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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

13 de julho de 2018

sol assim

Faz sol de queimar torradas costas, pelar carecas e fechar olhos no brilho do zulmarinho. Faz vento que faz tempo deveria ser leve brisa refrescante. Optimista sei que depois da chuva aparece o arco-íris, depois da tempestade costuma ver a calmaria e depois do fim é habito haver um novo início. Mas o raio deste verão não deixa ver nada novo. Não deixa nem abrir os olhos tal é areia fina que pica mais que manta de alfinetes.
Com este sol assim, carregado de vento, como vou deitar a minha cabeça no teu colo e deixar o tempo passar na velocidade dele sem me importar?

Sanzalando

10 de julho de 2018

é verão, ele mesmo

Faz sol e venta que nem brisa soprada por um fogo. Incomoda estar deitado na areia de muitas cores e ouvir o mar assim neste ar quente. O corpo lentifica-se a cada movimento e cada um parece que necessita de ajuda de outras forças que não apenas nossas. Eu sei, é verão e ele tem dias que são assim, mesmo que os outros dias façam sentir-me pior.
No verão as minhas lágrimas não duram mais que uns lamentos, as minhas dores não são mais medíveis em escala. No verão eu tenho presente e recordações do passado, mesmo daquele que eu havia dito que esquecia. No verão eu tenho sorrisos guardados para os dias futuros que os presente sorrio.
No verão eu aprendo a viver novamente para aguentar as outras estações, para suportar os frios e arrepios, os altos e baixos dos outros caminhos. 

Sanzalando

6 de julho de 2018

dia de cada vez

Me olha só esse sol. Todos os dias começa de novo. Precisa de coragem. Nem se quer é igual em cada começar. Um minuto diferente em cada dia, nascer e se pôr. Nesse minuto, que não é de 60 segundos porque não fui investigar, não tem repetição. Tem gente que não tem nem coragem para começar uma segunda vez, se continuando igual e monotonamente repetitiva a cada segundo que em 60 faz um minuto exacto.
Hoje começou belo e se tornou baço com o crescer do dia. Amanhã? Veremos quem estiver cá para ver. Porque há quem cá esteja e não consegue nem ver, nem olhar e muito menos admirar.
É verão de veremos cada dia de cada vez até ao dia que for.




Sanzalando

4 de julho de 2018

fácil falar de sol

Olha só esse sol carregado de ar que parece é ventania a me despentear e me deixar que nem parece galinha depenada. Eu sei que parece é fácil falar de sol. Quero ver falar dele quando ele se abstém de aparecer. Parece estou a falar nas costas dele, coisa feia de falar mal só porque sim. Lembrar o sol, os escaldões, as dores de nem aguentar camisa ou boné e falar dele de memória não é fácil nada.
Eu sei que esse meu sol daqui é que nem o de lá, quer mimo, carinho e muitos cuidados para sobreviver nestes meses que lhe chamam de verão. Verão se deus quiser.


Sanzalando

2 de julho de 2018

a timidez e abstracção do sol

A timidez do sol me está a deixar preocupado. Eu sei que quando era criança a minha mãe me obrigava a usar chapéu porque parece o sol era fogo na cabeça rapada dum corte feito no Olímpio. Agora, cabeça careca do atrito dos anos que passaram, nem aquece acima da temperatura do frio. Assim essa timidez me deixa só com vontade a olhar no dentro e esquecer que existe um fora que é uma parte importante da minha existência. Mas deixemos esta falta de brio veraneante para outras palavras e olhemos para o abstracto da nossa existência. Sim, a nossa vida não é só uma pintura abstracta que se vai pintado como é um somatório de opções abstractas que fomos somando.
Há perguntas que merecem ser respondidas e são simplesmente esquecidas. Há perguntas que merecem ser esquecidas e são rapidamente respondidas. Há perguntas doce e outras dolorosas. Os silêncios são perguntas ou respostas? Eu vou só ali fazer perguntas à minha abstracção e ver se o sol se abstrai da sua letargia. 

