recomeça o futuro sem esquecer o passado
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24 de outubro de 2016

regressado

Eu fui viajar. Desloquei-me uns tantos fusos para leste. Vi prédios que nunca imaginaria ver. Vi jardins onde não pensava poder haver. Eu cruzei-me com gente rica, falei com gente pobre. Eu vi um mundo muito diferente daquele que estava habituado a ver. Não, não fui à praia nem fiquei de papo para o ar a respirar destresssante. Eu fui aprender. Eu fui ver com olhos de ver coisas. Eu fui sentir. Eu perdi-me de amor por aqueles recantos.
Mas surpreendente foi o recado em sms para ver o facebook. Não pode ser!!!! 
Surpresa.
O que faço agora? Espero e de preferencia sentado a olhar para as mil e seiscentas fotos que cliquei no lado leste para onde eu fui aprender que o mundo não termina ali onde os meus olhos conseguem ver.
Parabéns a Arthenis que tão bem, como é seu hábito, me alinhavou ums posts por aqui.

Sanzalando

10 de maio de 2011

perdidamente

Translado o meu corpo inerte dum pensamento para outro. Divago num vagabundear de ideias como medo de me fixar numa. É assim a minha vida e por isso é que me dizem que o amor dói e se não doer não é amor. É assim que deixo a minha lucidez por aí num descampado assoreando baías, embelezando imagens, criando expectativas e desvirtuando realidades. Talvez seja esta minha escondida loucura que me dê coragem para fazer coisas que a minha seriedade não me permite nem imaginar.
Talvez eu nem seja um ser existente, pedaço de átomo que imagina que tem um corpo, esbelto, magro, ginasticado e ornamentado por farta cabeleira delirante a pensar que tem pensamentos reais a partir de sonhos virtuais.
Translado um corpo num pensamento inexistente com medo de pensar que um dia eu possa ser realidade sem te ter a meu lado como o corpo deseja e a mente desconsegue. Amor de verdade não acaba assim dum momento para outro por isso vagabundo-me por aí num perder-me sem fim.

Sanzalando

9 de maio de 2011

minha praia

Sentado na areia da minha imaginária praia, que, por pura coincidência, é igual que nem a praia da minha infância, me vou elevando de imagens em imagens como se fosse uma escadaria de sonhos. Alguns parecem que estão embrulhados em papel de prenda e decorados com vistosos laços que formam corações e sabem a beijos desejados e transcritos em versos de amor. Outros, avulsos, sabem a mar, sabem a inocência, sabem ao gosto naif da vida desenhada num qualquer pedaço de areia de maré baixa.
Sentado na minha praia curo as feridas dos pesadelos, seco as lágrimas das desilusões e me embalo à espera desse futuro que não sei se terei tempo de lhe ter.

Sanzalando

7 de maio de 2011

porque será?

Circulo de pensamento em pensamento à espera de encontrar um último. Viajo por dentro de mim desde o começo, passo pelo meio e me detenho no fim que é um agora. Lembro-me de tudo, das gargalhadas, das lágrimas, da insignificância, da importância, ignorância e sabedoria. Eramos um eternamente na eternidade que acabou por causa dum outro amor. Eramos um que iriamos construir um mundo ao nosso jeito de ser e acabámos separados na maneira de viver.
Circulo de pensamento em pensamento e ainda me detenho em ti. Porque será?


Sanzalando

30 de abril de 2011

saudade

Sinto saudade de, com a minha cara amarrotada de sono, depois duma noite não dormida, olhar em frente e ver-te sorrindo, perfumada, quente e sempre a olhar-me ternurenta.
Sinto saudade de, com o cabelo desgrenhado pelo vento, poder sentir-te e falar-te como se fosses a minha outra pessoa.
Sinto saudade de, tossindo fumo dos cigarros devorados, estarmos unidos na máxima distância dum zero.
Sinto saudade do tempo.
Sinto saudade de metade do tempo.
Sinto saudade de qualquer fracção de tempo que estive contigo.
Sinto saudade de chorar-te, gargalhar-me, pular e estender-me sobre ti.
Apenas sinto saudade.

