recomeça o futuro sem esquecer o passado
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3 de setembro de 2008

Poema de Outono

Me inspiro no céu com letras imprecisas dos passos que dou em sentido lato.
Não ouvi ruídos de guerra, não vi corpos em cinza, não senti o perfume do medo.
Não vi leões de corpo humano sedentos de sangue devorando adeuses.
Não vi mundos caídos em tornados de fim do mundo.
Não vi corpos de anjos voando à minha volta escravizados na imortalidade.
Não vi genocídios escondidos em esperanças perdidas, não vi ódios, não vi raivas.
Me inspiro no céu para pôr em letras os caminhos que calcorreio de imaginação em imaginação directo à esperança.
Me inspiro no céu da cor do zulmarinho para dizer adeus, até mais logo.

Sanzalando

1 de setembro de 2008

solitário

Caminho solitário e solidário. No meu diálogo interno e intenso descubro que a paixão e o amor são necessidades básicas de mim. Ou o amor e a paixão que a ordem aqui não tem interesse. Mas num repente tropeço na ideia que sou capaz de viver sem amor, que sou capaz de o imitar, argumentar, imaginar ou falsear. Lhe sou capaz de inventar até. Mas paro a caminhada para pensar melhor e concluo que com a paixão isso eu não consigo. Porque a paixão ou é ou não é!
E assim caminho solitário.

Sanzalando

29 de agosto de 2008

Vou caminhando

Vou caminhando que um dia vou chegar lá. Num lá que fica para lá do desejo, para lá da branca noite dum poema de amor, do branco silêncio do encontro de duas almas gémeas.
Vou caminhando sobre as palavras, equilibrado na sombra das recordações perfumadas de maresia.
Tu e eu num movimento perpétuo, luta corpo a corpo, sombras sombreadas de vida.
Vou caminhado até lá chegar.

Sanzalando

28 de agosto de 2008

sobre linhas

Os meus caminhos são percorridos entre duas linhas. É, parece eu sou um equilibrista que caminha sobre corda, dando os meus passos na busca do equilibrio dos pensamentos, sentimentos e do que faço ou não.
Tem dias que é dificil e nem sempre consigo.
Hoje é um dia destes.


Sanzalando

27 de agosto de 2008

às vezes

Aqui vou eu neste incerto caminho das palavras e ideias. Às vezes aqui estou apenas por medo que notes a minha ausência, que sintas que o meu corpo não está nos teus braços. Às vezes me apavoro de pensar que possas pensar que eu não te estou a contemplar, a te adorar. Às vezes cubro-me de silêncio para que não vejas as lágrimas que deixo fugir de mim.
Aqui estou na viagem do teu corpo, sílaba por sílaba, sem ter tempo para ter tempo e às vezes sem futuro.
Sanzalando

26 de agosto de 2008

sonhos

Te parto todo com esse teu trim que me acorda ainda não são 7 da manhã.
Acordar é uma maneira de dizer. Como que é que eu podia dormir se eu pensei que estava toda a noite contigo?
De olhos fechados te olhei e te admirei ver enquanto dormias e eu entrava nos teus sonhos. Te deixei adormecer fingindo eu que dormia, te enrolaste a mim num abraço forte como se eu fosse o teu boneco de criança. Desconsegui mexer-me e quase não respirava para não te incomodar.
Me deixei assim ficar a te admirar até que esse trim agora me manda ir pelo caminho, olhar o zulmarinho e com o sabor da maresia saber que eu tinha sonhado mais uma vez contigo.

Sanzalando

22 de agosto de 2008

certezas

Me sento na areia que esteve outrora escaldante. Faz vento que me despenteia mas faz tempo que deixei de lhe ligar. O zulmarinho e vento fazem mesmo parte de mim. Assim como tu sabes que por ti estarei sempre por aqui. São as minhas certezas.
Quando te apetecer rir, chorar, falar ou ouvir, tu sabes que eu estarei aqui, por ti. São as tuas certezas.
Me sento na areia e de olhos postos na linha recta que é curva eu vou virando as páginas tantas, vivendo as mesmas linhas e sabendo que tu, minha alma gémea, és a minha verdade, de certeza absoluta. O resto, o resto é mesmo o tempo de intervalo que mediam as certezas.

Sanzalando

21 de agosto de 2008

Distraído

Aqui vou eu num caminho sem fim. Me dizem que estou deprimido.
Não! Se enganam, estou só é mesmo distraído.
Distraído da vida que levo, dos caminhos que calcorreio, das florestas que não vejo, dos mares que não provo. Distraído porque deixei passar uns anos sem que eu tivesse dado por eles. Distraído porque pensei que tinha perdido alguma coisa. Não. Só algumas coisas se adiantaram de mim.
Olha, aqui vou eu olhando o zulmarinho e caminhando sobre palavras, distraidamente.

