24 de novembro de 2022

pausa de mim

Num ponto de tirar umas férias destes meus passos perdidos, deste meu mapa ancestral, destas páginas amarelas de tempo finito, deixo por aqui uma palavras soltas e outras tantas vádias à espera dum Zulmarinho delirando sobre ondas num segundo.
Que todas as minhas passadas actitudes, insistências, repetições, incongruências, não sejam mais que fruto dum caos estruturado, dum positivismo desmesurado, dum esforço mental equilibrado ou das muitas canções da amor que ficaram por cantar.
Sei que as minhas inseguranças e medos me possam ter causado incertezas e receios, moldado a minha observância e paciência pelo que se mantenham todos os meus motivos de caminhar por aqui, mas todos precisam de ter um momento de pausa. Vocês de mim e eu também, de mim.



Sanzalando

23 de novembro de 2022

o que faço por mim

Já me inscrevi num curso de compreensão lenta, Quero deixar de compreender tudo o que passa à minha volta, quero passar despercebido, assobiando para o lado e esquecer o visto indevido.
Já me inscrevi num curso de silêncios. Quero deixar de ouvir tristezas e choros, ruídos irritantes e gritos constantes das tangenciais maneiras de sofrer militante. 
Já me inscrevi num curso invisual certezas. Quero deixar de ver as atrocidades mentais dos pensadores comunicantes que irritam a atmosfera curiosa de notícias, as aberrações proferidas nos olhares reprovadores dos senhores censores da moralidade pública.


Sanzalando

22 de novembro de 2022

desamores incuráveis

Vou fazer mais como? Se escrevo uma carta, não sei a morada do remetente e não posso pôr no correio. Não sei o e-mail, não posso mandar. Não sei onde lhe encontrar e não lhe posso entregar em mão. Mas a verdade é que o que lhe tenho a dizer é simples e se calhar nem ela quer saber. Eu te derrotei. Eu te apaguei da minha cabeça. Meio século depois eu te arrumei a um canto do meu esquecimento. Toda a gente pensava eu sofria de desamores incuráveis, corrosivos e impossíveis, mas eu te superei e te esqueci. Tudo numa noite, meio século depois. Acordei e sorri. Estava livre duma amarra que me amarrava nos pesadelos insondáveis da memória, nos arrepios das recordações irrecordáveis. Sobrevivi e te arrumei para um canto onde bolorás no esquecimento. A memória tem destas dores e recantos, esta capacidade de arrumação e amarração. Eu te destruí antes de ser destruído pela saudade, mesmo que haja momentos em que eu pense nesse estado de espírito. Eu vou ver se tenho tempo para recuperar este tempo em que me destruí no sabor alegre de viver.



Sanzalando

#imbondeiro


21 de novembro de 2022

eu, complexo

Tem momentos que eu não sei onde vou, só porque não sei qual o efeito que eu posso causar no lugar que piso, no momento que o faço, no ponto em que me encontro. Sou ou poderei ser um desperdício? As dúvidas dum ser vivo. Ser morto não daria aso a isto e não teria piada. Às vezes pode passar pela cabeça, assim num repentemente um acabar com tudo, mas acontece que eu acabo logo com o pensamento e tudo termina ali. Eu sou o monopólio da minha existência, defeitos incluídos. Eu sou também um caos, logo não tenho o pensamento assim compartimentalizado em graus e degraus, lugares comuns. Eu sou essa mescla que me fui fazendo ao longo dos anos.


Sanzalando

20 de novembro de 2022

a quem importa

Quem se importa de qual caminho eu caminhe? Eu caminho só assim pelas minhas palavras, muitas vezes sem direcção e poucas vezes sem segundo sentido. Caminho porque preciso de tirar a minha carência da forma, a minha ignorância do corpo, as minhas palavras da boca e dar descanso ao cérebro. Não vou agradar nos meus passos certos ou nos falsos passos dados numa página em branco de dias confusos e ideias vazias. Não vou agradecer aplausos nem retirar eixos ou desenhos criados com palavras desavindas da gramática porque reumática ideia de soar a conversas entusiasmadas entre um mim e um eu, começadas em janeiro e terminadas num dezembro de vida.
Quem se importa com os quilómetros feitos palavras, trajectos ou sonhos dum portfólio inexistente, duma capa sem livro, duma marca sem página ou dum índice incompleto? Eu vou só caminhar por mim numa conversa sem feedbacks, likes, outcames ou endgames.
Caminho na minha bolha, nas minhas palavras, nos meus sentidos e rumos, sem saber do espírito das letras, mas sentindo o sentido das palavras.



