recomeça o futuro sem esquecer o passado
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24 de dezembro de 2020

Natal de 2020

Não pensei se este é lugar indicado ou a forma mais correcta de o fazer. Faço-o de livre e espontânea vontade, porque já não se usa o postal dos CTT nem o telegrama. 
Seguramente este ano terá corrido bem, menos bem e mal; terá havido guerras, guerrinhas ou falas mais pesadas; terão julgado, sentenciado ou penalizado o que quer que seja. 
De certo houve noites mal dormidas, ansiedades e medos. Alguém ter-se-á sentido tóxico e  alguém, o mesmo alguém do anterior ou outros, pouco importa, sentir-se-ão os mais felizes do mundo.
A verdade é que chegou o Natal e termina o 2020 tal como ele foi, um ano atípico em múltiplas vertentes.
Todos somos sobreviventes nesta vida que é feita de mil coisas instantâneas em que apenas o futuro é desconhecido.
Depois destas palavras todas quero a todos os colegas desejar um Natal feliz e um ano novo carregado de coisas boas, ao sabor de cada um.

João Carlos Carranca, um blogger à mão

Sanzalando

21 de dezembro de 2020

Eu e o natal 2020

E quando o ano inicia e o natal passou a gente faz programas a pensar no próximo natal. Agora chegados ao natal a gente faz mais mil perguntas sem responder aos programas pensados no antigamente do ano. O que é que eu vou vestir? Com quem é que vou passar o natal? Que é que eu vou comer no natal? 
Mas eu fiz tudo o que pensei antes? Já não me lembro porque o natal chegou depressa demais. 
Tem gente que vai comer? Tem gente que tem o que vestir? Tem gente brigada que nem falar vai e tem gente que vai ouvir esse silêncio? 
Nos outros natais eu revia a família próxima e a que estava afastada e os amigos festejáva-los com postais de selo dos correios e ou telegrama. Depois veio a era moderna e foi por e-mail, por mensagem, por tanta app que já nem sei mesmo como poderia responder sem repetir ou falhar.
Neste natal, porque tudo vai ser diferente, porque tudo é diferente, porque eu estou diferente, eu vou pensar nas pessoas tristes, vou olhar nas crianças de rua desse mundo, nos idosos sem família de sentir carinho. 
Eu todo o ano vejo crianças tristes e não lhes dou presente. Este natal vai ser diferente: não lhes dou presente mas lhes dou o meu pensamento e imaginação para ver se depois eu deixo de as ver triste.
Todo ano eu vejo os idosos isolados, alguns mesmo abandonados. Não lhes vou dar presente. Vou usar o meu poder, se o tiver, para que para o ano eu não lhes tenha de pensar.
O meu natal nunca mais vai ser o mesmo, nem que eu tenha de mudar o mundo.


Sanzalando

12 de novembro de 2020

natal é quando se quiser

Olho na minha volta e penso que o Natal é quando a gente quiser. Foi sempre isto que ouvi e agora vou mudar mais porquê? Prendas e comida à farta? Te portaste bem? Tens fome ou gula? Coisas pequenas para dar importância ao Natal. Festa da família é quando e como a gente quiser. Começo hoje a dar as minhas prendas:
- Um soco forte no estômago àqueles que se preocupam mais com o durar para sempre do que disfrutam o que têm;
- um pontapé na bunda aos que pensam que são o centro do universo, o ponto primordial da existência
Hoje fico por aqui a preparar a minha ceia natalícia a somar os ocasos e as subidas da minha montanha russa que é a minha vida. Feliz que sou.


Sanzalando

16 de dezembro de 2018

Nem postais de natal nem sms, só telegramas

É noite de outono e quase Natal. Lá fora faz frio e aqui, na lareira queimo-me em divagações cada vez mais complexas. Eu sei que conseguia carregar todas as estrelas do céu como se fossem meus olhos brilhantes, todas as cores do arco-íris como se fossem a minha alegria, cada cacimbo como se fosse cada gota de suor. 
Por isso este ano não mando postais de Natal. Este ano dou mesmo só a minha bênção a todos para que consigam ser felizes, consigam sorrir e viver cada dia como se ele fosse o tal dia tantas vezes desejado.
Não, não vou mandar postais de Natal, nem sms nem nas mais variadas formas de fingir que me lembrei de todos com a mesma lembrança de todos os dias e de todos com igual forma. Talvez mande um ou outro telegrama, se é que ainda os há, porque em cada stop neles escrito eu poderei ler: sejam todos óptimas pessoas

