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A Minha Sanzala: Julho 2016
recomeça o futuro sem esquecer o passado

27 de julho de 2016

Carlos Santana, eu e a pirataria

Servindo sorrisos caminho ao longo da praia ao som do Samba Pá ti do Carlos Santana. Os peixes saíram da água e fizeram público... As algas fizeram de peruca dos antigos cabeludos agora carecas gastos pelos ventos do tempo.
Eu sirvo sorrisos fossem eles bolas de Berlim borrifado de areia e imagino a guitarra chorando arrepios em delírios de solo dum virtuoso cujo reumático não chegou ao cérebro nem aos dedos ágeisdum concerto ao vivo que ouvi em directo por interposto telemóvel.
Irresistível e feliz. Adorei-me.


Sanzalando

24 de julho de 2016

É, deve ser, do sol

Neste momento de sol tórrido e calor que me faz suar as estopinhas só de respirar, dou comigo a fabricar pensamentos.
Em tempos idos, noutros quarteirões, noutros diálogos, alguém me disse que para esquecer algo de muito importante eu teria de o transformar em livro. Assim foi nascendo cada frase, cada parágrafo e muitos textos, se assim me permitirem ter a liberdade de os chamar. Mas mesmo assim não me livrei do que gostei, do que gosto e do sempre gostarei. Mesmo que eu escreva livros eu jamais esquecerei seja o que for.
Terrível época a minha em que ainda há vagas no inferno e uma preguiça enorme para defender as palavras que vou gastando com gosto. Umas vezes aparentemente tristes, outros antes pelo contrário, porem caminham, as palavras, para dentro de mim de forma a saírem textos que falo em voz calada para folhas brancas.
É, deve ser, do sol


Sanzalando

22 de julho de 2016

que sou e que fui no serei

Me olho no espelho e vejo que eu não sou mais que metade de recordações e outra metade de futuro e incertezas.
Leio nos livros que 70 % de mim é água. Nos 30 que sobram eu só 15% é que sei o que sou?
Os carros de rolamentos, as zangas da D. Maria, os comboios de brincar do Sr. Reis, pai do Beto Reis, as hortas do carriço, as caçadas do Tó Curibeca, as corridas de patins, a saída da missa, a discoteca, a Oásis, o Avenida, o Hotel Turismo, os cinemas, as matinés. Tantas coisas só para 15 %? 
Não, acho me vou desidratar para caber mais de mim neste aqui.
Não, acho melhor ficar assim e desidratar as memórias menos boas. Esvaziar de mim a memória do braço partido do Rui Miranda, o acidente na estrada do Lubango depois de uns disparates, as lâmpadas partidas a tiro de chumbo, as lágrimas da minha mãe, os chumbos no liceu, as respostas não conseguidas e com isso arranjar mais espaço para o hoje em dia de cada dia sorrindo.


Sanzalando

21 de julho de 2016

promessas

Olhá lá que me esqueci de soletrar palavras num divertimento que me entretém.

Acho eu, num tempo qualquer, eu me prometi sorrir sempre. Eu me prometi também nunca me arrepender de coisa alguma. Se não foi antes que o fiz, lhe faço agora com retrospectiva idade de criança.
Afinal me descomprometo dessa promessa.
Tantas vezes me arrependi de ter chorado, de ter esquecido de dar aquele abraço, de não ter devolvido aquele sorriso, ter interpretado mal umas palavras que pensei ter ouvido e de tantas outras coisas que nem com cábula me ia fazer lembrar tudo.
Prometo só que vou tentar ainda ser melhor, que não vou esquecer de sorrir, que as lágrimas serão de alegria muitas vezes e que tudo vai ser por mim verdade, nas promessas.
Afinal de contas amar é bonito, feio mesmo é não ligar.


Sanzalando

12 de julho de 2016

me olha e sorri

Me olha nos olhos e me sorri.

Sabes, basta ver o teu sorriso que já não é necessário haver estrelas no céu ou o sol sempre a brilhar.
É verdade que as estrelas e o sol me fazem sentir vivo. Esse teu sorriso faz, para além disso, sentir-me feliz.
Pode parecer estranho eu não falar nada, eu não me empolgar com nada, ficar assim apenasmente sorrindo, sorriso de orelha a orelha para ti, mas na verdade, eu gosto de parecer estranho e olhar para ti.
Ouves o mar? Sentes o sol? Sou eu num assim a modos que sorrindo.


Sanzalando

2 de julho de 2016

Saudade é uma opção

Eu gosto de matar saudades porém detesto quando são estas que me querem matar.

Corro quilómetros, invento caminhos, consigo voar, para acabar com uma saudade. Mas não gosto de estar parado a senti-la.
Afinal de conta que é que é saudade?
- Tudo o que a gente queria ter feito e fez, tudo o que a gente gostou e gosta, tudo o percorreu e ainda percorre.
Afinal porquê tanta saudade?
Saudade é uma opção. Eu opto por sentir do que gosto!


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007