A Minha Sanzala
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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
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- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
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- PERTINÊNCIAS 10 - H(á) Mercado - Brasa Doirada
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- PERTINÊNCIAS 12
- PERTINÊNCIAS 13 - Por Dentro do CHEGA
- Pertinências 14 - Epicuro e Epicurismo Por Gabriela Baião
- Pertinências 15
- Pertinências 16 - As Abelhas
11 de julho de 2026
Não vale nada fugir ao tempo
Bom dia Mercado 16 - Rádio Portimão
10 de julho de 2026
na cozinha da avó
Anda para aqui um gajo a pensar, a ler, procurar, investigar e até consultar o Dr. Google para decifrar o segredo da longevidade e da felicidade. Perda de tempo! O segredo não está nas sementes de chia, nem no jejum intermitente, nem na kombucha, nem na alface ou no bife médio-mal passado. O segredo da verdadeira paz de espírito e do entupimento benigno das artérias esteve sempre guardado numa cozinha com cheiro a refogado, panelas de alumínio batido e num azulejo branco. Falo, pois claro, da comida da avó. A gastronomia avozística rege-se por leis da física e da matemática que desafiam a ciência moderna. A primeira grande lei é a do "Só Mais Um Bocadinho". Na mesa de uma avó, o teu prato nunca está vazio. Ele auto-regenera-se. Tu podes estar a meio de uma garfada, a lutar pela vida após três pratos de cozido, e, num milésimo de segundo em que olhas para o lado, pimba, aparece mais uma coxa de frango e duas batatas assadas. É o único lugar do universo onde a matéria se cria do nada.
- Avó, por amor de Deus, já não consigo respirar.
- Deixa-te de fitas, que estás macilento. Olha para estes braços, parecem dois caniços. Come que isto é só substância!
A "substância", esse conceito místico. Para uma avó, "substância" é tudo aquilo que flutua em três dedos de azeite da cooperativa, e foi cozinhado em lume brando durante, no mínimo, cinco horas. Saladas? Alface? Isso é "comida de coelho" ou, na melhor das hipóteses, um enfeite que serve apenas para tapar as imperfeições da travessa. Se não faz o som de pão encharcado ao ir ao fundo do tacho, não alimenta.
Depois, há a total ausência de unidades de medida internacionais. Se tentares pedir a receita do arroz de pato ou das iscas, o diálogo será mais ou menos este
- Avó, quanto é que deito de sal?
- Ó filho, deitas um bocadinho na palma da mão, se o olhar te diz que chega, mandas lá para dentro.
- E de farinha?
- A que bastar, até a massa descolar dos dedos.
O olho da avó era mais preciso do que uma balança digital de alta precisão alemã acabadinha de comprar no super-mercado. Ela sabia, só pelo som do borbulhar do molho, se a carne estava tenra ou se precisava de mais um dente de alho que, na verdade, nunca era um dente, era a cabeça inteira, para espantar os espíritos e a tensão baixa.
O mais fascinante é que a comida da avó tinha um superpoder terapêutico. Curava desgostos de amor, exames falhados no liceu, constipações e crises existenciais. Não havia drama humano que resistisse a um prato cozinhado pela avó, uma canja com os miúdos todos lá dentro ou àquele bolo marmore que, por mais que eu tente refazer em casa, usando exatamente os mesmos ingredientes, na minha cozinha, ele fica com a consistência de um tijolo burro e na dela parecia uma nuvem caída do céu tal a leveza com que se comia.
A gastronomia da avó não se comia com o estômago; comia-se com a alma. E com um guardanapo de pano, padrão xadrez, bem encostado ao peito, enquanto ela nos olha de braços cruzados, a sorrir, a ver o prato desce de nível.
Por isso, se este fim de semana fosse visitar a avó, esquecia-me das calorias, do colesterol e deixava a balança no fundo do armário. Se ela me pusesse à frente uma travessa que daria para alimentar um quartel, eu teria que ganhar coragem e avançar. Afinal de contas, o amor mede-se em colheres de sopa. E na cozinha da avó, o amor nunca é demais.
9 de julho de 2026
A Salvaguarda da Juventude Perdida
Dizem que a juventude se perde. Eu acho que ela apenas muda de esconderijo e se esconde no interior com um ar envergonhado de aparecer num corpo encarquilhado pelo tempo.
Há quem a procure nas fotografias antigas, outros nas primeiras rugas, e há ainda os mais optimistas que juram tê-la visto a passear de bicicleta, numa tarde de verão, sem qualquer compromisso marcado.
Na minha cidade, que cada vez tem menos gente, abriram até um imaginário Serviço de Salvaguarda da Juventude Perdida. Quem encontrasse um sonho esquecido, uma gargalhada sem motivo ou a coragem de começar de novo, devia entregá-los na recpeção, na Oásis, No Avenida ou até no Hotel Turismo. Mas tem gente que se perdeu e entregou na Minhota.
