recomeça o futuro sem esquecer o passado
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13 de setembro de 2009

sonho-te sem me despertar

Não despertei mesmo que tenha ido ao centro da cidade, mesmo que tenha abandonado o meu ponto de vigia na costa dum gosto que apeteceu sonhar. Não sinto a boca dorida dos silêncios guardados, não me doem as costas do peso da consciência e não me rio da injustiça que não tive. Nesta vida de sonho sinto a curiosidade de evitar tragédias que fazem rir, lágrimas furtivas que caiem por necessidade de controlo emocional. Sonho os sonhos que quero sonhar sem ter vencidos nem vencedores nem punhais expostos em mãos sem rosto.

Não despertei com o passar do tempo que passa sem que tenha tempo de me acordar. Ouço num suave tom de melancolia uma canção que ninguém cantou, um batuque que ninguém tocou porém segue-me a poeira da terra por onde alguém dançou.

Sonhar é a minha justiça e responsabilidade dos meus males e benefícios.

Não despertei nem quando voltei a ocupar o meu posto em que me treino para ouvir os recados das kiandas que me povoam.


Sanzalando

11 de setembro de 2009

prelúdio à nº 1

Voltei a sentar-me junto ao zulmarinho. Fiz as pazes é uma maneira simples de dizer que apenas voltei a estar a sentir a maresia, Envelheci ou pelo menos os meus ouvidos já não têm a sensibilidade que tinham para ouvir todas as mukandas que chegam vindas do outro lado de lá da linha recta que é curva. Também pode ser apenas uma falta de vinda aos treinos, um hábito perdido no vagabundear por terras estranhas em que por sorte voltei inteiro como fui apesar de partido como parti. Tentei apagar-me do mundo numa lamentavelmente mal sucedida fuga para a frente. Para já eles circulam ao contrário o que não me dava jeito nenhum e me obrigava a ouvir uns chiar de rodas cada vez que eu queria atravessar a rua. Eu tenho que arranhar perfeitamente a língua deles que a minha eles não entendem mesmo nada. E a palavra preferida deles para mim era What?! num que me obrigava a dizer-lhes que era mais assim a dar para o Charles o meu nome. Mal sucedida também porque quando eu pensava que estava isolado, embora rodeado de gente, lá aparecia em meu socorro uma voz a falar a minha língua. Coisa irritante, com a mania de no imediato falarem mal do sitio. Será que os gregos, os italianos, turcos, indianos, chineses e outros não sei quais tantos,

além de lá irem ganhar dinheiro também falam mal deles? Fiquei na incógnita e nela me vou ficar. Lembrei-me doutros noutras paragens para lá da linha recta que é curva e que fazem o mesmo. Feitios ou maneiras parvas de ser.

Nostalgicamente voltado para reiniciar o que nunca começou ou terminar o que não devia ter começado nunca que é esta viagem no meu eu dolente da voz calada e sabor a sal.

Não sei como voltei. Sei que meio de transporte vim. Não estou assim ché ché. Digo interiormente. Recuperado? Mas de quê? Na mesma? Como assim? Vamos ver como se me vão desfilar as palavras. Se saírem assim num emaranhado de canais difusos logo aparecerá alguém com paciência para desemaranhar a ideia. Ou não!



fotos retiradas do blog Aerograma e duma rua de Londres
Sanzalando

14 de fevereiro de 2004

retornar

Um dia segue no outro que nem dá para se cumprimentar. O cabelo vai saindo ou vai mudando de côr. Mas tem coisas que não dá para esquecer. O cheiro,o ar, as chuvas de Março que alagam as ruas. As corridas de carros de rolamentos na Rua dos pescadores.
No antigamente quando era criança... mas eu não cresci mesmo. Estou sentado procurando fotos para matar a saudade mas... Sentado na Oasis vendo quem passa, falando de tudo mas nada...Não, está faltando qualquer coisa. Não sei que é, mas que falta falta. Saudade!
Retornar 24-09-2003 20:34