recomeça o futuro sem esquecer o passado
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2 de agosto de 2024

caminho

Olhei o tempo e me parei nele como a lhe querer dar uma nova oportunidade. Faz conta mesmo eu lhe estou a fazer um balanço de um ano qualquer, como lhes faço doutros anos, habitualmente. Lhe marquei de lápis vermelho, como o tempo das duras provas, das decepções, das emoções, aprendizagens e outras sacanices. Lhe marquei faz de conta era o ano pior de todos os anos até ali. 
Na soma simples das coisas se verifica que a soma das coisas más é superior à das coisas boas.
Repensei e as coisas más se tornaram em coisas boas, devido ao alto conteúdo educativo que lhes consegui retirar. De todos mesmo eu acho é eu me ter tornado humanamente mais rico, mais culto e com maior capacidade de ouvir e ver, sem ter de responder, sem ter que dar satisfação ou simplesmente me desculpar.
Mas mesmo graça a deus é já outro ano e cada ano vou fazendo contas e os fracassos e êxitos fazem parte da história da minha estória e eu lhe agradeço.
Mas a verdade é que o silêncio da acumulação dos anos se vai notando num crescendo infinito de silêncios escolhidos sem fazer piruetas invisíveis de saudade e desterro.
Olhei o tempo, olhei-me por inteiro. Sou eu no eu que gosto muito de ser e me orgulho porque é o caminho que escolhi e sou feliz.



Sanzalando

4 de julho de 2022

caminhos

Me levo por ai. Meus passos pequenos, lentos e apreciativos, me fazem caminhar a ver as coisas que estão no caminho. Acho não fazia qualquer sentido caminhar sem sentido ou propósito. Jamais caminharia por um caminho que não me desse nada em troca. Às vezes só o descanso que ele me dá é mais eficaz que mil remédios tomados. Quantas vezes troquei o caminho todo em troca de todo o caminho? Jamais caminharia por um caminho que não posso caminhar. Todos os meus caminhos, por mais à sorte os escolha, são conquistas de alma e coração, que os faço completamente desarmado porque os faço em paz. 
Os meus caminhos não precisam ser antecipados, idealizados,  mas sim caminhados, apreciados e tantas vezes memorizados


Sanzalando

7 de março de 2022

é tempo de pôr fim neste caminho

É tempo de deixar o caminho destas palavras e seguir outras palavras por outros caminhos. Acho que só preciso dum sinal, uma pequena luz, uma fagulha, pouca coisa para sair da obscuridade mental destes caminhos da positividade, do conhecimento e do saber de mim feito.
Foram caminhos leves a maior parte da caminhada. Também os apanhei lamacentos, labirintos, tortuosos. Agora penso ter chegado a altura de pôr em prática todo o aprendizado, toda a sabedoria acumulada e a experiência devas saboreada. Só não quero é acordar com o coração coberto de neblina nem me cruzar com palavras esquizofrénicas que queiram ter vida própria e me enrolem em raciocínios toldados em névoas ideias isoladas e solitárias.
É tempo de ter tempo para outros voos.

Sanzalando

6 de março de 2022

eu

E caminhando dou comigo a saber que mais ninguém para além de mim sabe por onde andei, o que senti e o quanto mereço ser feliz. Tem gente que pode adivinhar. Tem gente que pode tentar a sorte e dizer que não. Mas quem sabe sou eu, eu que andei no mar raso, andei no mar bravo, que surfei dias nas ondas da vida, que deslizei ao vento nas pranchas fixas da imaginação. Eu que um dia descobri que se o corpo não tem asas, a imaginação tinha. Eu que sei que por mais longe que vá não saio de perto de mim. Eu que ouvi o meu respirar nas noites de insónia, nas tardes de verão quente, nas manhãs de cacimbo, ao longo destes anos sem me largar de porto seguro. Eu que às vezes dou comigo a lembrar as dores da saudade alegremente.


