13 de junho de 2021

#flores


eu não existo hoje

Tem dias que nem eu consigo superar as minhas espectativas, não consigo ser maior do que aparento, de ultrapassar os meus medos, de ser intocável. Tem dias que nem eu me pareço comigo por mais simples que seja. 
Tem dias que eu olho-me e converso com a tristeza sem saber porque me paro neste diálogo. 
Tem dias que eu não existo.

Sanzalando

#zulmarinho


12 de junho de 2021

#flores


eu e o céu

Se faz sol eu protesto porque me aquece o cérebro. Se faz frio eu contesto porque estou gelado. Se está vento eu refilo porque me despenteio. Se chove eu grito porque me molho. Eu sou de facto uma pessoa desaconselhada a estar por perto, no entanto eu sou a pessoa que melhor me entendo, que não me contradigo nem me amuo. Eu sou quem melhor me aturo. Eu sou quem se entrega por todo no que quero fazer. Quem melhor que eu para me entender a mim mesmo?
Não sou pessoa de tirar o folego a ninguém, nem de fazer uma fila atrás. Eu sou só uma pessoa que tem altos e baixos, que sorri e que chora, que é feliz porque tem um bem precioso: a vida. 
Nesta vida já fiz muito e sei que muito mais eu ainda devo fazer. Não estou sentado na bananeira, à sombra ou ao sol, à espera que caía do céu um pedaço dele para mim. Eu já ganhei o céu, o meu céu, eu já dei céus, muitos dos meus céus. Eu ainda tenho céus para dar. 
Mas deixem-me lá aproveitar esta vida...






Sanzalando

#maracujás


#imbondeiro


#maracujás


#imbondeiro


#mangueira


11 de junho de 2021

eu real

Se eu me tivesse perdido no tempo que tempo teria sido o meu? Acho que futuro, pois estou certo que dirão que sempre andei à frente no tempo. Sou mais velho e gosto fazer coisas de criança. Gosto de brincar de carrinhos, gosto de carrinhos de rolamentos, gosto de bicicleta e gosto de me perder de vista. 
Olhando-me num espelho mental revejo-me em cada passo que dei, em cada desejo que tive, em cada frase que desenhei na mente.
O meu corpo físico ultrapassou-me o tempo mental apesar das cicatrizes dos amores doridos, das caminhadas sofridas, dos ódios estimados. O tempo mental manteve-se parado na juventude porém mais maduro, menos colorido porém mais alegre.

Sanzalando

10 de junho de 2021

eu e o caminho

Sigo os passos que desenhei numa carta imaginária. Este é o meu percurso, a minha linha mestra de viagem. Pelo que me conheço já sei que haverá muito tracejado pelo caminho a dizer que fui por ali indevidamente ou descuidadamente. Haverá logo alguém a dizer-me que me tinha já avisado e coisas e tal. Mas as minhas rotas e os meus caminhos, apesar de pensados têm muito de improvisação, apetência momentânea, gosto e desejo de paixão. 
Os corações ardem e o amor é impalpável. A nossa figurinha é que nos faz demonstrá-lo. Às vezes o amor é carregado de dor e só uma lágrima descuidado o denuncia. Ele pode romper a alma mas ninguém ouve o rasgar dela a não ser o destroços que esvoaçam na indignação, nas pregas da cara, no recovar dos ombros.
Às vezes o amor parte-nos em dois e ninguém nos vê em duplicado. 
Assim sigo os passos que desenhei e mais aqueles que inventei pelo caminho.


