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22 de dezembro de 2025

Boas festas digital

Houve um tempo em que o "Boas Festas" pesava. Pesava no papel encorpado do postal, no relevo dourado da escrita e no selo que precisávamos lamber antes de confiar ao marco do correio. Hoje, o desejo de felicidade viaja à velocidade da luz, desmaterializado em pixels, mas carregando o mesmo dilema humano de sempre: como fazer-se presente quando se está ausente?

Desejar boas festas remotamente tornou-se uma espécie de coreografia digital. Há quem prefira o "bombardeio" de GIFs cintilantes nos grupos, aqueles onde o brilho da árvore de Natal virtual parece competir com a bateria do telemóvel. Há quem opte pela elegância sóbria de uma mensagem direta, personalizada, que tenta furar a barreira da frieza do ecrã com um lembrei-me de ti.

Desejar um feliz Natal remotamente é uma prova de resistência que faria o Pai Natal trocar o trenó por uma reforma antecipada nas Bahamas.

Depois temos o WhatsApp. Desejar boas festas por mensagem tornou-se uma modalidade olímpica de Copy-Paste. Há a "Mensagem Encaminhada" com aquele selo de vergonha no topo, enviada por aquele primo que claramente mandou o mesmo texto para os 457 contactos da agenda, incluindo o senhor que lhe vendeu um sofá no OLX em 2019.

No fim do dia, seja por um e-mail formal, uma mensagem de WhatsApp cheia de emojis ou uma chamada de vídeo tremida, o "Boas Festas" remoto é o nosso jeito moderno de dizer: "Eu podia estar em qualquer lugar, mas escolhi usar este segundo para te encontrar no espaço digital."

E, talvez, o segredo da magia de Natal hoje em dia não seja a conexão Wi-Fi, mas a conexão que ela permite manter viva, mesmo quando o Wi-Fi falha.


Sanzalando

20 de dezembro de 2023

AQUELE ABRAÇO DE FESTAS FELIZES

Estou que nem a ir de férias. Que estou mesmo a precisas de deixar a cabeça a descansar e o corpo repousar sobre um olhar perdidamente no infinito. Sabes, mermão, se eu pudesse eu ia já na joia do sul de Angola, passear na areia de perder de vista no mais antigo deserto do mundo. Se desse para ver a fauna eu ia olhar e admirar assim num embevecimento de inveja libertina. Se desse eu ia fazer das dunas o meu carrossel, eu ia aprender geologia para poder identificar cada pedra. Eu ia me tornar um estudioso porque me ia perder a ver as figuras rupestres, ia deitar no Iona, me banhar nas águas termais do Virei, na Lagoa dos Arcos eu ia só ver as aves e na foz do Curoka eu ia fotografar sem conta os pores do sol. Ah, e se ainda tivesse tempo eu ia me perder nas Baía dos Tigres. 
Mas eu estou no ir de férias de mim e por isso não me posso levar a esses lugares. Vou só soltar-me deste corpo e ver por aí as coisas que eu preciso ir ver na alma, na diversidade do repouso. 
Mermão, só te deixo uns votos de felicidades e depois eu volto quando me sentir descansado e com vontade de te dizer como é que eu estou.
AQUELE ABRAÇO



Sanzalando