22 de julho de 2019

#pordosol



#zulmarinho


#zulmarinho


num dia de calor assim

E faz sol que queima, parece derrete o alcatrão e faz miragem no olhar longe no chão. 
Nestes dias assim paro para pensar e vejo que parar também cansa, desgasta e nos leva um pouco da vida. Olhando para trás, para o passado que fez da gente pessoa, verifico que poucas pessoas atravessaram o meu muro, colheram flores do meu jardim interior, levaram sorrisos de cara lavada e purificada, me leram os brilhos do olhar e me conseguiram fazer da insónia prazer. 
Num dia de calor assim, parado para refrescar os pensamentos, verifico que tantas vezes inventei barreiras, físicas e mentais, para afastar pessoas e lugares da minha memória.
Num dia de calor que nem o de hoje eu sou feliz porque escrevi para mim defeitos e virtudes que conheço numa lenga lenga de cantilena infantil.


Sanzalando

#imbondeiro


20 de julho de 2019

#mangueira do campo - Monchique


#zulmarinho


neste tempo de tempo

Fazia sol neste norte desnorteado em que outono se mistura com todas as estações e intervalos, dando uma saudade do tempo em que o tempo tinha tempo para ser definido e preciso. Pelo menos era a ideia que eu tinha. Era a sensação que me dava. Era no tempo que eu não tinha tempo para me perder a pensar em tempo.
Eu nesse tempo não fazia nada para ter a cabeça ocupada, ela se ocupava sozinha, ela era comédia diária e as ideias caiam nela como avalanche de neve que só conheço dos filmes. Nesse tempo o tempo de calor era calor, do cacimbo era cacimbo e mais não havia para baralhar o tempo de quem não tinha tempo a perder.
Neste tempo, depois de clareado o cabelo, cresceu o medo de desmoronar o mundo pela fraqueza, de explodir o feitio pela irresponsabilidade alheia, de vomitar gritos pelo egoísmo e de cacimbar a mente pela injustiça da imperfeição que graça nos rostos circundantes.
Neste tempo ficou o gosto dos sorrisos sorrateiros que me roubam à inércia de ver o tempo passar, das surpresas doces que aquecem o peito e me arrancam deste estado carrancudo que as cócegas da alma me apreendem sorridentes.


Sanzalando

17 de julho de 2019

é o sol, senhores

Faz sol e eu me banho dele. Nem a sombra deste meu poiso me salvam. As memórias pululam como fossem pipocas na panela. Eu tenho saudade desse sol. Eu envelheço dez anos por cada dia sem sol. Eu me entristeço por falta de sol. 
Ou será que por falta de sol eu não tenho memória?
Nestes dia de sol eu até consigo tratar as pessoas como elas merecem ser tratadas. Deixo-as ir em paz e serenas, deixo-as sorrindo, alegres e felizes. Nos outros me dizem tenho mau feitio. Nem sei como lhes responder porque até um piscar de olhos me custa gastar.
Faz sol e eu regresso à minha infância, relembro a adolescência e as minhas mil parvoíces, os meus amores e desamores e depois deixo o tempo passar sem remorsos. Se não faz, eu mastigo os tempos que queria voar, as estrelas que queria tocar e as vezes que eu queria que o mundo acabasse.
No dia que faz sol eu esqueci esse outro eu e me embalo em danças, sorrisos e cantares que até encantam os mais tristes do meu lado. 
É o sol, senhores.



Sanzalando

#comida


#zulmarinho


tem sol deste tempo

Sol torrou em verão adiado. No meu outro tempo esse sol eu ia dizer é fraco. Agora, neste tempo este fraco sol me torrou a pele que quase mudou foi de cor. Eu ia dizer que até deu saudade, daquele que escorre do cantinho do olho numa lágrima perdida. Mas esse fraco sol, sem o vento que tem tido por companhia, até parece é tropical. Acho esse sol dos outros dias não tem sido assim por um de propósito dele mesmo nem castigo para minha vaidade. É o ciclo dele e ele está na fase de não me fazer lembrar o outro meu tempo. 

Sanzalando

15 de julho de 2019

#zulmarinho


#imbondeiro


cansativo verão

Faz sol que parece torrar pão ao meio dia. Faz vento parece é soprador de arrefecimento. Misturados, está-se assim e assim. Com o tempo assim parece ando a fugir de mim e desencontro-me das palavras soltas. A areia das mil cores se levanta em forma de alfinete até minhas pernas desnudas. Acho esse de verão não me setá a dar as oportunidades que mereço, ou eu não sou suficientemente merecedor. E ou outros são assim castigados por culpa minha? Ah, eles são penitentes que nem eu.
É verão e deste verão eu estou cansado.


Sanzalando

11 de julho de 2019

Isso é bom

Faz sol e o vento se acalmou. O zulmarinho parece é chão.
A noite foi mais serena, mesmo que tenha gente que possa dizer que foi a noite mais ruím da vida, mesmo que alguém tenha vomitado as pessoas ruins da sua vida, mesmo que a insónia se tenha apoderado de outrém por problemas de consciência, eu consegui calmamente respirar.
E isso é bom, não é?

#comida


8 de julho de 2019

em dia de sol

Aproveito que hoje o verão não trouxe uma corrente de vento a me distrair. Sentado no meu trono de imaginação, saboreando a maresia e deliciado com o marulhar me perco por ondas de pensamento que deixo voar em mim.
Na verdade eu não troco esta minha paz para tentar agradar outros, gigantes ou anões, feras ou dóceis convicções. Tento mesmo só ser assim um fiel de mim mesmo para poder seguir cada passo meu como meu que é. Porque é verdade se eu tentar agradar outros pensamentos que não os meus ou vou virar um mártir de dor e sofrimento.

Sanzalando

4 de julho de 2019

Um abraço à vida com nostalgia dos que partiram

E a vida é um faz de conta que se apaga num instante. Num instante toda a memória, todos os sonhos e realidades experimentadas se apagam. Todas as estórias de vida vão nesse instante. A vida é cobarde porque não deixa ficar nada quando termina. A morte leva tudo deixando aos que ficam a saudade e nostalgia. 
Não interessa faz sol ou chove, se tem zulmarinho ou deserto amarelo. Naquele instante ficou o vazio e este não precisa de lugar em sitio nenhum. 
Um abraço à vida com nostalgia dos que partiram. Uma recordação na memória como um quadro pintado numa tela que se esgota a cada instante. De tela em tela até que não fica cor. 


Sanzalando

#caminhos


recomeça o futuro sem esquecer o passado