Deixo palavras como quem deixa pegadas no caminho de areia que leva ao lugar comum.
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25 de agosto de 2024
15 de agosto de 2024
eu coleciono palavras
Eu coleciono palavras. As minhas frases são ideias e não simples frases feitas ao sabor dum paladar salgado ou agridoce. As minhas palavras são estórias de mim, pedaços que me rasgo da vida e guardo num mais tarde vou lembrar. Uso as palavras na simplicidade de as dizer de cor, nas vírgulas que vou entreter a mente, nos parágrafos que vou caminhar sobre mim num até um dia chegar.
Eu coleciono palavras, simples e sem qualquer peso específico porque as uso em frases ditas de amor e com coração, de alma feita corpo meu.
Coleciono palavras desde os tempos em que a idade não deixava colecionar amores imperfeitos.
Eu coleciono palavras.
19 de julho de 2024
Eu sou do tempo que o meu tempo tem
Ai uê. Quantas vezes eu dei comigo parece que parado no tempo? Mas o raio dele não parou. Eu tive que correr para lhe apanhar outra vez. Eu foi tudo dentro do meu tempo. Quando eu penso que é do meu tempo é porque é do meu tempo. Ele corre e eu lhe corro também. Não tem essa de ver velhinho só porque o tempo passou. É realidade que o tempo não para mesmo quando eu gostava que ele o fizesse. É do meu tempo mesmo que o tempo seja muito. Bom sinal. Eu posso dizer que eu tenho tempo. Olhando eu tenho tempo para ver, pensar, corrigir, emendar ou simplesmente acenar. Eu sou do tempo que o meu tempo tem.
16 de julho de 2024
tudo a seu tempo
Tudo tem o seu tempo. Tudo tem o seu modo. Tudo tem o seu momento. Eu sigo, às vezes poesia outras vezes um gelado, tudo depende do modo de ser e estar. Umas tardes vejo o Pôr-do-sol e apercebo-me da efêmera arte da vida, outras, sem paciência, carrego a solidão aproveitando-me de momentos da vida com paciência e amor próprio em que estou comigo numa entrega total. Todos os tempos são meus tempos enquanto por cá nadar.
13 de julho de 2024
A vida
É mais importante a vida que tenho pela frente do que aquela que deixei para trás. A passada foi importante, ficou na memória. A da frente, a que me espera lá chegue, essa tem de ser vivida, fazer dela memória. Preciso de toda a minha energia para a ter. Essa é a melhor vida que terei.
12 de julho de 2024
tempo veloz
Me deixo embalar pelo marulhar e me esqueço perdido de mim. Se penso não tenho tempo para parar e apontar o meu foco. Se relampago-me em flaches não consigo ser rápido a apontar e me esqueço do tempo que velozmente se gasta. Desejo amor e paz, numa ligação que pode ser a última se eu adivinhasse qual o meu presente segurado no passado que usei. Sinto a minha importância, sei-a decor. Não que me importe o seu tamanho nem me impressiona o seu poder. Não sei comparar pessoas mas desejo tudo de bom a todos os que, num ápice passam os olhos pelo que eu pensei.
8 de julho de 2024
bússola
Se eu abrisse mão dessa moral que me guia, dessa rota traçada na educação, nos pontos cardeais da cortesia, as estrelas exemplares da família eu seria um profano absurdo do demónio.
Se eu gritasse os gritos horríveis que me afogam de medos e pudesse caminhar nos silêncios da solidão, eu seria um absurdo isolado, um ilhéu de lapas e outras afinidades.
Se eu não fosse uma guerra constante entre o bom corrigido e o mau dissimulado, seria uma alma corrompida nos fracassos e derrotas, dos segredos e falsidades.
Se eu não fosse a justiça de mim escancaria a desonra duma sociedade cinzenta a casmurra que se joga no universo das desigualdades.
Eu não abro mão da minha bússola.
3 de julho de 2024
uma estória ou um conto
Me deito na areia da praia e me deixo sonhar acordado. Quem é que não gosta de ter o seu conto de fadas, a sua estória de encantar, um sorriso de engatar e um olhar a brilhar? Qual sapo que não queria ser um príncipe? Qual princesa que não gostaria de ter um sapato de cristal. Mas simplesmente temos o Adão que comeu a maçã dada por Eva, e temos o inferno à mão.
Não preciso ser alto, loiro e de azul olhar. Basta-me ser eu e ter a minha estória para contar. Sou príncipe de mim, brilho no olhar mesmo que já veja pouco, sorriso nos lábios que dá para enganar princesas de cristais pensamentos e doces carícias.
