recomeça o futuro sem esquecer o passado
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27 de janeiro de 2012

era feliz e não sabia

Os cabelos não têm mais o brilho do antigamente, nem a cor é mais a mesma.As imagens parece levaram uma camada de cacimbo na memória. É, custa mais lembrar os nomes dos putos da rua, que jogavam à bola, que brincavam aos cowboys, polícias e ladrões, garrafão ou trouxa lavada. Que altura tinha na altura? Isso era mais importante? Só queria ser mesmo era ser o maior, o melhor outras vezes o pior, dependia da circunstância.
Engraçado. Quando somos crianças, putos vadios de ar sério e respeitador,queremos tanto crescer. Um dia vou ter um carro. Vou comprar uma casa, pagar as contas sem ter que cravar na kota, sem ter que ter música na ponta da língua para cantar a canção do bandido. Nessa altura não sabia nem imaginava que existia essa coisa de chamada problema, esses sentimentos que fazem chorar, sofrer calado.
Agora estou a pedir mais o quê? Pedir que volte a ter mais a idade do fácil viver, do cair da bicicleta e esfolar os joelhos num não faz mal que vai curar e esquecer? Do tempo em que não faz mal se correu mal, do esconder atrás da esquina e espreitar ela vem ali. 
Tou a imaginar eu quero voltar ao tempo em se eu chrasse o mundo à minha volta ia fazer tudo para eu rir outra vez.
Sim, eu queria voltar ao tempo em que era feliz e não sabia.


Sanzalando

4 de julho de 2009

Recordando textos velhos

Vamos mandar pela goela abaixo umas e outras birras mais que geladas, ouvindo o zulmarinho no seu maraulhar cantar baixinho as rosas de que lhe dei, o infinito amor, o eterno amor. As músicas do Minguito que ele as canta como ninguém. ouve só com atenção. Ainda não as ouves? Mermão manda vir outras e te deixa embalar neste jogo de imaginação para conseguires ouvir neste silêncio da noite de lua cheia todas as canções do zulmarinho.Ai esse tango esse tango, o tango da minha vida.Puxa do acordeão e vais ver se ele não te canta as músicas todas e sem desafinações.
Esse zulmarinho que nos separa unindo como cabo submarino tem encantos que só ele mesmo sabe encantar. O cheiro da terra molhada, os salpicos do sal, tudo vem desde o início dele, lhe está na alma.Vês, mermão, de vez enquando vem onda maior, assim como onda de raiva, que se espraia mais longe nessa praia que lhe tenta travar, mas não tem nada que lhe trava, é mesmo ele a dar uma de rock, a imitar os stone dos tempos de antigamente.
Manda vir só mais uma geladinha para mim. Quero beber até esquecer que estou deste lado do zulmarinho. Quero esquecer apenas que estou.


8-12-2004


Sanzalando