais que tudo, sinto a saudade.
E assim neste tempo, com os pés no zulmarinho me sussurro um texto que ninguém escreveu, onde a saudade nem sei se entra, mas sei que sai do coração.
Tem dias que os dias pesam mais que outros dias, alguns o sol nem tem força para nascer. Tem dias que parecem não acabam por mais coisas que faço. Tem dias que parecem vazios, que não existe universo. Tem dias em que só apetece sentir o universo dentro de mim. Tem dias que a alma mesmo sendo bela se esquece de maquilhar. Tem dias assim. Outros não.



Sanzalando

8 de novembro de 2018

areia

Brilha sol enquanto chove e eu tremelico de frio. Outono, me disseram em sussurro. Ouvi e calei. Não consigo ser diferente. Podia responder porque sim, porque não ou talvez, mas ouvi e calei porque é outono mesmo.
E como é outono é vulgar ver-me por ai a vagabundear, sem rumo ou objectivo, sem prefácio nem posfácio, com letras soltas e parágrafos assimétricos na vã tentativa de criar problemas entre os meus fantasmas, seres irreais que deabulam no meu delírio mental.
Faz tempo, num tempo assim, que não controlo as marés nem me sento na areia de dor de perto ou de longe. A areia, minha despida alma, mostrando pegadas onde não é alisada pelo maré, onde as gaivotas repousam ao lado dos meus pedidos de perdão, é parte fundamental da minha existência, porque areia, fina ou grossa, enpenca qualquer engrenagem, relixam qualquer relação. 
Areia minha que me desculpe quando te sacudo dos pés.


Sanzalando

5 de novembro de 2018

brilho de outono

Brilha sol e cai chuva. Um misto verão e outono na mesma hora e se calhar no mesmo minuto. Parece o tempo anda perdido na insuficiência dum coração. É outono e sufoca de frio num desentendimento interpessoal. É verão e brilha a alma num contentamento altamente contagioso. Sanduichou o tempo. Misturou sentimentos. Mas tal como eu, o tempo não desiste e a vida, agasalhada ou despida, segue indesistida, umas vezes rasteirando, outras segurando, umas vezes fácil, outras difíceis, umas vezes alegre, outras tristees, umas vezes gargalhando, outras chorando.
É outono e quando eu achar que tem obstáculo impossível de passar, eu não corro. Tento só lhe vencer


Sanzalando

4 de novembro de 2018

vou passar a madrugada

Parece é verão. Um verão outonal, leve brisa refrescando o ar que vem do zulmarinho, pequeno assobio cantando nostalgias e eu de telemóvel na mão telemográfo o que os meus olhos vêem e a memória já é capaz de perder, registando o momento como se usasse uma velha nova máquina fotográfica.
Há quem diga que adora a madrugada e eu, com o passar dos tempos, passei a notar que a madrugada já não me mostra nada de novo senão um cacimbo peculiar, uma trovoada de pensamentos de futuro, umas insónias abafadas pelo silêncio, um intervalo entre o fim dum e o começar de novo dia. 
As madrugadas são para os que sofrem de amores, os loucos e poetas, boémios e líricos e que manhã cedo já não sentem nada.. São para os que carregam o peso da emoção, os tremores do universo, os que interiorizam as estrelas e têm a solidão por eterna companheira.São para os que amam as ruas vazias, o cintilar das estrelas, as luzes frouxas das ruas. As madrugadas são para os esquecidos que não se lembram que existe noite e dia.
Vou passar a madrugada até ser dia.

Sanzalando

2 de novembro de 2018

Tia Clarinha e D. Brites

Foi assim num repentemente que eu vi a casa onde morava a D. Brites, que era da Tia Clarinha, senhora pequena e magrinha. Eram amigas da minha avó e como todas as avós eram velhinhas. Pelo menos para mim. Já não sei era uma vez por mês ou por semana a minha avó lá ia visitar a D. Brites e a tia Clarinha. Eu, sem hipotese de escolha tinha de ir fazer companhia ás duas senhoras que falavam e falavam. Lebro-me que para além de tricot e da vida de uma ou de outra rapariga da idade delas, o que me fazia rir, de chamar rapariga na avó, falavam também da caridadezinha. As senhoras Vicentinas, acho eu era este o nome. Mas isso não vem aqui para esta lembrança. O que vem mesmo é que eu lembro da D. Brites sempre reclamar com o clima. Lá na Metrópole é que é bom, Saudável dizia ela. E a minha avó que não conhecia dizia no regresso a casa, um dia temos que ir a essa Metrópole, que é saudável e se calhar lá não se morre. E eu lá fui aprendendo aquelas coisas


