recomeça o futuro sem esquecer o passado
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30 de julho de 2011

Delirante

Me sento na areia da praia e com os olhos percorro-a toda. Nem um corpo onde possa parar os meus olhos e descansar o cérebro. Não há mentiras nem há mistérios. Cabeça arrumada mesmo que a alma se mantenha em turbulência. Fácil perceber a quem pertence o meu coração, quem me desarruma a alma e me tenta perturbar a cabeça. Vais dizer é o cacimbo e eu te respondo que é o sueste. Assim ficamos isolados, casmurrando silêncios, desarmado matérias sobre o certo e o errado, derrubando sentidos na tentação de sobrevivermos À distância, à imensidão de tempo que nos separa. Eu diria que era o amor absoluto e tu de olhos vendados me desconheces o perfume e a maneira de te amar. Um dia restar-me-à o epitáfio que porá fim ao livro que fiquei de escrever para além da memória.
Quem disse que eu precisava de brilhar enquanto tivesse lucidez?
Ninguém? Acho foste tu que mo disseste num dos meus sonhos.






Sanzalando

29 de julho de 2011

calcorreando

Calcorreando areais eu me arrisco em corações vazios e bebo nas mais profundas tristezas. 
As minhas mãos estão cansadas de redigir, em papeis de memória, loucuras que nem eu consigo explicar depois. Eu sou mais assim como os nomes finais que aparecem num filme, estou sempre me acabando e, quem vê, não consegue nem ler. Mais ninguém tem paciência para me acompanhar. Eu vivo pra quem sou, independentemente desse você que possa estar desse lado e até pode ser que nem seja um você que eu queria que fosse. Um mundo todo trocado. Eu já me fui desenhando em escalas diferentes, mas o meu peso é sempre o mesmo, o meu amor é mais caos que ordem e a minha vida é um barbante todo desfiado que já nem para segurar joeira serve.
Calcorreando areais de solidão já não escondo o segredo de que se o amor fosse só o bem, ele se  venderia em farmácias e supermercados. Mas me disseram, em surdina, que remédio demais também faz mal e olha que o amor não é remédio para ninguém nessa vida de desencontros-desenganos-desgastes-desgostos. 
A chuva em mim não acaba e minha imaginação vai embora nesta noite, com o teu cheiro doce e o meu carinho que faz tremer. 
A minha sensação de paixão. A minha trouxa de loucura. 
O amor é para qualquer um. O saltar do precipício que nele existe que é para poucos. Pouquíssimos.E eu acho já saltei vezes a mais, abusando da sorte.


Sanzalando

28 de julho de 2011

tropecei-me na duvida

Me atiro na areia escaldante da praia, corpo cansado e mente esgotada. Acho eu não aguento tanta responsabilidade em cima dos meus ombros. Depois de tanto tempo ainda não me habituei a deixar na porta da saída as preocupações. Mas afinal vou fazer mais como se me fizeram que nem assim?
Mas ao menos aqui na areia escaldante, enquanto tropeço nas minhas ideias, problemas, memórias, encruzilhadas e frustrações, gargalhadas e piadas de outros gostos, me deixo ser livre num instante que dura um pequeno pedaço da vida.
Se já tive tantas ideias, se tenho tantas memórias, se já filmei tantos filmes na imaginação, como vou arranjar mais para me desviar do ar cinzento?
Na verdade, começando num início qualquer, eu não consigo imaginar alguém a pensar que gosta de mim. Como é que alguém vai sonhar acordado comigo? Só pode ter é pesadelo, acho eu. Como é que alguém vai poder dormir se se deita a pensar mais em mim? Será que é possível alguém sentir formigueiro no estômago apenasmente porque eu abracei? Não tem quem vai sorrir só porque no seu telefone apareceu um nome que é nem o meu.
Afinal de contas eu tive uma ideia que me deixou ainda com mais ar de preocupação. Não tem necessidade de ter pensamentos assim. Não gostei deste início. Vou pensar outra coisa que me deixe ser livre uns instantes suficientes para descansar.







