Seja que estação for, se a gente vai fechando dentro da cabeça todos os pensamentos, amarguras e desilusões, tudo vai parecer bem maior do que é. A gente não deve perder a curiosidade das coisas, há muito mundo por descubrais, há muita queda para dar, há muitos olhar para trocar. E quando a gente pensa que já disse tudo ou que já ouviu de tudo, há sempre uma surpresa de trás dum silêncio, uma mágoa por trás dum olhar triste. Nem sempre conseguimos remar só em mar chão, muitas vezes navegamos em incertezas, remamos contra nós e com todo o esforço se nos esgota a energia. Até os oceanos destte mundo estão ligados enrte si,
Rádio Portimão
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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
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22 de novembro de 2020
21 de novembro de 2020
serenidade
Aqui estou a ver o zulmarinho. Serenos. Eu e ele. A tranquilidade que ele me transmite me dá uma dormência de vida que até parece é desperdício. Mas fica só no parece porque o que me enriquece a gente nem vê. Aqui eu percebo que há escolhas que fiz para que eu me torne e fique um homem em paz. Até que pode ser uma coisa com dor, minha e alheia, mas faz parte duma decisão de vida. É assim mais ou menos como que fazer uma mala só de coisas essenciais para fazer uma viagem. Nem a mais nem a menos, só o essencial. Não quero transportar peso a mais, não quero estar preso ao chão como que ancorado numa amarra desnecessária.
Aqui estou a ver o zulmarinho. Ambos serenos
20 de novembro de 2020
intervalo de mim
E vou vagabundando pelas minhas ruas e vielas num solilóquio colegial. Gosto-me de conversar. Acho que tenho muito para me dizer nestes dias de outono. Já não sou a criança que brincava o ano inteiro feito verão, que corria os caminhos numa bicicleta sem travões ou num carro de rolamentos feito às três pancadas na minha garagem. Cresci e aprendi a dizer as palavras que não guardo para mim.
Reparo que nesta vagabundagem eu tenho meditado profundamente nos intervalos de mim. Naquele espaço de mim que não é conhecido nem publica nem privadamente porquanto fica no meu eu interior mental.
Não acredito que, honestamente, alguém são, no seu juízo perfeito, se possa enamorar por mim como eu mesmo. Perdoo o tempo que alguém perde em tentar entender-me, quem procure em mim aquela canção que não toca senão no coração, aquela canção de amor que nem eu sei a letra apesar de a achar linda quando a toco. Sim, eu recordo-me de todas as canções de amor que cantei mesmo já não sabendo nenhuma de cor. Sim, eu conheço todas as paixões que tive porque não as guardei em palavras caladas ou silenciadas. Memorizei todos os meus sorrisos apaixonados e todas as cartas de amor que escrevi. Tudo está guardado nos intervalos de mim público e privado.
19 de novembro de 2020
para?
Para onde vão os silêncios? Para onde vão os pensamentos pensados? Para onde vãos os suspiros?
Tantas perguntas a que não tenho resposta. Mas mesmo assim vou continuar a ser quem sou, com os meus silêncios, pensamentos e suspiros. São meus e vou fazer mais o quê?
18 de novembro de 2020
escrever
Tem dias a gente se pergunta escreve porquê? Não tem resposta concisa e pronta na ponta da língua. Uma das coisas é mesmo só porque apetece escrever. Mas não tem gente que lê? Tem. Basta uma pessoa ler e já valeu a pena. Mas eu não escrevo para mais ninguém para além de mim. Tretas. Todos gostamos que alguém leia e se elogiar ainda melhor. Mas não é obrigatório, mas faz borboletas no estômago. Portanto, no outono ou no inverno, em qualquer altura do ano apetece escrever, umas rir e outras chorar. Usa-se a vontade e a vontade não se gasta mesmo que se desgaste.
A gente escreve porque gosta e um dia a gente vai aprender a escrever.
