31 de dezembro de 2018

#lugares


dezembro termina

Invernamente me deixo embalar pelo marulhar forte desse zulmarinho que parece estar que nem eu, enfurecido. Estou-o apenas porque vejo o tempo passar e é como ver um barco se afundar e não poder fazer nada. Faz conta eu pudesse por uma rolha e ele ficava ali na superfície e era um consolo para os meus pensamentos. 
É dezembro. Mais um ano terminando e muita gente vai dizer que este bateu o recorde de pior ano. Todos os anos é mais do mesmo neste tipo de contabilidade. Mas se tu me estás a ler eu fico orgulhoso por saber que alguém caminhou pelo menos até aqui. 
Fica a saber que independente de quem quer que sejas, meu coração se alegra em saber que não desististe. Te congratulo por enfrentares lutas que ninguém sabe, parabéns porque você conseguiu sobreviver a mais um ano no meio do caos e porque mesmo tropeçando nas rasteiras da vida estás aqui.
Olhando o zulmarinho eu descobri que a vida nem sempre é boa e nem sempre é tão má como parece. A vida é como uma árvore que dá seus frutos no tempo certo. 
Aprenda a respirar e esperar o relógio despertar, sem adiantamentos ou atrasos, mas na hora  certa.    Faz como que nem eu: não me esqueço por aí num canto. Nem que eu tenha que cantar para ser ouvido eu recomeço sempre por mim, luto mesmo que não tenha nada para fazer.
Para o ano vai ser melhor como se o melhor fosse possível pesar numa qualquer virtual balança.
Não tem bolsa da vida por isso eu tenho as minhas acções uninominais para viver cada minuto e escrever as minhas letras em maiúsculas ou minúsculas, com gramática ou agramáticalmente. Forças no dias maus e jamais se esqueça: os anos acabam e as lutas também.

Sanzalando

#lugares


30 de dezembro de 2018

#comida


#comida


#zulmarinho


inverno perdido

Faz um frio de tremer a alma. Os olhos mal conseguem estar abertos, mal os braços conseguem desabraçar. Todas as formas de calor são benvindas. Neste estado do tempo, enrolado em mantas e outros farrapos me levo em viagens mentais tentando esquecer os rigores do tempo e a cronicidade deste. Eu já sei que a minha maturidade nada tem a haver com os anos mas sim com os danos de tantos anos que por aqui ando. Independente do tempo que passa, há memórias que ficam e outras que nem ao diabo lembra e com estas ou sem estas a mais as suas mágoas eu estaria nos teus braços em mais uma forma de me aquecer.
Faz frio e isso faz-me lembrar que a vida não é um conto de fadas, nem o pai natal desce pela chaminé nem o coelho da páscoa põe ovos. No inverno tudo vem à memória, quanto mais não seja para a gente se lembrar de esquecer de vez.
Faz frio e as frias palavras servem para fazer fogueiras de ideias, das que eu perdi mas sem me perder


Sanzalando

28 de dezembro de 2018

#comida


através é inverno

Que estranho é o inverno. Nada parece correr como se deseja. Acorda-se e sente-se frio, uma vontade enorme de readormecer. Escuro mesmo quando brilha o sol. E é sinal que é o fim do ano que chega. Lá, na outra metade de mim faz calor e o fim do ano é festa. Eu sei que nesta minha outra metade também. Mas não é a mesma coisa. Na outra metade eu transpiro só de sair na rua. Nesta metade arrepio-me antes de ir na rua. E depois aqui me deu para pensar, quando a outra metade não pensa, vive. Mas hoje eu estou nesta metade, nesta procura de mim em mim e fico melancólico. Parece que o ano correu rápido, a sensação que falta gente à minha volta, uns porque faleceram e outros porque descruzaram-se de mim. Eu sei que olhando no circulo completo eu tenho carícias no olhar, mas... há qualquer coisa que não me está nítido. 
Na outra metade de mim pode estar cacimbo, nesta cacimbei-me. 
Acho caí no vazio, fiquei sem motor e sem sentido. Acho que fui atropelado por gente sem rumo, sem passo certo e me empurraram para lugares comuns.
Deve ser é inverno e a minha felicidade depende de mim e do meu olhar.


