recomeça o futuro sem esquecer o passado
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20 de março de 2025

divagação

Todos os meus caminhos têm destino mesmo que eu não saiba qual é. Não vagueio ao deus dará. Tem que ter um propósito nem que eu não saiba onde vou.
O destino é tudo, porque estou predestinado a ser o eu que sempre fui, ou que tento ser. Mesmo que eu não seja o eu que eu penso ser.
Delírio de uma noite de chuva ou apenas um desabafo de um calado ser vagabundo?


Sanzalando

18 de março de 2025

delirante vida

Despi-me de corpo e alma e desatei a sonhar-me. Não sei se fui longe ou se fiquei por mim, deitado no meu canto, aparvalhado de espanto e por enquanto nada fiz. Se eu fosse poeta desenhava corpos nus nas palavras sentidas, escritas com alma e transparentes. Mas tosco sou e esculpo arestas cortantes nas frases pintadas nas folhas amarelas do tempo.
Desistir-me nunca. Despir-me em transparências e caminhar em intransigências são vícios acrescidos numa vida livre, sem hospícios e outras dores mal doridas.
Vou-me embora das palavras que escrevi, são livres para irem onde lhes apetecer. Deixo-as que já não são minhas.

Sanzalando

17 de março de 2025

inverno e chuva

Era tarde e pouco havia para fazer. Lá fora a chuva caía persistente e copiosa o que me convidava para me manter em casa. Chuva e frio são dois ingredientes que me entristecem. Não sei explicar. Talvez o sol me faça ver o que nestes dias eu desconsigo.
Olhei pela janela e vi a água que corria pela rua abaixo parecia um ribeiro acastanhado.
Perdi-me a olhar para não conseguir ver mais do que a minha alma, triste e solitária num dia de inverno e com chuva.

Sanzalando

14 de março de 2025

vou

Hoje estou num modo de ir para onde o vento me levar. Perto ou longe não me importa, porque vou. Movimento. Quero sentir a vida e quero sorrir. Simplesmente sorrir. Mexer os músculos da cara sorrindo. Na verdade não é toda a altura que tenho tempo de estar comigo. Quero ver-me sorrir, quero voar pela mente sorrindo feliz por ter vida.
Já me deixei dessa coisa de fugir de mim e dos meus sonhos. É tão bom sonhar, sentir o corpo vibrar, estar em inquietação, ter pensamentos a mil à hora ou mil pensamento num instante. Vou onde o vento me levar, sorrindo.

Sanzalando

13 de março de 2025

Delírio

Tem horas que as horas passam a correr e tem horas que passam devagar. Tivesse eu vagar e faria o mesmo. Mas a pressa de chegar faz-me ter pressa de andar nesta vida contente. Um dia, no de amanhã indefinido, faria tudo para parar o curso normal pois contrariado morrerei e outros levar-me-ão sobre os seus ombros. Pesarei mais pois os meus pecados, por capitais que sejam não ficarão leves com a minha morte, pesarão na consciência dos que ficam a limpar.

Sanzalando

23 de setembro de 2023

preambulo

Já te disse não sei quantas vezes, talvez nunca directamente, mas deixei nas entrelinhas, o quanto eu te queria e desejava. Acho que o fiz de todas as formas possíveis e imaginadas, realistas e, quem sabe, abstratas formas usei. 
Quem diria que iam passar 44 anos de silêncio e com a forte possibilidade de, não havendo trovoadas ou outras calamidades, serem outros tantos de silêncio desértico?
Não imaginas as vezes que te imaginei encostada no meu peito a receber um afago ou um abraço. Quanto tempo demora um abraço? Os meus, imaginários duram a eternidade do silêncio e são tão calorosos como a profundidade do desconhecido fundo marinho. Te posso dizer que me deves uma vida, porque eu apenas sou corpo de um sonho sonhado na imaginação fértil de um adolescente que se perdeu na lonjura do tempo que passou depois do adeus.
O teu lugar favorito nunca o conheceste porque nunca estiveste entre os meus braços naquele abraço. 



Sanzalando

22 de setembro de 2023

querer eu queria

Mais uma tentativa de encerrar um ciclo. Acho chegou uma hora de fechar uma porta e abrir outra para seguir um caminho ainda não desenhado porem desejado. Não é tarefa fácil sair dum estado acomodado, dum pousio confortável, duns momentos felizes e importantes e começar do zero um outro incógnito, escuro porque não tem esquiço, porque não tem como comparado. É totalmente novo ou então seria mais do mesmo.
Não vou precisar de mudar de casa, de amigos, de lugar, de ares. É só mesmo mudar de palavras, de sentimentos escritos, de temas, de cores garridas tropicais para cinzentos outonais. Queria fazer as pazes dos meus pensamentos bagunçados, mesclados, mestiçados e pensar sem ansiedades nem despedidas, sem lágrimas nem saudades. Queria ter as palavras despidas de mim, ditas por um alguém que usasse as minhas letras.
Está na hora de fechar essa porta e voltar a um presente que embora passado tenha futuro.


