Sanzalando
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31 de outubro de 2011
baralho de memória
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28 de outubro de 2011
envelheci
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26 de outubro de 2011
na praia
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24 de outubro de 2011
o amor da minha vida
Atirei os pensamentos para a baía e me deixei voar atrás deles como se quisesse ver-me por fora, lágrimas escorrendo na cara. Tinha machucado o coração. Meu coração adolescente tinha levado a sua centésima porrada de amor. Uma vez mais eu era ignorado e ali na falésia eu podia chorar que da marginal ninguém me ia ver.
Me levantei e me dei comigo a dizer que ninguém escapa a um mal de amor. Me dei força e prometi nunca mais amar sem limites, me entregar de alma e coração. Meu amor passaria a ser só na superficialidade da pele. Me prometi com a convicção que eu sabia que ia cumprir, pelo moenos nos próximos minutos, enquanto me lembrasse deste terrível desgosto que me estava a afogar um coração adolescente.
Te digo que tinha feito muitos sonhos da gente juntinho numa varanda de cadeiras de baloiços a contar nos netos a aventuras que a gente ainda ia viver.
Me antecipei e não me vi num outro desgastante desgosto.
Depois de levantado, olhei a estradinha que passa lá em baixo, recta grande que é em curva, imaginei tantos lugares, alguns que até não tinha nunca ouvido falar porque não tinha ido na aula de geografia, se calhar. Acho até sonhei que ia escrever o nosso livro, um romance de amor daqueles que ferve só de olhar a capa. Mas, dizia, olhada a estradinha decidi que não ia mais sair daquela cidadezinha, não ia mais sofrer de amor e o meu mundo não ia mais para além do meu olhar.
E foi assim que nunca mais esqueci o amor da minha vida.
Sanzalando
21 de outubro de 2011
desbarato-me misticamente
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12 de outubro de 2011
um dia faz muito tempo
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7 de outubro de 2011
relembrando o carro de rolamentos e outras coisas
Sanzalando
4 de outubro de 2011
faz hoje sete anos num parece foi ontem
Lentamente que nem lesma o tempo passa. Vagaroso parece até está cansado ainda antes de começar a contar na relatividade rápida duma vida que parece é um segundo olhada desde aqui, futuro de ontem.Sanzalando
19 de maio de 2011
minha velha cadeira
Me deixo estar sentado na minha velha cadeira onde fotografo as memórias que vou recordando. O marulhar quase me adormece e me entrego letargicamente ao voar sobre pensamentos e verdades que eu acredito serem verdadeiras mesmo que não tenham acontecido, me deixo ser mais puro sendo tal e qual sou, sem necessidade de maquilhar ideias ou preconceitos. Me deixo sonhar de lábios cerrados em silêncios mentais filmes que vivi num ecran de pensamentos.Sanzalando
15 de maio de 2011
espreguiçado
Espreguiçado na areia que ainda não é escaldante sonho com o cacimbo que devia cobrir-me como um lençol, mas eu me mudei e agora estou num calor que ainda não é tempo dele. Mas afinal de contas eu não sou um ser de silêncios que é compreendido por mim e pelo meu eu? Portanto tenho cacimbo, tenho sol quente, chuva, vento e frio quando me apetece. Basta só meter-me no meu silêncio e ir buscar na memória um estado de alma.Sanzalando
28 de abril de 2011
sonharei
Me deixo entrelaçar nos pensamentos enquanto respiro o ar que vem desde o outro lado do zulmarinho. Digo eu porque sopra vento sul.Sanzalando
3 de maio de 2009
Capítulo Primeiro (13 e último)
Sanzalando
2 de maio de 2009
Capítulo Primeiro (12)
Eu já voltava a parecer que me tinha encontrado depois de uns tempo de não saber de mim. O cabelo que estava branco se acinzentou, as rugas da cara se suavizaram num marcar de tempo acariciador e os olhos voltaram a ter brilho no olhar. Regredi na idade, recuperei a juventude, porque me sentia uma criança que tinha recebido uma sua prenda.
Um dia num avião, sentado enquanto fazia filmes de memória e imaginação, criava estados de espírito, calcorreando madrugadas passadas das noites não dormidas que fizeram com que eu lhe sentisse cada vez mais perto, mesmo lá em cima, não sei quantos pés de altitude.
De lágrimas escorrendo pela cara eu a abracei como se ela fosse uma coisa abraçável mal abriram a porta do avião. Parei na porta. Olhos fechados e inspirei tão fundo quanto podia. Acho recebi aquele ar pelos tantos anos sem lhe sentir.
Doía o peito e eu estava na minha terra. Caiu uma lágrima embirrenta.