Sanzalando

20 de agosto de 2008

Distracção

Caminho vincando bem a areia mole. Peso pesado que marcha sobre as palavras frágeis da nostalgia e saudade. Os meus olhos olham a direito como quem olha para uma alucinação, produto de desejos e de esperas desesperadas. Falo-me palavras em silêncio duma vida desgastada em equívocos, sonhos adiados, sobressaltos do destino.
Caminho enquanto o tempo decorre na sua lentidão de certeza feita.
Caminho debruçado sobre mim, perfume de maresia que me entra como se existisse uma janela aberta.
Caminho na distracção da esperança.

Sanzalando

19 de agosto de 2008

Delirando

Vou buscar o zulmarinho. Sinto-me ansioso, preciso lhe ouvir o marulhar, preciso lhe ver a espuma branca se espraiar, preciso de sentir a maresia me entranhar.
Vou buscar o zulmarinho.
Estou cansado de guardar as palavras que me grita o coração. Eu sei que ao calar-me tenho a liberdade de as mudar quando me apetecer, de chorá-las, gritá-las no meu silêncio de raiva. Mas ao calar-me os meus espaços errantes se acabam.
Eu quero a liberdade de poder ouvir as tuas palavras, dizer-te as minhas, ouvir o cair da noite ou o romper da aurora. Eu quero a liberdade de poder ocultar-me.
Vou buscar o zulmarinho e lhe ouvir as mucandas, ouvir as canções das kiandas. Vou-lhes buscar ainda.

Sanzalando

18 de agosto de 2008

pintura-me

Me sento sobre esta pedra e observo o zulmarinho no seu vai e vai se espraiando na areia.
Me deixo embalar e, de pensamento em pensamento, concluo que a minha vida é uma pintura onde se notam as pinceladas que põem a nu a minha estória e os meus amores.
Olho com olhos de ver esse quadro e vejo que há espaços escondidos em mim que nem eu nos meus sonhos sonharia ter, estórias de rua sombreada num arco-íris de essências e desejos.
Reolho e observo traços hesitantes entrecortados por certezas como se fossem palavras ditas na afirmação.
O zulmarinho me embriagou mais uma vez.
Sanzalando

16 de agosto de 2008

retorno

Parei de caminhar para descansar à beira do zulmarinho. Bebi o perfume da maresia, despenteei-me com a brisa marítima, e cansei-me a dar braçadas na imaginação à procura dum porto seguro que fizesse sentido.
Mas agora, assim num instante para desentrançar a língua, resolvi falar-me numa mistura de ideias e provérbios, porque me lembrei que o pior cego é mesmo só aquele que não quer ver, assim como a pior ausência é aquele que falta e a pior vitória é a alheia, pelo que o pior morto é aquele que não quer ressuscitar.
Misturadas as coisas, frases feitas na imperfeição da voz rouca, vou dar um passeio pelas ideias que me atormentam os sonhos.

Sanzalando

13 de agosto de 2008

eternamente

Aqui estou eu caminhando num destino predestinado a lado nenhum. E volto todas as tardes, quer faça calor ou chova rajadas de frio na vontade do meu desejo. Caminho percorrendo o teu corpo na imaginação dos meus dedos, na nuvem das minhas recordações.
Caminho cansado com o saber que amanhã voltarei como que avivado num fogo de paixão que me nasce no interior e percorre todas as minhas entranhas.
Aqui estou caminhando com a mesma vontade de saciar um amor eterno.

Sanzalando

12 de agosto de 2008

mente-me

Hoje caminho como em muitos outros dias, levando estampado na cara um sorriso que te sorrio sempre. É, podes assim num instante me olhares e eu quero que me vejas a rir, porque eu sorrio sempre para ti. Mesmo quando me fazes chorar eu te sorrio. Mesmo quando te esqueces de mim eu ainda te sorrio.
Diz-me só quem te tem amado que nem eu? Anda, mente-me!
Diz-me quem te fez feliz tal como eu te fiz, sem trocas?
Diz-me quem te tem dado o prazer de sentir viva como nunca?
Diz-me quem me mostrou o inferno e te deu o céu?
Diz-me quem te tocou numa carícia de alma?
Anda, mente-me por favor!


Sanzalando

11 de agosto de 2008

sorrio

Aqui vou caminhando de sorriso em sorriso, palavra em palavra ou de silêncio em silêncio. Hoje mesmo vou assim como que vestido de riso, maquilhado de desejo e penteado de ilusões. É, transpiro energia, cantarolo canções que invento.
Olha, afinal mesmo hoje só sorrio para ti.