Sanzalando

#lugaresincriveis


19 de novembro de 2022

#lugaresincriveis


olhar

Olho para todo o lado. Não procuro nada, apenas não quero deixar de ver tudo o que possa. Eu sei que os meu olhar não ilumina mas me ensina e há tanta coisa para ver e saber. O que os meus olhos podem ver é poesia, é cultura, é informação, é opinião. Deixa só olhar e absorver tudo o que possa. E se por acaso me cruzar com um outro qualquer olhar que me mostre um sorriso me deixa eu sorrir também.



Sanzalando

17 de novembro de 2022

passo a passo

Passo lento percorro o caminho da vida. Não quero correr porque não tenho pressa e porque não a quero perder. A vida não é de quem a deseja, é de quem a vive. Quero-a. Não só para mim, mas quero-a. A mente nos dá ideia e pensamentos, a vida vivê-mo-la e de preferência, intensamente. 
Passo a passo passo por aqui, sem pressa de passar. 

Sanzalando

16 de novembro de 2022

soltinho

Vou caminhando sem olhar a lados e muito menos para trás. Sigo um caminho que não desenhei. Intuí. Hoje me apetece dizer que não tenho pátria ou lugar. Desprendido de amarras, de memórias vitais ou de outros apertos circunstanciais, caminho sem destino fixo e sem porto de abrigo, feliz e contente por ter nascido. O meu coração está num monte de lugares, pertos ou distantes, em terra ou no mar, reais ou de ficção, frios ou quentes, baixos ou altos, sem discriminação. 
Não tenho fronteiras, não tenho filtros desde que esteja vivo num lugar que não seja cativo.


Sanzalando

15 de novembro de 2022

vou ou fui

Vou por aí construindo os meus passos como se fizesse um palácio de silêncios com entradas de felicidade. Me apetece ir por aí, qual vagabundo de ideia em ideia sem fazer ideia de onde ia. Tem horas de silêncio e se as não tem devia ter. Eu queria desconstruir o pensamento em palavras garridas, em saltos e danças, em alegria colorida. Eu queria ir por aí, passo vadio, conversa calada e alma transformada num novelo de sonhos realizados.
Vou só por aí construindo os meus mundos, reais e de fantasia, como quem sonha acordado, como quem deseja ser feliz eternamente.
Vou por aí, construindo as minhas palavras, guardá-las num palácio de sonho, pintado de silêncio e musicado de alegria.


Sanzalando

14 de novembro de 2022

imaginação

Vou-me sentar para aqui, na escadaria do tribunal, a olhar até no fim da avenida, se os meus olhos cansados conseguirem olhar tão longe. Não tenho nada de especial para ver. Nada de importante se passa aqui. Só mesmo ver os carros que fazem a curva e contra curva em direcção ao lá em baixo. A pé ninguém vai passar a não ser os polícias que vão na fortaleza e esses não têm interesse em falar comigo pois estou aqui e até parece é hábito. Gosto mesmo de sentar aqui e pensar que a quadriculada cidade é grande, a perder de vista. É tão bom daqui deixar a imaginação voar para lá das páginas dos livros e sebentas. As meninas bonitas estão a ajudar na lida da casa ou a fazer os trabalhos de casa e também não é aqui que vão passear. Aqui não tem a Loja das Noivas, nem o Graça Maria, nem a Ourivesaria do Moreira nem nada parecido. Tem a avenida com as fontes, gazelas e lá em baixo as buganvílias a fazerem um túnel de sombra onde aos domingos os mais velhos passeiam ao fim da tarde antes de ser noite. Aqui só estou eu e a minha inteira imaginação.