Sanzalando

27 de dezembro de 2018

#pordosol


inverno de sol

Faz sol de inverno. Já debitei tantas palavras que já nem sei as que disse para ti ou as que me segredei para mim mesmo. Faz sol e eu já não sei onde é que é o centro do universo. Perdi-me neste inverno na busca de algo que está dentro de mim, por isso as minhas palavras podem parecer não ter sentido. Sentido único é o sentimento de cada um. Teu e meu. Já nem sei qual o meu e o teu de tanto baralharmos a alma. Se sorris, sorrio, se choras, choro. Gargalhamos orgulhosamente por nós. Eu e tu. Verão inverno. Vidas as nossas que estão sempre ao sol não esquecendo que o tempo corre e se esgota em cada momento. Invernamente felizes.

Sanzalando

26 de dezembro de 2018

pensar inverno

Brrrr, que até parece faz frio do pólo norte. Eu sei, que sou eu que não estou habituado ou estou mal habituado. Mas neste tempo, sabendo eu que há lugares que tem sol tórrido e noutros que até neva, eu me deixo enrolar por pensamentos complicados para descomplicar o tempo que se vai gastando a procurar lugares ou outras eras.
Neste tempo, agasalhado que só os pensamentos ficam livres de deambularem por onde lhes apetecer, eu dou comigo a imaginar a deslealdade, a violência, o ódio, a raiva que vou vendo nos quatros cantos deste mundo redondo. De pois de constatar isto ainda vejo que há peritos em explicar cada um destes pontos, livros escritos. É que eu preciso de ter cuidados com os peritos pregadores. Aqueles que censuram fácil facilmente caiem no medo, não têm paz e incitam para que não haja possibilidade de perderem o lugar.
Brr, que até arrepiei de pensar pesado assim.

Sanzalando

#bebidas


#zulmarinho


#zulmarinho


25 de dezembro de 2018

no inverno navegar

Chegou o inverno e eu sei que com ele chegam os ventos desfavoráveis, a incomodidade de vestir estilo cebola e mesmo assim me apetece navegar e por isso colo o meu corpo no zulmarinho, num modo de me manter à tona e ir seguindo, onda a onda, torneando rochedos, cortando tempestades em duas metades como se fizesse uma porte por cima de abismos. E neste meu barquinho inventado, de tempestade em calmaria espero encontrar o meu porto seguro no teu sorriso que numa qualquer praia me vai estar a esperar.


Sanzalando

21 de dezembro de 2018

#mangueira


#imbondeiro


inverno filosóficamente falando

Faz sol. Começa o inverno. Que coisa linda para uma palavra pesada. Tem palavras que trazem um lastro pesado por cima delas que até parece vai virar submarino da existência. Inverno. Frio. Neve. Gelo. Peso. Casacos e mantas. Fogo. Inverno. Quantos invernos uma pessoa traz por cada dia de vida? Vamos fazer que esta estação seja um apeadeiro. Vamos sorrir mesmo que sem brilho no céu, mas sorrir por ter vontade.
Olhando à minha volta eu quase podia pensar que um gajo quando nasce é para falhar. Somos não sei quantos no mundo, um número que eu nem sei dizer direito. Mas lendo um jornal, muitos jornais, uma revista, muitas revistas, são sempre pouquíssimos os falados, os que falam e os que têm direito a falar, Os outros devemos ser falhados. Quando falam de nós, os anónimos falhados é porque nos aconteceu uma coisa que não era normal e até nisso falhamos. 
Quebramos ossos, ficamos com defeito, errámos porque é normal errar na vida, esfolamos a alma, baleamos o sofrimento, banhamos-nos em desilusão, deixamos a solidão fazer morada na gente e dizemos que estamos esgotados. Ninguém nos ouve, ninguém nos fala nem ninguém nos dá voz.
E lá vamos nós, sorrindo mesmo sem brilho no céu, ouvindo os Cem mais nas sem mais coisas que não têm para dizer.
Temos uma coisa, é a vontade. Sofremos e lutamos. Caímos e levantamos. Quebramos regras e esquecemos leis. Seguimos em frente. Vivemos. Seja inverno ou no inferno. Dançamos a música que nos vai na alma, amamos o amor que temos e não temos medo de sofrer, porque, vivemos!