Sanzalando

10 de agosto de 2008

hora da sesta

Me estendo na areia escaldante deste final de zulmarinho. É a hora da sesta porque o sol morde as costas e provoca assim um cansaço em que o sono e a vigília se misturam numa salada de inconsciência em que até apetece dizer novas poesias.
È nesta hora que surgem novas palavras em outras tantas vozes dentro da gente, umas carregadas de cor outras assim num tom de cinzento parvo, em que se ouvem ecos de silêncio agonizante misturados com surdos gemidos, ecos do subconsciente.
É nesta hora que a cabeça entra de fantasia noutras épocas em pensamentos delirantes de outras liberdades.
Me estendo na areia como que pintado de palavras poéticas de delírios, de ideias naufragas de inspiração e se me afasta a audácia e entro no pântano da obnubilação.
É só porque é a hora da sesta e depois no despertar serei invadido de insustentável imaginação para rescrever os poemas mortos que nunca tiveram vida.

Sanzalando

9 de agosto de 2008

docemente

O zulmarinho hoje cheira a mar. Me disseram que tinha que ver com correntes, ventos e luas. Acho só me enganaram, mas eu fingi de acreditar porque às vezes a gente tem mesmo de fazer isso para não vão de pensar a gente tem manias.
Com esse cheiro que me entra no nariz eu lhe caminho paralelo no transporte dum sorriso que até parece eu estou é feliz.
Neste despreocupar eu tropeço numa frase que não sei eu li ou inventei agora de ter ouvido uma kianda que dizem que há mas que nunca ninguém também lhe viu.
De todos os estados de alma o amor é o que mais desdenha a razão e faz cometer loucuras.
De pensar nisto logo eu tropecei na ideia de que quem feio ama bonito lhe parece e que o amor é como uma gota de mel que serve só mesmo adoçar a vida.
Hum! Acho o sol bateu mais forte na cabeça hoje por isso mesmo é melhor eu beber umas quantas birras loiras e hidratar até ter ideias assim menos docementes.


Sanzalando

8 de agosto de 2008

gordamente

Ai uê!, tas gordo pá!
Assim, secamentente quando me olham depois de faz tempo que não me vêem. Quase de certeza eles pensam que eu não sei e por isso me estão só a dizer para eu ficar a saber.
De verdade mesmo é que quando eu tou no olhar no eu que está no outro lado do espelho eu não vejo só os 20 kilos a mais que ali estão mas tou no ver de outras coisas que eu sei estão lá e os outros que nem estão a olhar de ver. Ah pois é, que está ali muito mais para ver.
Durante este tempo de reaprender a viver eu aprendi a filtrar a opinião e me esqueci mesmo como é que eu era antes.
Imagino num imaginar de faz de conta que a muitos causa impressão me olhar e ver gente e não aquele caniço atlético filtro de cigarro.
Mas afinal de contas os kilos anulam os meus pensares, a minha actitude ou a minha essência? Só porque estou mais gordo significa que perdi o meu lugar no salão de baile?
Ninguém pergunta se custou muito, como é que foi. É mesmo logo um assim: Estás gordo!
Só por causa disso vou aproveitar o calor e fazer as minhas caminhadas, ver o zulmarinho e cantar-lhe no meu silêncio as canções de amor que um dia eu lhe vou poder dizer assim num ao pé da orelha.
Sanzalando

5 de agosto de 2008

devia

Toca o desperdador no seu piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii que chateia. Todos os dias é este martírio. Eu devia era estar de férias, saborear todas as horas mesmo que num sono profundo, mesmo que eu me sinta um gelado a derreter sob o calor que se faz sentir, mesmo que esteja a congelar sob a força potente dum ar condicionado qualquer. Eu devia estar de férias e viajar por palavras de continente em continente, ilha em ilha, de lugar em lugar.
Eu devia era partir este despertador e o seu piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii que faz o favor de me chatear todos os dias.
Eu devia ir de férias e deixar o despertador.
Eu devia, apenas isso!

Sanzalando

4 de agosto de 2008

Assim por assim

Aqui vou eu neste mole caminhar, sentindo-me como uma personagem duma estória que não me apetecia ler, ou por medo, ou por vergonha, ou por outra razão qualquer que nem me apetece perder tempo a procurar.
Me assusto com os pensamentos e as suas consequências, me assusto com os equívocos e as suas desgraças.
Sinto-me mal na pele desta personagem, preferia ser bruxo, espantalho, estátua.
Mas afinal de contas sou a personagem principal deste filme.



Sanzalando