Sanzalando

#zulmarinho


9 de junho de 2021

outro eu

Estou a tentar tornar-me alguém que ninguém tentou ser. Estou tentado a criar um estilo de vida que ninguém tentou. Tentarei desesperadamente viver de uma forma única, fazendo tudo que ninguém tentou fazer. 
E o motivo disso tudo deve estar a ser perguntado num qualquer lugar do planeta. 
Uma razão talvez seja para preencher o meu enorme ego ou ser apenas mais uma tentativa minha, frustrada, de mudar esse sentimento que sinto de que somos todos iguais mesmo que aparentemente diferentes. 
Mas eu não quero ser igual a ninguém. Só de pensar que posso ser igual a outra pessoa fico exausto, exasperado, irritado, taciturno, irado e outros adjectivos que não quero nem usar. Eu não quero que nem os meus sejam iguais a de outra pessoa, somente sejam os meus erros. 
Eu não sei bem o porque desta maneira de ser, mas eu tenho algo aqui dentro de mim que só se sente com o propósito de fazer tudo diferente de tudo o que já aconteceu por aqui. Mas ao mesmo tempo eu tenho um medo visceral, um sentimento que me assombra de ser diferente do comum dos mortais. 
Eu tenho medo de passar uma vida inteira tentando viver. 

Sanzalando

8 de junho de 2021

um dos eu

Parece que neste lado do mundo o calor chegou. Parece que é mais quente por causa do tal de aquecimento global. Quando eu pensava que o carvão era terceiro mundista ou coisa de passado, página da história, fico a saber que cada vez se gasta mais. Minha ignorância não acompanhou a evolução tecnológica. Lítio, mercúrio, urânio, platina isso sim é coisa de novo mundo. Que nada, carbono em estado negro com fumo e fuligem é que é. Petróleo vai ficar só para plásticos e outros poluentes. Qual eólico, qual maré, qual sol. Carvão das entranhas da terra ou da queima das florestas..
É assim todo este assunto sério para eu me poder dizer que sou um mar e não o copo de água de ninguém. Eu sou mais que o somatório das minhas partes infinitesimais, dos meus teóricos sentimentos ou das minhas ambições. Sou único porque me deixo pensar, amar e quem sabe receber um troco.


Sanzalando

#comida


7 de junho de 2021

eu e eus

Juro que queria que fosse fácil manter uma pose desinteressada. Juro e que nada, repito – nada, me faria mais realizado do que ser um típico calculista, aparentemente frio e com o ego sempre lá em cima, a roçar o céu. Ou que ao menos tivesse uma certa mestria para fingir ser possuidor dessa realidade.
Só que eu infelizmente, não sou uma dessas pessoas. Tudo o que faço é sempre sentido, pensado, repensado e lamentado. Tudo no que me fui tornando foi só um somatório de ações ao longo dos tempos, que para falar a verdade, eu nem me lembro que acontecerem, não recordo as cicatrizes nem as luzes brilhantes. 
E depois as pessoas me dizem que só vou enrugando a cara e deixando doer a dor insensível e invisível, até que um dia olho para trás e não me reconheço. Nem consigo localizar o tempo da minha vida em que deixei de ser eu. 
Não existem grandes motivos na lembrança para a mudança, só sei que foi um grande ajuntamento de coisas e que acumulados, eles me fizeram me fechar e fechar gradualmente. 
Quando a nostalgia bate tento voltar ao que era, mas tal não é possível, mesmo tentando muito, porque quando esta carcaça se instala, é praticamente impossível me livrar dela. Ela mora em mim num para sempre, como a fazer me lembrar do quanto ter acreditado demais me fez me tornar o que sou hoje. 
Claro que isso nem é de todo ruim, mas as vezes sinto falta do que já fui, penso que se nada tivesse me obrigado a ser diferente, tudo pareceria mais fácil e grande parte dos seus problemas estariam resolvidos e é aí que a gente se perde uma e outra vez. 
Nalgum lugar dentro da febre desta versão ainda existe o outro eu, que grita esporadicamente para que volte para ele. O outro eu já cá mora há muito tempo, já se apoderou deste corpo, de tudo que construí e idealizei e aí se parar para pensar e pesar e comparar... tem muito mais de mim com esta nova versão do que com aquela que sinto tanta falta.  
É nessa hora que entendo que a vida me fez assim, a vida me cobrou esse preço para conquistar o que tenho hoje, para me ter livrado do que por muito tempo, colocava aquele meu outro eu para baixo, não dá para voltar. aí você continua remando. 