Sanzalando

19 de dezembro de 2018

#comida


#caminhos


outono de vida

Ainda faz sol. Calor Nenhum. Outono quase termia para dar lugar ao Inverno. Não há vento nem gelo. Apenas um sol arrefecido. Neste tempo sobra tempo para meditar. Na meditação a gente cresce, quanto mais não seja em auto-conhecimento. Aqueles minutos a olhar a linha recta que é curva, onde o zulmarinho se toca ao zulceleste, dá para ver que podemos ser agricultores de expectativas. E há uma variedade infinita delas. Todas difíceis porque quase nenhuma é superada. Mas nós continuamos a cultivá-las. Ciclo vicioso, quadrado fútil.
É a expectativa dum bom dia que não chega, do sonho que não se realiza, do desejo que não se concretiza, da ilusão que nos ilude eternamente, do olhar o que não vemos. E a expectativa floresce numa flor insatisfeita, desperfumada, corriqueira, que não acaba, crescendo numa prisão que até nos pode tirar o chão e por-nos em estado de depressão.
Não. Cultivar expectativa, não. 
Por isso eu opto pela leveza, deixo que o fraco sol me dê uma ténue sombra, uma luz para que eu consiga ver a vida como apenas uma pessoa.
Outono sem expectativa porém cheio de vida.

Sanzalando

18 de dezembro de 2018

você interroga-se?

Você já viu alguém que tem uma harmonia à sua volta? Você já viu alguém que tem um sorriso mais belo do que o mais lindo pôr-do-sol? Você já viu alguém com uma presença tão agradável e confortável?  Você já viu alguém com uma simplicidade de deixar qualquer um abismado e encantado?  Você já viu alguém com um olhar meigo e caloroso? Você já viu alguém ser tão impressionante como a beleza de um girassol quando recebe os raios solares?  Você já viu alguém assim tanto?
Não?!
É, você não se olhou ao espelho hoje, pois então.

Sanzalando

#zulmarinho


#zulmarinho


#zulmarinho #caminhos


#zulmarinho


17 de dezembro de 2018

Meu pai nasceu em 17 de Dezembro de 1926

O meu pai nasceu em 17 de Dezembro de 1926. Aos 30 anos dele era pai deste belo rapaz que um dia se fez homem. Como rapaz não era assim uma estampa, era mais um espantado com o dia a dia que cada dia vivia. Aos 35 anos deixou de estar presente, guiando-me desde lá onde os arquitectos deste mundo controlam as suas obras primas. Reaccionário, revolucionário, benfiquista, desportista de bancada e mesa de café, apostador nato de causas perdidas, riso fácil e falta de tempo permanente. Não tirou a carta de automóvel não sei se por falta de jeito se por falta de tempo. Nunca tive tempo de lhe perguntar. Haveria outras muitas coisas para lhe saber mas não houve tempo. Rumores muitos, saberes poucos. Mas criei em mim uma memória das vagas recordações que uma criança de 4 anos pode ter. Não me lembro de ter encostado a minha cabeça no seu colo e ter chorado alguma tristeza. Não me recordo de lhe ter perguntado a dúvida dalguma existência porque naquela idade eu nem sabia o que era a dúvida. Mas é o meu pai e foi
será sempre o meu herói. 
Na verdade não tenho a noção exacta do meu pai. Tenho flashs para definir o que eu sei ou sinto. Muitos pensamentos houve que fui criando à sua volta. cada estória ouvida parecia mais uma vivida. Mas de amigo para amigo lhe senti a presença junto à minha existência. As aventuras que eventualmente tivemos juntos ficaram na memória de galinha duma criança que não imagina que haja pontos finais  nas flores, espinhos nas estradas ou eclipses na vida. 
Bem, meu pai, eu sei que teria sido maravilhoso a nossa caminhada paralela se a presença dum fosse acompanhada da do outro. As tuas qualidades, por todos que te conheceram e me foram reafirmadas, eu sei que seria muito melhor do que sou, embora te diga que não te envergonhei em momento algum. Eu sei que desde lá me mandaste um exército de anjos para me proteger e zelar no meu sono e me guiar no caminho que eu optei por traçar.
Eu sei, meu pai que o olhar de Homem não é o mesmo do de menino, mas acho fui bom a interpretar a telepatia das qualidades que deixaste nos meus genes.
Meu pai, hoje farias anos e eu estaria ao teu colo a ouvir-te cantar o Sugar Sugar, segundo a mãe, era a única canção que sabias e mal, mas eu estaria feliz, mais feliz.