Sanzalando

29 de abril de 2011

temperalmente

E aos poucos fui-me esquecendo das tantas coisas que já disse, dos tantos sítios por onde andei e  mais aqueles em que me inventei.
Eu sei que é loucura jogar fora tantas tentativas de ser feliz e saber que ainda não encontrei uma maneira de dar certo. Mas eu insisto até me esquecer outra vez. Que é que queres, se eu me esqueço e insisto em deixar o nosso amor num subentendimento estático de palavras avulsas que povoam a minha esfera de acção?
Ai, como é estranho já ter apanhado tanta vida e achar que ainda vou no início.
É, um dia eu achei-te especial, marquei-te-me nas tatuagens da memória e agora levo-te comigo em cada instante temperamental.
Porque é que as tatuagens são inapagáveis? Mesmo as que ficam gravadas na memória? 
Ai que um dia vou ter de inventar um remédio para curar feridas antigas, mesmo que as não veja, apenas sinta.
Aos poucos vou aprender para pôr em prática tanta lição de amor.







Sanzalando

27 de abril de 2011

dói

Me atiro por aí num descansar eterno, sabendo que esta eternidade não é mais que pouco tempo, o suficiente para eu estar de cabeça lavada e me esquecer que a saudade dói, que o amor dói, que ser feliz dói. Afinal de contas as coisas boas doem... Já não sei se quero ter coisas boas. Saudades não quero ter porque senão eu me vou lembrar do biquini azul que tinha para mim a serenidade de deusa e me fazia ficar desastrado quando ficava ao lado dela num normal nervosismo; ainda me vem à lembrança as corridas que eu dava nas perpendiculares para lhe ver passar nas paralelas. Não quero ter saudade por dói. 
Não quero ter a cabeça lavada, pois ainda me vou recordar da mini mota azul que me levava quase até no aeroporto velho só para puxar banga de quem nem tinha bicicleta.
Não me vou atirar por aí, vou apenasmente ficar por aqui a ver se me esqueço que um dia eu chorei por amor. E isso doeu!
Vou ficar por aqui à espera da mandioca e não vou nem me lembrar que eu não sei como é que é mandioca quando não vem no saco que diz: Mandioca.



Sanzalando

26 de abril de 2011

Poema dum samba sem música

Já disseram que eu era louco,
outros que era serio de mais,
que ser feio era pouco,
e lindo é que não estás.

Já me elogiaram
me xingaram
maltrataram
e gozaram.

Eu apenas sorri
porque sei que não vou mudar,
que o meu jeito é assim,
não vale se quer tentar.

Foi assim que agarrei no violão e parti rua abaixo. Eu ia fazer sucesso na música. Aprendi uma nota. Mas devia ser falsificada pois não dava jeito eu fazer música com ela. Os dedos se feriam e o som mais parecia uma chiadeira que qualquer tentativa de musical. A rima era imperfeita e o assunto não arrastava multidões.  O futuro não estava na música, nem na letra. Até hoje não sei cantarolar, nem em silêncio, uma única canção. Mas eu gosto do meu samba sem música, esse ou outro qualquer, que eu invento nas minhas noites de luar em que serenato-me como quando eu tinha a idade de não ter barba. Só que agora já não tenho mais a companhia dos amigos que sabiam que eu nunca ia cantar, ia só mesmo mexer os lábios e mostrar os olhos brilhantes de paixão.



Sanzalando

13 de abril de 2011

definitivo complicativo composto.

Caminhando sobre a areia numa levitação mental, paralelo ao mar que transpira silêncios e serenidades, recuso-me a dizer chega. Nunca me conformei com um fim mesmo que eu achasse que tinha chegado a hora. O acabou sempre me pareceu um definitivo complicativo composto. É sempre melhor catalogar como adiado indefinidamente ou parado até um qualquer dia de nunca. Assim consigo dormir sorrindo, acordar cantarolando e esperar que um dia o dia tenha fim definitivo e sem eu dar por ele, sem adormecer sorrindo e sem me acordar para se despedir.
O fim, o acabou, parece-me demasiado triste, parece-me uma corrida em que corro sem me mexer, uma tempestade em céu azul, uma revolta do mar num planalto imaginário. É um pavor calmo que me faz sentar na cama para apagar um pesadelo e poder voltar a dormir de sorriso na cara.
Caminho na praia, levitado sobre um fim que adiei eternamente ou não, tudo depende do tempo que terei para não chegar ao fim, esse definitivo complicativo composto.
Ainda não cheguei ao fim de um acabou. Por agora.