Sanzalando

5 de março de 2022

autobiografo-me

Por estes caminhos onde andei e nos que me perdi, não me arrependo de os ter feito. Posso arrepender-me das vezes que descansei, das que assobiei para o lado parando os passos ou desviando-me aparentemente consciente, sem ter tido a paciência de pensar que um passo mais teria feito muita diferença. Posso, mas não quer dizer que esteja a sofrer por isso. Tenho consciência e sei que poderia ter recuperado, melhorado, feito de uma outra qualquer forma, mas não sofro. Melhoro-me.
Por estes caminhos fui aprendendo que sou o melhor que há em mim, apaguei ou minimizei aquela parte do outro lado da minha lua. Eu sou aquele onde o coração dança e a cabeça toca música, eu sou a minha paz, um todo da minha existência concentrada no passado, presenta e restante futuro.


Sanzalando

4 de março de 2022

sem pressa de chegar

Cá vou eu pondo-me ao caminho como quem caminha sem pressa de chegar. Se por acaso passar por ti e não te disser os bons dias, se as horas te parecerem madrugada que nunca mais acaba porque a minha ausência se tornou notada, é porque fui por um caminho sem pressa de voltar. Não tem nada a haver contigo, porque a tua presença ser-me-á sempre necessária. Tem mesmo que ver com a minha necessidade de caminhar e me tornar num caminhante sem segredos, medos e outros degredos. Sei que quando eu voltar a minha mente será um brilhozinho de esperança, alegria e eis-me regressado para todo o sempre, mesmo que fisicamente ausente.


Sanzalando

3 de março de 2022

caminhando pela vida

Sempre caminhando, com intervalos para fazer outras coisas que não seja pensar, vou em frente na vida, tendo como certo que na minha lápide eu terei muitas datas da minha morte. Tantas vezes morri de amor, outras tantas de riso, outras menos de vergonha e poucas de medo. Foram tantas as minhas mortes que já não sei se vivo ou estou no paraíso a sonhar com isto. Na dúvida continuo a caminhar até chegar ao meu verdadeiro ponto final que espero seja mais tarde, perto dum nunca.

Sanzalando

2 de março de 2022

merecidamente

Me dei férias ao caminho e sentei-me no lancil do passeio a pensar. Um homem não é de pau e os músculos são feitos para descansar, também. 
Aqui sentado, cara protegida da brisa que teima em me arrepiar porque está fria, vou trocando pensamentos como quem tem muito para pensar e o tempo é curto. 
Se desato a pensar em alguém específico começam as dúvidas. Lhe vou pensar nos lábios sorrindo, nos olhos brilhantes, no seu face pensativo, na forma da sua gargalhada, no seu ar confiante? Este pensamento pode não ser real porque é fraccionado e os pensamentos dispersam-se veloz e activamente porque buscam a perfeição. 
Acho que vou só ficar a pensar num beijo no meio de tantos perdidos e saborear o descanso que mais que merecido.


Sanzalando

25 de fevereiro de 2022

amigos ao caminho

Vou por estes caminhos, por vezes cansado, outras vezes farto e tantas vezes com um brilho de esperança. Sigo por aí conversando, tantas vezes apenas comigo e outras pensando num tu qualquer, próximo ou distante. Hoje apetece-me perguntar, a esse tu qualquer, próximo ou distante, se tens algo que queiras partilhar. Não só as coisas boas para rirmos junto, podem ser outras coisas para chorarmos. Os amigos estão por aqui. Os amigos são isso, são companhia para o caminho, seja ele qual seja.


Sanzalando

24 de fevereiro de 2022

atemporal

Aqui vou eu, passo seguro, tentando saber mais coisas de mim. Quem sou? Sei o que fui, sei o que fiz. Mas quem sou agora? Somatórios de muitos eus passados. Amanhã como serei? Afinal de contas sei que sou um ser intemporal. Já tive o meu tempo, tenho o meu tempo e não sei que tempo terei amanhã. Existo ou sou uma ficção de mim?
Neste caminhar, por fezes confuso, outras tantas assertivo, nem eu sei mais quem sou nem o que serei. Quanto mais tempo o serei? Tanta pergunta para um caminhar que quero simples.
Tudo me é temporal, até os dias maus. Eu sou intemporal na memória. Minha e colectiva. 
Acho que sou apenas atemporal.


