recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de dezembro de 2020

2021

Boto lenha na lareira e deixo os meus olhos decifrarem a dança das chamas. Assim, perdida e distraidamente a minha mente vai-se vagabundar por aí. Acaba um ano e hora de fazer alguma coisa. Viver, por exemplo. Que se lixe o ciúme, egoísmo, sacanagens, safadezas, falhas, erros, abraços, beijos, pregações, difamações, bajulações, sexo, amor, dor, raiva, perdão e outras coisas mais que nem me lembro agora. Viver entre mim e o eu. Assim será, assim farei. 
Viva 2021


Sanzalando

30 de dezembro de 2020

este e outros todos, anos

Aqui no quentinho da lareira vou espairecendo ideia e estendo soluções. A ordem é arbitrária como é arbitrária o forma de pensar. Não me deixo arrefecer porque está longe de mim congelar sonhos ou finalizar projectos não concretizados. Uma coisa é certa, não me tento desmoronar pelo que não poderá isso ser uma forma habitual de viver. Durmo para descansar e eventualmente sonhar mesmo que esta última me possa trazer pesadelos. É, aqui no quentinho da minha sala, sonhando acordado com o marulhar do zulmarinho vou construindo edifícios mentais que suportem os meus sonhos e desejos. É aqui, agora, que construo o meu leque de soluções e num deles encontro os abraços e a força que eles têm para solucionar muitos problemas. Um abraço é uma coisa maravilhosa e não tem de ser necessariamente físico. 
Aqui no meu canto, junto á lareira, divagando pelo calor mental da minha alma, vou abraçando cada dia passado, este ano e outros todos.


Sanzalando

#lugaresincriveis


#lugaresincriveis


#lugaresincriveis


29 de dezembro de 2020

#mangueira


eu e a eternidade

Enrolado na matinha, hipnotizado pelo dançar ondulante da chama da lareira me deixo levar nas ondas pensantes: eu sou aquilo que ninguém vê, aquilo que está no meu passado, aquilo que que eu sinto. Sou uma colecção de histórias, memórias, dores e pecados, tragédias e vitórias, glórias e sentimentos. Eu sou um ilimitado ser enquanto existir, uma transparência neste mundo aberto enquanto a minha eternidade durar. Eu sou o aglomerado de pessoas que me fez chegar até aqui. Portanto eui sou as estações do meu ano, ano esse que não sei quando vai mudar.


Sanzalando

28 de dezembro de 2020

ansiedade por menos futuro

Aproveitando o calor da lareira deixo-me navegar por mares ainda não sonhados. Usando a ciência como é que eu posso explicar aquele nervoso miudinho que antecede os grandes acontecimentos? Eles só vão acontecer no futuro como é que eu neste passado consigo ficar assim ansioso? Quando eu olho o mar isso não me acontece. Será que é da lareira e da dança das labaredas? Se desconheço o futuro porque estou sofrendo por antecipação? Acho os miúdos da minha rua não têm destas coisas. Acho isso é só coisa da minha tola. Acho é da chuva que teima em cair no frio de inverno. Não quero dizer que a mente e o coração estão a sofrer. Eles apenas estão com um ligeiro toque de falta de paz porque carrego comigo uma tonelada de empolgação, de desejo ardente de ver um sorrisos e movimentos como se dança fossem. Afinal de contas o grande acontecimento é só eu saber que amanhã estarei acordado. É, cada vez tenho menos futuro.


Sanzalando

Segredo

Sanzalando

#lugaresincriveis


26 de dezembro de 2020

#lugaresincriveis


o que digo

Aqui me deixo aquecer à lareira, corpo inerte e cabeça ao deus dará. 

Digo amar a flores, mas as deixo morrer numa jarra, digo gostar das estrelas, mas não as olho nas noites frias, digo adorar a praia, mas não a limpo quando calha a visitar, digo amar a vida, mas tem dias que não a vivo.

 Gosto da liberdade, mas prendo o meu corpo ao sofá e apenas vagueio ideias e memórias, pensamentos e sonhos. Gosto da natureza, mas não me dou ao trabalho de a cuidar. Gosto das pessoas, mas acabo cultivando preconceitos. 

Digo amar tanta coisa, mas não mostro amar nada.

 

 

Sanzalando

24 de dezembro de 2020

Natal de 2020

Não pensei se este é lugar indicado ou a forma mais correcta de o fazer. Faço-o de livre e espontânea vontade, porque já não se usa o postal dos CTT nem o telegrama. 
Seguramente este ano terá corrido bem, menos bem e mal; terá havido guerras, guerrinhas ou falas mais pesadas; terão julgado, sentenciado ou penalizado o que quer que seja. 
De certo houve noites mal dormidas, ansiedades e medos. Alguém ter-se-á sentido tóxico e  alguém, o mesmo alguém do anterior ou outros, pouco importa, sentir-se-ão os mais felizes do mundo.
A verdade é que chegou o Natal e termina o 2020 tal como ele foi, um ano atípico em múltiplas vertentes.
Todos somos sobreviventes nesta vida que é feita de mil coisas instantâneas em que apenas o futuro é desconhecido.
Depois destas palavras todas quero a todos os colegas desejar um Natal feliz e um ano novo carregado de coisas boas, ao sabor de cada um.

