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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

20 de setembro de 2018

verão que é verdade

Acho ainda é verão, ou verão que ele veio e não quer ir mais embora. Mas imaginemos que o ciclo está correcto. Ainda é verão mesmo que o sol não tenha aquele brilho que tinha no meio do verão. Vai acontecer mesmo é eu tomar conta das memórias deste verão como tomei dos anteriores mesmo quase desde antes de mim, se isso possível fosse. Mas na verdade cada verão é um verão diferente. Como eu me vou lembrar se este ou aquele foi antes do outro. É memória. Est´lá no armazém, empacotado, etiquetado memorizado. Tem qualquer coisa que faz a diferença. Uma lágrima, um sorriso, uma cara ou um simples momento. Todo o verão tem o seu momento. Olha o zulmarinho que parece um conjunto de lágrimas mas que sabe bem lhe mergulhar e arrefecer aquele fogo que às vezes a gente trás dentro parece arde até na alma. Eu vou cuidar da memória deste verão. Verão que é verdade.

Sanzalando

18 de setembro de 2018

em pleno verão de mim

Olha só essa hora que já nem parece ainda é verão. Parece hora a deixar cair minutos que nem outono. Imagina agora eu me esquecer de quem sou, me tornar assim dependente do sorriso ou carícia alheia e me deslembrar de ser feliz. Com um tempo assim até parece que podia ser possível. Mas ainda é verão, o zulmarinho ainda é zulmarinho, cordão umbilical da minha placenta, prolongamento almareado de mim e o lugar onde nasci.
Mas neste amarelo tempo, brilhante porem não encadeante, caminho por entre mapas, procuro as montras da memória ou imaginação, lugares comuns, palavras simples penduradas num cabide, tudo o que me possa levar até à semente da minha existência, em pleno verão de mim.
O zulmarinho me sossega nesta alvorada da minha estória, neste caminhar por carreiros serpenteando surpresas, represas e outras muitas impurezas, até que um dia eu vou chegar a ver o verão das cores quentes como tenho na memória.


Sanzalando

15 de setembro de 2018

hão de ver ainda

Ainda dá para andar à beira mar. Não está aquele brilho mas brilha e não tem aquele mar de gente tapando o zulmarinho. Circulo em círculos rectos paralelizando-me com o horizonte num para cá e para lá, fazendo números de cabeça, filosofando matemáticamente quadrados mentais. Me deixo levar embalado no marulhar, me embalo num tricotar de pensamentos soltos, embalo-me em frases feitas que desfaço ao sabor da maré. 
A amizade vai mais para lá do que lealdade, ficar ao lado, respeitar, amar no sentido lato sem lata ou outro embrulho espartelhante. Protege, guarda, acaricia, completa, assim mais ou menos a areia e o mar nesta praia que navego-me diariamente num embalar de quebra cabeças em que a peça não cabe senão ali.
Ela pode tocar na ferida, fala verdade e pode dar choque. Ela está e pronto final.
É o que dá ser verão num hão de ver ainda


Sanzalando

13 de setembro de 2018

sol, doce sol

Sol. Meu doce sol. Caminho nesta praia ao som do zulmarinho como que a preencher o vazio das coisas mundanas e com a esperança que a emoção e o desejo não desapareçam na eternidade do esquecimento. Fui criança, adolescente e adulto me tornei. Embriaguei-me em festas e a desproposito, namorei e desnamorei como se o mundo acabasse nalgum instante. Percorri ruas de cidades quadriculadas e outras desarmadas procurando prazer no passeio, no ar que respirava e tudo o que fazia me ajudava no alimento da minha existência. A casa da D. Maria, s dos Fonsecas, dos Santanas, Adérito, Pinheiro e tantos outros que nem sei mais se as linhas da minha memória ainda se lembram fazem parte de todo o meu passado vazio que encho de recordações. Os olhos ainda vêem as mesmas casas, as mesmas pessoas os mesmos passeios de fim de tarde dum domingo de verão. Aqui na praia, ao sabor do zulmarinho ainda recordo os exageros do Artur Gomes, o barulho das carambolas no Aero-Clube ou as tesouradas nos cabelos do Sr. Olímpio. Nunca fiquei preso num pensamento porque ele não vai resolver o meu problema, não me vai devolver os amigos que partiram para parte incerta com a certeza que marcaram-me, não me vai trazer de volta as brincadeiras de criança, o carro a pedal que era mais pesado que eu porque ainda não havia os materiais que hoje existem. 
Sol, meu doce sol. Lembras-me os professores da primária, o Amaral, a Saavedra e a D. Maria; os do Liceu, uns que passaram a correr e outros me aturaram tantos os anos que lá andei. Nomes também sei, ocupam o vazio do meu passado em forma de memória.
É assim sol. O zulmarinho que me ature e me permita viver tudo outra vez que eu vou-lhe dar uma dose de ouro de recompensa. 