Sanzalando

21 de setembro de 2023

acho é outono

Ainda não me disseram mas acho já é outono por estes lados norte do meu sul. À noite tenho frio e à sombra quase que sinto uma arrepio. O vento sopra mais forte que simples brisa. As folhas ainda não caiem mas simulam. Eu tenho o outono dentro de mim porque lá no meu sul está quase a começar o calor e assim sento eu refresco aqui. Na verdade eu sou rápido a esquecer o calor e a captar o frio. Uns são mais rápidos a esquecer promessas e a ferir corações. Na primavera e verão é que os corações estão ao rubro. Agora se agasalham, se resguardam e se preparam para passar um inverno clandestinamente disfarçados de ausentes. No outono em vez de suor se enche de saudade, em vez de gargalhas se sorri entre dentes com medo de gelar as entranhas.
Ainda não me disseram mas acho é outono. 


Sanzalando

20 de setembro de 2023

let it be

Ponho o rádio no on e ouço baixinho aquela música dos Beatles, Let it be. Há músicas bonitas e mais novas, me pergunto como se eu não soubesse a resposta. Mas esta é boa para ouvir assim no fim do dia. Naquele instante em que o dia já não o é e a noite ainda não caiu. É uma música da vida toda. Não me mudou mas se calhar de tanto a ouvir me moldou, me formou ou pelo menos me acompanhou.
Me acalma, me segura, me faz sorrir de nostalgia. Olho para o céu à procura da primeira estrela e o Let it be me acompanha na busca. 
Dá para imaginar a vida sem os Beatles? Desconsigo de todo. Ia ter de apagar as minhas paixões antigas, reescrever os meus modos de ser e de estar. Teria de olhar tantas vezes para as estrelas e sonhar outros sonhos. 
Let it be para sempre no meu rádio e assim poderei continuar a amar a vida como a amei a passada.


Sanzalando

11 de setembro de 2023

o tempo não cura

Dizem que o tempo cura tudo. Mas não é assim. Faz tempo que estou na sala de espera e ainda estou na mesma. Eu queria ser curado de morte de amor e nada. Amo como nunca e nem sei mais como fazer a tanto amor. Olho no horizonte e deixo o tempo correr mas as borboletas continuam a esvoaçar na barriga até que nem adolescente aguenta quanto mais eu que estou aqui sentado faz mais horas que o tempo se esqueceu.
O tempo faz lembrar, às vezes numa sensação de saudade e outras numa posição parece é tempestade. O céu escurece, o céu clareia mas o amor está lá assim feito brasa a queimar num fogo quente.
O tempo não esquece a verdade como apaga e desculpa a mentira. E a verdade é que faz tempo que eu queria ser curado e desconsigo. Amar assim até dá dor, consome o corpo duma alma fragilizada de saudade.
O tempo é que nem livro, não apaga mesmo que queimado e muitos foram os que se queimaram ao longo do tempo e hoje a gente ainda fala disso. Tem gente que queima tempo para ver se ele apaga mas nada. Não apaga nem cura. 
E é recordando o tempo que me lembrei que faz tempo eu escrevo a cura da minha alma e não me esqueço que há diferença entre perder tempo e esperar.

Sanzalando

10 de setembro de 2023

zulmarinado

Zulmarinado num zulmarinho quente de inverno ainda em verão, medito como que apurando sabores e desviando-me de dissabores, alinhando pensamentos e rasgando pesadelos para serem diluídos pela chuva que cai, dissolvendo-os na ínfima molécula duma memória. 
Se há quem adore estar à sombra duma laranjeira, outros dum imbondeiro e outros ainda de apenasmente estar ao sol como que a queimar neurónios, eu por incrível que possa parecer, gosto de estar zulmarinado no zulmarinho quente deste inverno ainda em verão. Não preciso de grandes voos ou espera de grandes planos para apreciar o meu fruto zulmarinado nesta marinada de zulmarinho. Não vou procurar nenhuma sombra ou protecção para esta carga de água que resolveu verter-se desde cima, se estando aqui, cochilando ideias ou dissolvendo tristezas, me sinto como que em casa, fruto da minha árvore placentária plantada num lugar divino, para lá da linha horizontal coberta pela cortina de chuva que cai. 
Zulmarimbo-me em busca de ser fruto da minha árvore familiar, do meu grupo herbário humanoide, se eu sou o que gosto de ser, quando me apetece ser.
Sou um zulmarinado zulmarinho que nasceu para lá de qualquer lugar que queiram dar nome. 