Mas poucos foram os que apareceram.
Não porque a juventude tivesse desaparecido, mas porque todos a tinham encontrado em segredo e tiveram medo de a desbaratar em vazios fazeres de contestar.
Um homem de setenta anos comprou uma guitarra. Uma senhora de rugas na idade decidiu aprender a nadar. Um avô começou a escrever histórias para mais tarde os netos recordarem. Uma rapariga desligou o telemóvel para ouvir o silêncio que lhe dizem que os pais tinham. Um rapaz descobriu que falhar também era uma maneira de crescer como haviam crescido tantos que noutras eras haviam falhado.
No final do dia, o diretor do serviço fechou as portas e escreveu no relatório:
- Caso encerrado. A juventude nunca esteve perdida. Apenas precisava de autorização para reaparecer e vontade de se manifestar
E talvez seja esse o maior segredo da vida: a idade soma anos, mas a juventude continua a esconder-se no primeiro sorriso que damos sem pedir licença ao calendário.
8 de julho de 2026
Programa K'arranca às Quartas 126
Pertinências 16 - As Abelhas
No dia 24 de Fevereiro, às 21 horas, começou, na Rádio Portimão, um novo programa - PERTINÊNCIAS
- Aos Sábados a partir das 21 horas
Ideias que fazem pensar. Perguntas que fazem sorrir. Respostas que… às vezes complicam.
Pertinências: Onde a palavra tem lugar.
Imperdível
7 de julho de 2026
eu fui ver a bola
Há quem veja futebol pela táctica. Outros pelas fintas, pelos golos ou pelo ambiente. Eu vejo pela esperança. E, curiosamente, é exatamente ela que costuma sair derrotada. Quantas vezes eu fui no campo pelado perto da esatação dos comboios ver o Matela, o Travassos, o Leopoldo ou Bitacaia se atirar no ar feito era passarinho num voo picado e segurar a bola. Ainda me lembro do Monteiro da Costo ou do Neto do Independente. Mas quem ganhava era sempre o Marcelino lá da Chela que voava mais alto.
O ritual começava sempre igual. Uma hora antes do jogo já estava convencido de que "hoje é diferente". A equipa deve ter treinado bem, o treinador, o Sr. Bauleth e o avançado prometeram marcar muitos golose até o Zé Manel Frota disse:
- Hoje é a reviravolta da época.
Pronto. Caiu-me a armadilha.
Sento-me na micro bancada como quem vai assistir a um documentário sobre vitórias. Dez minutos depois já estou a discutir com a paciência, como se o lateral esquerdo conseguisse ouvir-me através do silêncio e transmitisse lá para dentro que a velocidade não significa jogar parado.
- Cruza a bola! - gritei como se eu percebesse o que estava a dizer
Ele não cruza.
- Agora remata! - voltei eu a gritar
Ele faz um passe para trás.
Começo a perceber que a minha equipa tem uma filosofia de jogo muito própria: fazer o adepto acreditar até ao último minuto... e desiludi-lo precisamente nesse instante.
Quando sofremos um golo, entro na fase da negociação.
-Não faz mal. Foi um acaso. O Flávio não queria fazer aquilo.
-Ainda falta muito? - pergunto ao vizinho do lado que não me responde.
Cinco minutos depois sofremos o segundo e eu já estou a procurar explicações científicas. Talvez o tereno esteja duro, ou o campo estivesse inclinado. Talvez o árbitro tenha confundido as balizas. Talvez a bola tivesse um íman escondido. Na verdade ainda não percebi se eles são mais que nós ou somos nós que não sabemos ganhar. Matela, Travassos, Leopoldo, Bitacaia e antes o Monteiro da Costa era igual. Iam buscar várias vezes a bola dentro da baliza. É curioso eu não perceber nada de futebol. Talvez o Rui Moutinho fizesse ali uns dribles para a gente dizer olé, mas afinal é o Armandinho que nos baila.
O mais curioso é o pós-jogo. Na Oásis não se falou de mais nada. Jurei solenemente que nunca mais ia ver futebol.
- Acabou! Não volto a sofrer por isto. - disse em voz alta, mas por acaso esva sozinho a caminhar para casa cabisbacho.
Passam uns dias. Sai a convocatória para o próximo jogo que seria lá na Serra da Chela. Leio no Namibe e disse:
- Desta vez é que vai ser.
E lá estou eu, desta feita ouvido no rádio, equipado com uma fé inabalável, pronto para assistir a mais noventa minutos de terapia desportiva. O Zé Manel e o Edgar vão fazer o relato. Foi só mais uma vez.