Sanzalando

11 de setembro de 2018

paludismou-se o sol

O sol empalideceu parece paludismou-se mas o zulmarinho ali está marulhando contra a areia faz de conta quer invadir o meu lugar seco. Se eu fosse pica-pica eu aproveitava boleia, ia nas correntes e partia em busca dum lugar ao sul. Pouco importava-me das tempestades, das voltas, da baixa-mar ou preia-mar. Ia só no simplemente deixar-me levar sabendo que muita coisa podia mudar. O mundo muda, não com a minha opinião mas com o meu fazer. E eu fazia-me ao mar sabendo que as pequenas coisas, encadeadas iam-se transformar numa coisa gigante tal que nem eu, mesmo que o meu valor seja pouco mais do que perto do zero neste mundo de não sei quantos quarteirões.
Enfim, o sol paludismou-se num outono caminho que percorreremos com imaginação ou sorrisos alargados em horizontes locais.


Sanzalando

8 de setembro de 2018

De tempo em tempo

Deixo o sol romper a minha timidez. A minha sombra é tenue como tenue é o sol que me rasga, mas é suficiente para me mostrar que estou de pé, num perfil carragado de curvas, umas do tempo e outras da forma. Em pé, numa verticalidade que não esconde uma estória de passado, um presente possivelmente com futuro. Em pé no sentido directo, lato ou escondido, vertical. Enquanto tiver sombra direi que sou rico porque vivo ao sol, forte ou tenue.

Sanzalando

4 de setembro de 2018

ainda é verão

Brilha sol nublado. Prenuncio de outono antecipado ou simplesmente cansado da rotina divagante do verão? Até parecia doença este vício de caminhar à beira do zulmarinho, relaxado, descomplexado e vazio de sofrimento ou dor. Na verdade desencontro saída para estado febril de felicidade, modo de estar ou simplesmente simplicidade de viver, nem que seja por viver cada momento de cada vez como se fosse único.
Os fragmentos da minha estória, muitas vezes descontínua, saltitante, aberrante ou de cores vivas não parece carregada de ter feito algo errado, ter recordações vagabundas de infância infeliz, ter percorridos caminhos não escolhidos ou me ter encontrado em paragens não motivadas pelo desejo.
Brilha o sol e mantenho-me viciado na felicidade definitiva de viver cada futuro como presente oferecido por mim.
Ainda é verão e sempre o será, mesmo que o vento gélido dum desnorte sopre feroz sobre mim.

Sanzalando

29 de agosto de 2018

tempo e velocidade

Aqui parece o tempo voa com o vento de fim da tarde. Faz tempo que não sei mais transformar as palavras nos sentimentos que sinto, que não sei o suficiente do que faço e nem sei bem quem sou. Mas eu não sou de ansiedades, de voltar as costas num tripé de medo e me manter acordado só porque sim. Olho o relógio, desligo os minutos e tenho as horas e com elas fico com tempo para procurar letras e com elas fazer palavras e escrever frases que direi.
É o fim dum verão e como todos os verões se vão os amores perfeitos deixar de florir com o brilho de verão.
Se tem dias que eu penso que viver ou morrer de amores é uma coisa linda de morrer, tem dias que viver é tão mais bonito que nem penso nesse final feliz. Os ossos podem doer, as articulações já não articulam como eram e a velocidade do pensamento já não acompanham os desejos.
É fim de verão, graças ao tempo que corre à velocidade de 24 horas por dia


Sanzalando

27 de agosto de 2018

me perdi de gente

Hoje bateu em retirada os calores de verão. Parece estava a causar distúrbios nas cabeças ferventes ao ponto de ter gente que pensava já se tinha perdido. Mas como é que podia ter-se perdido se faz tempo que tem gente que há muito não é gente? Imagina só se perder quando faz tempo que deixou de ser opção, deixou de ter ouvidos, deixou de amar de coração e passou a viver de carência?
Tem gente que mesmo sem sol e sem os arrepiantes calores de verão já há muito se eram.
Não foi a minha cabeça que ferveu, foi mesmo só a sombra do imbondeiro que se deslocou para o lado sul de mim e eu me perdi de amores por ti.