Sanzalando

12 de abril de 2011

aqui sentado

Por aqui sentado, olhando o zulmarinho e confabulando cenas dum filme de vida ou a vida dum filme, procuro as ruas que vão dar a um sorriso que brilhe tanto que chegue para me iluminar a alma empenada numa encruzilhada que faz tempo eu nem me lembro mas que me disseram que me apagou o sorriso.
Aqui sentado, ao ritmo do marulhar, procuro palavras que me levem ao coração ofendido um pedido de desculpas que se apague o retalho nostálgico duma vida que passei ao lado.
Aqui sentado, refrescado pelos salpicos lacrimejantes das ondas, penso mudar de vida em que tu não estejas distante e que o teu mar seja este que eu aqui sinto vontade enorme de abraçar como se fosse uma criança perdida no tempo de crescer que faz tempo perdi o tempo.
Aqui sentado, no meu eterno silêncio de falar contigo, me lembro de te olhar esquecido de mim.


Sanzalando

11 de abril de 2011

na praia

Esta não é a minha praia e nem é uma praia que eu conheça. Mas hoje não posso estar na minha praia nem em praia nenhuma que conheça. Hoje apenas posso sonhar com uma praia e por isso penso numa qualquer mas vejo apenas a minha praia. Vejo a mar azulzinho a rebentar devagarinho e se espraiar na areia com doçura, molhar os pés dela e eu a nadar até à jangada onde vou mergulhar os saltos mortais e encarpados que nunca dei na vida, mas que darei hoje porque hoje apenas posso sonhar com a praia e já agora aproveito a minha para sonhar os meus impossíveis todos. 
Eu a nadar como se fosse um experimentado e não um quase afogado nadador. 
Eu a mergulhar num perfeito estilo, quando na realidade mergulho baixinho, de pé e tapando o nariz.
Eu a olhar o biquini azul que de lá da toalha colorida me olha como que a pensar quando é que eu vou acabar com as piruetas seguidas de estatelado.
Eu a gargalhar na jangada.
Afinal de contas hoje nem posso ver o mar.

Sanzalando

10 de abril de 2011

para além

Me recosto na areia da praia neste dia de primaveril verão ou verão primaveril. Em resumo, que é para eu não me tropeçar nas palavras que quero usar para te dizer que está sol mas está fresco. Vim para a praia que é aqui que eu me reencontro, me revejo e te falo diálogos de memória e se tiver que gritar para me ouvires eu lhe faço e se alguém me perguntar se louquei eu vou apenasmente dizer que estou a ver se as ondas do mar fazem eco como eco fazem as nossas montanhas do nosso deserto, e assim despensam esses absurdos de mim.
Mas aqui recostado hoje tenho umas coisas para te dizer, para além de te dizer que hoje chove dentro de mim, para além dessa chuva miúda que chamam de saudade e que se me chove sempre, hoje pintei-te um quadro na minha memória, cores garridas, árvores floridas que tanto podem ser acácias como outras quaisquer que eu não sou exigente, mas sei que não são casuarinas porque nessas eu nunca lhes vi flor. Nesse quadro de cores garridas, para além de parecer estar sol, está aquele tipo de dia que chove para se ver melhor, chove para assentar poeira e eu te ver com maior nitidez.
Aqui recostado me olho nos teus olhos rebuscados na imaginação para além de ter ver te viver.