Sanzalando

22 de dezembro de 2016

o verdadeiro presente de Natal: a família





Sanzalando

Boas Festas Zulmarinho

Acendi a lareira. Inverno. Natal. Faz um frio do caraças. Dizem aqui faz bom tempo. Me enganam e parece eu deixo. O zulmarinho é azul. Pois, mas está gelado. 
É Natal. 
Faz árvore. É de plástico ou real. Importa é o espírito. Tem luzes e cores. É festa!
Faz frio. É inverno. Inferno. Mas o pior frio é o interno. Aquele que gela até o coração. Acendi a lareira para não sentir o frio do caraças. Estou em festa. Todos me dizem Boas Festas.
É assim o espírito. Oferendas. Intenção.
Não ofereço meias palavras, nem palavras completas, não ofereço promessas nem ilusões. 
Boas Festas.

Sanzalando

24 de dezembro de 2012

Dizem hoje vai ser Natal

Boas festas como se houvesse festa.
Quem não tem festa vai fazer mais como? Responde mais o quê?
Boa Noite de Família


Sanzalando

25 de dezembro de 2007

33 - Estórias no Sofá - te conto do Natal

Frio. Frio é mesmo mais que muito. Pela primeira vez na sua longa vida, Orfaneto, nome que não é dele mas só lhe resta agora esse porque os outros ele esqueceu faz muito tempo por falta de uso, decidiu passar o Natal na Aldeia. Não foi na Aldeia dele que ele é homem de cidade, mas que por ajuntamento lhe foi emprestada. Mais de metade da sua vida o Natal foi passado sob calor tropical, outra parte se podia dizer que sob temperatura sub-tropical que não era menos de 10 º C. Mas este ano ele decidiu que, Natal como sempre tinha aprendido, era com frio mesmo. Por azar dele não nevou nem está previsto nevar. Ainda não é hoje que passa o Natal de neve verdadeira. De diferente mesmo dos outros natais é só o frio que lhe faz doer as carnes, porque os músculos estão em trabalho invisível de lhe aquecer.
Mas ele é homem de palavra por isso ele mostra na cara um sorriso de quem está bem. Uma ou outra tossidela denuncia o frio que sente e tenta disfarçar com actividade de ajudante. Desajeitado por falta de vontade já esteve na cozinha, já arrumou coisas na mesa, já foi às compras de última hora. Não, não lhe apetece ajudar, mas para se aquecer ele faz mesmo o impossível se for possível.
A mesa está composta com fritos, caramelos e outros muitos doces. Hoje é dia do pecado da gula. Todos aguardam o bacalhau que ele teima que não gosta, por isso espera o polvo cozido. Diga-se que ele não é grande apreciador mas nesta quadra ele está pronto para quase todos os sacrifícios, depenicar um pedaço de polvo e enfardar-se nos doces fritos e nos doces que lhe fritam a saúde.
Não é nesta altura que se escondem os defeitos, se disfarçam os feitios, se arrumam num canto os ódios e outras coisas incompatíveis com esta data e se sacrificam orgulhos e comportamentos? Este é um dos sacrifício dele, comer polvo cozido que deseja não esteja assim parecido é chuinga. Outro é responder as mensagens colectivas que lhe enviam como que a lhe dizerem que não se esqueceram dele e lhe desejam tudo de bom e coisas parecidas. Ele manda uma a uma, mesmo que o texto seja igual e diga apenas BOAS FESTAS. Fez com antecedência. Agora é o recebimento das respostas. Uma atrás da outra. Umas simples como a dele, outras rebuscadas num humor que não lhe tiram do sério. Ele quer lá saber se não vai haver Natal porque o Pai Natal morreu a rir quando lhe disseram que ele se tinha portado bem. Olha, ao menos hoje Sicrano se lembrou eu existe, é o máximo dos comentários que ele pode esboçar. Uma ou outra vez toca o telefone. Ri com satisfação e se lhe consegue ver que está mesmo feliz. Dos quatro cantos do planeta lhe ligaram. Tá visto ele gosta do Natal ao vivo e cores. Ele fala e os olhos brilham. Todos os telefonemas lhe fizeram isso. Os esperados e os inesperados.
À meia noite, por impossibilidade da presença do Pai Natal um dos presente ia fazendo assim uma espécie de chamada e entregava o presente. O nome dele não saia. Ups! ele aí está… de rasgão se desembrulha o que ele sabia era um livro.
Se sentou no sofá depois de se embrulhar numa mana grossa, a pele da barriga se esticou em forma de pança depois de desapertar o botão e o cinto, mergulhou nas letras d'O terrorista de Berkeley, Califórnia, e o Natal continuou à volta dele.
Sanzalando