A Minha Sanzala
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Conversas à Mesa
1 de abril de 2026
Programa K'arranca às Quartas 112
31 de março de 2026
O Diagnóstico Precoce
Crescer querendo ser médico é viver numa forma de sonho constante, temperado por uma boa dose de ironia. Afinal, a medicina é a arte de manter a calma enquanto o resto do mundo está, tecnicamente, em pânico e alguns até que acabam morrendo. E nada mantém melhor a calma do que um bom senso de humor.
Eu sempre achei que o bom humor é uma anestesia que a natureza nos deu de graça. Imagine a cena: o paciente entra no consultório, pálido, segurando um resultado de exame que ele num momento de pura audácia já "diagnosticou" no Google como sendo uma doença rara. Felizmente naquela altura ainda não havia essas invenções que levam ao desespero, à desinformação e à depressão, só para ficar tudo dependente do D.
Neste momento, o médico tem duas escolhas:
- Ser o bastião da seriedade e explicar que o Google não tem curriculum válido ou reconhecido ou usar o humor para dizer: "Olha, a boa notícia é que, para ter essa doença, você precisaria ter nascido em 1740 e comido uma raiz específica que só cresce na Lua. Como você parece bem para quem tem 300 anos, vamos olhar para o seu físico"
Mas a jornada para lá chegar não é feita só de gargalhadas. Existiu o liceu, aquela entidade mística que exige que você saiba a fórmula química da ardósia, o poder da OPAN para mais tarde, finalmente, poder perguntar a alguém: "Onde dói?". É uma tortura que só faz sentido se você conseguir rir do absurdo de estudar física quântica para tratar uma unha encravada. Sim... eu sei que naquela altura a física era quanticamente proporcional a saia da professora.
E depois, claro, vem a lendária letra de médico. Eu que a tinha tão redondinha que até dava gosto ler, perdi-a com o passar do tempo. Agora escrevo e para além da senhora da farmácia talvez eu em dia de sol consiga decifrar. A minha lista de compras atual parece um eletrocardiograma de alguém que acabou de correr uma maratona, com espaços em branco para respirar fundo.
No fundo, ser médico com humor é entender que o corpo humano é uma máquina fascinante, mas ocasionalmente ridícula. É saber que, entre um banco de 36 horas e um café que mais parece asfalto líquido, o que nos mantém de pé não é apenas o juramento de Hipócrates, mas a capacidade de rir de nós mesmos.
Se a vida é uma doença terminal, onde todos acabam por morrer, como dizem os poetas mais pessimistas, que pelo menos o médico seja aquele que, enquanto te examina, consegue te arrancar um sorriso. Porque a ciência cura o corpo, mas é a piada (no momento certo) que salva a alma do cansaço.
30 de março de 2026
EMSAMBLE Al-Nisa - Música no Museu
29 de março de 2026
Pertinências 4 - Ir a Paris sem sair do Clube União Portimonense
Nem tudo é urgente… mas há coisas que são pertinentes.
Ideias que fazem pensar. Perguntas que fazem sorrir.
Respostas que… às vezes complicam.
Pertinências: Onde a palavra tem lugar.
Desta Tertúlia nasceu este pertinências 4. Imperdícel
28 de março de 2026
Brincámos e éramos felizes - mas tenho memória e sou-o
Esta não é uma estória de dunas gigantescas, caravanas de camelos ou miragens com água fresca, infelizmente. Esta é uma estória sobre a fronteira do deserto, onde o Namibe encontra a civilização ou pelo menos o muro da Junta autónima das estradas. É assim mais ou menos onde a areia não é uma paisagem romântica mas um inimigo determinado a invadir cada orifício do meu corpo se a aragem vira vento.
Conheçam a minha trupe de intrépidos exploradores: o Manel, com a sua energia inesgotável e total desrespeito pela falta de humor; o Beto, líder autoproclamado e inventor de jogos, para além de ser o dono da viola; e Ferrão, o cauteloso, cuja principal é não ter cautela com coisa nenhuma; o Mamede, preocupado com as notas que não eram de dinheiro. Claro que não vou pôr aqui nenhum nome delas porque elas não iam connosco para as areias quentes do deserto.
Era um sábado escaldante. O céu estava de um azul tão intenso que parecia pintado, e o sol batia com a força de um martelo num prego enferrujado. O local escolhido para a aventura do dia não era uma duna imponente, mas sim uma modesta acumulação de areia que se formava nos limites da cidade que para uns era grande e para outros era pequenina.
"Muito bem,gente!", anunciou o Beto, de pé no topo do maior monte de areia (que devia ter uns impressionantes trinta centímetros de altura)
- O objetivo de hoje é conquistar o Forte Solitário e defender o nosso território contra os temíveis Invasores da Poeira!