Sanzalando

7 de abril de 2011

sentado por aqui, parte finita

Sentado no fundo da alma, olhando o mar que lacrimejo, sinto que deve haver um lugar onde o amor nunca acaba. Pelo menos eu faço um esforço para manter a minha cara de ar sorridente e gente feliz quando te penso, quando te desejo e quando te vejo de memória. A minha vida e o meu sonho têm o mesmo valor desde que eu esteja com a memória virada para ti nesse lugar onde o amor nunca acaba.
Sentado por aqui, julgando-me esperto, mais sabido que a sabedoria, mais maduro que o conhecimento sou o somatório do medo que este amor acabe e que um dia te olhe como quem olha para um infinito desconhecido.
Sentado por aqui, vou à memória buscar o teu perfume, calor e até um sabor amargo de desprezo. 
Sentado por aqui continuo a sentir que mesmo assim esse amor não vai ter fim apesar de talvez eu achar que tu nunca soubeste da minha existência e persistência.
Sentado por aqui, no fundo da alma, olhando o mar que lacrimejo, olho-te com sabor a desejo.


Sanzalando

6 de abril de 2011

rompimento com o esquecimento

Abri as cortinas na minha memória duma forma abrupta que até parece eu queria rebentar com elas. Ou comigo, que seria a mesma coisa no caso. Acho me pareceu eu estar com falta de ar e fui assim brutamontemente abrir espaço e poder olhar mais além. Mas a memória afinal é limitada e tem coisas que só assim numa aguarela de vagamente se consegue perceber que ali existia qualquer coisa. Mas mesmo assim procurei ver mais além, rebusquei estantes que teiavam perfumes mofos, e nem uma imagem mais clara consegui ver. Afinal de contas eu apenas queria ver o teu sorriso e já me estou a esquecer como é que ele é, ou era. Acho vou ter de levar na lavandaria essas cortinas ou comprar nova memória, mesmo que seja numa segunda mão e rebuscar memórias alheias, enquanto isso vou ouvir no meu radio de pilhas as músicas que ele me quer dar e sonhar memórias futuras de manhãs de cacimbo.


Sanzalando

5 de abril de 2011

hoje teve um hoje

Nesta praia de descanso mental e areal de assentos, virgulas e pontos, que me invento em cada vez que aqui paro, me deixo embalar naquilo que em perfeito juízo eu jamais diria, pensaria ou falaria. 
Hoje, carregado de palavras soltas, tricoto frases que troco à distância em que nos encontramos, sem as pensar, filtrar ou apenasmente soletrar. Falo-te como se estivesses aqui a ouvir-me num escutar atento, como que a querer marcar o espaço que nos ocupamos, como que a dizer-te para pensares em mim numa constante obsessiva, matraqueada de saudade e coberta de nostalgia.
Hoje, recheado de certeza que o teu amor se me abraçou com a fortaleza que imagino, aguardo apenas o teu sorriso, uma tua palavra ou um pequeno aceno como se fosse o último.
Hoje, na praia da minha imaginação, me sento e te aguardo como sempre tenho feito, embrulhado em palavras, imagens de memória e olhos em ti à espera de ver o sonho que em perfeito juízo jamais sonharia.
Hoje, carregado de amor, olho o mar como sempre o olhei e me embalo no dançar das ondas.


Sanzalando

3 de abril de 2011

sentado por aqui

Sentado numa pedra desta praia, que imaginei, me pergunto se no dia em que nos reencontrarmos eu te perguntarei se valeu a pena ter sofrido tanto, se tu me esqueceste na exacta proporção que eu te implorei, se a tua ausência é puro fingimento carregado dum faz de conta só para bancar é forte que nem preciso verter uma lágrima que ele me rasteja?
Sentado numa pedra desta praia, que inventei, relembro a areia branca onde te deitas bronzeando o teu bronzeado corpo redondo esculpido pelo deuses e me pergunto como é possível que ainda haja quem me suporte ouvir falar-te como se estivesses aqui onde as ondas do mar rebentam e se espraiam na areia que circunda esta pedra inventada.
Sentado por aqui, sufocado pela dor da saudade, imagino ver-te implorar para que eu não me afaste de ti.
Sentado por aqui imagino-me a encostar-me no teu ombro como se tu estivesses estado sempre aqui, nos momentos bons e nos maus que eu tive, nas horas que te esqueci e nas noites longas em que o meu túnel era mais longo que a luz que tu me podias mostrar.
Sentado por aqui vejo esbatido um tempo chamado de perdido que pintei com palavras cinzentas e aguarelei com lágrimas por caminhos que esqueci.
Sentado por aqui imagino que o tempo muda tudo mas me engano, apenas envelheço, o resto tem de ser feito e um dia ele vai ser feito e se vai misturar na água desse mar que se espraia por aqui na praia que eu inventei.