Abri os olhos e olhei para o lado, instintivamente, mas não eras tu que estava ali segurando o meu braço, prevenindo qualquer acidente de percurso e soluçando por solidariedade. Tinhas-te esquecido de mim e eu já fazia tempo não me lembrava de ti. Mas ali, naquele instante, vieste-me à memória como que eu estivesse a me vingar. Eras mesmo passado… e eu não estava ali a sonhar, era mesmo realidade. Por ti tinha-lhe abandonado e sem ti estava regressado.1 de maio de 2009
Capítulo primeiro (11)
Enfim, por acasos da vida dei a volta à mesma e continuei na constante mudança em busca da alegria que tinha perdido já quase sem me lembrar que fora por amor adolescente.
30 de abril de 2009
Capitulo Primeiro (10)
Amadureci. Cresci, sem saber bem em que é que isso possa ter sido importante quando afinal de contas eu sempre me senti um suplente, um transitório passageiro deste canto. Eu nunca me tinha sentido o actor principal da minha vida. Aos poucos fui-me transformando noutro, cicatrizando feridas, algumas de tal modo imperceptíveis que tenho apenas uma vaga ideia, outras ficaram bem feias que até arrepia quando lhes olho a razão. E foram-se passando sucessivas férias de verão e os seus amores foram com elas e em mim mais amadurecia o sentimento de despedida, a provisoriedade. Mais doía a ausência do meu chão sob os meus pés. Inexplicável. Enlouqueci, pensei eu. Às tantas eu já dava por mim a desejar desejar-te outra vez. Tantas e tantas vezes gaguejei ao tentar dizer o que é que sentia. As palavras não tinham sentimento nem iam embrulhadas nas lágrimas que eu para dentro chorava cada vez que tentava dizer o meu estado de alma. A terra me chamava, dizia eu carregado de medo da chacota que constantemente recebia. Eu acho eram momentos de nostálgica adolescência saltada.
Não consegui ter um momento apenas para mim, mesmo não deixando de correr a vida. Não a vivia, sobrevivia-a.
29 de abril de 2009
Capitulo primeiro (9)
De maneira inconsciente e de alguma forma imprecisa, comecei a sentir a tua presença em todos os meus lados. Onde quer que fosse eu senti-te ali a censurar-me ou pelo menos a inibir-me. O inferno se me ardia na consciência e qualquer sítio me fazia recordar de ti e como o mundo é pequeno, todos os lugares que eu inventava julgando poder fugir-te da minha imaginação eu te sentia, pelo que estávamos juntos mesmo quando eu não te queria por perto. Um inferno que, num ritual de sofrimento diário, se foi esfumando, transformando-se num ritual de geografia em que, em vez de ti, eu ia encontrando semelhanças com os meus lugares de criança. Se eu antes queria saber o que lias, passei a querer saber como era a vida lá. Se eu queria sentir o teu perfume, passei a sonhar com o perfume da terra molhada. Tudo mudança lenta, como que um carro de bois carregado de toros de madeira numa íngreme subida me passasse por cima, rangia em cada salto do meu pensamento, baralhava-me o sangue com a carne numa mistura de dor e paixão. Só te digo que a minha cabeça era como um tornado permanente, turbina duma qualquer barragem hidroeléctrica.
Se eu antes pensava estar contigo, a dada altura eu só queria estar nela. Em cada instante eu imaginava a minha despedida desta consciência sobressaltada para a serenidade do estar nela. Em cada instante eu sonhava um aeroporto, dezenas de amigos de lenço no ar a me desejar um regresso às origens como eu tanto imaginava.
E a vida ia correndo à velocidade certa de 24 horas por dia.
28 de abril de 2009
Capitulo primeiro (8)
Que se lixe se eu larguei tudo para calcorrear as ruas de Lisboa para te encontrar num dia qualquer de Inverno, sabendo que com esse gesto eu estava a rasgar folhas da minha vida.
Mas que importância tiveste na minha vida?
Nenhuma. Porque esse tudo foi um nada, coisa nenhuma.
Perdoa-me por tudo o que tenho estado a dizer-te mas a verdade é que neste reencontro comigo eu voltei a encontrar-te nas página amarelecidas da minha memória e já não sei qual o formato do teu rosto, a largura das tuas ancas, o brilho dos teus olhos. Já nem me lembro a dimensão do teu sorriso. Ris? Não me consigo lembrar. Não sei se é por esquecimento meu ou se é mesmo porque trinta anos é muito tempo.