Sanzalando

23 de fevereiro de 2022

os meus caminhos

Todos os meus caminhos são intemporais. Às vezes caminho quando estou em repouso quase absoluto. Outras, no meu maior período de concentração, encontro o caminho. Não tenho lugar no repouso, não tenho camas paradisíacas em cenários infernais, ou vice versa. Não tenho modo nem circunstância de ir acompanhado ou sozinho. Os meus caminhos não tem destino nem destinatário, não são direcionados nem anacrónicos. São directos, por mais curvas que faça, são passagens por mais tempo que fique parado. São concretos ou abstratos, sáo estados de espírito, explosivos ou dormentes.
São apenas os meus caminhos.


Sanzalando

22 de fevereiro de 2022

nos caminhos

Neste caminho, tantas vezes feito de palavras e poucas de silêncio, tenho vezes dificuldade de encontrar uma forma de dizer que o coração e a mente não podem andar desencontradas, não pode haver caos, assim como não deve haver uma constante procura de equilíbrio, de confiança entre os dois. Lentamente ambos têm de se encontrar nesse tal ponto. 
Se não for assim, num caminho que tem armadilhas, um coração dilacerado ou ferido, uma mente arrancada a ferros da racionalidade ou confusa, levam-te por irrealidades, por esforços vãos, lugares empedrados e esquecidos nos confins da memória. Em resumo, por pesadelos que não tiveram importância na devida altura e que agora sobressaem por poros enfraquecidos de desequilíbrios mentais e físicos. 
Não há caminhos prometidos nem verdades num simples olhar. Há corações partidos e mentes em ebulição em todos os lados da trincheira. Há que escolher o caminho, equilibrando lágrimas e sorrisos, numa possível inundação de vida

Sanzalando

12 de dezembro de 2021

uma carta a São Correia, uma amiga incomparável

São Branca/São Correia:
Desculpa só eu ficar assim num de espanto que nem figura de desenho animado quando os olhos saem das orbitas e os membros se esticam parecem têm câimbras. Te liguei, te ligaram e nada nem de volta havia resposta. Que aconteceu. Ninguém disse e ninguém sabia. Em Lagos te perguntei e que não sei. Cabeça piruetou nas mil invenções de pode ser. Silêncio e tudo foi passando um dia e outros e mais uns tantos por cima da última vez que nos vimos lá para os lados de Barão de S. João.
Fizeste anos e o habitual parabéns foi por vias do tal de Facebook. Nada. Por mensagem uma amiga comum diz qualquer coisa que obriga a uma investigação apurada. 
Tu, a mulher de mil ideias, a mulher de sete ajudas e outros tantos ofícios, imparável, incomparável, estavas imobilizada por causa duma doença que não mata mas mói, como alguém escreveu por ti. Pensas e vez. Comunicas com o olhar e eu sei que sabes que agora estão mil cérebros a puxar por ti, desde a Angola que não conheces mas muito fizeste, desde este cantinho da Europa, norte a sul, desde as ilhas atlânticas que tanto amas através das tuas meninas de Cabo Verde. 
Ainda não acredito e de mãos e pés atados aqui estou, como me disse o Ondjaki: a pensar em ti nas minhas preces

Sanzalando

7 de agosto de 2018

Fogo varre a serra

Como é que é? Tem nuvem que é fumo e tem chuva que é folha de eucalipto queimado. Respirar custa que nem parece coisa normal e olhar parece ser esforço de cacimbo. Mas lá por trás se adivinha o sol que parece uma semente a querer romper a terra para nascer. 
Faz conta eu vi no passado, numa tempo ruim, num inferno recordado, num clarão de vermelho fogo sobe a serra, desce a serra, varre vento, nasce vento, cria vento e nada faz parar. Não consigo pintar com palavras, não tenho desenho nem foto, só tenho mesmo é memória vivida, desorganização de sonhos, virar de cabeça para baixo, inverter o verso e o reverso e explicar o que parece não é explicável.
Talvez um dia alguém me explique, porque hoje os Homens estão cansados e o pensamento torna-se confuso que é melhor deixar descansar.


