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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
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- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
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26 de janeiro de 2013
25 de janeiro de 2013
13 de abril de 2011
22 de agosto de 2010
um outro dia
Bate o sol forte nas minhas costas. Já me ardem. Mas eu não tiro os olhos do além para lá do que consigo ver. Uma ou outra gota deste mar que me separa e me trás recados na crista da onda me vai refrescando o corpo. O olhar continua fixo como fixas são as ideias. Esperança que um dia eu vou conseguir dar o salto do olhar para o real essa eu não perco assim do pé para a mão.
O sol já me fere as costas mas desconsigo mover-me e tentar esconder-me numa sombra de memória e ali ficar.
Me atiro ao mar sem mover um músculo, apenas fingir e consigo refrescar-me. Um dia eu vou atravessar este mar...
17 de agosto de 2010
tempo de nuvens
As nuvens voltaram e parece têm vontade de continuar por aqui a querer imitar o tempo de lá. O tempo já não é o que era. O tempo, intervalo entre dois instantes e, o tempo, frio do calor tropical que cacimba em todos os meses do ano são agora memórias de outros tempos porque os tempos modernos já não são assim.
Tudo a propósito do despropósito de estar a ver o mar fardado em trabalho que nem deixa olhar para o lado para ver se o biquíni azul anda por aqui num qualquer boca de sapo que não é a história de carochinha que me contaram no tempo em que eu acreditava em duendes e desconhecia doentes.
Mas os tempos novos são tempo que num futuro se hão de escrever com palavras que agora ainda não foram inventadas, porque tendem a ser tempos pós-modernos.
Afinal as nuvens não me deixam ver o mar, a farda não me deixa ir espreitar o mar e o tempo não me mostra mais o mar que foi o meu passado.
Sanzalando
13 de agosto de 2010
levando na memória
Me sento na areia que voltou a escaldar a minha sensível e avantajada bunda. Mas rapidamente esqueço esse incómodo porque aqui o corpo ficado a mente viajou para lá do que vista vê. Me deixei só levar por ventos e marés que aqui não sopram nem me arrastam o físico mas apenas o metafísico da minha resistência em sobrevivência. Cheguei ao meu porto de abrigo, atraquei na minha marina de águas calmas eme deixar levar para caminhos que apenas me lembro de memória. Um rio que corre como se tivesse vontade de se diluir no salgado mar do meu encanto. Um duna de cor doirada que cresce parece tem vontade de chegar ao céu e dizer no Arquitecto que lhe tocou apenas com a força dos grãos soltos de areia. Um ar quente que vem de leste e trás o zumbido dos mosquitos que teimam em me devorar por dentro no seu silêncio de me sugar o sangue. Um perfume ocre duma terra molhada que foi alagada para lá das montanhas que aqui não vejo.
Me sento por momentos e me deixo levar para as recordações que me alimentam no dia a dia dum dia que há de chegar, espero não tarde de mais, espero não depois do entardecer da vida.
11 de agosto de 2010
hoje estou assim
Sentado por aí fingindo que ouço o marulhar disfarçado de choros e gritos calados de dor. Indiferente passo, ar altivo e finjo que estou na minha praia a olhar o azul mar que se estende até lá. Ninguém repara que as minhas lágrimas escorrem pela face, que a minha voz austera e certeira é uma voz tremulamente disfarçada em voz de gente dura. Faço o que sei, são horas já de esforço e o sorriso de gente serena está gravado na cara como se fosse uma tatuagem.
Os olhos tremem, as mãos estão certas nos movimentos delicados, a voz rouca faz de conta é do ar condicionado. As decisões são ao segundo. Hesitações são inexistentes. Aparentemente.
Que saudades eu tenho de ver o mar...
Sanzalando
10 de agosto de 2010
um hoje
Ouço o mar no seu marulhar e me deixo levar de pensamento em pensamento como se fosse um ser em descanso. Não estou e nem quero estar na moda. Nem me interessa seguir a tendência actual, seja lá o que é que é isso. Hoje não me deixo levar pelo infinito presente do facebook, HI5, blogs e sei lá que resma mais de coisas aparecem para me baralhar.
Hoje apenas quero o presente infinito pessoal de ser o meu presente perfeito carregado de imperfeições e delírios.
Hoje apenas quero deixar-me levar nas minhas mentiras que se misturam nas minhas verdades e deixar rolar as lágrimas que chorei ou as que vou chorar um dia.
Hoje... faz conta não estive aqui.
9 de agosto de 2010
Mundo imaginário
o Mundo Imaginário existe. Por isso é que os sonhos não dormem. Os sonhos são os degraus que o mundo real perdeu. Ou se calhar não, serão apenas o mundo imaginário da razão. Acho que me meto em assuntos que me transcendem. Eu tenho sonhos e realidades e tantas vezes não sei onde uma acaba e começa outra e não é por isso que estou preocupado. Os pesadelos se calhar sãosonhos prisioneiros.
E os meus sonhos são pedaços de palavras escritas a tinta na minha alma.