Sanzalando

16 de dezembro de 2018

Nem postais de natal nem sms, só telegramas

É noite de outono e quase Natal. Lá fora faz frio e aqui, na lareira queimo-me em divagações cada vez mais complexas. Eu sei que conseguia carregar todas as estrelas do céu como se fossem meus olhos brilhantes, todas as cores do arco-íris como se fossem a minha alegria, cada cacimbo como se fosse cada gota de suor. 
Por isso este ano não mando postais de Natal. Este ano dou mesmo só a minha bênção a todos para que consigam ser felizes, consigam sorrir e viver cada dia como se ele fosse o tal dia tantas vezes desejado.
Não, não vou mandar postais de Natal, nem sms nem nas mais variadas formas de fingir que me lembrei de todos com a mesma lembrança de todos os dias e de todos com igual forma. Talvez mande um ou outro telegrama, se é que ainda os há, porque em cada stop neles escrito eu poderei ler: sejam todos óptimas pessoas

Sanzalando

14 de dezembro de 2018

#caminhos


as contas do outono

Trovejou, não aqui mas lá do lado sul de mim. Aqui brilha sol com brilho que não é o mesmo de lá, aqui faz frio que não é o mesmo de lá, aqui venta com o vento que não é o de lá. E eu amadureço teimosamente todos os dias. O saber não é tempo gasto mesmo que as roupas vão ficando cada vez mais largas, mesmo que a forma não acompanhe a altura, assim como as ofensas já não têm a intensidade de outrora. Aumentei o campo de visão e tudo mais não é como um grande nada que vou completando com peças dum puzzle que o tempo me vai dando ao mesmo tempo que o tempo vai subtraindo-se.
Amadureço em todas as estações mesmo que faça já tanto tempo que descei de crescer. Aproveitei-me da juventude que tive e não crio que tenha deixado de ter vantagens. Cresço e amadureço mesmo que não seja à velocidade de outrora porque agora é outono e outros outonos quero ver. Invernos e primaveras como verões futuros hão-de chegar e eu, amadurecendo.


Sanzalando

13 de dezembro de 2018

Não é outono todos os dias

Ai tempo danado. Outono da minha esperança me enganas com o brilho do eu sol. Ao fim e ao cabo, mesmo com este tempo vou manter a minha essência e as minhas esperanças intactas. Não é por causa do tempo, não é por palavras menos doces, por olhares arrepiados ou suspiros de desespero que vou parar de acreditar que há gente de valor nos horizontes do meu pensar. Seria preciso uma tempestade, egocêntrica e orgulhosamente fria, para me fazer frente e fazer mudar de rumo. No fundo da minha alma acho que vale a pena continuar, sem pressas e pacientemente sorrindo.
Não é outono todos os dias

Sanzalando

12 de dezembro de 2018

hora da rádio

Hoje cheguei no RCM eram 6:30. O sr. Velim já ligou os emissores. Eu ligo os aparelhos que são de válvulas e têm de aquecer. Às 7:00 em ponto a gente tem de estar no ar, Sr, Ivo que é director manda e eu se não cumprir já sei que Sr, Eurico do cinema que também é director vai me mandar vir por telefone que até a alma vai corar. Do lado do Microfone vai estar o Veríssimo. Ou será o Edgar Teixeira,? Nunca acerto nesses dois parece estão a fazer corridas para ver quem é que é melhor, São dois gajos porreiros mas acho o Veríssimo mais intelectual, deve ser porque é do Liceu. Digo eu que sou kadengue e não percebo dessas coisas de escola industrial e liceu ou vice versa. O Edgar tem voz cheia que até a Roda está livre. Esse é programa de mais logo na tarde. Bobinas apostos. Sinal horário igual ao da emissora oficial de Luanda. Um dois três: está no ar. Hoje não barraquei, microfone entrou na hora certa e o noticiário de Luanda nem espinhas.
Veríssimo estamos aquela máquina. Anúncios locais. Os barcos que vão chegar e os que vão partir. Ali sem espinhas. A Câmara vai receber propostas em carta aberta fechada e lacrada... gargalhou em directo. Eu, sonoplasta que estava mais sono com casta nem percebi até que o telefone tocou. Sr. Ivo que não tira a mão do bolso ligou: que brincadeira é esta.... o resto da emissão decorreu sem problemas até que um pouco mais à tarde, nas ondas do mar, os senhores pescadores vão ouvir música a pedido do estilo dos Dez Mil Russos que mais não era que o Demis Russo. Fim de emissão que hoje não tenho a lista dos anúncios toda programada e tenho de a preparar para quando o programa da noite do Zé manel Frota e o seu TicTac.