Sanzalando

27 de junho de 2018

vento e verão

Olha só como o zulmarinho está azulinho que nem brilhante de muitas esmeraldas. Olha só como o vento sopra que nem vendaval a descer da montanha para ganhar balanço. Olha-me só para mim a sorrir porque não sei quando o mundo vai acabar e nem quero saber. Acho mesmo que com este tempo eu tenho de viver a minha vida e não a vida alheia ou desejada na solidão duma qualquer tristeza. Afinal de contas eu não me foco nas coisas externas, eu olho mesmo para mim e para aquilo que sinto, que vejo e desejo e assim cada dia da minha vida é um dia feliz. Não vejo a vida pelos olhos alheios. Gosto de sol e está sol. Detesto o vento e como está muito eu simplesmente me sento por aqui, abrigado, a ver a linha recta que é curva e ver filmes de imaginação, de saudade ou de invenção. 
Olha só como o céu se continua no zulmarinho e nem parece que o vento está sanduichado entre eles. Olha só como a areia voa que nem picos a me ferrar nas pernas desnudadas de quem queria passear à beira mar e se sentou por aqui a ver, simplesmente a ver.
Olho para mim, para dentro do meu estar ou ser e escolho o que é melhor e vivo. 
Vai-te vento que me despenteias e se não fizesse vento não sei se teria tempo para ver o quanto é bom o dia. 
Vento de verão ou verão o vento que vai fazer?


Sanzalando

26 de junho de 2018

o sol vai alto e o vento a bater

Ai uê, como o sol vai alto. Me vai queimar que vou ficar que nem estátua de bronze bronzeado de queimadura. Olha só como as bandeiras parece são arrancadas dos paus, parece é vendaval dos montes evereste e primos dele a lhes dar pano. Dirás tu que são fases que nada fazem neste verão de descontetamento vendaval. No zulmarinho impossível estar em pé sobre pranchas ou apenas deitado na areia a levar com polimento fino.
Ai, se eu tivesse coragem para tentar, para não ter medo, para insistir e fazer sem pensar nos talvezes que bloqueiam completamente a razão de perder sem me perder, de lutar sem deixar partes de mim na memória imóvel da partida, o verão não seria assim carregado de escaldões e outras versões avermelhadas da falta de cuidado nas palavras usadas ou caladas.
Ai uê, que o sol vai alto.

Sanzalando

22 de junho de 2018

indecisamente verão

Acho nem sei respirar. Aqui neste norte que é sul doutro lugar e por aí adiante, eu sufoquei de calor num verão que chegou como só ele, instavelmente quente. Se me lembro, no meu sul que é outro norte, estava quente que nem aqui mas era diferente. Eu era mais novo também, eu não pensava onde queria estar, eu não imaginava ter o que não podia e os meus pensamentos não passavam pelo tempo, quer do relógio quer do meteorológico. Acho a vida não me deixa ser coerente e ser como era, criança sempre, por mais que eu tente. Talvez eu me tenha enganado no meu mapa, na minha geração, na minha latitude ou atitude.
Afinal de contas eu trocaria tanta coisa ou não trocaria coisa nenhuma. Já me vi. De corpo inteiro sou indeciso. Quero frio no calor e calor no frio, ser o que sou no que estou ou sair por aí a correr num não voltar atrás. 
Não. Não me vou arrepender do meu futuro esquecendo o meu passado, mudando rumos como se estivesse num barco à vela, vou seguir a vida, porque é bela, é a minha e depende dos astros o agora ser verão e andar de mãos dadas, sorriso nos lábios, brilho nos olhos e seguir em frente, indecisamente em direcção ao futuro que é amanhã, ou apenas mais logo.


Sanzalando

21 de junho de 2018

Verão que chegou

Olha só o verão daqui que chega hoje. Ele chegou, com hora marcada e sem pompa ou circunstância, com ar de quem vem para cumprir calendário e não para competir com outros verões. Ele é assim, cada ano é ele e ponto final. Não tem estória de que antes era, que será no futuro, que foi, noutro canto do redondo mundo. É ele, o verão. Este verão.