Sanzalando

5 de setembro de 2023

sempre morrendo de amor

Quem nunca passou as passas do algarve, quem nunca sentiu o calor do inferno, quem nunca esteve à beira do abismo é porque nunca viveu. 
Quando eu era adolescente, morrendo por amor a cada dia, eu via luz. Não era comboio na noite nem era o picas do cine Moçâmedes e ensinar o lugar aos atrasados habituais. Eu morria e eu ressuscitava. De e por amor é claro. Jovem adulto passou o mesmo. Morri e ressuscitei por amor. Adulto sem ser jovem repeti dose e agora, adulto que os mais novos chamam de kota ou simplesmente de mais velho, eu morro de amor. Eu não consigo ver a vida sem essa de morrer de amor.
Eu hoje ia sentar no caramanchão e ia ver as mais belas e as outras a passear na avenida, tal como fazia na adolescência inconsciente. Se calhar tinha que ir mais devagar e se calhar já não achava tanta piada às que na altura eu achava de belíssimas. São os ciclos que se me repetem sem eu dar o meu aval ou contrariar. 


Sanzalando

4 de setembro de 2023

instavel vida

Quantas vezes tenho de me equilibrar na corda bamba que é a vida. Se fosse linear seria o mais próximo de um marasmo de qual sempre quis fugir. Uma corda bamba sempre me leva ao desequilíbrio, ao desalinhamento, à busca do ponto certo de estar, à elevação do ser equilibrado, à procura de ser no estar, mesmo que para isso às vezes caia no ridículo de me auto-flagelar mentalmente. 
O terreno sobre onde assentam os alicerces da vida é instável pelo que estou adaptado e preparado para essa instabilidade. Os nossos parceiros, as nossas amizades, a sociedade é instável e a posição que desfrutamos na sociedade é-o também.
O progresso, outrora manifestação do optimismo radical e felicidade partilhada se alterou na dita instabilidade da corda bamba da vida. Hoje a estabilidade advém da instabilidade das mudanças, da inclinação de cada eixo de rotação individual. 
Se bem me lembro, o que antes era uma brincadeira de encher tempo, o jogo das cadeiras, deixou de ser uma distração e passou a fazer parte do quotidiano e a derrota que era motivo de chacota virou fonte de depressão e insónia.
E a corda continua bamba e nem apanhando o comboio da estabilidade o equilíbrio pode ser considerado estável.
Cada segundo é uma vida que não +perco de maneira alguma porque cada um me é importante, mesmo quando estou na pausa de olhar o zulmarinho e deixar os meus antanhos minutos me invadirem os pensamentos e fazerem-me navegar por sonhos e desejos como quando eu era criança


Sanzalando

27 de agosto de 2023

todo o lugar é a minha casa

Vivida a vida em cada olhar, em cada sorriso e em cada choro, que às vezes dou comigo vergado num apelo à terra que me viu nascer. Mas não. Cristaloide remorso não me verga, não deixar de ter os meus sonhos, de querer ter os meus futuros, porém a geografia não me é importante. Atrofiei ou alegrei horizontes na vastidão dos meus pensamentos, desejos e sonhos? É claro que tenho lugares favoritos mas nem todos são usufruídos de igual modo ou tamanho. Tem lugares predominantes que nem nunca mais lá voltei e estão ali, à mão de semear. Tem outros que de tão distantes passaram a ser lugares estados, idos, passados e nem sei se algum dia voltados. Mas tem tantos lugares lindos, às vezes basta só olhar no coração e recordar aquele instante. Não, não sou daqueles que já tirou tudo ao lugar e o esvaziou que agora moram na solidão. Essa solidão deve ser tão dolorosa que até mete medo só de pensar. Não, o lugar é importante a cada instante, sozinho, acompanhado, vivido ou apenas lembrado. Todo o lugar é a minha casa.


Sanzalando

26 de agosto de 2023

esquecer o passado

Me levo passeando por caminhos fora, às vezes meditando e outras apenas vagabundando. Maneira livre de estar na vida, sem amarras desamarráveis, sem ancoras inamovíveis, sem pensamentos escurecidos pela inércia do repouso ou o medo de os ter. Me dizem para esquecer o passado mas essa é a parte antiga de mim que me faz ter presente e chegar ao futuro. Vou esquecer a vida vivida? Deixa para outro, porque eu nem me consigo imaginar sem o meu querido e vivido passado. 
Podia apagar um ou outro pensamento auto-destrutivo, mas ia ficar ali a faltar qualquer coisa e teria de dar um espaço ao branco tempo de um silêncio. Os silêncios são importantes, menos os silêncios de apagados, os buracos brancos safados ou sobrepostos.
Me levo com tudo o que tive, até os silêncios esquecidos pela memória.


