16 de janeiro de 2019

frio pensamento

Olha o zulmarinho parece está adivinhar chuva. Está bravo e as ondas a bater como dizia o livro da terceira classe. Mas eu me deixo ficar aqui a meditar faz de conta virei ermita desta falésia que tem como horizonte uma linha recta encurvada que une o zulmarinho ao zulceleste.
Eu caindo daqui é morte certa, dirão os estatísticos. Inexplicavelmente certa que é, há pessoas que vivem com ela. Uns já morreram e ainda não sabem, outras pensam que ela morre quando derem o último suspiro. Outros há que não acreditam que termine assim. O sofrimento continua nos que por cá ficam a lamentar a nossa partida. Certo certissimo é que a gente vive de mãos dadas com a morte e ela às vezes nos leva asssim. A morte é egoísta, aproveita um momento fragil e nos leva e ainda leva as nossas memórias. Ela não está minimamente importada connosco. Corta-nos os laços emocionais, recentes e passados e nós não temos liberdade de dizer não é agora. É assim, fruto da meditação, fruto do caos que a vida não tem valor. Há um momento que tudo acaba. 
Já sei, está frio e frio está o pensamento.

Sanzalando

15 de janeiro de 2019

#pordosol


#zulmarinho


#zulmarinho


#caminhos


#caminhos


#comida


assim se faz inverno

Continua sol porem a brisa acelerou e está a parecer é adulto vento a me despentear. Mas mesmo assim ainda aqui me mantenho a ver os meus pensamentos a serem ordenados por um computador interno de modo a não haver esquecimentos, misturas e contradições. Tento ser quaese perfeito, modo simoples de levar a vida, mesmo que rir é correr o risco de parecer tolo, chorar é correr o risco de parecer um ser fraco, expor-me em palavras ditas ou escritas carregadas de sentimentos é correr o risco de mostrar o meu verdadeiro eu, confiar é correr o risco de me decepcionar. 
Afinal de contas viver é o risco de morrer e amar é correr o risco de não ser correspondido.
Bem vistas as coisas os barcos estão mais seguros num porto ou em terra firme, porém não foram feitos para isso.
Bem vistas as coisas o inverno é tempo de limpar ideias e sonhos mas não deixar de viver.

Sanzalando

14 de janeiro de 2019

tanto amar me amou

Mantém-se o sol de inverno deste lado de cá do limite do meu olhar. Olhando esse mar que termina lá, até onde consigo olhar e que lhe chamo de zulmarinho faz tempo, mergulho nos sentimentos, desconstruo-os para lhes apreender a essência, moldo os pensamentos em cercas de defesa de modo a não pensar sem a razão, descubro-me em sensações de amor e me elevo para o superior de mim e sorrindo cantarolo músicas de alma e coração.
Não vou perder o fôlego, mesmo que o frio me congele a respiração, mesmo que o frio me divida em segmentos de conforto, mesmo que o arrepio me deixe sem pensamentos.
Como é bom este mar que de tanto amar me amou.


Sanzalando

11 de janeiro de 2019

#caminhos


marulhar em silêncio

Sentado, regelado pela brisa que vem do norte e entra zulmarinho dentro, levando os meus desejos para lá da linha que limita a minha visão, vou meditando, vou transportando os meus sonhos, vou criando memórias ao mesmo tempo que vivo a vida de hoje.
Não sinto saudade do toque do telefone, não sinto solidão no marulhar que me embala, não vejo monotonia na vastidão vazia que olho.
Em cada segundo eu vivo mais no amor que sinto, na felicidade do desejo e no encontrar de mim mesmo. É, não tenho outro jeito de ser. Cada instante é eu que vivo, vivo-o. Só mesmo este silêncio quebrado pelo marulhar me pode compreender.