O Manel soltou um grito de guerra, que se transformou rapidamente numa tosse ruidosa quando uma rajada de vento lhe mandou uma quantidade generosa de areia diretamente para a boca.
- Arg! Areia! É ... saiu palavrão, que a minha caneta não sabe escrever, enquanto cuspia e limpava a cara com a manga da camisola, o que só serviu para espalhar a areia ainda mais.
Ferrão, entretanto, estava empenhado num ritual meticuloso de bater os pés um no outro para desalojar cada grão que se atrevesse a aproximar dos seus ténis que deveriam ser novos.
- A sério, malta? Areia? Podíamos estar a jogar no parque infantil. Sem areia nos sapatos.
Beto ignorou as queixas.
- Mamede, tu e o teu exército ficam no Forte. Eu e o JC atacamos!.
O jogo começou. O Manel e o Ferrão defenderam o forte imaginário com unhas e dentes, ou melhor, com punhados e punhados de areia. A tática de ataque de Beto e meu envolvia saltos dramáticos sobre os pequenos montes de areia e gritos de guerra que pareciam mais guinchos de pânico cada vez que a areia nos entrava nos olhos.
A certa altura o Manel, no auge do seu entusiasmo defensivo, atirou um punhado de areia com tanta força que este voou muito além de nós e atingiu uma carocha inocente que passava calmamente por ali.
A batalha foi interrompida momentaneamente pela gargalhada geral (exceto do Beto, que estava a tentar limpar o corpo daquela bola de areia).
A tarde passou num turbilhão de areia e risos. Inventámos novos jogos: "Quem Consegue Ficar Mais Sujo de Areia em Dez Segundos?" houve quem ficasse irreconhecível, "Corrida de Obstáculos com Areia nos Sapatos" (perdeu o Ferrão que não quis sujar os quedes porque deviam ser novos) e "Construção do Maior Castelo de Areia Que o Vento Não Consiga Derrubar nos Próximos Dois Minutos" (o castelo sobreviveu por uns impressionantes dez segundos antes do Manel se atirar sobre ele).
Quando o sol começou a descer no horizonte, pintando o céu de tons de laranja e rosa, a trupe de exploradores estava exausta e coberta de areia. Mas não era apenas uma camada superficial. Era areia no cabelo, areia nas orelhas, areia nas meias, areia nos bolsos.
Ao regressarem a casa, o som das suas passadas era um mistério rítmico de grãos a raspar contra o tecido e a borracha. Ao entrarem na cozinha, a minha mãe olhou para nós e suspirou.
- Bem, parece que o deserto decidiu vir visitar-nos - disse ela, com um sorriso divertido - Preparem-se para um banho tão longo que vão esquecer que cor têm os vossos corpos.
No meu caso o ralo da banheira acho ficou entupido de areia. A banheira parecia uma praia em miniatura.
Brincar no início do deserto pode não ter sido uma aventura épica com tesouros escondidos e dunas gigantescas. Mas foi uma tarde cheia de humor, risos e uma quantidade tão impressionante de areia que nunca mais olhámos para uma simples caixa de areia da mesma maneira. Afinal, a areia não é apenas um material. É uma companheira de brincadeiras irritante, invasiva e, por vezes, muito divertida.
Hoje apetecia-me ir brincar na areia. Mas falta o Manel e o Ferrão ao que eu sei. Dos outros nunca mais soube nada. Crescemos, é só o que eu sei.
Ficou a memória
27 de março de 2026
Voltaste à cidade 50 anos depois
Mal estacionou na praça, Filipe sentiu o peso dos anos. Ou melhor, sentiu o peso dos olhos. No banco de madeira da avernida, de baixo das velhas buganvílias , os mesmos dois velhinhos de 1975 pareciam não se ter mexido. Eram como estátuas de calcário com boina. Devia ser o velho Faria e a Maria Cachucha.
O prato à frente dele tinha calorias suficientes para alimentar uma pequena nação durante o inverno rigoroso. O azeite da horta não era um condimento, era um ecossistema. À terceira garfada, as suas artérias começaram a enviar notificações de espaço insuficiente. Filipe habituara-se a outras comidas.
A parte mais perigosa de voltar à terra 50 anos depois é a árvore genealógica. Na cidade, ninguém tem apelido, só "alcunhas" ou referências de parentesco complexas.
- Olá, boa tarde! Lembra-se de mim? Sou o Filipe, filho de tal e tal e morava ali...."
- Qual Filipe? O do fuso? O que caiu ao poço em 64? Ou o que casou com a filha do homem que vendia tremoços na feira da Senhora da Kipola?
- Não... sou o filho do... e continuou a tentar definir um passado que o tempo faz tempo varreu das ruas asfaltadas.
- Ah! O das hortas?! Estás tão mudado... perdeste o cabelo todo, não foi? - Não me lembro!