Sanzalando

13 de novembro de 2022

um dia lindo

Está um dia lindo lá fora. Eu me fecho em casa a deixar passar o dia. Não estou nem triste nem alegre. Estou mesmo a usufruir da saudade dos amigos e colegas do liceu. Estou só mesmo a recordar de memória as estórias que fizemos e vivemos. Na minha cabeça está como que a passar um filme de recordações. Todos os frames são dignos de ver, Revejo esta e aquela cena. Camaralento umas e acelero outras. Saboreio os momentos e não me importo que esteja um dia lindo lá fora. Aqui estou feliz a ver estes filmes de memória. Cada nome e cada cara, cada cena real e outras que a imaginação já materializou na minha memória. São essas cenas que me fizeram estar aqui hoje, mesmo que lá gora esteja um lindo dia.


Sanzalando

12 de novembro de 2022

deixa só

Deixa-me estar só estar aqui sentado, olhando-te num silêncio calado de sabores. Deixa só estar aqui a ver o zulmarinho no seu suave balancé de tarde de outono e meditação. Quero sentir-me em paz mental, realizado comigo e sem ruídos de multidões de pesadelos e atribulações. Deixa só sentir-me no meu eu, porque eu quero usufruir dos meus sonhos, dos meus desejos e dos meus amores quase perfeitos. Deixa-me estar só aqui.


Sanzalando

11 de novembro de 2022

afinal quem sou?

Como é que eu sou? Em que é que me baseio para dizer quem e como sou? Se eu não souber me definir como é que as outras pessoas o poderão fazer? Já sei que dei um nó na cabeça e aterrei no lamaçal das minhas ideias confusas. Mas em que é que eu me baseio para forjar dizer quem sou? Como é que eu posso dizer que sou o vértice da minha alma corpórea? Tal como os outros eu sou corpo de sangue, orgãos, água e meia dúzia de ideias. Todas as diferenças entre mim e os outros podem ser mera ficção, incongruências vazias do meu pensamento abstrato. Sou imaginação feita em corpo? Acho mesmo sou um imaginário pensamento dum ser doutro planeta.



Sanzalando

#comida


10 de novembro de 2022

biograficamente

Já percorri tantos caminhos que não sei se deva olhar para trás e ver há quanto tempo eu sai da minha base, me larguei das amarras. Sinto-me cansado neste caminhar de calores humanos, de pensamentos vádios e palavras soltas a esvoaçarem vento fora. Eu sei que fui eu quem determinou o meu caminho, mas cada vez que olho para trás vejo-me criança com muito caminho ainda para andar.
Eu, nascido e não criado no mesmo lugar, com o registo de nascimento num lugar de sonho e criando bem perto do paraíso, crescendo num processo sem discussão, não perdido no tempo e nem alargado no espaço, defendo que um dia morrerei e sentirei falta de mim, assim num tal e qual estou ou sou.
Eu, que apanhei sol de 40 graus ou mais e frios de menos 20 no meu processo de crescimento jamais me desertificarei de ideias e conceitos, falsar morais ou remorsos, seguirei vivendo na minha floresta de ideias e no meu matagal de desejos.
Eu, aluno não brilhante porém não fosco, louco ou doente de suicídios e outros afins, nunca me artificializarei só para agradar a gregos ou troianos, nem me deixarei afundar na inércia dos vivos feito mortos a ver a vida correr.
Eu, olho para trás, onde está a minha base e não me arrependo de todos os caminhos que caminhei e apenas lamento os que não poder ainda caminhar.


Sanzalando

9 de novembro de 2022

vagabundo-me

Me levo rua abaixo. Pensamento atrás de pensamento me levo até na Aguada. Se eu virar aqui vou na Quipola ou para ali no Saco-Mar. Desapetece qualquer destes destinos. Vou só por aí num saber que o facto de não ir não quer dizer que eu não exista ou me esqueci. Vou só vagabundar o corpo e pensamentos soltos, assim numa forma de desentorpecer a alma, descansar o solilóquio de dor, sabendo que todos os dias o sol nasce e que mesmo que o dia seja de cacimbo o sol se põe para lá da Praia Amélia.