Sanzalando

18 de junho de 2018

E fez anos hoje

16 de junho de 2018

Zulmarinho em fim de primavera

Um dia, já esqueci do tempo que lhe passou por cima, vim parar num lugar que além da divisão dos dias e meses tinha também as estações, que não são como as dos comboios nem as dos radios. Cacimbo e calor tinham ficado no outro lugar. Neste lugar tem três meses de frio de gelar até no osso. Três de tempo é mistura a dar assim para aquecer, tirado o vento, a chuva e o granizo. Três de calor que até parece o suor vai desaguar num rio próximo. E tem outros três que alem das folhas caírem das árvores, tem frio, tem vento, tem chuva e tem desvontades de fazer nada. Nessa da primavera, que foi a segunda que falei, porque aqui comecei pela primeira quando cheguei, este ano foi diferente. Sem tirar nem pôr foi igual na primeira. Até ontem, porque ontem vi o zulmarinho da mesma cor que lá no principio dele. Mas não tem pica-pica porque esse não ia sobreviver no gelado mar em que ele se transformou. Hoje nem dedão lhe dei a tocar, ouvi coros a fazer breeee de frio. Amanhã vai ser outro dia e lhe desconheço a cor, o brilho ou a temperatura.

Sanzalando

14 de junho de 2018

As coisas que importam

Há coisas que importam e coisas desimportantes. Às vezes depende da hora o que importa. Ou desimporta. Mas dentro da porta, do pensamento, da ideia, do querer, o que importa é mesmo que a gente só controla a gente própria. Os outros, importantes ou desimportantes, a gente não controla, por isso importa que a gente saiba o que é mesmo importante e consiga seleccionar. Depende da hora porque a desoras nada importa sem importância por ai além.

Sanzalando

11 de junho de 2018

tem dias nestes dias

Tem dias nestes dias que o frio toma conta de mim e só me consigo lembrar quando o teu olhar me aquecia. No cine-esplanada, lado a lado sem mãos cruzadas e se trocávamos o olhar era num repente que nem o mais atento dos mirones ousava ver. Tem dias nestes dias que o teu fogo chegava até mim só de estar a teu lado, aquecendo-me até na alma e brilhando-me o triste olhar com que me sentia ter nascido.
Tem dias nestes dias que eu sinto a falta do teu ralhar educativo que me fazia esquecer a minha vontade e relembrava-me as noites de deserto onde em silêncio fizemos trocas de amor eterno, que infelizmente durou pouco.
Tem dias nestes dias em que me lembro das estórias que nos contamos, dos futuros que sonhamos e de termos compartilhados presentes que nos pareciam constantes.
Tem dias nestes dias que sonho com os momentos mágicos e as surpresas das doce viagens que nunca fizemos para além da nossa imaginação.
Tem dias nestes dias que eu lembro o dia que continuaste a viagem e não me levaste nos teus braços, seguindo o teu caminho que sempre foi paralelamente paralelo ao que eu tomei e que hoje não sei onde as linhas concorrentes podem ser coincidentes nesta geometria da vida.

 Sanzalando

9 de junho de 2018

sol fugido

Olha só o sol a querer abrir no céu. Faz conta ele descacimbou da cabeça e acordou a dizer que é hoje ele vai despreguiçar e aparecer todos os dias. Eu acho que o o sol tem bom coração e ele não ia só fingir que aparece só porque sim. O sol não é de ferro, que nem eu. O sol brilha, mais que eu. O sol não tem obrigações, que nem eu. 
Mas, ó sol, vá lá. Tudo tem limites e o teu acho acabou. Aparece só que nem uns meses.

Sanzalando

6 de junho de 2018

Quem sou eu?

Quem sou eu? Um amigo. Um ser comprometido com a realidade. Um ser, filho ou pai do zulmarinho, nascido para os lados de lá, vivendo nos lados de cá, pouco importado com a geografia, mais focalizado no estar e no ser. Adorador do sol quente, das cores garridas e da gargalhada verdadeira. Detestador da fatalidade, da grosseria e do abuso. Amante da amizade, fraternidade e da igualdade, sendo que esta pode ser desigual sem perder a igualdade. Fervorosamente contra o despotismo, racismo e qualquer discussão em que a base seja a paixão e não o conhecimento. Desporto, religião e amor/ódio estão neste patamar. Não discuto. Converso. 
Olhando para todas as minhas palavras já ditas, vagabundando pelos meus escritos, soltos, dispersos, prosaicamente sem versos, vejo-me com respostas que, partindo do coração chegam ao cérebro carregadas de razão.
Quem sou eu? 
Divagando numa primavera que não chegou e quase acabou, sou um procurador, um buscador de lugar comum para estar, preferencialmente sorrindo, amando e gostando simplesmente. Tentei ser contador de estórias e a estória era eu. Tentei vender ideias mas sem ideia do que fazia. Procuro um lugar de vagabundo mental, que pode ser uma escadaria onde olhe para lá da linha recta que é curva, pode ser um vão de escada que em vão me receba, pode ser um passeio que não me leve a lugar nenhum. Sou simplesmente eu que procuro encontrar uma luz que me faça ver o túnel.