Sim, vamos ser felizes para sempre, desde que o nosso para sempre não seja interrompido antes do final da estória.
2 de julho de 2024
vento
Deixo o vento levar-me as ideias e o pensamento. Sento-me vazio num mental descanso. Despenteado, olhos perdidos no longe que não vejo, vagabundo-me do meu corpo como se fosse um canavial ao vento.
Não, não quero pensar, não quero querer nem quero estar para aqui a dizer-me coisas. Estou só ao vento sem me sentir sozinho.
Deixo o vento levar-me e vou.
30 de junho de 2024
à beira-mar
Estava eu deitado na areia a olhar quando me lembrei que sonhei-te uma noite destas. Eram momentos lindos. Frames de um filme sonhado e não realizado. O lugar era-me desconhecido. Devia ser longe porque o céu brilhava sobre um sol claro e transparente, uma luz sem cor, nítida visão repousava em meus olhos. Eu via o teu sorriso com uma nitidez em forma de felicidade, a tua timidez era desconcertantemente bela. O teu olhar trazia-me tranquilidade. Era feliz, incrivelmente feliz. Sorri-me
Foi um sonho lendário que recordei à beira mar
27 de junho de 2024
eu aprendi
Eu aprendi o ouvir-me no som do silêncio, a alegrar-me ao ritmo da nostalgia e a aquecer-me no calor da tristeza.
Desde o nascimento que começa o sofrimento se continuarmos a olhar para a vida de forma como ela nos violenta. Irreparavelmente gastamos um dia de cada vez.
Eu aprendi a abraçar e na ausência do contacto a minha imaginação era o meu palco.
Eu aprendi a sorrir e na paciência das horas fui abraçando os silêncios, as saudades e aqueci-me nos sorrisos dos dias tristes de inverno.
Eu aprendi que a vida é uma gargalhada que dura a eternidade que eu tiver.
26 de junho de 2024
razão de ser
Me deito na praia e vou por aí, de onda em onda, surfando pensamentos e tropeçando em remoinhos como se tivesse muito em que pensar.
O meu silêncio é ruidoso e o meu pedido de desculpa ao mundo é ensurdecedor.
Na verdade eu sempre quis ser herói e fui lutando pelo lado mais fraco, ataquei dragões, ultrapassei sombras e esfaqueei pesadelos, com o princípio final de querer ser o herói do meu filme mental. Pouco me importei com a razão tirando a razão de ser, tirando o tem de ser. Não dei importância à ordem natural das coisas, o que tinha de ser era. E eu era o meu herói. Arrependido? Nem um pouco. Por isso o meu silêncio continua ruidoso e o meu pedido de desculpa deixa o mundo surdo que nem me ouvem.
Sou o meu herói e mantenho o meu principio de que a razão de ser é igual ao ser da razão.
24 de junho de 2024
calema mental
Deitado na areia perto do mar dou comigo a navegar por ondas pensantes que às vezes até parece é calema no meu cérebro. Pensamento atrás de pensamento que me enrola e quase me afogo.
Porque é que as pessoas não aprendem com os seus erros. Errar é humano e como tal se deve aprender a não cair outra vez mais no mesmo. Mas só porque as pessoas ficam tão preocupadas a negá-los ou a arranjar outros culpados que ficam sem tempo para apreender que o erro é mesmo deles.
Mudo de posição e me sento deixando os olhos a se perderem na lonjura da distância alcançada por eles que até me esqueço que sou gente que vê bem mal ao longe e ao perto finjo nem ver. Talvez seja por isso que dizem que eu sou pessoa sensível quando mal me tratam. Não sou de calar, nem de protestar mas pelo semblante dá para notar.
Me deixo ficar, onda sobre onda, pensamento sobre pensamento, um fim de tarde há de chegar e eu vou voltar ao sossego de mim.
21 de junho de 2024
olhares
Quando ela me atirou o olhar, eu entendi o poder do fogo.
Eu era adolescente, eu fiquei adolescente.
Ainda hoje eu estou dolente, um misto de magoado e triste, queimado na alma.
Quando ela me atirou aquele olhar... cada vez que recordo estremeço.
Há olhares que não se olham nunca mais.
20 de junho de 2024
quando falta o chá
A culpa é sempre da bebida.
Se chega a noite e na solidão do escuro silêncio resolves descarregar a bílis e ódios acumulados em reprimidas opções num teclado sob o pretexto de ganhar estatuto ou notoriedade, a culpa é da bebida.