Sanzalando

26 de julho de 2011

recordando um início

Me atrevo a olhar para lá da linha recta que é curva, no iníciozinho desse zulmarinho que marulha aos meus pés e já não consigo correr como noutros tempos. Fui mesmo com o olhar devagarinho, mas num bem devagar com medo de cansar a cansada vista. Fui visitar a minha raiz, fui beber a minha água, fui ver-me sorrir.
Hoje, para cá da linha recta que é curva já não está o cabelo comprido voando livre no vento, o corpo esguio que se esquivava da chuva como até parecia estava a dançar, o olhar impiedoso que memorizava os detalhes, a voz doce que se foi amargando. Para lá, deves estar tu, como sempre, altiva, perfumada.
Hoje me lembrei que esse outro que era eu já se foi de tanta mudança. Só restou mesmo eu assim que nem como sou.




Sanzalando

20 de abril de 2005

Vamos fazer uma beberação

"Fio": Um café na Esplanada

carranca
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Hoje, 18:07
Forum: Conversas de Café
Senta aí a meu lado, avilos, de todo o mundo e vamos mesmo fazer uma beberação. Pois é, muitas loiras geladas, muitas fantas de morango, muitos cacaus e muitos gengibres. Vamos mesmo fazer uma festa por que estar vivo é festa.Senta aí, avilos de todo o mundo, e vamos sentir o baloiçar deste mar que nos une quando parece que nos está a afastar. Mas imagina só, avilo, que é ele o unico condutor ininterruptivel, desculpa mesmo o palavrão, que nos liga fisicamente. Vpcês desse lado e nós desse lado que nem telefone do antigamente com caixa de fósforo e barbante.Mas não tem esquecimento de pagar as loiras geladas que eu bebo.Todos os avilos que tem aqui sentado merecem mesmo uma beberação. Vamos combinar mesmo. Estatísticamente falando quem faltar vai estar presente, pelo mesnos no pagamento das minhas loiras geladinhas.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

24 de outubro de 2004

Um Café Na Esplanada (75)

12-09-2004 12:14


Caté que o Sol teima em continuar a dizer que inda não terminou a sua época. Como assim aproveito estas madrugadas de manhã alta para pôr o meu sol no lugar que ele deve ter. Arrumar ideias e pensar com pensamentos novos. Cada dia é um dia.Olhando o zulmarinho que parece a calmaria a chamar os seus amantes para umas carícias molhadas: Corpos despidos de roupa e preconceitos massajados pela suavidade do seu sal; relaxados nos pressupostos de recalcamento de anos sangrantes e ideias bizarras; cabelos dispersos pela ondulação na anarquia lógica dum emaranhado de sonhos. Vejo daqui de cima que este zulmarinho é o fim de um início que promete acabar com choros, com os complexos de fatalidade de anos escravizados de pesadelos, cobardias e desfaçatezas.Bebo pelo zulmarinho da esperança esquecendo que antes do parto há as contracções dolorosas que por vezes leva a gritar que DESISTO.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (75)