Sanzalando

10 de janeiro de 2019

#pordosol


mudar o mundo

Madrugada me embala no cheiro de maresia, fria, sem vento porem brisa. Acho a areia tivesse capim ficava gelo, mas areia não deixa transparecer o seu frio. É mais reservada porém colorida. Mas aqui sentado, olhando o zulmarinho, deixando o pensamento navegar por cima desse mar gelado sabendo que lá é verão eu digo basta. A gente tem de ser séria. Não pode sofrer de ansiedade, isso é sofrer por antecipação, por faz de conta. Não, deixa só eu estar aqui sentado a olhar o mar e deixar o meu olhar atingir o limite da vista. Me deixa só aqui a controlar a minha própria vida. Me deixar só aqui sonhar com as viagens que fiz, com as fotos que tirei, com a vida que vivi e me deixa sonhar. 
Sei, não sou perfeito. Tento. Amanhã, logo se vê. A gente pode mudar e há gente que tem de mudar para depois poder mudar o mundo.


Sanzalando

8 de janeiro de 2019

#caminhos


#caminhos


o sol que brilha no frio

Mantém-se o sol que brilha no frio que se sente. Eu, sentado, medito. Tenho tão pouco para dar do tanto que já recebi. Acho me distrai e construí um mundo de papel que tenho medo caia no inferno e se cinze num ápice. Ver a vida a arder em segundos deve arrepiar. O futuro está cada vez mais próximo e eu não me vou arreliar com coisas pequenas de mim. Um segundo não é mais que isso mesmo e eu não vou perder tempo a pensá-lo. 
Não estou escangalhado nem impecavelmente passado a ferro nesta vida que vivi. Vou andando de mãos dadas, espalhando sorrisos e gargalhadas. Cada riso um brilho no olhar. Sempre a mesma pessoa tento. Dentro de mim transporto o amor que sinto. 
Neste mundo de papel, às vezes pardo, não tem lugar para raivas nem teimosias nem casmurrice. Tem lugar para viver e às vezes o lugar é pequeno ou está a ficar mais pequeno.
Me deixo levar pelo brilho do sol que brilha no frio.


Sanzalando

#zulmarinho


3 de janeiro de 2019

#comida


#flores


#ciencia


pessoal e intransmissível

Amanheceu e parecia tinha nevado. Era apenas frio. O frio que gelou o capim, o vidro do meu carro e a minha alma. Lá, do outro lado de mim amanheceu sol brilhante sem vento e mar calmo. Hoje, neste frio exterior, deu-me para perguntar se o que eu tinha vivido era ao que eu tinha desejado. Perguntei-me sem ponto de interrogação porque não queria, não quero responder e não sei se tenho resposta. Primeiro eu devia perguntar-me se eu tenho força para aceitar os meus erros, se tenho coragem para chorar as feridas que abri, em mim e nos outros. Em seguida devo perguntar-me se eu falo comigo e consigo imaginar meus futuros sabendo que cada vez eu estou mais na mesma distância dele. Após o que, se ficarem dúvidas, chegando a tardinha eu tenho força para ir passear o meu corpo descansando a mente num bem estar de tranquilidade marítima.
Depois destas perguntas sem interrogação eu me recordei que nunca esqueci o lugar onde a minha mãe deixou a minha placenta, mesmo falando dele sem melancolia ou doença de cabeça. Eu gosto da vida que vivi e não sei responder por outra vida que não a minha, esta pessoal e intransmissível.


Sanzalando

2 de janeiro de 2019

tempo de inverno

E o sol continua a teimar manter-se por aqui, inverno dentro. Eu, que tenho momentos que gosto de ser frio como tempo, gelado ou ventoso como tempo, fico no dilema: manter-me fiel ou contrariar o tempo.
Eu sei que nasci para ser adorável, adequado, coerente e sorridente. Nasci assim mesmo só para ser gente. Tenho como cópia de mim a transparência, o interessante e todo o tempo do mundo. Mas às vezes, por razões de tempo, me sinto superar as expectativas outras vezes nem consigo tê-las. Penso-me que não existo, sou um espaço entre o que me vêem e o que realmente sou. No inverno é tudo uma questão de tempo, mesmo que o tempo me dê as voltas que nem o tempo é ele.


Sanzalando
recomeça o futuro sem esquecer o passado