Sanzalando

1 de maio de 2011

Mãe

Me sento por ai num deus dará de lugar, como sempre, com o velho jornal mal lido e o meu café arrefecido. 
Vejo o mar, sinto-lhe o perfume e inspiro frases de memória que mais tarde esquecerei e me recordo que as coisas que não aprendi na escola me têm sido ensinadas na vida através do tempo, na viagem que faço através de mim, com sonhos e ilusões trespassadas na alma, como tu tantas vezes me ensinaste. 
Aqui, num algures da minha vida, me arrasto com a alma livre procurando palavras que possa revelar um coração paradoxal.
Aqui, num Maio de vida, em que tento ser mais que um vazio, procuro paralelos mundos em que a magia das pessoas não se escondem num divã, não se atrapalhem num rosto triste nem se transformem em lágrimas fáceis de chorar.
Aqui, degrau da longa escadaria que ainda me falta percorrer, acredito que o bom tempo virá e que quando os sonhos se acabarem ficam as coisas reais e quando não tiver mais palavras ainda me sobra o silêncio para desfrutar.
Aqui, na minha solidão interior, na minha desarrumada memória, prateleiras de sonhos e desilusões, encontrei o rosto da minha mãe e chorei. Chorei passados, malfeitorias e outras travessuras e não consegui sorrir com uma alegria que te tenha dado. Sei que foi apenas porque desarrumei a vasta memória que tu tão pouco conhecias e tantas vezes te surpreendias. 
Aqui, no meu silêncio interno, procuro dar-te um beijo e dizer-te que foste tão importante para mim que muitas vezes me esqueci de olhar-te porque sabia que me olhavas sempre, esqueci de dar-te um presente porque sei que tu me ias perguntar para quê se te bastava ver o meu sorriso no olhar.
Aqui, mãe, só te quero dar um beijo porque sei que aí em onde estás, me olhas de ar protector e a tua mão, sobre o meu ombro, indelevelmente, me guias.
Aqui, na tua memória, me recordo dessa alma pura que tudo me desculpaste.
Um beijo grande, mãe, onde quer que estejas.


Sanzalando

5 de setembro de 2008

novo contrato

Acho chegou a hora de despedir do zulmarinho, dizer adeus à linha recta que é curva, pensar noutros ares que se me dão. Sei que lhe vou sentir a falta do perfume da maresia, de passar as mãos pelo cabelo revoltado no vento que sopra mais forte que a brisa. Acho que chegou a hora de juntar à eterna nostalgia a nostalgia deste zulmarinho que me serve de ponte, elo de ligação ao início dele, porta voz das vozes das kiandas.
Mas assim decidido fica também manifestado a intenção de selar um pacto de amor em que me comprometo a respeitar o mais amplo sentido das palavras e dos silêncios; nenhum de nós manterá malentendidos que possam causar dano no nosso fiel propósito de nos amarmos; ambos teremos direitos a carícias e mimos com o simples propósito de renovar este contrato; estão permitidos os silêncios desde que não por birra ou zanga; os actos de amor nunca serão escondidos.

Sanzalando

3 de setembro de 2008

Poema de Outono

Me inspiro no céu com letras imprecisas dos passos que dou em sentido lato.
Não ouvi ruídos de guerra, não vi corpos em cinza, não senti o perfume do medo.
Não vi leões de corpo humano sedentos de sangue devorando adeuses.
Não vi mundos caídos em tornados de fim do mundo.
Não vi corpos de anjos voando à minha volta escravizados na imortalidade.
Não vi genocídios escondidos em esperanças perdidas, não vi ódios, não vi raivas.
Me inspiro no céu para pôr em letras os caminhos que calcorreio de imaginação em imaginação directo à esperança.
Me inspiro no céu da cor do zulmarinho para dizer adeus, até mais logo.

Sanzalando