Sanzalando

11 de dezembro de 2018

#comida


tempo de outono

Nem sol nem chuva. Cinzentamente outono. Vento nem brisa. Maresia sob um forte marulhar da maré quase cheia. Vagueio na areia a debitar pensamentos atrás uns dos outros. Ferozmente com medo que o tempo acabe. Desiludo-me. Calmo e sereno gostava de ser. Preocupar-me de véspera não é saudável, preocupar-me por problema sem solução é desnecessário. Devia deixar-me emblar neste ritmo frenético das ondas e espraiar-me em pensamentos longos e bagos.
As pessoas se perdem por tão pouco. Silêncios, indiferença e frieza. Quando a gente erra, quando a gente troca os pés pelas mãos, quando a gente tem medo de perder a gente pára. Lembra-me só que o meu lema é levar o tempo a rir, fluido, frágil porem seguro, mesmo que tenha que atravessar o meu deserto sob sol escaldante.
Seguro a minha mão, uma com a outra e acalmo. Deixo o cinzento dia passar à velocidade dele, deixo o mar marulhar violento e sorrio. 
Afinal de contas tenho o tempo que o tempo me der.


Sanzalando

8 de dezembro de 2018

medita em andamento

Lá fora faz sol parece voltou a ser verão outra vez. Abro a janela e me arrependo já que até o osso se arrepiou parecendo mesmo que fez um crash de partir. Não. Estou inteirinho, apenas tenho casaco vestido porque gelei a ponta do nariz. E quando assim é eu me interiorizo e medito. 
Imagina se não há mais nenhum amigo para te ajudar, imagina estás assim como que numa ilha deserta depois duma qualquer tempestade. Imagina carregado de dor sem saber onde é que dói, já que a dor da alma não se localiza especificamente. Assim te perguntas: quem sou eu?
Devo-te dizer que eu não sei quem és. Penso que és uns invernos frios vividos, uma gaveta de corações partidos, um molho de traumas. Solução? Eu tenho. Vai apanhar sol, bem agasalhado, te olha nas montras das lojas que se cruzarem no teu caminho, te admira reflexivamente e te ergue porque o tempo está a passar.
E passaram uns minutos desde que comecei a meditar até agora.

Sanzalando

#zulmarinho


#ciencia


#caminhos


5 de dezembro de 2018

amor no outono

Ser outono faz diferença. Faz sim que eu sei como doem os ossos, os músculos e até a pele. Mas neste sol de outono não é de dores que me apetece falar porque essa existe e existirá sempre, quer a gente sorria ou chore porque ela faz parte do que se chama vida. Além do mais a dor é uma tristeza que até dói.
Mas o amor. Esse amor de quatro estações e uns tantos apeadeiros chamados de micro-climas é que nem dá para definir direito. No verão é fácil porque até o tempo ajuda e a alma se expande. No outono é assim como que um desejo de abraçar, um retorno ao passado presente rumo ao futuro. Acho que é mais ou menos assim uma mesa carregada de projectos, manias, defeitos, disfarces, gostos e cheiros que acabam em sonhos de gente acordada. É assim uma divisão que ninguém quer separar nem dividir, é um desorgulhar egoísta. Mas amor não é só festa, pois ele também pode ser enterro. Se enterra o orgulho, o ciume, a vaidade, o egoísmo, desajustes e embustes. 
No outono consigo ver que o amor é também uma busca constante, um bichinho meigo que precisa ser alimentado, acarinhado, elevado à potência máxima.
No outono eu deixo também o amor entrar.

Sanzalando

4 de dezembro de 2018

ser verão como lá

Levantou-se o sol porem o frio não arredou pé. Me deixou aqui a tremelicar com um brilho nos olhos. Já neu eu sei se o brilho é reflexo ou consequência desse frio. É assim um modo de não sei distinguir. É um doer inexplicável, um conflito entre o sol e o frio e quem paga é o meu sensível corpo. Tento ser o brilho de mim mas com tanto tremelique até pareço cintilante. Se não fizesse tanto frio eu até que chorava as lágrimas que não derramei nos momentos de júbilo de pleno verão.
Com este brilhante dia de frio vou ser cúmplice na cama, vou fazer dela a minha morada até acordar e ser verão como é lá.