Sanzalando

5 de junho de 2018

silencioso tempo que passa em melodias de infancia

Tem horas que é impossível esconder o meu próprio silêncio, suplantado pelo ruído interior de mim.

Se existo na minha miscelânea de  vivências, de sobressaltos e sossegos, de medos e glórias é porque consigo sobressair-me da minha ausência, sobrar-me de receios e plantar-me de certezas tomando como certo que a minha vida depende de mim para ser usufruída.
Tenho a certeza que as palavras soletradas num qualquer papel têm o barulho do meu coração num bate bate que parece é pingo de relógio de areia, silencioso tempo que passa na forma de ser um coração apaixonado.
Tem horas que o canto dos pássaros embalado no barulho do vento nas folhas das árvores nos fazem ouvir melodias de infância.
Silêncios e sons num tripé de sentimento podem ser angústia ou ansiedade, porém são, ao certo sinais de vida, mesmo no final da primavera.

Sanzalando

30 de maio de 2018

zulmarinho e eu

Não me canso de ver o zulmarinho, esse mar que me liga até no outro lado de mim. Esse mar de correntes, de ventos e calmarias, de ondas e tempestades, que vai até dentro de mim. O zulmarinho não separa, une. Liga-me à minha origem, ao meu ponto de partida que mesmo que o pintem de outras muitas cores continuará a ser o meu ponto inicial. O zulmarinho, por vezes rebelde, outras sensato e outras que quase nem existe, é a união de mim com o eu que me fui fazendo ao longo dos tempos.
Não me canso do zulmarinho como não me canso de mim, mesmo que pense que quando escrevo bonito é porque alguma coisa vai mal, mesmo que as palavras escritas saibam a oralidade, mesmo que a memória me conte estórias que reais foram inventadas. Esse zulmarinho é parte de mim e o será para sempre mesmo que o silêncio ocupe o espaço do marulhar, mesmo que o brisa sopre vento ou a maresia tenha um cheiro fétido.


Sanzalando

24 de maio de 2018

janela de tempo

Olhei na janela e vi o tempo. Havia uma janela de tempo para não fazer nada e eu aproveitei. Enquanto nada fazia o meu pensamento me deixou e foi vagabundar por aí, mesmo à toa, como se fosse barco na deriva. Dessegurei de todo. Fui só a lhe ver como se lhe olhasse de longe. Ele me viu criança a brincar com crianças, a sofrer brincadeiras que hoje eram crimes, a fazer corridas que hoje são perigosas, sobre patins e sem capacetes, cotoveleiras ou raio que fosse. Ele seguiu a adolescência, os cigarros fumados à escondida e depois descaradamente abusando a liberdade da vadiagem. Ele cresceu em grandeza mas percorreu caminhos de subtileza. Eu deixei o pensamento solto na janela livre do tempo e me perdi num sono solto de janela escancarada.


Sanzalando

21 de maio de 2018

e vamos fazer mais o quê

Granizou ontem? E depois vamos fazer mais quê? Rir! Te dói o corpo duma caminhada não preparada? Vamos fazer mais o quê? Rir!
Sabes, conversando eu comigo mesmo que assim não me aborreço e nem aborreço ninguém, existe tempo para a gente rir. Melhor, existe tempo para tudo. Até para conhecer, gostar, ser gostado, dar, receber, tentar, conseguir, ser feliz e sempre para rir. Saltar à corda faz bem. Saltar a corda às vezes também. Rir faz sempre bem. E vamos fazer mais o quê?



Sanzalando

18 de maio de 2018

foi sem querer

Tem o sem querer a maior importância na vida do que a imaginei. Desculpe, foi sem querer.

Magoou? Foi sem querer. Errou, não foi por querer, foi mesmo sem querer. O sem querer está em todo o lugar mesmo no cemitério. Tantos morreram sem querer. 
Desculpem lá. Isto está escrito e foi sem querer.

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007