testo publicado neste blog em 2004 e que por acaso resolvi republicar

Sanzalando

29 de outubro de 2018

congeladamente

Ai, mamã. Está frio que meus miolos se vão partir congeladamente. As ideias parece foram com o vento frio, que me disseram vem da Islândia. Nunca lá fui, porque é que mandam o frio deles para a gente? Mas assim até o zulmarinho se acinzenta de arrepio e a areia voa baixinho que lixa as pernas de quem de calções se passeia, faz conta é atleta.
Mas mesmo assim lá vou eu insistindo no meu caminhar por aí, degrau a passada ou vice versa que a arbitrariedade não é para aqui julgada. Rindo, sorrindo, sempre desejando o sol mas não regrido na clausura por isso. 
Positivo pensamento para a frente porque a tristeza é para outro dia que não quero ver chegar nunca.
Agradeço sorrindo até nas pessoas que passaram na minha vida e lhe quiseram dar uma volta com os meus sentimentos e depois lhes abandonaram por aí, num acaso dentro de mim. É, foi assim que eu sou quem sou. Eles me ajudaram.
É, a vida parece um problema difícil de resolver mas é só naquele instante, depois se aprende parece é lição dada por professor experiente.
Outonomamente se vai em frente,olhos protegidos do vento e corpo aquecido para não resfriar.


Sanzalando

21 de outubro de 2018

amizade outonal

Resplandeceu o sol que parece voltou com brilho de verão. O engraçado dele é que ele trás o sorriso nas caras carrancudas de outono e o brilho nos olhos mortiços da cinzenta manhã que parece não consegue romper o cacimbo da aurora.
Com o sol me trouxe tambem a vontade de ver o zulmarinho e meditar enquanto lhe caminho paralelo, assim num vagabundear de ideias aparentemente soltas mas se pegadas na ponta se vai até à outra ponta da meada, com muitas interrogações entremeadas.
A amizade vai para além da lealdade, do estar ao lado, do respeitar, do proteger ou guardar. Mete ai escutar, entressanduicha aí complementar ou abraça a ideia de ser a peça que falta num dado momento impreciso quando é preciso.
Assim vou eu aproveitando o sol de outono quase verão.
Junta nisso tudo aquela palavra que abriu a ferida, que consome a comodidade de estar de acordo, que deu assim um choque no peito que até parece uma chapada sem mão. Assim, tudo bem misturadinho e está a amizade. A verdadeira, aquelas que ficam independentemente do que quer que aconteça ao tempo de sol ou ao de relógio.


Sanzalando

19 de outubro de 2018

abraço de outono

Não sei sei já repararam mas os abraços são laços que unem as pessoas, são gestos que apertam corações e são doces carícias na alma que às vezes fazem brilhar os olhos. No outono, nos dias mais cinzentos do outono, os abraços podem aquecer como lareiras os corpos frios de sentimento.
Mas eu adoro abraços e não vou na bola com o outono. Aproveito os abraços e com eles vejo as estrelas que podem aparecer no céu desnublado do ar frio da noite.
Dou abraços e aveludo a minha voz porque não me apetece mais usar palavras duras de inferno. Dou abraços para apagar a ansiedade causada por qualquer dúvida ou por qualquer desnorte de tristeza.
Outonomamente te abraço


Sanzalando

17 de outubro de 2018

deslumbro-me de sol

Olha só o brilho deste sol de outono. Nem ponta de cacimbo. Vou me olhar no zulmarinho e me encontrar nos meus pensamentos, vou-me abrir por dentro e vasculhar-me num todo para descobrir tempos de ócio e saudade.
Vou procurar nesse brilho de sol onde se encontra a poeira do meu passado e com ela fazer um montinho dele e com ele saborear meu futuro num acto de ver cinema dentro de mim.
Deslumbrei-me de sol



Sanzalando

15 de outubro de 2018

cumprir outono

Chuvisca um cacimbo que nem dá para ver onde vou. Não porque é cerrado, mas só porque não dá jeito andar de olhos abertos e os óculos estão a deformar o caminho. Me deram um verão para delirar e agora me resta um outono para vagabundar-me em caminhos imagináveis ou de memórias feitos. Eu sei que a minha mãe dizia que eu quando fosse crescido ia compreender muita coisa que me levava a fazer birra naquela altura. Parece ainda não cresci uma vez que ainda não entendo muita coisa que passa nesse verão da vida.
Não vou nem sou de prometer o que quer que seja. Pavor de não cumprir ou se é para fazer que seja, estas as razões.
Eu vou cumprir o outono levando o meu sorriso, a minha energia e a minha memória e quem sabe algum crescimento. Quanto a promessas prometo que vou rir, mesmo que seja riso idiota, vou partir em aventuras mesmo que seja uma aventura sair de casa em dia de frio ou chuva. Prometo ser um porto seguro se ninguém precisar dele. Vou comer bolos e chocolate, vou andar de canal em canal num zapping pela vida. 
Vou cumprir o outono com frases desfeitas e palavras erradas, idas ao parque infantil, à saída da missa ou duma qualquer matiné, mesmo que seja numa folha de papel rabiscada numa letra que quase ninguém já sabe ler ou fazer.
Vou na minha bicicleta ao Forte de Santa Rita, à Torre do Tombo ou Aguada, Sanzala dos Brancos ou ao Benfica. Vou só porque sim e porque a bicicleta não tem travões e a minha memória já não tem espaço livre de passado a desvendar.
Chegou o outono e eu paludismei-me de ideias delirantes e quem sabe escrevantes. 
Eu vou só cumprir o Outono.



Sanzalando