Eu acabei de segui o meu rumo e olhando para o lado tu não estavas ali e as tuas palavras mais recentes, que eu me lembre, foram há uns trinta anos lá para trás:
- Diga? Não o conheço!
Seca, amarga e arrogantemente me falaste quando depois duns pares de anos sem te ver perguntei pela família num encontro casual e tantas vezes clandestinamente por mim desejado..
O convite que me tinhas feito para esperar uns anos e que eu por alguns dias me esqueci porque era jovem, irrequieto no olhar e pouco egoísta no amar, acho foi a razão de teres batido com a porta da amizade duns tantos muitos anos. O meu coração estremeceu e parecia que tinha apenas lugar para a dor.
27 de abril de 2009
Capitulo primeiro (7)
Pouco me importa se passei horas à varanda para ver se te via, se ia à praia só para poder estar mais perto de ti, estando-me nas tintas se a água estava fria ou o mar estava carregado de pica-pica, se os amigos estavam a jogar à bola e ela para mim fosse um instrumento de atrapalhação, se as mapundeiras tinham dado à costa ou não, desde que eu te pudesse ver no teu biquini azul debaixo do toldo cor de laranja mais ou menos frente ao ecran de cimento armado.
Pouco me importa o que é que possas pensar dos momentos, poucos, em que ia ao cinema e tinha o imerecido prémio de me sentar a teu lado porque a tua mãe não podia ir por causa dumas quaisquer dor de cabeça. Quero lá saber o que é que pensavas quando passeavas no diário passeio dos tristes, às 18 horas de todas as tardes, e me vias aqui e pouco depois ali, não sabendo que eu tinha que dar uma corrida de tantos à hora para poder estar em dois lugares quase ao mesmo tempo, escondendo o cigarro que se me colava nos dedos e que eu pensava que me transformava num adulto precoce.
Que interesse tem que eu tenha passado a ser um aplicado aluno a partir do momento que tu me passaste a dizer olá? Quem é que vai dar importância ao orelhudo magríssimo e cabeludo que tudo o que fazia tinha em vista te agradar. Bem, quase tudo. Nunca consegui aprender a jogar ténis. Mas aprendi a fazer vela. Mal, eu sei. Desde que eu pudesse estar no vourrien... mesmo quando a retranca teimava acertar-me na nuca de modo a que eu visse estrelas em plena manhã.
Mas que importa isso?
25 de abril de 2009
Capítulo Primeiro (6)

E passo a avisar-te que tu não vais fazer parte desse futuro. Nem que fosses capa de revista, nem que pintasses de cores berrantes a minha alegria, nem que apagasses os traços de solidão da minha existência. Eu decidi assim e hoje declaro que a autodeterminação me chegou na razão de ser lunático as vezes que me apetecer, de viver num apartamento sem memórias, adornado de risos e gargalhadas à toa, beijos e carícias condimentadas na vulgaridade de ser vulgar.
É, hoje declaro que sou livre de ir onde me apetecer e voltar sempre que quiser, repousar em afectos de palavras ditas ou sussurradas sem ter de pensar que algum dia tu foste o meu capricho.
É, hoje declaro que a minha História vai ser reescrita como bem me apetecer e tu serás mero figurante num capítulo, numa frase. Sei lá, quando a reescrever logo ficarei a saber qual o papel que te atribuo. Enfim, uma palavra hoje, um passado amanhã.
24 de abril de 2009
Capítulo Primeiro (5)

Mas para teu governo ficas já a saber, se eu nascesse hoje, eu queria que tudo fosse quase igual ao que foi. Quase… escusas de estar para aí a pensar que eu me estou a vergar assim numa de desculpa qualquer coisa e olha lá para mim. Não. Eu sei que tu és parte ainda não arrumada da minha vida. Mas também não se pode ser perfeito e ter todos os cantos bem vincados como quem acabou de passar umas calças a ferro. O mais importante é que deixaste, faz muito tempo, de ser parte diária de mim, mesmo que eu de vez em quando me perca a pensar em ti como se fosses um parêntesis da minha ordenada e perfeita vida. Gargalhei porque repensei no seres ainda parte não arrumada… és um passado assim mais ou menos atirado a um canto que eu de vez em quando rebusco, assim numa foto vestida em vestido de jornal quando tinhas os teus 10 anos ou coisa que me valha, num passeio de fim de tarde como um passeio dos tristes na rota dum carro feito comboio que não sai do carril. Já sei, estou isto e mais aquilo, que vai desde a dor de cotovelo até ao ciúme… pensas tu. Não, se calhar estou a revisitar a minha casa sem móveis, de parede descorada e janelas sem tempo a que se chama de passado para poder ter futuro que começa amanhã.
