recomeça o futuro sem esquecer o passado
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27 de janeiro de 2012

era feliz e não sabia

Os cabelos não têm mais o brilho do antigamente, nem a cor é mais a mesma.As imagens parece levaram uma camada de cacimbo na memória. É, custa mais lembrar os nomes dos putos da rua, que jogavam à bola, que brincavam aos cowboys, polícias e ladrões, garrafão ou trouxa lavada. Que altura tinha na altura? Isso era mais importante? Só queria ser mesmo era ser o maior, o melhor outras vezes o pior, dependia da circunstância.
Engraçado. Quando somos crianças, putos vadios de ar sério e respeitador,queremos tanto crescer. Um dia vou ter um carro. Vou comprar uma casa, pagar as contas sem ter que cravar na kota, sem ter que ter música na ponta da língua para cantar a canção do bandido. Nessa altura não sabia nem imaginava que existia essa coisa de chamada problema, esses sentimentos que fazem chorar, sofrer calado.
Agora estou a pedir mais o quê? Pedir que volte a ter mais a idade do fácil viver, do cair da bicicleta e esfolar os joelhos num não faz mal que vai curar e esquecer? Do tempo em que não faz mal se correu mal, do esconder atrás da esquina e espreitar ela vem ali. 
Tou a imaginar eu quero voltar ao tempo em se eu chrasse o mundo à minha volta ia fazer tudo para eu rir outra vez.
Sim, eu queria voltar ao tempo em que era feliz e não sabia.


Sanzalando

14 de setembro de 2007

por aqui

Por aqui estou vagueando nos caminhos das minhas ideias soltas. Ainda faz sol, que não é o mesmo sol que eu queria sentir, mas esse ficou adiado para mais tarde retornar e eu não posso andar ao sol. Por isso não caminho na beira do final do zulmarinho e limito-me aos caminhos do pensamento.
Bem, se eu tivesse uma moeda comprava agora um ramo do céu, um metro de mar, uma ponta de estrela e um rio de sol, fazia um quadro e te oferecia com as minhas lágrimas.
Por não a ter, aqui me tens na solidão das palavras e na intensidade dos silêncios

Sanzalando

13 de setembro de 2007

resta-me a nostalgia

Me sento por aqui, ao lado do kit de salvação. Nove pastilhas para tomar em jejum. Era melhor uma taça de saladas de fruta, tem mais cor e um outro sabor. Mas se tem de ser o que vou eu fazer para contrariar? Resigno-me.

Algumas nostalgias não nos esperam. São as que nos atacam na hora de ir dormir, te apunhalam a imaginação no silêncio da noite e povoam os sonhos com fantasmas indesejáveis.

As nostalgias desses tempos passados, por terem sido bons, doem como punhaladas no peito. Mesmo que a gente pense que lhes ultrapassou no calendário da vida.

Me sento aqui e agora ainda sinto o perfume dessa nostalgia.

Quando se apaga a luz, quando o silêncio ocupa o vazio do quarto, quando o sono está pronto a vencer-me, invadem-me os momentos perdidos na memória, a gente boa, os risos e gargalhas reconhecíveis, as vozes e as frases identificáveis. Ao acaso me assaltam outras recordações em doses intravenosas.

Não me queixo, porem me resta a nostalgia.



Sanzalando

24 de junho de 2007

Me sento onde ninguém me vê

Me sento aqui neste canto, assim como quem não me vê e falo de mim para mim numa voz calada que eu não me sou surdo.
Olho e vejo que o mundo gira como se não houvesse outra coisa mais para fazer. Matuto na infância que tive, relembro os amigos que fiz e desfiz, m’atrapalho nos episódios que vivi e que agora não queria ter vivido, me gargalho doutros que foram belos e por isso ainda me lembro.
Afinal de contas quantos anos tem a hora? É! tudo depende mesmo da velocidade com que passam as lembranças assim neste cinema das recordações, neste filme de imaginação.
O zulmarinho está nas minhas costas como que a marulhar para ver se eu lhe dou atenção, que hoje eu não estou para ali virado.
Mas hoje mesmo me sento neste canto a ver para que lado se orienta a minha bússola. Nas raízes ou em novos troncos? Mesmo melhor é deixar passar as imagens do filme e ver onde é que aparecem as legendas, que eu não sou árvore mas tenho as minhas raízes, tenho o meu tronco e os meus ramos que dão outros ramos e por aí fora que isto não é aula de biologia.
Me lembro que um dia me contaram que o dia se apaixonou da vida numa paixão de ferver o gelo de um dos pólos se não mesmo dos dois. E nessa paixão que era correspondida, nunca se queriam separar um do outro. Daí resultou que a vida se murchava nessa não separação e o dia, ao ver esse mirrar na permanência, resolveu partir assim num suave descair de claridade até à escuridão fechada, dizendo à vida que se tinha apaixonado pela noite e que lhe ia visitar.
A vida, que não é parva de todo nem de nada, achou mesmo que ali havia mentira e deixou cair-se na tristeza, amargamente chorou lágrimas salgadas. Ainda hoje chora, cada vez que se lembra do seu amado dia, por isso de vez em quando chove nos dias de nostalgia, por isso ainda hoje existe noite para que a vida possa continuar sem definhar-se na sua paixão pelo dia e por isso cada dia nasce um dia como forma de nascerem novos amores.