Eu tenho um mundo imaginário que escrevi com as minhas palavras em traços perfeitos de simetria e rima.
Eu tenho o mundo imaginário em que Adão não foi enganado por Eva e nem há maçãs envenenadas. Nem os sete anões brincaram com a Branca de Neve nem os três porquinhos fizeram gato sapato com o lobo mau.
Eu tenho um mundo imaginário que pode ser uma pomba como pode ser um beijo que te dou no desejo.
Eu tenho um mundo imaginário que se desnuda em cada palavra que me faz chegar a ti.
8 de agosto de 2010
Domingo de olhar
Sentado na minha pedra como se fosse ela a minha cadeira real, imóvel perante o ondular do mar, silenciosamente ouvindo o marulhar, sinto o teu corpo a aproximar-se, adivinho o teu perfume, transpiro com o quente que me irradias e os meus olhos, como dois cristais, viajam através de todas as distâncias, contornam recordações, deslindam ilusões e eu, num momento fragmentado de tempo chego-te como se estivesses ali, à mão de semear, como dizia a minha avozinha.
Sei as tuas cores, odores e sabores.
Sei o teu quente num cacimbo de disfarce.
Sei o teu perfume num misto enjoado de doce e acre.
Enfim, sentado na minha pedra estou na minha janela de mundo a olhar-te como sempre estive na minha vida.
5 de agosto de 2010
Soletrando
O mar se atira na rocha como quem não tem medo de se magoar. Parece ele quer atirar para longe as pedras que se lhe atravessam no caminho. Eu queria sem assim como nem o mar. Teimosamente me atirava contra as minhas ideias até elas se moverem em direcção à realidade que eu sonho. Mas eu não tenho a força do mar e nem a sua teimosia. E dos meus sonhos eu apenas sei soletrar ideias soltas porque faz tempo eu já perdi a fronteira entre essas duas minhas realidades. Sonho e vida. Acho ambas se misturam como se mistura o silêncio das pedras na quietude do meu deserto que faz tempo não sei mais é amarelo ou dourado.
Aqui fico soletrando sonho de realidade e realidade de sonho. Um dia vou conseguir dizer sem me enganar, sem deixar a língua se enrolar na emoção e sem que uma lágrima me caia dos olhos e se misture nesse mar que é meu sangue.
4 de agosto de 2010
e eu ia falar de mais o quê?
Me sento sobre as pedras da imaginação. É, há ideias que calcificaram e que fazem parte de mim como mexilhão da rocha. Mas estava eu a falar que estava eu sentado sobre minhas ideias fixas quando me saltou uma ideia pululante: as mulheres se casam de branco para saltar à vista porque quase toda a gente vai de muitas cores e a dar para o escuro ou para o brilhante para tentar sobressair da noiva. Aí me lembrei que a areia da praia também tem muitas cores a contrastar com os poucos azuis do mar. A areia quer chamar a atenção em relação ao mar. Só pode ser uma questão de ciúme. Digo eu que tenho ideias fixas e hoje me apeteceu saltitar nas ideias saltitonas do nexo ausente. As praias que não têm areia ficam assim com muito menos gente, os solitários, introspectistas ou quem não gosta mesmo de cor.
Com isto tudo me perdi e lá fiquei a olhar para uma imagem da memória de biquíni azul a se bronzear na praia que hoje deve ter acordado por trás da cortina de cacimbo.
31 de julho de 2010
Afinal tanto e tão pouco
Hoje me sentei a recordar enquanto me deixava embalar no marulhar das ondas a bater nas rochas que me servem de poltrona deste reino de fingir. Afinal de contas que são 20 anos de idade e mais 32 de experiência?
Antes falava de alto, sublinhava alegria em felicidade, pouco a pouco, num quase sem dar por isso entrei nas ruas da confusão e me perdi nas vielas dum amor.
Antes fugia do asfalto em busca do grito de guerra, da voz toldada em encadernação revolucionária, aos poucos, num quase sem dar por isso, me refastelei no sofá e ouvi as melodias de grafonolas modernas.
Antes, tropeçava nas pedras da vida e sorria, aos poucos, num quase sem dar por nada, comecei a sentir dores que faziam coxear a alma.
Antes, pegava na bicicleta e corria mundos de sonhos, aos poucos e poucos, já sem dar por nada, me sento numa pedra e me embalo ao som do mar num quase adormecer.
30 de julho de 2010
Tempos difícieis para sonhadores
Arranco o passado à memória, umas vezes em esforço e outras nem por isso. O meu futuro está agarrado à memória. É o ciclo, poderá ser vicioso ou não.
Reinvento-me em cada pedaço de passado mas construo o futuro de pedra e cal. Pelo menos é o que eu penso.
Memória.
Passado.
Futuro
Eu. Umbigo da minha existência.
Violência carnal do imaginário tropeçado em frases soltas. Volto a ser eu.
Falta mesmo é tempo para ter tempo de gastar o tempo que já desperdicei em momentos inexistentes.
Assim serei. Vou fazer mais como, então?
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