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13 de abril de 2011
21 de setembro de 2007
amor em pausa
Me sento por aqui como quem faz cara de pensador a pensar.
Me lembrei então que um dia eu queria escrever uma estória que podia ser um conto ou um romance. Escrevia, apagava e voltava a escrever. Uma eternidade de vezes, conto agora as vezes que o repeti. Pouco a pouco fui criando personagens, inventei situações. Parecia tudo tinha pernas para andar à velocidade da luz reduzida na capacidade dos meus dedos martelarem o teclado do computador.
Mas um dia, há sempre um dia para tudo, escrevia eu sem parar quando assim num repente tudo se esbranquiçou e parece que eu estava a pensar não com o cérebro mas com uma borracha. As ideias se tinham esfumado. Estava limpo. Liso como uma folha de alumínio cromado. Nem uma só passagem me vinha à mente. O romance, a estória de amor, o conto ou a novela, estava ali à minha frente em pausa sem que houvesse uma tecla para a fazer crescer como tantas vezes eu a tinha idealizado, mentalmente construído.
Pensei que era coisa de passagem. Parei e fui apanhar ar. Foi um ar que se deu.
Agora, cada vez que eu tento pensar longo, em grande, volta a acontecer o meu. Borrachei o meu cérebro, só pode. Vou fazer mais como então?
Entristeci como deves imaginar. A incapacidade de pensar longo deixou-me de mãos atadas.
É assim como que deixar um amor em pausa.
Me lembrei então que um dia eu queria escrever uma estória que podia ser um conto ou um romance. Escrevia, apagava e voltava a escrever. Uma eternidade de vezes, conto agora as vezes que o repeti. Pouco a pouco fui criando personagens, inventei situações. Parecia tudo tinha pernas para andar à velocidade da luz reduzida na capacidade dos meus dedos martelarem o teclado do computador.
Mas um dia, há sempre um dia para tudo, escrevia eu sem parar quando assim num repente tudo se esbranquiçou e parece que eu estava a pensar não com o cérebro mas com uma borracha. As ideias se tinham esfumado. Estava limpo. Liso como uma folha de alumínio cromado. Nem uma só passagem me vinha à mente. O romance, a estória de amor, o conto ou a novela, estava ali à minha frente em pausa sem que houvesse uma tecla para a fazer crescer como tantas vezes eu a tinha idealizado, mentalmente construído.
Pensei que era coisa de passagem. Parei e fui apanhar ar. Foi um ar que se deu.
Agora, cada vez que eu tento pensar longo, em grande, volta a acontecer o meu. Borrachei o meu cérebro, só pode. Vou fazer mais como então?
Entristeci como deves imaginar. A incapacidade de pensar longo deixou-me de mãos atadas.
É assim como que deixar um amor em pausa.
Sanzalando
24 de junho de 2007
Me sento onde ninguém me vê
Me sento aqui neste canto, assim como quem não me vê e falo de mim para mim numa voz calada que eu não me sou surdo.
Olho e vejo que o mundo gira como se não houvesse outra coisa mais para fazer. Matuto na infância que tive, relembro os amigos que fiz e desfiz, m’atrapalho nos episódios que vivi e que agora não queria ter vivido, me gargalho doutros que foram belos e por isso ainda me lembro.
Afinal de contas quantos anos tem a hora? É! tudo depende mesmo da velocidade com que passam as lembranças assim neste cinema das recordações, neste filme de imaginação.
O zulmarinho está nas minhas costas como que a marulhar para ver se eu lhe dou atenção, que hoje eu não estou para ali virado.
Mas hoje mesmo me sento neste canto a ver para que lado se orienta a minha bússola. Nas raízes ou em novos troncos? Mesmo melhor é deixar passar as imagens do filme e ver onde é que aparecem as legendas, que eu não sou árvore mas tenho as minhas raízes, tenho o meu tronco e os meus ramos que dão outros ramos e por aí fora que isto não é aula de biologia.
Me lembro que um dia me contaram que o dia se apaixonou da vida numa paixão de ferver o gelo de um dos pólos se não mesmo dos dois. E nessa paixão que era correspondida, nunca se queriam separar um do outro. Daí resultou que a vida se murchava nessa não separação e o dia, ao ver esse mirrar na permanência, resolveu partir assim num suave descair de claridade até à escuridão fechada, dizendo à vida que se tinha apaixonado pela noite e que lhe ia visitar.