Sanzalando

8 de novembro de 2022

despisto-me

Me perco na contagem dos passos que passeio à beira mar. À pouco contei 100 e olhei para uma gaivota e me perdi em pensamentos e outras divagações que já não sei onde ia. Não sei porquê que me saboto, me corrijo ou tento me emendar achando-me insuficiente menos no medo de não ser perfeito. Este meu cérebro resolve inventar cada coisa só para me derrubar ou distrair. Eu sei que não preciso de criticas alheias pois as minhas são mais que suficientes e até tem que sobra. Eu sou o meu próprio anti-herói. Eu sou quem desliga o meu super-poder. Se me olho ao espelho até tenho dúvidas se o reflexo que vejo é o meu. Me saboto até só em pensamento. Tem vezes que até acho que qualquer pensamento meu não foi pensado por mim. 


Sanzalando

7 de novembro de 2022

e se

E se amanhã não me lembrar duma palavra para escrever o meu silêncio? Eu sei que na minha pele se esconde um calor para suavizar o frio que o inverno trará. Eu sei que as minhas costas têm suportado o peso dos anos. Eu sei que os meus braços tem horas parecem mais fracos. Eu sei tanta coisa que não sei o daqui a pouco. Não fico preocupado. Só tenho medo é de não poder dizer tudo o que tenho para dizer, de calar por incapacidade de usar as palavras. 
Amanhã logo se verá



Sanzalando

6 de novembro de 2022

#pordosol


conto 10 pelo menos

Ao longo da minha vida acho fui dizendo que perdi amigos, quando sabia eles tinham ido para parte incerta e sem maneira de lhes contactar. Hoje, sem me sentar na falésia ou na marginal, sem percorrer as ruas quadriculadas da cidade, sem me sentar na esplanada dos ricos ou na dos pobres, sem saber de que clube é que eram, eu acabo por me dizer que afinal eu não os perdi porque eles me deixaram memória. É essa memória que me faz ser quem sou. 
Se me sentasse na secretária do liceu e ouvisse PICA A BURRA numa equação do terceiro grau eu sabia exactamente quem estava a me dar chutos no cérebro, a me fazer pensar e a desejar que a vida terminasse naquele instante. Lhe gostava? Muito! O Dr. Vasco Coutinho era uma espécie rara, era assim uma máquina calculadora de comunicação intrincada na incógnita do conhecimento. E quando a gente saia da aula e o Sr. Portela vinha barafustar com a gente porque isto e porque aquilo e era sou picles e trouxa lavada que a gente estava a brincar. Chefe máximo do pessoal menor. Todos me complicaram a vida, deixando uma memória que me faz sorrir num depois do verão vivido.
E o Charles Bronson a filosofar nas aulas parecia era fácil dizer de Aristoteles e Sócratees. Despecebi o português dele. Jean-Jacques Rousseau, Satre, Marx, Engels, tudo se falou naquelas aulas. Compreendi sem saber bem porquê. Uma mágoa na altura, um sorriso agora.
Assim sendo numa perdi ninguém, lhes fiquei de memória.


Sanzalando

#comida


#lugaresincriveis


5 de novembro de 2022

conto sete, oito ou nove

A única coisa que não podemos mudar é mesmo o passado. A gente pode contornar, abrilhantar ou modificar o seu resultado. Agora ele é e não tem mais como mudar. Foi assim e pontos finais. Recordar é alicerçar o presente, preparar o futuro. Mas olhando o passado às vezes até que dói uma saudade deste ou daquele momento ou pessoa. E se for pessoa que foi para o eternamente longe cai lembranças na nossa cabeça que nem lembraria ao diabo. Pequenos fragmentos pormenorizados que até parece película dos filmes da matiné, só que ao vivo e a cores. Se for momento parece é fotografia revelada no mais moderno sistema digital quando nem se pensava no que era isso.
É por estas e por outras que eu frequentemente me sento na falésia ou na marginal a ver a baía e a sua calmaria de longa distância que nem criança imaginava havia mundo para lá daquele ali.