João Carlos Carranca, um blogger à mão

Sanzalando

Boas festas


#lugaresincriveis


#lugaresincriveis


#caminhos #zulmarinho O caminho para o meu sul


23 de dezembro de 2020

#imbondeiro #mangueira Árvore 🌲 total


à lareira

E vou pondo lenha na lareira de modo a que não me arrefeça neste inverno. O processo meditativo, contemplativo ou idiótico é arrefeciente e pode levar-me ao congelamento mental. Aqui vou eu no meu começo de ser futuro. Todos os dias aprendo e continuarei a aprender até que consiga. Não me importa o quanto uma situação possa ser complicada ou difícil porque sei que vamos-nos sempre adaptando. O ser humano é assim, por mais protestos que faça, por mais lágrimas que chore, por mais gargalhadas que dê. Só não quero que o meu forte seja a parte errada de mim e quero ser sempre superior aquilo que me possa fazer fraco.
Fico a olhar para a dança das chamas e navego sobre mim como se fosse um mar chão de coisas belas para recordar.

Sanzalando

22 de dezembro de 2020

invernamente me começo

Sopra um vento frio que vem lá do norte. Gelado diria eu. No meu sul deve estar um calor de fazer febre num saudável, penso para mim. Com este frio, arranjado um canto onde uma lareira me aquece, medito. Outros dirão que deliro. Outros entredentes dirão que louquei-me. Mas para mim eu prefiro o medito. É porque reflito sobre o que me aconteceu e prevejo o que me acontecerá. Sem vergonhas, medos ou truques de faz de conta. Real, verdadeiro porque é para mim que o faço. 
Podia trazer tanto sofrimento no peito, na alma e nas entranhas, que ficaria assim como que afogado, inundado que até as palavras pensadas sairiam encharcadas. Mas na verdade não trago. Se calhar é pela minha forma imatura de estar e de ser. Se calhar é da minha despistada forma de pensar. Se calhar é só uma forma peculiar de viver. 
Sou feliz. Já fui feliz e acho continuarei a sê-lo. Todas as feridas sararam mesmo que tenham deixado uma ou outra cicatriz. Mas sararam. Não sou super-herói, nem cowboy dos filmes da minha infância, chorei, limpei lágrimas e segui em frente. Hoje sigo em frente porque o ontem já passou. E com esse passar de ontens nasci faz tanto tempo que já não terei tanto futuro como tive de passado. 
Me começo num lugar onde estiver, com o tempo que estiver e com a vontade que tiver. Sou assim, arrumadamente louco por viver.


Sanzalando

#lugaresincriveis


21 de dezembro de 2020

Eu e o natal 2020

E quando o ano inicia e o natal passou a gente faz programas a pensar no próximo natal. Agora chegados ao natal a gente faz mais mil perguntas sem responder aos programas pensados no antigamente do ano. O que é que eu vou vestir? Com quem é que vou passar o natal? Que é que eu vou comer no natal? 
Mas eu fiz tudo o que pensei antes? Já não me lembro porque o natal chegou depressa demais. 
Tem gente que vai comer? Tem gente que tem o que vestir? Tem gente brigada que nem falar vai e tem gente que vai ouvir esse silêncio? 
Nos outros natais eu revia a família próxima e a que estava afastada e os amigos festejáva-los com postais de selo dos correios e ou telegrama. Depois veio a era moderna e foi por e-mail, por mensagem, por tanta app que já nem sei mesmo como poderia responder sem repetir ou falhar.
Neste natal, porque tudo vai ser diferente, porque tudo é diferente, porque eu estou diferente, eu vou pensar nas pessoas tristes, vou olhar nas crianças de rua desse mundo, nos idosos sem família de sentir carinho. 
Eu todo o ano vejo crianças tristes e não lhes dou presente. Este natal vai ser diferente: não lhes dou presente mas lhes dou o meu pensamento e imaginação para ver se depois eu deixo de as ver triste.
Todo ano eu vejo os idosos isolados, alguns mesmo abandonados. Não lhes vou dar presente. Vou usar o meu poder, se o tiver, para que para o ano eu não lhes tenha de pensar.
O meu natal nunca mais vai ser o mesmo, nem que eu tenha de mudar o mundo.


Sanzalando