Sanzalando

25 de agosto de 2018

serenamente caldo

Continua o sol de queimar ideias e refazer sonhos. O zulmarinho, serenamente quente para um retemperador banho de calma e a maioria de nós continua com as suas tristezas, os seus desejos adiados, as feridas por sarar, as perdas perdidas para sempre. Eu, sereno como ele, sorriso estampado e cara mostrando a minha realidade, resolvendo problemas, compreendendo as buscas da felicidade, tropeçando em vontades, juntando palavras de ajuda, tornando o impossível possível pelo menos na ideia e no pensamento, sorrio porque o zulmarinho serenamente caldo me relaxa num desamparado estado de estar de bem

Sanzalando

24 de agosto de 2018

zulmarinho, calema e eu

Hoje passeio na minha praia como se o zulmarinho fosse um pedaço de mim, pés nele até ao joelho, caminho em ritmo desacertado e desconcertado, ao sabor das ondas, num vai e vem ondulante como se emborcado eu estivesse. Acho estas ondinhas igual que nem pessoas a me querer derrubar, destruir, fazer cair. Mas eu penso sou forte e só onda forte que nem calema me vai tirar deste passeio que imaginei dar.
Sei, que neste caminhar da vida me vou despindo, mostrando o que sou, o que fui sem imaginar o que serei. Mostro as minhas fases como se face da lua fosse e cada vez que uma onda me desequilibra, o meu labirinto corrige o rumo e me mostro sem me deixar afundar ou afogar em rancor.
Hoje aprecio o zulmarinho de dentro dele mesmo


Sanzalando

22 de agosto de 2018

sol brilhante

Brilha sol. Torra-me a cabeça e escurece-me o corpo. Sim, faz de mim um fervente pensador. O zulmarinho está ali para me arrefecer caso seja preciso. Por isso me passeio aqui na borda da água faz conta molho os pés enquanto passeio o meu corpo divagamente por ali.
Imagina que esquecer fosse uma coisa complicada para alguém. Para a maioria das pessoas até que parece era bom. Assim facilmente se esqueceria qualquer sentimento, aquele amor de verão, aquela ideia idiota, aquela coisa saborosa que agora apetecia mas não pode ser.
Imagina só que é que o sol me faz... não fosse o zulmarinho me arrefecer vagarosamente .


Sanzalando

21 de agosto de 2018

o zulmarinho azula-me

O zulmarinhao azula-me a alma num misto de calma e tranquilidade com lucidez e brilhantismo. Olho-lhe como quem procura o amanhã que já foi escrito no passado. Descubro num por acaso que por acharem ridículo o amor foi banalizado e que ser egoísta era o bom da vida. Descubro a seguir, numa qualquer onda que não rebentou, que é tão difícil pedir perdão, como dar um abraço.
O zulmarinho ali continua com a sua personalidade por vezes forte outras vezes parece chão que nem existe.
Olhar o zulmarinho não me torna nem fraco nem me menoriza. A borboleta vive 24 horas e tem umas que são tão lindas... como eu gosto do zulmarinho e do sol que lhe brilha


Sanzalando

20 de agosto de 2018

eu queria

O marulhar me embala nesta meditação de início de tarde. Eu queria ser como todos, desses que não aprisionam pensamentos nem dores de alma, desses que não se esforçam para segurar uma qualquer máscara nem seguram palavras porque pensam que elas não magoam. Eu gostava só que o sol brilhasse na sua pura beleza e eu por trás da minha retina eu queria ver um mundo brilhante, sem jogo de interesses nem vaidades insanes.
Eu queria só, no meio deste caos continuar feliz, ver o sol e ser despenteado pela brisa leste.