11-09-2004

Inda verão, há que aproveitar. No inverno lá terei que me virar para outra coisa, assim mais para aquecer. Mas como é verão, aproveito o Sol desta Esplanada e na companhia da conterra e de outras conterras de outras terras mesmo sem, vou beberricando e nas conversas e silêncios vamos passando e transmitindo ideias. A Imformação só é mesmo útil se passada. Quieta fica assim como sopa sem nada, só água chalada.Pois é, conterra, o zulmarinho ainda vai dando para mostrar a leveza do meu meu peso dentro dele. Mas às vezes que tenho medo que vem aí a protecção da natureza e me manda para dentro dágua a pensar eu sou baleia. Pois é, conterra, tem aqui cada pensamento parece mesmo é cetáceo a pensar. Senta mermã e trás novas do início deste mar. Aquela mermã foi de férias lá para a frente do início deste mar e vais ver quando voltar vai esquecer a gente e vem a falar assim com sotaque parece é telenovela. Mas a gente lhe dá na moleirinha que ela recupera logo.Pois é, conterra, poema de zulmarinho é bonito porque zulmarinho tem fantasia dentro dele, tem sonho, tem eternidades muitas. Quantas eternidades terá o zulmarinho?Tira o pica e pica e vais ver que tem mais coisas dentro deste zulmarinho que nem o fogo que arde sem se ver.Zulmarinho do meu contentamento.Uma birra que paga o Rui do Kapofy, ou a Gabi ou alguém vem mesmo pagar. A gente só fala mesmo de zulmarinho e tudo à volta dele como seja os corações a palpitar e os corpos nus a dançar ao ritmo dele.Pois é, conterra, o zulmarinho tem sonhos que poucas são as pontes que ele deixa cruzar na vida dele.Zulmarinho, zulmarinho que te vou levar na Humpata, Chibia, N'Giva, até mesmo no Luena e te mostrar que onde não estás há gente que te gosta muito, que sonha contigo.O teu Cloreto de Sódio faz parte da vida.Zulmarinho, conterra...
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (74)

10-09-2004

Sentado, bebendo umas e outras, recordo o mês de tantos horrores.. Senta, ávilo, mas não vale chorar. Os mapundeiros não choram. (apaguei porque não gostei do que escrevi. Dias há que se deve ficar quieto) Vais ver inda te vão pôr o nome de Nuncaláides.Mas terminado esse mês de horrores, te garanto que outros vão vir de sorrisos e alegrias.Anda, mermão, bebe para não esquecer, bebe mesmo para lembrar.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um Café Na Esplanada (73)

Umas e outras
09-09-2004

Ainda vou andando nas geladinhas.
Enquanto tenho que vir aqui ver o fim desse zulmarinho vou bebendo. Quando vir o início dele eu páro. Prometo que vai ser assim. Esse zulmarinho...me trás calma, me trás a ideia de quanto sou pequeno e o quanto nada sou. Uma gota dele vale mais que eu em triplicado. Podes crer, ávilo. Esse mar é uma floresta de milhentos portos, bota milhentos de marinheiros. Nesse mar tem milhentas coisas. E eu? Aqui sentado contigo só tenho milhentos pensamentos, milhentas ideias, milhentas coisas que não podes tocar. Esse mar tem energia, tem estória e História. Eu que tenho? Nada a não ser um lugar marcado no cinema se comprar bilhete. Mas aqui sentado nem isso tenho. Pois é, ávilo. nada somos. Por isso ouço esta criança:- Joãozinho, o que você vai ser quando crescer?- Soldado! -responde ele.- Mas soldado vai pra guerra e o inimigo mata!- Ah! Então eu quero ser inimigo de soldado!
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um Café na Esplanada (72)

08-09-2004 17:39

citação:
Originally posted by torres pontes - Eternos contestatários quando estiverem do lado de lá choram para vir para o lado de cá.pontes
citação:
"A VIDA É SIMPLES. NÓS É QUE TEMOS A MANIA DE COMPLICAR"
Senta aí mermão. Senta também mermã. Eu bebo e vocês ficam aí só assim sentados a pensar comigo. Vamos manter este silêncio pondo a conversa em dia.
Se apetecer chorar, a gente chora! Se apetecer rir, a gente vai rir! Um dia, quando a morte levar a gente a gente vai ter tempo de sobra para arrumar ideias, tirar o pó dos neurónios, pôr os livros todos por ordem. Vamos ter tempo para pôr os pontos nos is. Até lá, mermão e mermã, muitos rios vão correr debaixo das pontes, muitos céus vão estar aí para a gente admirar eles, lhe ver as estrelas ao lado de quem as quer ver connosco.
Bebo uma geladinha porque me apetece. Uma antes da próxima. Não pensem que ficarei numazinha apenas. Loira é para ser bebida em série.
Aproveitemos este silêncio cortado pelas ondas deste zulmarinho que tem início lá do outro lado.
Tás a ver aquela Lua ali? Não é o satélite da Terra. Não. Podes crer que eu não te estou a enganar. Ela é mesmo o reflexo no céu da minha amada. Olha só bem para ela e fica em silêncio, ouvindo este murmulhar de espuma branca que vem beijar a areia.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um Café na Esplanada (71)