A vida, que não é parva de todo nem de nada, achou mesmo que ali havia mentira e deixou cair-se na tristeza, amargamente chorou lágrimas salgadas. Ainda hoje chora, cada vez que se lembra do seu amado dia, por isso de vez em quando chove nos dias de nostalgia, por isso ainda hoje existe noite para que a vida possa continuar sem definhar-se na sua paixão pelo dia e por isso cada dia nasce um dia como forma de nascerem novos amores.
Olho e vejo que o mundo gira como se não houvesse outra coisa mais para fazer. Matuto na infância que tive, relembro os amigos que fiz e desfiz, m’atrapalho nos episódios que vivi e que agora não queria ter vivido, me gargalho doutros que foram belos e por isso ainda me lembro.
Afinal de contas quantos anos tem a hora? É! tudo depende mesmo da velocidade com que passam as lembranças assim neste cinema das recordações, neste filme de imaginação.
O zulmarinho está nas minhas costas como que a marulhar para ver se eu lhe dou atenção, que hoje eu não estou para ali virado.
Mas hoje mesmo me sento neste canto a ver para que lado se orienta a minha bússola. Nas raízes ou em novos troncos? Mesmo melhor é deixar passar as imagens do filme e ver onde é que aparecem as legendas, que eu não sou árvore mas tenho as minhas raízes, tenho o meu tronco e os meus ramos que dão outros ramos e por aí fora que isto não é aula de biologia.
Me lembro que um dia me contaram que o dia se apaixonou da vida numa paixão de ferver o gelo de um dos pólos se não mesmo dos dois. E nessa paixão que era correspondida, nunca se queriam separar um do outro. Daí resultou que a vida se murchava nessa não separação e o dia, ao ver esse mirrar na permanência, resolveu partir assim num suave descair de claridade até à escuridão fechada, dizendo à vida que se tinha apaixonado pela noite e que lhe ia visitar.
A vida, que não é parva de todo nem de nada, achou mesmo que ali havia mentira e deixou cair-se na tristeza, amargamente chorou lágrimas salgadas. Ainda hoje chora, cada vez que se lembra do seu amado dia, por isso de vez em quando chove nos dias de nostalgia, por isso ainda hoje existe noite para que a vida possa continuar sem definhar-se na sua paixão pelo dia e por isso cada dia nasce um dia como forma de nascerem novos amores.
Sanzalando
10 de dezembro de 2006
Num ritmo de antigamente
Mermão, senta aqui e escuta.
Sentes o cheiro de queimado?
Não é meu cérebro que ferve.
É mesmo a Sebenta de capa encarnada que ardeu numa fogueira de raiva.
Isto é eu a pensar que certezas nunca tive.
Faz vinte e muitos anos que deram a uma garina, uma sebenta encarnada onde Kafrondim escreveu o que na alma lhe corria. Tempos depois, assim como numa revolução de estudante que descobre que há outras coisas a fazer nos fins de semana, antes da época dos exames, te diria que na época dos enxames feitos momentâneas paixões, houve assim como que um flagrante delitro e meio, mostrando a ingenuidade do garino nas suas novas descobertas, que parece que virou inferno tal era o incendio que ia na referida alma da garina que era portadora de confissões poetico-românticas.
Mas manda vir a minha loira que eu não quero botar lágrima assim a seco.
Desconheço por esquecimento total e ausência de coisas modernas como copiadoras e similares, o que Kafrondim escreveu nessa referida dita cuja Sebenta. Mas vais ver inda era poesia cheia de cores de África e corações palpitando ao som do batuque que chamam coração.
Danço ao som do batuque
frenético
histérico
levantando pó
na sombra da mangueira
Danço ao ritmo da paixão
ardente
fervente
derramando sangue
no teu coração
Ou se calhar era mesmo só os deveres que ele devia cumprir com rigôr perante as razões da exigência dela.
Só mesmo as cinzas do inferno podem saber.
Ou será que a garina guardou no baú a sebenta e está a gente aqui a fazer conjecturas conjunturais de estruturas esbatidas na raiva.
Vou mesmo beber a loira e curtir as lágrimas com sabor de zulmarinho.
Sanzalando
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