A culpa é sempre da bebida.
Ou da ingerida de elevado teor alcoólico num modo de afogar traumas e sofrimentos sentidos, ou no modo de apagar pensamentos ausentes, intelectos defeituosos. Ou da bebida chama chá que devia ter vindo com o manual de instruções associado ao berço.
A culpa é sempre da bebida. Ingerida ou da que faltou.
Se chaga a conversa e não sabes construir uma frase explicita e implícita, é por culpa da bebida. Ingerida ou por ingerir.
A minha avó bem me dizia: cuidado com a falta de chá.
19 de junho de 2024
o meu tempo a tempo
Me deixo embalar pelo marulhar das ondas. Quase adormecido me deixo sonhar com tantas coisas que gostava de ainda fazer. Resposta para todas: se ainda não fiz foi porque não quis ou não calhou? Sou modesto nos sonhos, sou realista nos desejos. Me deixo sossegado a pensar como seria se eu tivesse já feito tudo e mais nada houvesse a fazer. O mundo estaria acabado. Pelo menos o meu. Por isso ainda tenho tanto para fazer que não sei onde arranjarei tempo para isso. O tempo é inesgotável, menos o meu, limitado em dois pontos: nascimento e morte. Não posso sonhar fora deste limite temporal. Outros poderão continuar o meu tempo mas no tempo deles. O tempo continua, mas cada um no seu, embora todos os tempos sejam tempo
18 de junho de 2024
meu secreto mundo
Meu secreto mundo é a história não contada de mim. As lembranças perdidas, as memórias esquecidas, os sonhos desprezados e os desejos desperdiçados. Retornado ao mundo encantado onde criança fui o mestre daquela jornada, sabiamente conduziria melhor o leme que a minha atual versão, adulto civilizado. Ela interagia com as estrelas, acreditava na magia, dançava e sorria fácil e alegremente. Em seu modo ancião, distingo o abstrato do concreto e intuitivamente direciono-me para o intangível. Quanto tempo tardarei para absorver a verdade? Creio que os considerados loucos são aqueles que a buscam. E os que a encontram? Os sãos permanecem em sua zona de conforto assistindo hipnotizados aos programas na televisão, vivendo uma vida no automático modo de deixa seguir, pura robotização.
A rebeldia peculiar eu a perdi na ferrugem do tempo.
Sanzalando
17 de junho de 2024
me deixo
Me deixo estar a olhar o zulmarinho que até parece virei estátua de pedra despolida e abrasiva. Olho só para longe, num qualquer princípio de mim a tentar apagar qualquer fogo aceso que me faça pensar eu sou o salvador do mundo. Não sou narcisista nem nunca fui prodígio, nunca fui único a pensar. Não, nunca precisei fingir ser quem não sou. Às vezes deixo escapar ideias, outras vezes troco por silêncios palavras que devia falar. Me destroco em vagas coisas que me afundam os pensamentos e deixo de ter tempo para para outras avarias ou arranjos.
Me deixo só olhar como se fosse um final de dia a descansar.
16 de junho de 2024
onde me encontrar
Aqui me encontro comigo. Me procure onde me procurar eu sei que me encontro sempre nas minhas memórias. Nas páginas passadas do meu ser, na minha existência está a minha essência. Vou procurar mais aonde? Aqui me encontro sempre. Às vezes até dá para as escrever, às vezes até dá para ter saudade e tem vezes que faz conta nem lembra. Mas sou eu na mesma. Alturas há que colapsei, outras que eclipsei e outras em que brilhei. Mas sou sempre eu.
É aqui que me encontro.
13 de junho de 2024
por este mar (tentei ser poeta)
Por este mar viajo, falo e canto se soubesse eu cantar.
Por este mar me embalo na vida tantas vezes sem parar.
Por aqui, sabor a sal, avanço sem medo.
Por este mar arrisco decisões e não guardo segredo.
Por este mar não vivo pela metade.
Por este mar vivo-me por inteiro
Por este mar olho a minha verdade
Por este mar arrisco ser certeiro
Podem atirar-me balas
Sigo por este mar sem medo
Podem adultera-me falas
Porque eu não tenho segredo
Por este mar meus sonhos são definidos
Meus pesadelos são acalmados
Por este mar não tenho outros sentidos
Nem outras queres alcançados.
Poe este mar me fiz poeta
Por este mar me acalmo
Seja verdade ou treta
Por este mar me faço salmo.
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