Sanzalando

23 de abril de 2007

Divaguemos

Vamos divagando enquanto distribuímos o peso ora numa perna ora noutra, num caminhar serenamente seguro ao longo deste final do zulmarinho. Vamos divagar sobre o que devemos divagar na forma de palavras ditas.
Divaguemos sobre os sucessos de vida, não os meus que esses são coisas assim como pequenas e não merecem destaque nem divagações, mas aqueles que me tocaram porque aconteceram a amigos ou conhecidos meus. Divaguemos sobre os sucessos bons e maus. Mas se te falo de sucessos porque te falo também em bons e maus? Sucessos unicamente porque sucederam, aconteceram.
Bem, dentro dos sucessos maus é sempre difícil pôr um antes do outro, pelo que salto esta parte e mostrar coragem para os olhar de frente e ter força para os pôr assim num atrás de costas com a lição aprendida, aula dada.
Dentro de toda a nostalgia que me invade há que não esquecer os tempo de felicidade e até mesmo orgulho já que amigos meus conseguiram realizar uma parte importante dos seus sonhos imediatos. Com mais ou menos dificuldade os sonhos se foram paulatinamente realizando e hoje são sonhos sonhados com pés assentes na terra. E lhes vejo com novos sonhos que sei um dia vão ser sonhos sonhados também porque lhes conheço bem e sei que não param até os terem sonhado de passado.
Neste divagar vamos divagar também que está na hora de mudar de divagações, está na altura de haver um volta atrás na forma e maneira de te falar as coisas, voltar na origem da palavra dita como quem a fala sem lhe trabalhar.
Ah! Trás gravador porque não me vai apetecer repetir duas vezes a mesma coisa e se te falo num de cor e salteado quer dizer que não te saberei dizer as coisas letra por letra uma outra vez.

Sanzalando

11 de dezembro de 2006

A areia do meu desejo


Procuro o teu lugar.
Esse lugar de onde tu vens, de onde estás, de onde és.
Procuro-te, nas areias da minha desilusão, um sentido adequado para dizer-te desta angústia desconectada do conteúdo de um disco rígido.
Estranhos medos dos silêncios que me devolves.
Caminho nesta areia das mil cores neste verão do meu interior, procurando o teu lugar.
Que lugar ocupas em mim?
Alucino-me na textura das tuas imagens, das tuas recordações, dos teus amigos. Tu tão terrena e para mim tão celestial.
Tento encontrar o caminho nas horas que passam, de modo a aprender a voltar para o teu encadeado silêncio.
Silencio-me também? Sabes que eu jamais conseguiria ser o teu silêncio, a tua boca fechada. És tu a minha lágrima.
Afinal somos feitos de areia, maleável e despretensiosa, mas ao mesmo tempo firme e serena.
Caminho ouvindo o marulhar arritmado das ondas do zulmarinho tentando abafar os teus silêncios.
Alucino-me!
As nossas partes infinitesimais sabem levar uma mensagem. Nostalgia, angustia, saudade.
Caminho de um lado para outro. De areia em areia à procura do teu lugar dentro de mim.
Se calhar era mesmo ao contrário o que eu devia procurar, o meu lugar dentro de ti.
Olho-te na minha imaginação. Subo os teus montes, desço as tuas colinas. Saboreio-te com a vontade de te possuir de uma forma frenética. Não encontro nada mais belo que o teu contexto. Não há nada mais belo em mim se não o caminhar-te nos pensamentos, procurar-te nos meus lugares comuns. Vivo-te ausente.
Eu sei que vou descobrir-te, um lugar novo onde possamos ser tu e eu num alucinado ritmo de utilidades reciprocaras.
O que eu sempre devia ter descoberto é que não te devia ter perdido nunca. Hoje não teria que te procurar, não estaria na dúvida dos nossos lugares em cada um do outro.
Te esculpo, em cada segundo de mim, numa imagem real de todas as dimensões e calores.
Procuro-te na minha desilusão cobardemente disfarçada de medos.
Construo-te na perfeição imperfeita de um ser perfeito.
Construo-te nas minhas cores e paladares.
Construo-te castelo de cartas enfadadas de sonhos.
Bebo à tua saúde.
Na nau da minha imaginação recolho as velas e deliro-me nas tuas areias, beijo-te a alma.
És a areia do meu desejo.


Sanzalando