07-09-2004 19:43

Eu bebo. Ele s'enganou. Contece nos melhores e quase sempre nos piores momentos. Estás 'sorryado'. Mas proveita e senta por aqui a beber umas e outras. Olha bem nessse zulmarinho que parece tar calmo de ter paciência para chegar no início dele que dá gosto até que mergulhar. Mas senta e bebe. Proveita e paga também as minhas que teclar dá uma sede que tolda o deserto de ideias.Anda, senta aqui e ouve o hino das ondas que suavemente vem espreitar esse areal.Ouve com ouvidos de ouvir, não com os que disse que disse. Ouve mesmo a tua alma dentro desse mar.Vês a linha do horizonte que está lá direitinha que parece que é um recta mas que é mesmo curva porque a terra dizem é redonda e gira? Do outro lado, onde começa este mar está a minha amada.Te senta aqui e imagina ela a brincar com as carochas negras e grandes que está parece VW dos antigamente. Vê só elas a correr nesse mar de areia que parece este com ondas e tudo. Mas aquele outro mar de areia não tem espuma como este zulmarinho. Olha só as carochas a correr nesse mar de sol aquecido que até queima perninhas finas dela.Vem juntar a tua imaginação à nossa e vê que a minha amada é grande e está crescer a olhos vistos.Um dia vou pedir a esse mar para levar nela uma carta de amor escrita com amor em papel de amor. Um dia...vou abraçar o início deste mar. Tenho medo mesmo é que os meus braços não sejam tão fortes como eu penso que eles são. Mas eu vou abraçar ela e a força do meu coração vai se suficiente para lhe segurar bem. Beijá-la. Simplesmente adorá-la como ela merece mesmo.Senta aqui e ouve esse ondular que parece que tá a chamar.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (70)

Uma superbock geladinha
07-09-2004 00:05

Senta aqui, mermã. Sei que só queres cacau quente. Mas senta aqui perto, para eu não ter que falar alto que nem gramafone em dia de feira.Conta lá mermã se este mar zulmarinho não trás o cheiro lá do início dele? Está gelado este mar. Vês como ele tá a chamar? Ele me quer agarrar como se fosse um polvo tentacular que quer me levar nas fundos dele para eu esquecer que ele tem início lá mesmo onde está a minha amada que eu amo de amar que dói até de morrer. Mas todos os dias eu venho aqui cheirar ele, sentir esse gelo que trás dentro dele, e ele todos os dias vem em movimento ritmado que parece que tem maestro lá atrás a mandar ele vir rebolar na areia. E todos os dias me sento aqui, quase sempre com a birra gelada e fico olhar nele, no pôr-de~sol que parece que é incêndio dentro dele. Esse zulmarinho tanto me ama que parece que ódio é pouco para descrever o sentimento dele.Anda, senta aqui ao pé de mim. Ouve o cantar das sereias que estão lá longe, dentro dele. São lindas as sereias desse mar que tem início lá para os fundos da terra. Sempre a descer. Não tem como enganar. Mermã, segura na minha mão e vê como ela está tremula de não poder agarrar todo esse mar e encostar no peito e lhe beijar. Mermã, se não tivesse gente que vive desse mar, te digo que eu bebia ele todo de um sorvo e corria direito à minha amada que está no início deste mar.Bebe o teu chocolate quente e dá-me o teu calor.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (69)