Sanzalando

#momentos


5 de junho de 2021

#flores


sabadando

Ponto por ponto e virgula, caminho por entre mim e eu, num recordar de águas passadas, bem ou mal, segundo as opiniões e os gostos de então. Antes de um acto há que ter em conta que pode dar certo ou errado porém não ficar na dívida, ou perde o mais forte ou ganha o mais fraco que parecendo o mesmo tal não o é. Forte de força, forte de inteligência e por aí fora que há pano para mangas e a escolha é farta.
E ponto a ponto lá vou eu caminhando por frases feitas, pretéritos perfeitos e parágrafos finais, sempre em direcção ao eu que existe algures em mim e que busco até na perfeição de ser imperfeito.
Mente inquieta que procura todas as possibilidades que podem acontecer mesmo sabendo que não acontecem, torturando-se em ideias síncronas com a realidade. 

Sanzalando

#zulmarinho #lugaresincriveis #momentos


4 de junho de 2021

vadio-me

E sopra forte o vento, quase me arrancando do passeio puxando-me pelos cabelos. Desgrenhado vagabundo-me por rua acima combatendo toda e qualquer ansiedade que se queira instalar. Tento segurar-me em imaginários corrimãos, ludibriar as fantasias mentais que vão crescendo à medida que crescem os pesadelos em vez dos sonhos. E o vento parece soprar cada vez com mais força. E os pensamentos cada vez mais tristes e dolorosos. 
Felizmente que nem o vento dura para sempre nem eu vadio-me rua acima todos os dias.



Sanzalando

3 de junho de 2021

dia quente de louco

Sendo que os dias estão mais quentes, eu me dispo de preconceitos e vou por aí fora falando sozinho como que a actualizar os meus pensamentos.
Talvez um dia eu tenha capacidade para contar quantas vezes o meu coração acelerou só por falar contigo, os frios na barriga que senti só de pensar em ti, os sorrisos que sorri só de olhar para ti. 
Eu sei que parece ser de um bobo estes colóquios mentais, mas que posso eu fazer quando acho que nasci fruto duma paixão. Louco seria se eu pensasse ser um a maracujá ou simplesmente um marajá.


Sanzalando



2 de junho de 2021

#imbondeiro E eu imbondeiro em arco enquanto posso


recordação e saudade

Levando-me por caminhos simples, passo a passo passo por saudades e recordações. Não vivo na constante ansiedade de futuro, nem no viver apenas porque sim ou esperar que os dias passem. Não penso no que vou fazer amanhã, nem para a semana nem para o ano. Não tenho linhas imaginárias, tracejados ou picotados. Erro, acerto, será sempre assim, humano sou. Tenho saudades e tenho recordações. Lembro-me daquela ida ao norte da Europa, daquele passeio num deserto do sul, da lagoa, do mar, do sol, da noite. Tenha saudade de gente, do abraço, do olhar, do carinho. Não sou de fazer listas porque ela seria interminável. 


Sanzalando

1 de junho de 2021

ansiedade

Vagueando pelos pensamentos dou comigo a fabricar fantasias. Como posso ter receios de futuro se ele ainda não está cá? Incongruências duma mente sã num tempo de primavera instável. A ansiedade é coisa de lixada para cima. Um problema microscópico é transformado por ela num planetário, num demónio, num monstro de sete cabeças. E quando a ansiedade me faz duvidar quer da minha capacidade quer do meu poder de sonhar?!
Tem dias que não a consigo derrotar à primeira.
Felizmente nada dura para sempre e assim a ansiedade evapora-se também. 


Sanzalando
recomeça o futuro sem esquecer o passado