No fundo, o verdadeiro campeão não é quem levantou a taça. É quem continuou a acreditar depois de ver a sua equipa transformar um 0-2 num inesquecível 0-3, sempre para os lados de cima e ainda sorrir com esperança que um dia conseguiria derrotar os mapundeiros.
6 de julho de 2026
a minha cidade
O parque infantil da minha cidade, que em tempos pareceu um
recreio de todas as escolas, ganhou um eco tão grande que agora basta um espirro para assustar os
pombos, andorinhas e borboletas durante meia hora.
Mesmo assim, quando a minha cidade existia de papel passado e assinatura reconhecida, havia dias estranhos.
No verão, que nela era em Março que até tinha Mar e Março nos cartazes por toda a cidade, chegavam carros de matrícula ASB. E a gente sorria ao ver sair deles gente branquinha que acho nunca tinham visto sol até naquele dia que chegavam na minha cidade
As ruas enchiam-se de abraços, malas,
crianças aos gritos e avós a distribuir comida suficiente para alimentar um
batalhão. Era a festa de família que ali tão perto se viam de ano a ano, à torreira do sol e no salgado do mar.
Durante quinze dias a cidade voltava a
acreditar que podia ser uma cidade de Cê grande.
Os cafés faziam horas extraordinárias e as esplanadas passavam a ser pequenas.
A padaria esgotava o pão. A Quintanda deixava cedo de ter frescura verde e fruta de gosto.
Ao fim da tarde os bancos de jardim tinham fila de espera. A avenida virava mar de gente que punha as palavras em dia num interminável gosto de estar. Fazia-se balanço da vida e até o relógio da praça parecia mexer um dos ponteiros, só para não parecer completamente desinteressado.
Mas Abril aproximava-se com a delicadeza de um carteiro que traz más notícias e as malas voltavam às bagageiras, os abraços ficavam mais demorados e os beijos secavam as lágrimas das promessas feitas. Para o ano há mais verão na minha cidade, dizia-se quando ela existia de vida passada. O tempo estava escondido porque se dizia havia tempo de sobra.
Nesse tempo a cidade não perdia habitantes apesar de haver ausências.
Agora a ausência virou constância e a cidade não existe de certidão e papel carimbado, ela é mais uma cidade de memória, com memórias nas conversas levadas pelas brisas de reencontros furtuitos em bancos de jardim de certa idade madura.
Mas eu tenho saudade dos bancos de madeira do jardim onde os meus avós se sentavam nas tardes de domingo. Eu tenho saudade dos escorregas do parque onde todos os recreios eram brincadeira de escola. Eu tenho saudade dos tempos em que o meu corpo não conhecia a força da gravidade e o meu cérebro não ouvia o chamar da terra.
A minha cidade tem ruas mas não as ruas que eu corri de sandálias e calções. Hoje as ruas são passagens de memória, becos de recordações, flashes de sonhos. Hoje a minha cidade não tem cheiro, não sabe a maresia nem tem brisa carregada de areia amarela do deserto.
O tempo pode levar habitantes, mas nunca conseguirá levar o coração da minha terra.
Esse continua sempre à espera de quem
regresse… nem que seja só para matar saudades e dizer, como todos dizem, antes
de voltar à estrada:
- Um dia ainda venho para cá viver.
O tempo sorri.
Já ouviu essa frase milhares de vezes.
Mas, no fundo, até ele gostava que um dia
fosse verdade.
5 de julho de 2026
A Saída da Missa
A missa de domingo termina sempre da mesma maneira: com um "Ide em paz e o Senhor vos acompanhe" e dita esta frase pelo Padre Dinis eu já cheguei à Igreja faz um tempinho e estou no lado de lá da estrada, do lado da falésia, umas vezes a olhar o mar outras a olhar para dentro a imaginar.
Mal o padre diz as últimas palavras, há quem agradeça tão depressa que já vai no terceiro banco antes do coro acabar o último acorde. Parece que a fé é profunda, mas o ar cá fora é mais puro.
À porta, porém, acontece o verdadeiro milagre. Quem lá dentro esteve uma hora em silêncio transforma-se num comentador profissional da vida alheia.
— Como está?
— Vou andando...
— E o reumático?
— Anda mais depressa do que eu.
Esta seria a conversa dos mais velhos que vêm á missa das 6. Poucos estão a esta hora. É a missa dos jovens.
às seis, duas senhoras trocariam receitas de bacalhau como se estivessem a negociar tratados internacionais. A esta hora é mais o que vais fazer a seguir.
- Eu vou para a praia?
- Eu também. Vou como os colegas. E tu?
- Vou com os meus pais.
- Que achaste o serão de hoje? Não percebi onde ele queria ir...
- Não faço ideia... mas gostei muito da parte em que o padre levantou a voz. Dá sempre mais convicção.