Uma gasosa
05-09-2004 21:11


Uma gasosa. Pode ser mesmo da Siral ou pode ser estrangeira. Mas tem de ser pura. Num quero dessas que tem sabor a isto e aquilo. Quero mesmo só gasosa. Também não é dessa de passar de baixo da mesa que essa me põe demasiado assim como que gelado que ferve até nos cabelos.
Quero mesmo só uma gasosa, para lembrar os tempos que era o que eu mais gostava. Ou seria da ginguba? Ou do chuinga? Não vem na lembrança o que eu mais gostava. Mas gostava de gasosa isso eu sei.-
Porque hoje não pedes dua birra? perguntou ela em voz doce arredondada de quem quer parecer mais do que é.
- Porque sim. Simplesmente hoje quero uma gasosa. Quero despedir desse mar zulmarinho até um dia destes e quero ficar com a cabeça boa para ver se consigo ver onde ele nasce. Dou a volta ao mundo, mas eu quero ver esse início do zulmarinho mesmo. E se possivel ainda este ano... quero ainda ser criança para ter tempo de fazer tudo o que quero fazer lá onde nasce este mar. Quero só mesmo uma gasosa...e dançar nos sonhos, pular de nuvem em nuvem, fazer o pino...
Uma gasosa por hoje!
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (68)

04-09-2004 00:20

citação:
Dei-te a solidão do dia inteiro
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro

Ouço-te cantarolar com voz meiga, doce e atrevo a dizer-me também triste.
Aproveito para beber uma especial gelada, e daqui da esplanada vou-te admirando. Ver-te caminhar sobre a água em passos de dança perfeitos. De tão leves não vislumbro as marcas deixadas na superficie aquosa deste mar, que está sereno. Talvez hoje esteja mais salgado do que é habito. Completando o cenário lá está a lua cheia exactamente por trás de ti. Vejo o teu corpo, adivinho a gravidez desejada. Não distingo o teu rosto na perfeição, não sei se choras se sorris. Danças e sei que não é para mim.
Bebo e penso como seria a vida se não houvesse quem utiliza o corpo na perfeição da sensibilidade sem tremores, hesitações e exigências sobre-humanas.
Bebo com vontade de saltar da esplanada e percorrer todo o caminho directo a ti. Receio que os meus pés de chumbo e a desarmonia do meu corpo me levassem para as profundesas deste mar e eu jamais voltaria a ver o início deste mar zulmarinho.
Bebo pensando porque e por quem choras.
Bebo porque não sei usar o equilíbrio musical do gesto feito dança.
Bebo porque não sei usar as palavras certas nos momentos que devem ser usadas.
Bebo simplesmente porque não quero despertar desta imagem: a lua e tu!
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (67)

Chove chuva chalada
02-09-2004 20:07

Chove que deixa mesmo o seco ficar encharcado. Me deixo ficar aqui sentado a saborear o quente dessa chuva de Verão cair no meu corpo que sinto translúcido, quando antes era transparente.Bebo, se calhar um café bem quente, se calhar um chá de capim.Já fui. Amarrado que estou deixei estragar a transparência, a inocência e ingenuidade. Sacaneei-me por dentro da alma. Por isso hoje vire chuvinista, se entenda de chuva mesmo que cai de lá das nuvens e vem aqui chatear um gajo que quer ver as madrugadas todas da noite. Hoje mesmo não dá para ler...chuva não deixa ler os jornais que se desfazem em botas de elástico, em verdades de plástico coladas com cuspe como se fosse um selo em carta que escrevi e não mandei.Bebo um chá de capim numa chávena da mais grossa porcelana da china, deixando-me ficar de olhos em bico.Bebo chá porque chalei-me!
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (66)

Uma birra
31-08-2004 19:11


Bem geladinha.
Aqui sentado vou pensando, agora que não tem a quem contar estórias, vou usar o cinzento para pensar. Sim, noutra encadernação, eu mesmo acho que fui muito ruim q'agora estou a pagar e com juros. Olha mesmo esse mar zulmarinho que vem até aqui e fica branco depois de fazer chuaaaaaaaaaa na areia da praia. Ele está na gozação comigo. Só pode. Vai ver tem ciúme da loira que bebo e que tem espuma também. Olha só que parece esta a ficar calema que sobe aqui na esplanada. Ciumou mesmo. Danado. Faz menos barulho que eu quero ver o que fui noutra encadernação.Já sei, fui mineiro. Hummmmmmm. Acho que não.Fui astrólogo, andava nas estrelas. Não, se tivesse sido havia algures uma constelação com o meu nome.Mais uma birra que isto está a aquecer.Fui passador de PM. Passava em ponto morto para nenhures. Acho mesmo que não. Não vai mesmo com o meu feitio. Fui árbitro de futebol. Também acho mesmo que não, pois não costumo ser insultado, mesmo só lacaio.Acho mesmo que não tive outra encadernação.Esse mar está mesmo danado para me molhar hoje.Tem cuidado. Te pontapeio que ficas uns dias sem dar á costa.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (65)