Sanzalando

16 de agosto de 2018

Férias de verão

O zulmarinho parece chão, assim azuleijado com desnivel de escoar para se esparramar na areia. Eu, em cima da minha rocha, faz parece poltrona do rei dos mares, observo com olhos de ver-me nos meus olhos, os passados, presentes e inventar futuros. Daqui consigo fazer barcos de papel, grandes de imaginação, vê-los balouçar no chão de mar e ao sabor da brisa irem rumo ao sul dum qualquer norte.
Sorri, gargalhei, cantei verão e no meu silêncio saboreio a brisa que me dá uma cor torrada. Com tão pouco posso fazer-me tanto. Deixo só os pés na água a refrescar como se fossem radiador de camião a subir a serra.
Eu sou eu no mais eu que posso ser, aqui a olhar o zulmarinho.

Sanzalando

15 de agosto de 2018

festa

Olha só o brilho que brilha na serra.
Hoje vou na procissão da Senhora do Monte.
Hoje vou correr o eucaliptal , vou na piscina, vou nas barraquinhas, vou só passear.
Hoje é dia de festa e eu vou festejar.
Porquê?
Preciso saber se há festa e mais porquê?

Sanzalando

7 de agosto de 2018

Fogo varre a serra

Como é que é? Tem nuvem que é fumo e tem chuva que é folha de eucalipto queimado. Respirar custa que nem parece coisa normal e olhar parece ser esforço de cacimbo. Mas lá por trás se adivinha o sol que parece uma semente a querer romper a terra para nascer. 
Faz conta eu vi no passado, numa tempo ruim, num inferno recordado, num clarão de vermelho fogo sobe a serra, desce a serra, varre vento, nasce vento, cria vento e nada faz parar. Não consigo pintar com palavras, não tenho desenho nem foto, só tenho mesmo é memória vivida, desorganização de sonhos, virar de cabeça para baixo, inverter o verso e o reverso e explicar o que parece não é explicável.
Talvez um dia alguém me explique, porque hoje os Homens estão cansados e o pensamento torna-se confuso que é melhor deixar descansar.


Sanzalando

4 de agosto de 2018

imaginação de verão

Ai uê! Como pode de haver festa se tem calor que até derreter o pensamento só de imaginar ele. Desliga. Eu é que liguei porque lá estou eu com os meus excessos e acessos de ideias. Vou apanhar um vai e vem que é autocarro que não sei onde anda nem para onde vai. Deve ter só ar concecionado à temperatura desambiental. É verão depois da primavera e lá é inverno austral. Pensando melhor eu não vou colorir as minhas ruas, não vou fazer festas nem atirar foguetes, nem ver os cabeçudos nem a banda do Cassequel, eu vou ficar só bonito do meu jeito jeitoso de ser formoso, bom, porque não me chega o suficiente. Me deixa eu contar se eu fosse andar de Citroen boca de sapo até que ia. Ao fim do mundo que deve ser lá pertinho donde ele começa, porque toda a recta é curva que nem o universo é uma bola. 
Destilou com o calor. Vou mesmo só comprar vinho no João Padeiro e fazer festa entre mim e eu num distante tempo chamado imaginação


Sanzalando

2 de agosto de 2018

é verão, e depois

Derretem-se ananazes e outros cabazes. Faz calor e ontem se protestava com o dito verão que não vinha. Ele chega e lhe protestam por ser forte. Entender? Desconsigo.
Até parece que querem que meias palavras dão meios pensamentos, meios verões ou me partem ao meio.
Está calor! Ainda bem, eu gosto. Transpiro? Yá, Vou fazer mais como? Até parece que a noite chora suor. E depois?
É verão e me gosto. Há quem queira uma leve brisa, daquelas que bagunçam o cabelo que nem pente entra e que detestam aquele sol que parece cega. Eu não. Só não gosto é da confusão do verão.


Sanzalando

1 de agosto de 2018

mudança de estação

Faz sol e a brisa parece ficou lá para leste. Acho estivesse ao sol eu ia ferver até nos cabelos brancos das memórias de passado. Parece mudou de estação do ano a meio dum qualquer apeadeiro que trouxe ventos a areias que pareciam as do meu deserto ao fim duma tarde ventosa.
Fosse eu uma pessoa superficial e precisaria dum grande evento para sair de casa. Assim baste-me não ter vento e já fui. É que fui atrás de percepções, de nuvens, de borboletas ou apenas dum sorriso ou abraço amigo.
Afinal de contas, com sol ou com e sem vento para ser feliz eu não preciso do acaso, preciso da minha cumplicidade e quem sabe dum pôr do sol para mais tarde recordar.



Sanzalando


WebJCP | Abril 2007