Sanzalando

2 de abril de 2011

sonhei e agradeço

Por um momento sonhei. Acho foi um instante que durou a noite inteira porque acordei parecia ainda não tinha dormido. Estava cansado mas sorria. Por um instante sonhei e sorri. É, eu sonhei que tu tinhas me dado importância, te recordaste de me olhar e me chamar. É, eu deixei de ser apenas mais um, números tantos que te procuram. Já contavas comigo e isso seria meio caminho para me teres. 
Foi um instante que durou o tempo de eu me despedir e ver gente infeliz com lágrimas a me ver partir, outros felizes por me reverem. E eu sorria de boca e olhos.
Afinal de contas foi apenas um sonho que durou um instante, momento de ver que eu não estava preparado para outra vez, assim na paixão de começar dum novo zero. Foi um sonho que me fez sorrir e quando acordei ainda sorria e o dia passei-o a sorrir. Sonho que te agradeço porque não sonhei que me tinha untado de azeite, que tinha saltado do abismo, que tinha mergulhado no mais fundo dos fundos oceânicos. Sonhei contigo a chamar-me, e pelo nome. Ainda sorrio enquanto te espreito por um canto da memória.

Sanzalando

1 de abril de 2011

tem dias e outros

Saltitando dias cá vou aparecendo. Umas vezes transportando carradas de nostalgias, outras, paletes de raiva e outras ainda sem nada na alma como se alma penada fosse, noutros, que chamaria de dias sim, parece que acordo com um sorriso no corpo e os lábios balbuciam palavras doces mesmo quando se mantêm em silêncio e nos dias não, outros dias de mim, o suor nocturno me afoga num lago de imaginação vazia.
Tudo depende do dia, destino predestinado dum acaso tirado à sorte. Tem dias.
Tem dias que caminho pelas areias do deserto tentando conter a ânsia que me devora nos delírios febris duma qualquer doença instalada num coração marcado.
Tem dias em que viajo de alucinação em alucinação até que dou comigo a chorar-te nos braços que imagino me abraçam.
Saltitando dias cá vou aparecendo na esperança de ver o teu pôr de sol instantâneo momento de prazer imaginário.

Sanzalando

30 de março de 2011

às vezes tem vez

Caminho na minha linha de vida, umas vezes traçada por mim, outra ziguezagueada por destinos, não querendo ser juiz ou réu, apenas vivendo um dia de cada vez, aceitando as pessoas ou a mim mesmo tal e qual somos. Mas tem dias que a linha se apaga e o improviso impera, cresce a falta de espaço, a falta de tempo, falta a paciência e chego a ser o meu pior inimigo e reinvento o ódio amargo de boca, torresmo duro de indigestão.
Depois, no calar dum pôr de sol, retorno-me ao regresso do dia a dia e sorriso no rosto canto aleluias no silêncio duma voz que não sabe cantar, entro na linha, que às vezes é desenhada por mim e outras vezes ziguezagueada por destinos sem que eu seja vítima, sem que eu verta lágrimas fáceis, sem que eu tenha medos.
Caminho para lá dos Andes, Himalaias, Pirenéus, Alpes ou Kilimanjaro, mas quase sempre na linha que eu tracei sobre valores presentes assentes no passado.
Caminho à vez por carreiros de formigas ao som das cigarras num regresso a mim de sabores presentes como quem caminha certo, absoluto e com destino traçado num ziguezague de tempos perdidos e apagados da memória.
(Hoje vou na Kipola dizer adeus a Março)



Sanzalando