Três birras bem Geladas
30-08-2004 22:44

Hoje não sento na esplanada. Hoje vou mesmo para pertinho deste mar zulmarinho, molhando os pés delicados de quem está sempre sentado a bebericar, a contar estórias e outras tretas. Hoje fico mesmo aqui onde este mar termina, porque ele começa lá onde está a minha amada. Sim senher, eu tenho uma amada onde este mar começa. Estou aqui e estou acompanhado. A. Osório e Bitacaia estão comigo. Aqui em pé mesmo perto que dentro de água salgada. Conversa puxa conversa. Sonhos iguais a salpicos. Quimporta se molha se o sorriso mora aqui? Falamos e falamos que se estivessemos dentro dessse mar zulmarinho estavamos já a chegar no princípio dele. Rimos. Faltou cantar mas que me lembre nenhum sabe mesmo o que é isso.Três bazucas bem geladas que a gente está de merecimento!
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (64)

28-08-2004 17:54

Será que tá mesmo?Se ainda não está manda para aqui uma birra geladerrima.Vês ali aquela mesa com as cadeiras todas em cima que tá parece que está em obras? Saiu fumo e não deu para ficar mais em pé, tal foi a maka que ali descambou. Nem eram uns a favor nem outros contra. Era mesmo a intoxicação palavrada. Documentos? Datas? Mesmo que tem tabus que é melhor não destabuar.Falar só do zulmarinho, da picada desenhada e cortada faz tempo que o capim escondeu ela de novo. Falar só do primo da prima que casou com a prima do tio da rua de cima que morava do lado de lá que não é cá.Mais uma birra!Tá na hora do silêncio, respirar só pedindo licença não vai tirar o ar no outro.Tá na hora?
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (63)

27-08-2004 19:27
Exactamente. Com uma bem geladinha. Assim, eu melancólico anónimo, enigmaticamente bebendo uma e outras, filosofo sobre o nada de ser quando se é. Isolamento total, caté ar para respirar tem que pedir licença para entrar. Eu que nem eu só eu e mais não tem discussão.Vamos masé sentar e beber e olhar o mar que tem água demais caté petece dar um mergulho.Hoje é sexta feira e vai um crepe...a voar, baixinho que até não tem onde cair.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

Um café na Esplanada (62)

26-08-2004 16:54
Gelada! Duas por favor. Essa outra vou deixar aí a esquentar é espera do Mabok.
Enquanto bebo essa mesmo vou lendo a mensagens que gente gira que me vai mandando; mesmo de férias, mesmo não reavivando a minha existência, não esquecem este contador menor de estórias e outras tretas.
Bebo para não esquecer e ficar com as pontas dos dedos mais ageis. Bebo que tenho sede de vocês. Bebo porque tenho saudade do zulmarinho mesmo com pica-pica, da areia que pica quando bate na perna fina e branca quando anda lá nos inícios do fim do deserto. Bebo e sonho com o pôr-do-sol; com a trovoada que cai lá em cima na Serra e que trás a água que vai estragar este mar por uns dias. Bebo porque quero andar naquele comboio que sai perto da meia noite e chega às 7 da manhã. Bebo porque quero ver o biquíni de uma cor qualquer no teu corpo e sonhar com o sol do hemisfério Sul.
Não fico por mais muito tempo...bebo...matando o tempo...os neurónios e antónimos. Bebo porque tenho sede de ti: o teu nome saiu em transparente ainda, que não chegou a hora de divulgar nos cantos do mundo.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca