23 de maio de 2019

sou quem sou

E se faz sol eu caminho num passo meditativo como que a olhar para dentro de mim e me perguntar coisas. Acho, às vezes que tanta curiosidade me faz mal. Mas vou fazer mais como? Me olho e vejo que mudei. Bastante assim? Sei lá. Mudei. Já não sou quem eu era antes. Perdi vícios, mudei cores, mudei o perfil, mudei o penteado, mudei o olhar. Complicado. Se não mudei a cabeça como dei a volta sem abrir a mão de mim? Misturei-me renovando-me diáriamente. Mais coisa menos coisa. A minha essência é a mesma, penso eu. O zulmarinho também já não é o mesmo. Mudou, muda e mudará. Tem marés. Já não sou o mesmo. É inevitável. Gosto de ver, de ouvir e às vezes falar. Gosto de sentir.
Sei lá mais quem sou. Sou eu, por enquanto.

Sanzalando

#mangueira


21 de maio de 2019

primavera que não sorri

Indecisa primavera que não me deixas tomar balanço para o que quer que seja. Com esta instabilidade termal já me chego a culpar de não gargalhar na alegria, de gargalhar sobre a tristeza, de estar à porta do abismo e depois voltar atrás com medo de dar o passo em frente. Mas não chove para acabar comigo feito diluido; se sou 70% feito de água, uma boa chuvada ia diluir o resto, acho eu.
Com este tempo já gritei até perder a voz, já chorei até secar os olhos, já pulei até romper os músculos. Já é tempo de ter tempo para contemplar o zulmarinho e toda a sua energia.
Com este tempo já gastei os meus sonhos e tenho que me socorrer da realidade que é crua e dura, quando o que eu gosto é de morar na comodidade da casa dos meus sonhos.
Com este tempo preciso ter coragem para sorrir. Sempre


Sanzalando

#caminhos


19 de maio de 2019

primavera dê-se ao respeito

Faz brisa parece é vento. Primaverou, invernou e veraneou, tudo no mesmo dia. E eu? Baralhei-me. Se tem coisa que gosto é respeitar e entender ou entender e respeitar dando-me ao respeito desgostar a meu gosto. É por isso que julgamento eu não faço. Não julgo. Entendo e respeito mesmo que eu não não goste. Esta primavera não é a meu gosto. Respeito. Mas não entendo. Se é primavera tem de se portar como tal. Mas eu não vou julgar mal a primavera porque está a ser indecente, porque sopra vento parece é frio soprado num frasco de gelo. Respeito-a. Mas está difícil entender neste tempo incerto.
O zulmarinho está arrepiado. A falésia parece desabrigo. O silêncio parece é sopro. A maresia parece é inodoro porque vai de contra mim.
Me sinto magoado com essa primavera que calhou este ano. Respeito-a mas acho merecia mais. Não a entendo.

Sanzalando

#caminhos


17 de maio de 2019

#bebidas


#flores


#caminhos


Tem gente é cometa

Tem sol que brilha parece desigualdade no mesmo lugar. É uma pena, porque lugares se tornam sombrios que até parecem tristes, porque tem pessoas que passam como fossem cometas, rabo grande que parece esteira bagunçada a pensar são o centro do universo. Nem o sol de primavera consegue brilhar nem o zulmarinho consegue ondular beleza.

Sanzalando

primavera mais real

O sol foi de fim de semana e deixou por cá o vento, essa horrível força que me despenteia e me atira pequenas areias contra as minha pernas desnudas como se fossem afiadas agulhas. O zulmarinho estonteantemente se atira contra a areia da praia a parecer que lhe quer devorar, não me deixando estar ali sentado a lhe admirar ou meditar ou simplesmente estar.
Este vento parece é o mundo que deixou de ter tempo para se recomeçar, para ir buscar os valores que se perderam por causa da enganosa tecnologia que nos trás uma proximidade virtual e que nos leva a um afastamento humano, a uma conversa em que os olhos nunca serão vistos, em que as carícias são símbolos e não físicas. Como posso conversar sem ver a expressão nos olhos de quem me ouve?
Com este tempo assim me sinto mais longe da realidade, mais longe de ouvir as pronuncias e o colorido das vozes, sinto que os laços que crio mais não são que círculos de vastidão deste mar.
Viver está no sentir e no sentido de vida e amar está na acção, não no dizer.
Com este vento, acho vou-me recolher num canto desta praia e esperar a outra primavera, a mais real

Sanzalando

16 de maio de 2019

manta de retalhos

Faz sol ou eu sei que faz sol. Eu digo que sim e isso me chega para dizer que está sol. Eu sou forte, é o que me digo. Não sou louco para pensar que não existem abismos, sismos, tempestades, inverdades, ciclones e vendavais na vida de cada um. Aparentar, fingir, esconder e ou desligar não vai a porto seguro. A instabilidade do tempo não pode descontrolar a estabilidade do meu tempo por onde ando. Por isso eu sou forte, mesmo que a minha existência pareça como uma manta de retalhos como a minha avó fazia. Eu sempre as achei bonitas. Juntar pedaços, ao acaso ou por acaso, condizentes ou contrastantes. É poesia. É lindo. O tempo é lindo. A vida é linda. Pode parecer a vida uma manta de retalhos, pedaços cozidos uns aos outros, quando bem feitos até que é linda e é uma manta.
Assim é a a vida, assim é o tempo. assim sou eu nesta primavera.



Sanzalando

15 de maio de 2019

#comida


#caminhos


#comida


primavera de verão, cacimbo de chuva

Faz sol parece virou verão que ainda não chegou. O zulmarinho se revolta empurrado pelas forças do sueste. Lá longe começa o cacimbo, mais ou menos como se houvesse horas para essas coisas. Aqui, no lado norte da minha vida dizem é primavera e eu sinto é verão, lá no meu sul dizem é cacimbo e é chuva que cai. Como pode ter hora marcada assim?
Faz conta o tempo é como a lindeza. Acaba por ser subjectiva. Uns sentem assim é que é bom, outros assado e outros é péssimo. Eu sorrio seja lá o tempo que for. Se eu sentir é verão, é verão e não me verão empalidecido no mimmesmo, no ar triste que pode soprar, nos vendavais mentais que certos ciclones, que mais parecem clones de coisa nenhuma, tentam assoprar para ver se despenteiam. Sorriso sim. Sempre. Por dentro e por fora porque tudo está aqui, apontei o meu dedo na cabeça e na força que ela tem para mudar o mundo. O meu mundo.


Sanzalando

#caminhos


#caminhos


#zulmarinho


#zulmarinho


recomeça o futuro sem esquecer o passado