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30 de janeiro de 2010

50 - Estórias no Sofá - Principe e Princesa, noutra versão

Me apetece contar uma estória de fadas imperfeitas e acções de herois com falta de coragem. É mesmo assim uma estória de coisas reais de lugares comuns, rica em carbono da expiração dos seres habitantes dum lugar, a chafurdar de sons de passos dados em passeios imperfeitos duma rua barulhenta onde existe um palácio de lata e zinco, de multiplas divisões e nenhuma soma. Um palácio repleto de obras de arte de reciclagem, desde o mobiliário à decorção e onde moram a princesa e o seu príncipe. De verdade que a suas vidas sempre fora carregada de mares calmos, de viagens longas até ao asfalto onde se respirava assim mais ou menos melhor sem tanto carbono em decomposição, onde se podia saborear o perfume da lixívia já que no seu palácio esse odor era de imediato absorvido por outros bem mais fortes e carregados, onde se ouvia uma lingua que embvora parecida com as suas era um sotaque que ia dizer era estrangeiro. Enfim, viajavam muitas vezes para se enamorarem ainda mais e sempre se prometerem que um dia iriam viver para sempre nesse estrangeiro distante ao pé da porta do seu palácio. Tudo à sua volta era a perfeição anárquica do subdesencvolvimento urbano. Não, eles não pensaram isso que eles não sabiam pensar em estrangeiro que às vezes nem percebiam ao ouvir.

Um dia a princesa acordou e desacreditou no seu sonho, perdeu de vista esse horizonte de mudança e assustada se deixou enrolar pela doença e desatou a gritar que até a morte lhe queria beijar os lábios mas aí ela resistiu que a doença não era assim tão grave para lhe roubar a vida de dentro do seu palácio de lata e zinco. Mas o medo lhe trepava as veias e com ele lhe subiu à cabeça o medo e desatou a se afastar do príncipe e se enrolou na manta suja da rua inundada de carbono e outros péssidos odores putrefactos. O príncipe se ansiosou na luta contra fantasmas que não via e ela lhe mostrava e aos poucos se foi afundando no escudo prometido do desassosego de ver em duplicado numa cabeça que rodopia ao mais pequeno movimento chegando a levar ao vómito só o facto de olhar para um candeeiro que parece girar não sobre o sei eixo mas sim sobre uma circunferencia larga ou curta conforme a hora do dia.

Os carbonos se foram multiplicando, as viagens se foram diminuindo e se contruiu um muro de inviseis fronteiras sobre os outrora principe e princesas apaixonados que uma vida atrás sonharam mudar de lugar, para um estrangeiro próximo, onde as ruas eram de alcatrão, o ruidoi era de carros e o perfume ainda conseguia sobressair.

Saltou a indiferença dos olhos da princesa que apenas passou a ver o lado vazio das coisas, onde eram pétalas de calendário passou a haver muros de prisão mental.

O principe parece putreficou a sentir pelo nauseabindo odor que emanava e o palácio de lata e zinco se queijou num esburacado monumento irreal.



Sanzalando

10 de novembro de 2009

49 - Estórias no Sofá - O Príncipe e a Princesa

Era uma vez um conto de fadas. Ao contrário, é claro. Um conto de pessoas imperfeitas e em que as acções não têm nem valentia e nem aparecem heróis lendários. Até o próprio lugar é um lugar comum, poluído pelos gases dos muitos carros que engarrafam todas as ruas da cidade. Cidade repleta de prédios, onde num por aqui ou por ali se encontra ainda um que tenha uma história do tamanho da memória. Não muito grande, é claro! Uma cidade cheia de obras, que não são de arte, embora muitos sejam os artistas que nela circulam.

Mas dizia eu que era uma vez um príncipe e uma princesa, sem reino próprio qualquer deles, que viviam felizes nessa cidade, ou pelo menos viviam tranquilos, transparecendo um mar de calma que era interrompido de quando em vez por banquetes faustosos ou viagens luxuriantes por estrangeiros fora de portas. Mas eram felizes estes príncipes amantes. Tudo lhes parecia perfeito e o futuro não lhes incomodava.

Mas na verdade, um dia, sempre há um dia nestas coisas da vida, a princesa desconseguia de ver o horizonte e agarrada à escuridão da vida se deixou levar pela letargia. Todas as noites gritava, sonhava que a morte lhe beijava os lábios e perdida de medo foi-se fechando cada vez mais, putrefacta em ansiedades irreais.

O príncipe, angustiado, lutou contra fantasmas e foi desferindo golpes carregados de irracionalidade e de indiferença. Mas toda a sua luta caia num vão sem fundo e a princesa cada vez falava menos enquanto construía um muro de incompreensões.

O reino inexistente, aos poucos, se foi consumindo e os meses passavam mortos num cinzento calendário enquanto a cidade se engalanava para grandes festas que em breve iam acontecer.

Um dia, ao acordar numa qualquer manhã, a princesa deu conta que nessa noite não tinha sonhado com a morte. Esboçou um sorriso, curto, rápido que ninguém teve tempo para dar conta. Aquela pessoa que havia sido um complemento perfeito da felicidade tinha para sempre desaparecido dando lugar a um ser vivo quase morto, vazio e carente de alma.

O príncipe tentando manter a mente sã rodeou-se de gordura e deixou-se perder na floresta de cimento, todos os santos e diabólicos dias e noites. Cada vez com mais frequência voltava ao seu palácio, madrugada alta, descalço, desorientado no andar e carregado de falsos pôr de sois que lhe queimavam os poucos pensamentos de outrora.

Na cidade passou a reinar o silêncio, o sorriso era pálido para não dizer incolor e já ninguém se lembrava do príncipe e princesa que embelezavam as festas faustosas e badaladas. Dela nem um rumor se ouvia. Dele, contavam-se estórias, quase sempre nocturnas, carregadas de vinhos e fumos de fazer rir, mulheres bonitas e paixões de faca e alguidar.

E a cidade crescia, para os lados e para cima numa similitude ao príncipe que se afundava no pântano da divida, traição, vingança, bruxaria, feitiçaria e onde mais iria parar se esta estória não acabasse aqui?



Sanzalando