Filipe tentou pagar um café com um cartão xpto. O senhor Alfredo, atrás do balcão, olhou para ele como se ele tivesse uma arma biológica como se fosse uma arma biológica. Aqui é com dinheiro vivo e de preferência dólares. Senão, ficas a dever que eu te vou cobrar e com juros desde o tempo que foste embora daqui.
O Balanço Final
Filipe percebeu que, por muito que o mundo mude, a aldeia é uma cápsula do tempo. Ele pode ter aprendido três línguas e visitado vinte países, mas ali, ele será sempre "o miúdo que tinha medo dos gansos e que agora usa sapatos que parecem barcos".
Ele voltou para a cidade com três quilos a mais e a certeza absoluta de que, em 2056, o Alfredo ainda o vai estar à espera para cobrar o café.
26 de março de 2026
eu joguei no totobola
Tudo começava à quinta-feira. Entrar numa tabacaria aos 14 anos, com o cabelo à beatle e as calças à boca-de-sino, exigia uma postura de homem de negócios. O objetivo? O boletim de papel químico bem preenchido de modo que o x não saía do quadrado.
Havia toda uma técnica para preencher aquilo. Se carregasses pouco com a esferográfica BIC, a cópia ficava invisível; se carregasses muito, furavas o papel e o Sr. Bauleth da papelaria olhava-me como se tivesse cometido um sacrilégio.
Olhando de agora para o longe do tempo eu vejo:
O adolescente médio dos anos 70 dividia-se em três escolas de pensamento:
- O Clubista Cego: Punha sempre "1" no seu clube, mesmo que jogassem contra a seleção do mundo.
- O Especialista de Bancada que discutia na esplanada da Oásis que até se ouvia no Café Avenida, lia tudo e até se calhar nas estrelas das noites de insónia, analisando se o avançado do Farense tinha recuperado da gripe.
- O Caótico, aquele cujo método do fechando os olhos e deixando a caneta cair sobre o papel e a sorte jogava-se duas vezes.
O grande dilema eram os teórico que diziam que as triplas e as suas variantes, que custavam uma pipa de massa mas que a gente ficava na teoria porque na prática não havia combu para tanta teoria.
- Pá, achas que o Barreirense empata nas Antas?
- Nem pensar, mete um 1 fixo e guarda a dupla para o dérbi!
E lá íamos nós, com o coração nas mãos, apostar o dinheiro do lanche. Se o Benfica ou o Sporting perdiam em casa, lá se ia o "13" e o jantar de domingo passava de festa a funeral.
Havia o rádio a pilhas que se gastava ao domingo. Cada mesa acho eu tinha um rádio naquela esplanada. Acho cada um tinha a esperança que cada rádio ia dar o resultado que mais convinha. Sentados, com o boletim na mão e a orelha colada ao altifalante. O som do golo era anunciado por um interminável grito até a gente parava de respirar. Quando o locutor dizia: "Golo em Alvalade!", o silêncio em casa era tão denso que se ouvia uma formiga a tossir. Se marcava a equipa escolhida eras um génio das probabilidades, se sofria o golo que estragava o teu X: O boletim era amarrotado e lançado com a força de um remate do Eusébio em direção ao lixo. Era um momento de explosão interior.
Na segunda-feira, a realidade batia à porta. Geralmente, tinha feito 7 ou 8 pontos. O sonho de comprar uma motorizada NSU ou uma V5 ou um par de calças Levi’s genuínas ficava adiado por mais uma semana.
Mas havia sempre aquele amigo que jurava:
- Pá, falhei o 13 por um golo do Beira-Mar aos 90 minutos!. Mentira, claro. Provavelmente tinha falhado metade da jornada, mas no Totobola dos anos 70, a esperança era a última a morrer.
25 de março de 2026
Programa K'arranca às Quartas 111
24 de março de 2026
eu fui às salinas
23 de março de 2026
andar de bicicleta
Na cidade que adotei como minha, andar de bicicleta não é um desporto… deveria ser um direito constitucional. Aqui não há subidas, não há descidas, há sequer aquela ondulação tímida que nos faz levantar do selim com dignidade e pensar que estamos a subir à Foia. É tudo plano, mesmo que às vezes inclinado. Há zonas que é tão plana que, se deixarmos cair uma moeda, ela não rola, fica a pensar na vida.
Foi com esta confiança topográfica que decidi, um belo dia, faz por esta altura uns 20 anos, tornar-me ciclista urbano. Comprei uma bicicleta que, segundo o vendedor, era “perfeita para cidade”. Eu desconfiei. Parecia-me uma categoria demasiado específica. Mas levei-a.
No primeiro passeio, senti-me invencível. Pedalava com uma elegância que faria inveja ao pelotão inteiro da Volta a Portugal, se a Volta a Portugal tivesse uma etapa chamada “Volta ao Quarteirão Sem Inclinação” e não tivesse mais que 5 km. Sem esforço, sem suor, sem drama. Até me dei ao luxo de tirar uma mão do guiador. Depois a outra. Depois quase tirei os pés, mas achei que não era altura de me candidatar ao prémio de pelo menos um dente partido.