Sanzalando

4 de novembro de 2022

Conto quatro, cinco ou seis

Vou só assim sentar-me nos hexágonos da marginal, olhar as mariquitas e ver os pescadores de sequeiro a pôr de molho o anzol. Acho só vi mesmo pescar baiacu, como na europa lhe chamam de peixe-balão. Mariquita acho também vi. Mas eu não sentei aqui para ver peixes e falar deles. Eu nem sei pescar pois o anzol me fisga o dedo ou a mão sempre que eu lhe pego. Estou aqui mesmo só para pensar na vida. Tenho de pensar no meu futuro, mesmo que a Dra. Mitó me tenha dito que o meu futuro não ia ser brilhante, só porque eu nunca atinei no inglês das aulas dela. Acho mesmo não atinei com nenhuma aula dessa língua mais esquisita que inventaram para além do chinês. Mas também não é isso relevante para os meus pensamentos actuais. Que é que eu vou fazer mesmo? Vou trabalhar no Rádio Club, vou continuar a vagabundar ou vou-me aplicar nos estudos e ser gente de sentar na esplanada do Hotel Turismo? Já não sou criança e tenho de atinar com o meu futuro. O mar calmo, os hexágonos e as poucas pessoas que passam não atrapalham o meu pensamento. Primeiro eu tenho de gostar de mim. Ponto assente primeiro já está. Se eu gostar de mim vou fazer o quê? Vou trabalhar no Rádio, ter dinheiro para os meus cigarros e deixar a mais mais aliviada. Mas ela, a outra dita cuja quer que eu estude. Ou seja, para eu lhe ver todos os dias na aulas eu tenho de estudar, senão chumbo e lá se vai o olhar para o vazio ou esquina na hora certa do passeio. Esse mar está a me complicar porque o marulhar está num quase silêncio triste de defunto. Este pnto tem de ser aprofundado. Vou dar mais uns dias para amadurecer este. Espero que não me esqueça e ele apodreça.



Sanzalando

3 de novembro de 2022

Conto um, dois ou três

Olho para além do zulmarinho da minha memória, vejo o Zé, Mané, Domingos, Mateus e outros tantos correndo rua acima e abaixo numa brincadeira alegre. Sou criança quase adolescente, tenho brincadeiras de ambos catálogos, faço asneiras das duas categorias e tenho conversas de gente grande. O asfalto está quente parece ferve debaixo da sola do meu pé e eu descalço continuo a caminhar para a praia como se tivesse encontro marcado. É tempo de verão se aqui houvesse inverno para além dalguns dias de cacimbo.  Continuo a olhar para lá da minha memórias e acho um dia vou ser capaz de te encontrar para dizer adeus. Há dor de quem parte e de quem fica. Desta vez fiquei eu. Partiste e não tiveste tempo de dizer adeus. Para cá da minha memória já há nomes que não encontro, crianças adolescente que como eu brincavam alegres na minha rua a caminho da praia ou de lá vindos. Estamos a nos evaporar, parece, dizem, é da idade. Aos poucos vamos ficando menos a recordar os muros, as conversas e bulhas por causa delas.


Sanzalando

2 de novembro de 2022

filosofando

Não é difícil compreender que a minha melhor companhia para mim sou eu. Se estiver bem comigo estarei bem com quem eu quiser ou simplesmente estiver. Não há necessidade de procurar em mão alheia o apoio que necessito. O equilíbrio em mim vai transferir-se para o meu eu no todo.
Olhando o zulmarinho, procurando as minhas imagens para lá da linha recta que se curva, eu estou a ter um momento meu, um reencontro comigo, com esse passado que me faz presente. É esse ponto, esse momento em que me equilíbrio, em que me dou totalmente a mim. 
Há quem chore de saudade e há, como eu que reveja a sua essência nesse lugar, nesse momento, nesse tempo. Viver na saudade não, recordá-la e trazer à superfície mental o que ela te ensinou, a sua essência.
O marulhar me trás essa tranquilidade. A maresia também.


Sanzalando
recomeça o futuro sem esquecer o passado