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31 de março de 2019
30 de março de 2019
Anatomia comparada e mal passada
Faz sol parece é verão, deitei-me e fiquei ali a ouvir a chuva que não cai.
Às vezes um homem não sabe o que fazer e às vezes o melhor a fazer é ficar deitado sem se mexer e tentar simplesmente não pensar ou
não pensar em nada de concreto. Vagabundo-me na bicicleta da imaginação e fui aos lugares que inventei.
Acho mesmo vou estudar anatomia humana comparada, vou comparar o feminino passado com o mal passado e se cair da bicicleta é porque esqueci pôr as rodinhas extra no pensamento.
Às vezes um homem não sabe o que fazer e às vezes o melhor a fazer é ficar deitado sem se mexer e tentar simplesmente não pensar ou
não pensar em nada de concreto. Vagabundo-me na bicicleta da imaginação e fui aos lugares que inventei.
Acho mesmo vou estudar anatomia humana comparada, vou comparar o feminino passado com o mal passado e se cair da bicicleta é porque esqueci pôr as rodinhas extra no pensamento.
Sanzalando
28 de março de 2019
deixa-te entrar, primavera
Sol de primavera é o mesmo que dizer brilho de vento. Hoje sopra de leste. Mas o que me importa de onde sopra desde que faça vento que não gosto? O vento faz-me ficar em casa, entristece-me e apaga as velas de esperança que tenho. Não, não fundi os fusíveis. É mesmo só que o vento arrasta para o lado contrário os finos cabelos que me restam, como se os tentasse arrancar e isso doi. Com o vento sinto-me inseguro e o medo de ser levado por ele para pensamentos arrastados tomam conta de mim. Dá ideia que como não o consigo controlar o mundo não me pertence e não consigo avançar para o meu lado nenhum.
O vento é tóxico e não me deixa respirar pelo pó que trás, pelas folhas caídas que esvoaçam ao deus dará.
Afinal de contas é só o início da primavera do lado de cá e eu consigo ultrapassar isso pensando no tempo que faz do lado de lá, desede que lá não chova e me deixe namorar em cada esquina, em cada passeio da minha imaginação.
Deixa-te entrar, primavera.
Sanzalando
26 de março de 2019
25 de março de 2019
Sol de sabedoria
Tem sol lá fora e eu aqui dentro ouvir perguntas e respostas. Calor fresco lá fora e calor de nervoso cá dentro. Ar de perfumes a carro lá fora e aqui ar pesado de medos injustificados.
Temos primavera de conhecimento que chega depois da mudança do apeadeiro.
Temos primavera de conhecimento que chega depois da mudança do apeadeiro.
Sanzalando
24 de março de 2019
23 de março de 2019
22 de março de 2019
Que nem o meu avô
Hoje me apeteceu sair do meu quadrado da cidade. É, tem gente que mora num bairro. Eu não sei como vou dizer pois moro é mesmo só na cidade. Não moro na Torre do Tombo, nem do Bairro da Facada e nem na Sanzala dos Brancos. è que nem moro no bairro da Mineira. Rua dos pescadores, lado sul fica na cidade. Só. Tá difícil dizer mais onde é que eu moro. Olhei na geografia e é só mesmo na cidade. É no centro? Não. É nos bairros? Não. É ali e aponto com o meu dedo indicador. Centro da cidade. Bolas. Mas eui hoje vou cortar o cabelo no Latinhas. Vou ouvir falar do Sporting. Vou ouvir gente a discutir futebol ou corrida de cavalos de brincar. Me interessa isso? Não, mas eu vou na mesma. Vou no Latinhas cortar o meu cabelo curto de risca ao lado. É só assim. Cabelo curto de risca ao lado. Se calhar é à francesa. Deslembro. Ele sabe. Qualquer quer dia, quando eu for assim grande que nem o meu avô eu não vou mais conseguir cortar o cabelo com penteado de risca ao lado. Vai ser mesmo de tracejado ao lado porque vai faltar cabelo para cortar com risca ao lado. Acho um dia vou ficar igual ao meu avô e vou ter de pentear para trás e esquecer o tracejado ao lado. Mas eu vou até ao Hotel Moçâmedes e lá tem o Latinhas que ainda me consegue cortar o cabelo porque eu sou novo e não penso nesse tempo de ser grande que nem o meu avô.
Sanzalando
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