Tudo corria lindamente até descobrir o verdadeiro inimigo do ciclista numa cidade plana: o vento e alguns pouco condutores de veículos com chapa a toda a volta e, possivelmente, com azia gástrica e diarreia mental..
Mas comecemos pelo vento… esse traidor invisível. Porque numa cidade com subidas, sabemos com o que contamos. Mas numa cidade plana, o vento decide ser montanha mais inclinada que o nosso cérebro fica tipo baralhado com um nó no pensamento e uma montanha de mau feitio.
Num instante, passei de herói do asfalto a figurante num documentário sobre resistência humana. Pedalava, pedalava… e parecia que ficava no mesmo sítio. Um senhor a passear o cão quase me ultrapassava e até acho que o cão olhou para mim com uns olhos de pena. Tenho quase a certeza!
Tentei manter a dignidade. Inclinei o corpo para a frente, fiz cara de quem está a participar numa prova olímpica, mas na verdade estava a lutar contra uma brisa que, noutras circunstâncias, serviria apenas para refrescar uma sopa.
E depois há os semáforos. Numa cidade plana, os semáforos são o equivalente a montanhas-russas cerebrais. Verde e lá vou eu, leve como uma pena. Vermelho e lá fico, parado, a fingir que não estou a recuperar o fôlego que, teoricamente, não devia cansar.
Mas o auge foi quando descobri que, mesmo numa cidade plana, há “subidas”. Não no chão, claro. Na nossa cabeça. Aquela rua onde o vento bate sempre de frente. Aquela avenida interminável onde parece que alguém ligou a ventoinha só para nos testar a paciência.
Depois aqueles condutores apressados, com pressa de chegar a lugar nenhum. Têm complexo de bola de bowling, imagino eu. Rua estreia, um ciclista à frente e mão na buzina como que a dizer sai da frente. Abrando se isso fosse possível, encosto-me o mais possível à parede e apesar da buzinadela e do meu gesto de boa vontade sou insultado até à terceira ou quarta geração. Mais à frente vejo-o parado e a ser multado por uso indevido do claxon, perturbação da ordem pública e falta de respeito à autoridade. O ego sorriu-me e o pedal até parece ficou menos pesado de pisar.
Cheguei a casa com a sensação de ter atravessado os Alpes, as Montanhas Rochosas ou os Morros Azuis… mas no Google Maps continuava a aparecer escrito “Percurso fácil”.
Desde então, continuo a andar de bicicleta. Porque, no fundo, numa cidade plana, todos somos campeões… até o vento decidir que hoje é dia de etapa de montanha e o perigo obrigar-me a estar atento nos 360 graus que me circundam. Ah... e relembrar que gosto da minha família que às vezes eles lembram-se de me recordar.
22 de março de 2026
Conversas à Mesa 5 - Florestas e Biodiversidade
Programa de Rádio de Conversas à volta da Mesa - 21 de março
- tal e qual como se fez em directo para ouvir indirectamente aqui ou em qualquer outro lugar, aos cortes ou de seguida. A opção é sua.
Bom dia Mercado 13 - Rádio Portimão
21 de março de 2026
se hoje começou a Primavera...
19 de março de 2026
corridas de fim de semana
Na casa do Bitacaia os carros eram verdadeiros heróis. Não tinha fim-de-semana sem carros a correr. Houve até as 24 horas da esquina do liceu. O que vale é que à frente havia o Cábula onde podia comer sorvete ou beber coca-cola. Eram corridas a sério.
Não é a sua típica corrida de Formula 1, onde tudo é perfeitamente calibrado e os pilotos são milionários. Não, esta corrida acontece no chão garagem, onde a pista é pintada no chão, e os carros são, bem, de metal, com beata de cigarro e adesivo para andarem direitos. O que contava era o peso e a mão de quem atirava. Tinha de ter mestria. Mão treinada para não ter que fazer a curva em duas ou três vezes. Era a era da precisão manual.
Conheces os Dinky Toys? E o Corgi Toys?
Num canto da pista e um pouco enferrujado, o lendário Mini Cooper de 1968, que, sejamos honestos, parece mais um brinquedo de morder do que um carro de corrida por tanta pintura que já levou. Ele foi rebatizado de "Mini Bala", o que é irônico, já que a sua velocidade máxima é um pouco mais rápida do que uma lesma com pressa, a contar com a minha imprecisão manual.
No outro canto da pistal com um adesivo de um dragão o robusto Saab de 1971. Ele é tão lento que até a direito ele desvia para a esquerda.
Eram assim os fins de semana. Quem ganhou? A adolescência de certeza