Sanzalando

#mangueira


#caminhos


#zulmarinho


Outono da minha desgraça, transporte da minha saudade

Tremo de frio. O nariz pinga parece dia de chuva e a voz quase não audível faz que eu permaneça em silêncio. Silêncio de outono, sem sol e sem vento. Dia claro porem escuro no corpo de tantas vestes temperadas.
Sinto frio. Um qualquer vírus me atacou vagarosamente e me derrubou sem que eu tivesse usado as minhas forças.
Sinto frio de gelar até a ideia de pensar.
Olho à volta, para lá da janela brilha sol que eu loucamente imagino de quente juventude que não sentia frio. Mas aqui tremo-lhe.
O vento nem se ouve de ausência.
Outono da minha desgraça, transporte da minha saudade


Sanzalando

30 de novembro de 2018

sol de outono

Tem dias em que o cinzento sol me faz esquecer e aquele abraço que me dás foi faz tempo que me esqueci. É sol de outono e se não me falha a memória eu vi-te à pouco mais de um segundo, se tanto. Quando vier o sol de verão eu sei vai ficar tudo bem. Acredito. ~
É sol de outono


Sanzalando

28 de novembro de 2018

amor por acaso ou à toa

Faz um lindo dia de outono. Lá, do outro lado de mim, sei que faz um lindo dia de verão. Estaria de calções e chinelos, caminharia, estou certo, para a praia. Mas aqui, casaco sobre casaco, numa cebolada textil, deixo-me levar pelo falso brilho quente do sol.
Na vida, tirando o presente que é real, o futuro que é imaginação e o passado que é memória, há coisas que acontecem por acaso e outras que acontecem à toa. 
Uma história de amor pode ser chata, melosa, sem pés nem cabeça, absurda, tipo coisa sem futuro, ou pode ser uma história de cinema, um romance de 600 páginas. Quem escolhe a história de amor? Isso é cálculo e vai dar errado, porque as nossas escolhas vão estar carregadas de compartimentos, espartilhos e agarrados ao passado, desimaginados de futuro.
Por isso o amor nasce por acaso.
Daí eu concluir que no outono, numa noite de muita chuva, num dia de vento forte, se acontecer duas linhas paralelas se cruzarem, não liguem, isso foi à toa, isso é imaginação e não vai acontecer nunca. Esse amor é perda de tempo porque o amor nasce por acaso e não à toa. Mesmo no outono quando o falso sol brilha.


Sanzalando

26 de novembro de 2018

o outono é fenomenal.

Chove que até parece o céu desabou num infindável lago esburacado. Nem sol nem sombra. Só se consegue espreitar a água que não para de cair e nem deixa abrir os olhos direito.
Assim sendo, sentado num varandim, olho o zulmarinho que curiosamente está lindo até parece faz pose fotográfica, e me deixo levar em ribeiros de pensamentos que vão desaguar em rios de memória. Me levei à adolescência, aos tempos do banco do liceu onde a pontualidade era ponto certo, não por obrigação mas para refrescar o olhar na colegas pontuais e bonitas que segundo a segundo chegavam.
Acho foi nessa altura que comecei a construção, a descoberta, o crescimento e a oportunidade de começar a amar. Abri o coração. Uma vez, duas, vezes sem conta. A esperança era receber em troca tanto amor como o que dava, ter saudade como a que eu tinha. Não é loucura amar, pensava eu. A dose certa, com e sem defeito, é a parte mais bonita da vida.
E nesta acto de meditação chuvosa segue-se um sol brilhante como não havia previsão fosse acontecer.
É, o outono é fenomenal.

Sanzalando

24 de novembro de 2018

Filosoficamente outono

Não é difícil ser-se feliz. Uma esplanada, um raio de sol,  um sorriso na cara e a felicidade de aceitar o passado como tal. Hoje sou assim, sorriso na cara porque me libertei,  consegui aceitar o meu passado, feliz memória de mim. Passeando nas ruas e ruelas do meu eu,  vagabundeando na minha existência,  olhando-me na alma, consigo ver o que cresci.
Não é possível viver a vida de outro. Falta o passado, essa pedra de toque para o presente.
É outono e eu me deixo levar pelo cacimbo que cai constantemente

Sanzalando

#lugares


#bebidas


#caminhos


#comida


recomeça o futuro sem esquecer o passado