recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de outubro de 2021

tem gente

Vou por aí abrigado da chuva como quem caminha dobrado sobre a terra. Se alguém me visse de longe ia dizer que eu estava a contrariar o chamado da terra. Mas é mesmo só por protecção dessa chuva que desagua na terra vinda lá do céu, parece é rio.
Mas continuo a meditar sem ter noção que já estou ensopado parece sou esfregão ou esponja. Olho à volta e vejo, na minha imaginação, as pessoas que já não perguntam o porquê, que não conseguem sorrir nem falar sem gritar, apenas se contentando com o efémero, mas na realidade nunca deixaram de pensar que são eternas. 
Vão ser mais eternas como? Desconseguem ser felizes uns segundos, quanto mais viver assim até no fim dos finais?
Dobrado sobre a chuva, protegidos os olhos, vejo claramente que tem gente que se sente mal, até consigo mesmo.

Sanzalando

#bebidas


#imbondeiro


28 de outubro de 2021

aniversário

Do quente ao frio, do seco à chuva, do verde árvore ao dourado areia, contrastes para mudar num tempo: a vida ganha hoje em experiência o que já não se ganha em anos. 
Para minha alegria ficam no passado todos os azares que já tive, todas as lágrimas que já verti, todas as palavras que calei e as que atirei como pedras, todas as ofensas que sofri e as que feri, todas as coisas que vivi. 
Ainda cá estou a comemorar os 34 anos de experiência, na vossa companhia, a juntar aos 31 anos que um dia deixei de fazer mais.
Celebro com uma cerveja bem geladinha, umas gingubas acabados de torrar, numa mistela com muito gindungo e sal, com a grata satisfação de vos ter como amigos, espalhados pelos quatro cantos do mundo, se não fosse ele redondo.
Um a um eu queria dar um abraço, mas nessa impossibilidade, como as gingubas, bebo as cervejas e caminho em direcção a outras palavras que um dia poderei acrescentar aos números que vou juntando.
Até já!


Sanzalando

#festas @panfiliolesea


27 de outubro de 2021

#maracujás


as minhas estórias

Adoro-me ver assim, caminhar por memórias e olhar o futuro. Gosto de imaginar as estórias que vivi com os olhos de hoje. Gosto de me ver assim. Riu-me com prazer da vida que vivi e da que tenho para viver. Ouço a máquina de lavar louça e imagino o meu passado lá dentro ensaboado, remexido, aquecido e enxaguado, limpo porém não esquecido. Sento-me no sofá e deixo-me levar por tantos anos atrás que já nem sei a que ano consegui ir. 
Não me doíam os músculos das pernas, nem a região lombar. Eu saltava, pulava e dançava num brincar de rua. Não havia tempo a perder nem percas de tempo a pensar. Era a vida. Facilmente me deixo embarcar no sonho, patino rua abaixo, desliso no carro de rolamentos, bato às portas e fujo. Facilmente me transporto para o hoje e me vejo quase igual, porém mais selectivo, esquecidos os patins, sapatos kedes de boa qualidade e uma caminhada de alguns quilómetros, desconsctruidos o carro de rolamentos e construída uma bicicleta que me leva por quilómetros de puro prazer, trocadas as partidas nas portas vizinhas por animadas conversas de rua  numa sã camaradagem com a vizinhança.
Regresso rapidamente até ao ano XPTO em que consegui a proeza de ir a pé até à foz do Rio Bero, sempre pela beira mar, e ver que aquele rio que às vezes inundava não parecia passar dum ribeiro que mal chegava ao mar. Foi uma ousadia e tanto um garoto franzino, aparentemente desnutrido porque esquelético, caminhar aqueles seis quilómetros, não os medi a não ser de memória, pela praia, passar o parque de campismo, o estaleiro e continuar por caminhos nunca antes andado, solidão plena, um aperto no coração e uma vontade cerebral imensa de lá chegar. 
Mantendo-me nessa altura, já tinha cometido várias proezas após a ida ao Bero. Fui aos Morros Azuis e fui na Praia das Barreiras. Só com as pernas que tinha e os músculos que esboçava.
Salto para os dia de hoje em que facilmente vou por caminhos que nunca imaginei-me andar e limpo a cabeça de tralha acumulada, numa caminhada de sorrisos e uma resitência animica e física que nunca pensei um dia poderia ter. Eu era mais fraco que os mais velhos da minha rua, da minha escola, da minha existência.
Volto atrás na minha máquina de tempo, às secretárias do liceu, às respostas acertadas aos professores, às secas dadas ao Sr. Portela, chefe máximo do pessoal menor. Tudo passa no filme do meu tempo.
Hoje converso, sento-me e recordo e penso que amanhã contarei estórias de outro tempo sem ter a preocupação se inventei, imaginei ou as vivi. São as minhas estórias.
 