Sanzalando

24 de agosto de 2023

boiar feito pedaço de mim

Quando vou ver o zulmarinho não consigo deixar a cabeça num travesseiro e levar só o corpo. Eu queria deixar o corpo navegar nas ondas, sem consciência nem pesos, sem ancoras ou amarras, sem pontos de referencia, sem nada. Apenasmente o corpo. Mas a verdade é que o pensamento é como esse oceano de mares, tem marés, tem ondas que vão e vêm e não param nem um segundo. Vou fazer mais como? Tenho mesmo que ir com esta versão de mim, versão transformada em cor de verão, de pensamento ligeiro e palavras descomplicada na forma rápida de me entender no tempo.
Vou só assim balançar o corpo no sabor da maré e fazer de conta eu sou um navio à deriva e ver se os pensamentos abrandam nos sonhos e desejos, nos quereres e vontades.
Vou boiar feito pedaço de mim.


Sanzalando

23 de agosto de 2023

férias são férias

Tem dias que os dias parecem iguais e outros tão diferentes que a gente até que pensa pirou. Não foi fusível nem areia na engrenagem. É só um dia que é diferente para não cair na rotina duma bobina sempre a rodar para o mesmo lado a mesma música. Do tempo em que havia bobina. Agora tem necessidade duma pen ou coisa do género e toda a música cabe num botão. Imagina que tenho um puzzle de 1000 peças, ao abrir a caixa está tudo baralhado. Mas como sou teimoso, fecho e abano mais um bocado para ficar ainda mais baralhado. É tudo igual dentro da caixa mas a confusão me parece foi maior. Ilusão, está é só diferente. É como olhar para uma fresta do céu e ir buscar ideias à confusão, misturar com palavras obtusas e sai um trapézio feito monumento de letras baralhadas num mar de férias.
Agora me apetece ir de merecidas férias intelectuais


Sanzalando

18 de agosto de 2023

imaginário da vida

Olhei para trás, através dum imaginário, um aparelho capaz de voltar tudo atrás e rever. Faz conta é um filme com cada frame faz conta é um minuto da vida. Tás a me acompanhar? Vais ver há tantas coisas que a gente nunca falou que parece até nem existiu. Vais ver e até há gente que não existiu apesar de aparecerem muito. Me acompanha neste imaginarium e vais aprender coisas novas que até parece é magia ou só coisa de bruxa.
Tem gente que nos fez tremer porque nos viu assim como que apenasmente felizes. Questionou se era normal ou se era fruto dum ou outro copo a mais.
Tem gente que um dia te disse que te gostava e num ápice olhaste e estava um vazio que até transbordava de cheio de nada..
Tem gente que pergunta a pergunta mais inocente de magoar só para te ver chorar. 
Tem gente para todos os gostos e feitios. Recua só nesse imaginário e vais ver cada esquina um amigo que petrificou e te deixou de ver.
Tem momentos da vida que até parece são brilhantes de luz e outros tem escuro que nem o mais escuro quarto consegue lhe segurar tanto escuro assim. 
Se todos os dias fizeres um exercício assim tu vais ver... pouco a pouco cresces pareces és rei de ti.


Sanzalando

17 de agosto de 2023

meus retalhos

Há quem pensa eu fico doente quando a cabeça olha para trás enquanto a vida corre para a frente. Sem erro ou engano esse olhar é para ver onde eu andei. Não tem que lhe esconder, não tem que lhe mascarar. Eu conto verdades mesmo que elas só passem na minha cabeça, na minha vida ou na minha imaginação. Tem estórias que são pedaços de um mim que eu às vezes já nem lembro direito como é que foi e tem outras que eu sei são verdades de alguém que se apagou da minha memória. Eu podia dizer que nem a minha memória é original, mas como é minha eu não lhe posso denegrir ou tirar importância. É parte de mim. Pedaço de vida. Fragmento ou retalho do meu caminho.
Quem é que vai esconder o meu rasto? Pelo menos eu lhe quero lembrar até que possa.


Sanzalando

11 de agosto de 2023

ser poeta

Nem que morra o último poeta, o mais silencioso dos poetas, a canção de amor não para. Não poderia haver bailes sem canções de amor, não poderia haver romantismo sem poemas de amor, não podia haver magia sem poesia. Os pares de namorados não teriam com que falar, os zangados não teriam como exultar. Mesmo que digam que a poesia não literatura nem arte o que seria da vida sem rima, o que seria a saudade sem a paixão poética duma recordação?
Pena minha não ser poeta e escrever versos de encantar, trovas de enganar ou canções de apaixonar.
Ser poeta era um sonho, um fingir que me moldou, um vazio que enchi porque ser poeta não é um querer, é um dom. Não o tenho, pelo que rabisco crónicas de louvar à saudade positiva, ao amor como lição ou só ao tempo que o tempo me dá.


Sanzalando