17 de novembro de 2020
a gente tem
Num cantinho do outono aproveito para meditar. Habito antigo de tomar consciência de mim. Ancestral treino para virar páginas da vida, tranquila e eficazmente.
Eu sei que tem gente que vive em tanta obscuridade que não nota que no inverno também há luz. Tem gente que é preciso que a gente mostre que há mais alguma coisa para lá do céu que a gente vê, que há mundo por trás de qualquer montanha, rio ou mar. Tem gente que a gente precisa ajudar a pôr no presente porque está amarrado num passado que não tem futuro. Tem gente, que nem eu, que precisa ajudar apenasmente porque sim e a gente precisa caminhar para equilibrar os desequilíbrios provocados por se imaginar que tem força maior que a real.
16 de novembro de 2020
reiniciar
Tudo pode começar num abraço. Às vezes há necessidade dum reset. Um abraço pode ser esse clique. Ah, mas agora não se pode abraçar... Não tem de ser físico. Um olhar tantas vezes é mais quente... Olhar nos olhos e ver a alma, com sinceridade e lealdade é tão mais-valia que nem Marx lhe descreveu ou descontou. Hoje fiz um reset após um longo olhar.
Sanzalando
15 de novembro de 2020
14 de novembro de 2020
peregrinação
Hoje vou peregrinar. Eu sei que isso é um acto de fé e hoje eu tenho uma fesada que vai ser bom para mim. Posto isto vou sair de mim, abandonar o meu esbelto e saudável corpo e vou caminhar por memórias, percorrer os caminhos diferentes que me lembro, as certezas que não se confirmaram, as dúvidas que nunca perdi, os conhecimentos adquiridos que esqueci, os amigos que deixaram saudades e os outros também. Vou só mesmo peregrinar com fé de que vou chegar a lado algum. É outono e a vida tem de continuar.
Sanzalando
13 de novembro de 2020
fantasma
Hoje me apeteceu fantasmar. Vou caminhando sem que me vejam, meu corpo não espelha sombra, meu movimento não move o ar nem levanta a mais leve brisa. Caminho por pensamentos em caminhos passados. Fantasmei-me do presente. Eu fui.. tanta coisa bonita que me orgulho. Ah! isso? foi um momento menos belo, porém cresci, aprendi. Isso?! foi maravilhoso, fez-me chorar mas tomei conhecimento de coisas que nem fazia ideia podiam fazer a uma pessoa. Fantasma de mim em caminhos que me levam a um hoje em constante mudança.
Mesmo a fantasmar sou feliz.
12 de novembro de 2020
natal é quando se quiser
Olho na minha volta e penso que o Natal é quando a gente quiser. Foi sempre isto que ouvi e agora vou mudar mais porquê? Prendas e comida à farta? Te portaste bem? Tens fome ou gula? Coisas pequenas para dar importância ao Natal. Festa da família é quando e como a gente quiser. Começo hoje a dar as minhas prendas:
- Um soco forte no estômago àqueles que se preocupam mais com o durar para sempre do que disfrutam o que têm;
- um pontapé na bunda aos que pensam que são o centro do universo, o ponto primordial da existência
Hoje fico por aqui a preparar a minha ceia natalícia a somar os ocasos e as subidas da minha montanha russa que é a minha vida. Feliz que sou.
11 de novembro de 2020
os medos
Uso os dias como se amanhã não tivesse. Ontem não sabia como é que ia ser hoje. Hoje tem sido muito bom. E depois? Desconhecimento certo. Assim, cada momento é único e vivível ao máximo. Tenho medos? Claro. Não me importam quanto sejam ruidosos ou penosos, sei que os tento incinerar à nascença e às vezes desconsigo. Remoem-me a paz mental, revoltam-me o físico, atabalhoam-me o espírito. Mas não tento gostá-los, dar-lhes um tom engraçado ou distraído. Tenho-os como medos na mesma. Eu tenho de viver com os meus medos. Ainda não cheguei à loucura.
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