Sanzalando

#zulmarinho


26 de outubro de 2021

eu, o pensamento e o olhar

Já fiz muitos quilómetros no meu passo lento de quem vai a conversar com o meu cérebro. Já me perdi em pensamentos tristes ou pecaminosos e me reencontrei nuns instantes de alegria. Acho já pensei o que deveria ter pensado, acho já vivi tudo o que tinha imaginado, sabendo que muito há ainda para fazer, quer através do pensamento quer através da acção. 
Caminho por aí sabendo que um olhar pode dizer muita coisa, como pode não transmitir nada se quem re-olhar não tiver vontade de ver. 
Há quem esteja triste e mostre um olhar alegre e vivo. Há quem já tenha visto tanto que se cansou e o seu olhar continua parece é curiosidade. Há quem te sorria com o olhar quando com as mãos te quer estrangular.
Mas tantas vezes, neste caminhar, eu não sei ler o olhar de quem me olha porque vou absorto nos meus pensamentos e esqueci a realidade.



Sanzalando

#flores


#momentos


25 de outubro de 2021

despedi-me, faz anos

Faz um solinho de outono deste lado do globo. Eu gosto mesmo que ele tenha um toque de despedida.  Faz anos eu me despedi na mais importante despedida de mim. Chorei, ri, sinceramente já não sei. Fui atrás do coração esquecendo a razão. Dispensei-me de qualquer realidade e parti rumo a um futuro incerto que por acaso acho deu certo. Hoje como seria. Tudo é diferente e todas as circunstancias envolvidas são diferentes pelo que a diecisão não pode ser olhada para lá da memória.
Eu sei que o meu riso era-me melodia. Hoje melodia ele me é.
O meu olhar era intenso. Intenso é o meu olhar hoje também.
Eu tinha estórias e tinha tempo para saborear as estórias. Hoje eu tenho estórias mas acho não tenho apetite para saboreá-las.
Eu amo hoje como amava outrora.
Eu sei o que fica para lá da minha esquina e já não sei como era a minha esquina de antes da despedida.
O amor, aquele sentimento que não se mede nem se controla, ama as duas partes de mim, o de antes da despedida e o de agora.
Só não consigo ver um final feliz se não tiver a minha memória do antes da despedida.


Sanzalando

#flores


#momentos


#lugaresincriveis


#lugaresincriveis


24 de outubro de 2021

eu e o imbondeiro

Vagarosamente sigo o meu caminho. Vagarosamente não quer dizer preguiçosamente. O dia tem 24 horas e cada hora tem 60 minutos e não posso fazer mais, embora eu acho que tenho mais para fazer. Já não posso esquecer que tenho mais passado que futuro. Mas eu tenho passado e passado bem gasto, usado com vontade e prazer. Eu me norteio pelo equilíbrio mental e este vou buscar à minha memória passada para poder construir o futuro que ainda tenho.
No presente me lembro que papa-formigas come formigas quando está vivo, mas quando ele se traspassa para a condição de falecido ele vira comida de formigas. É como a vida, a qualquer minuto desta lentidão tudo pode mudar. Eu posso ser poderoso hoje, não o fui ontem e não sei como é que vai ser amanhã. 
 Será que serei forte como um imbondeiro? Estático como um imbondeiro? Feio que nem imbondeiro? Na verdade e vendo as coisas de outra forma: um imbondeiro daria para fazer 2 milhões de fósforos se fosse essa a indicação dele, mas apenas um dele daria para queimar uma floresta. Mais coisa menos coisa.


Sanzalando

#comida @francesinhaemcasa


#zulmarinho


23 de outubro de 2021

#comida @vidigalcristina meio a meio


vou

Lã vou eu em passo lento com medo de gastar o tempo, ou depressa e bem não há quem. Vou só mesmo assim a viver e pensar, lentamente. É esta visão pragmática da minha existência que me deixa assim como que pasmado e emocionado. Eu sou fruto destes caminhos e pensamentos. Eles são a força motriz da minha existência. Parece sou revolução a falar, mas é a verdade. Cabe a cada um de nós nutrir, alimentar e substanciar a nossa existência. É uma escolha diária, momentânea e constante, por paradoxo que possa parecer. Nós somos os fabricantes e usadores, escultores e admiradores, poetas e versos, tudo no mesmo momento. 

Me emocionei pela profundidade que atingi e quase sufoquei por estar destreinado.

Nada na vida cai do céu. Não é milagre ou destino. Não é forma ou desin. É escolha. Nós somos o que escolhemos. Não dá para ficar sentado á espera. As coisas não mudam como mudam os minutos. Alguém deu corda e forma aos ponteiros. No meu ponteiro mando eu, nos meu minutos vou eu agarrado. Eu faço por moldar o meu tempo, nem que seja em passo lento e pensativo.

Acho vou procurar palavras gémeas para escrever uma canção de embalar e me embalo num caminho longo de memórias e imaginações, de realidades e ficções, de alegrias e distrações, de gargalhadas e outras sonorizações.


Sanzalando

#zulmarinho