As crianças da catequese, que sobreviveram heroicamente aos sessenta minutos sem correr pela igreja, explodem finalmente em energia. Correm pelo passeio como se alguém tivesse carregado no botão "libertar" e elas se sentem livres.
Os mais velhos, que vieram só para tomar contas das mais novas, despedem-se pela décima vez.
— Então, até para a semana!
— Se Deus quiser.
— E se a minha mulher deixar.
Toda a gente ri. Até a mulher.
Ao fim de meia hora, metade das pessoas continua à porta da igreja. Afinal, a missa durou uma hora, mas o convívio pós-missa é que é verdadeiramente eterno. É assim um repositório de conversas adiadas, de dizeres que a semana esqueceu.
E há uma conclusão inevitável: a fé reúne as pessoas lá dentro. Mas é cá fora, entre apertos de mão, gargalhadas, receitas, futebol e promessas de café que a comunidade faz o seu segundo acto litúrgico sem precisar de missal. E outros, como eu e mais alguns, ficam babados a vê-las saírem como a sua roupa dominical, o seu ar angelical e beatificadas sorrindo.
Até para a semana, na mesma saída de missa, porque agora vou para a praia ver se quem não foi à missa já lá está.
3 de julho de 2026
Na minha cidade o tempo é Presidente da Câmara
O primeiro a abandonar a cidade foi o
relógio da praça. Ouviram-se tiros, criaram-se boatos, desapareceram sentimentos e as verdades evaporaram-se num cacimbo cerrado que até hoje ninguém mais encontrou. Uns ainda vão na sua procura, mas não encontram. O espaço está, o ar desértico está, mas falta aquela coisa que a gente sentia e não explicava. As palavras não têm significado para descrever o que é a minha cidade. É só a minha cidade, num ponto paragráfico e já está dito e explicado.
E o relógio de quando em vez volta a parar. A minha cidade perdeu mais um, levado pelo tempo. Não por avaria, só mesmo porque chegou o tempo dele deixar a cidade. Um dia vai chegar o meu tempo e eu deixarei a minha cidade, mesmo que contrariado. Nunca por cansaço, apenas porque chegou o tempo.
Nunca ninguém me ouvirá dizer:
- Já vivi horas suficientes. Agora
desenrasquem-se sem mim. Mas eu sei que o tempo tem limite mesmo que incógnito.
Ninguém consegue reparar o tempo ou enganá-lo. Afinal,
naquela terra todos sabiam as horas. Eram sempre “quase hora do almoço”, “daqui
a bocadinho”, ou “já é tarde para isso”. Era assim o tempo na minha cidade antes do relógio da praça ter parado de dizer à sua gente o tempo que era. Hoje o tempo, que ninguém diz, vai levando um a um e a minha cidad, vai perdendo gente por causa do tempo que passa.
No tempo em que havia o relógio da praça, desapareciam crianças porque cresciam. Apareciam outras e outras. Hoje na minha cidade não aparecem crianças porque na minha cidade faz tempo que o tempo deixou de ter tempo para ver as crianças nascerem. Eram as pessoas da minha cidade, aquelas que respiravam o mesmo ar, que sentiam a mesma areia, que mergulhavam no mesmo mar. Hoje aquele espaço existe. Tem crianças, tem gente que mergulha no mar, que brinca, que corre, que ri que chora, mas não são da minha cidade porque a minha cidade mudou-se quando o relógio da praça deixou de dizer as horas.
É um fenómeno pouco estudado, mas muito frequente. Um rapaz de doze anos acorda um dia com vinte e cinco, milhares de quilómetros de distância. Promete voltar um dia. Depois descobre que os fins de semana também envelhecem, que os meses passam a anos e décadas depois o tempo escasseia.
Os senhores que discutiam futebol na minha cidade já foram faz tempo levados por ele, o tempo que passa. Hoje há senhores que se calhar no mesmo lugar continuam a discutir futebol, mas não são os da minha cidade.
Hoje, se encontrar alguém da minha cidade a conversa que terei será tão antiga que um dos dois vai tossir por causa do pó das palavras. Olhando para as minhas conversas conversadas em papel vejo que elas até têm musgo.
Hoje a minha cidade tem mais silêncio do que conversas. As esplanadas da vida levaram as palavras, a areia do deserto enterrou frases. Hoje sobra o silêncio que de quando em vez lhe interrompo para dizer de memória as coisas que não visitei por preguiça e que agora poderá faltar-me tempo.
Nunca ninguém arranjou um relógio novo para a praça! Se calhar não ia ser a mesma coisa e a minha cidade, esta que eu lhes estou a contar, não existiria. Nesta minha cidade os cães ladram devagar porque só os tenho na memória e esta já não corre como corriam os discos de 33 rpm nem os de 45 rpm.
Hoje a minha cidade leva cada silêncio a ser merecido.
Sanzalando






