30 de março de 2019

Anatomia comparada e mal passada

Faz sol parece é verão, deitei-me e fiquei ali a ouvir a chuva que não cai.
Às vezes um homem não sabe o que fazer e às vezes o melhor a fazer é ficar deitado sem se mexer e tentar simplesmente não pensar ou
não pensar em nada de concreto. Vagabundo-me na bicicleta da imaginação e fui aos lugares que inventei.  
Acho mesmo vou estudar anatomia humana comparada, vou comparar o feminino passado com o mal passado e se cair da bicicleta é porque esqueci pôr as rodinhas extra no pensamento.

Sanzalando

#zulmarinho


#caminhos


#zulmarinho


28 de março de 2019

#caminhos


deixa-te entrar, primavera

Sol de primavera é o mesmo que dizer brilho de vento. Hoje sopra de leste. Mas o que me importa de onde sopra desde que faça vento que não gosto? O vento faz-me ficar em casa, entristece-me e apaga as velas de esperança que tenho. Não, não fundi os fusíveis. É mesmo só que o vento arrasta para o lado contrário os finos cabelos que me restam, como se os tentasse arrancar e isso doi. Com o vento sinto-me inseguro e o medo de ser levado por ele para pensamentos arrastados tomam conta de mim. Dá ideia que como não o consigo controlar o mundo não me pertence e não consigo avançar para o meu lado nenhum.
O vento é tóxico e não me deixa respirar pelo pó que trás, pelas folhas caídas que esvoaçam ao deus dará.
Afinal de contas é só o início da primavera do lado de cá e eu consigo ultrapassar isso pensando no tempo que faz do lado de lá, desede que lá não chova e me deixe namorar em cada esquina, em cada passeio da minha imaginação.
Deixa-te entrar, primavera.



Sanzalando

25 de março de 2019

Sol de sabedoria

Tem sol lá fora e eu aqui dentro ouvir perguntas e respostas. Calor fresco lá fora e calor de nervoso cá dentro. Ar de perfumes a carro lá fora e aqui ar pesado de medos injustificados.
Temos primavera de conhecimento que chega depois da mudança do apeadeiro.
Sanzalando

#caminhos


22 de março de 2019

#comida


Que nem o meu avô

Hoje me apeteceu sair do meu quadrado da cidade. É, tem gente que mora num bairro. Eu não sei como vou dizer pois moro é mesmo só na cidade. Não moro na Torre do Tombo, nem do Bairro da Facada e nem na Sanzala dos Brancos. è que nem moro no bairro da Mineira. Rua dos pescadores, lado sul fica na cidade. Só. Tá difícil dizer mais onde é que eu moro. Olhei na geografia e é só mesmo na cidade. É no centro? Não. É nos bairros? Não. É ali e aponto com o meu dedo indicador. Centro da cidade. Bolas. Mas eui hoje vou cortar o cabelo no Latinhas. Vou ouvir falar do Sporting. Vou ouvir gente a discutir futebol ou corrida de cavalos de brincar. Me interessa isso? Não, mas eu vou na mesma. Vou no Latinhas cortar o meu cabelo curto de risca ao lado. É só assim. Cabelo curto de risca ao lado. Se calhar é à francesa. Deslembro. Ele sabe. Qualquer quer dia, quando eu for assim grande que nem o meu avô eu não vou mais conseguir cortar o cabelo com penteado de risca ao lado. Vai ser mesmo de tracejado ao lado porque vai faltar cabelo para cortar com risca ao lado. Acho um dia vou ficar igual ao meu avô e vou ter de pentear para trás e esquecer o tracejado ao lado. Mas eu vou até ao Hotel Moçâmedes e lá tem o Latinhas que ainda me consegue cortar o cabelo porque eu sou novo e não penso nesse tempo de ser grande que nem o meu avô.


Sanzalando

21 de março de 2019

#flores


#caminhos


Primaverou

Primaverou. Arrumo os casacos e fico-me pelos pulôveres. Minha mãe sempre me disse para usar um pulôver. Eu ia no Impala Cine e levava um. Eu saia no fim da tarde para uma volta a ver se a noite chegava e vestia um. Não. Eu não tinha muitos pulôveres. Dois? Se calhar, não me lembro. Mas em cima duma camisa e lá ia eu dar a minha voltinha. Quando o maló me emprestava a Suzuky eu vestia um. Acho a minha adolescência rica em pulôveres. Olha-me só eu com saudade do tempo que queria ser crescido e não usar pulôveres porque a mãe mandou, olha eu com saudade do tempo em que eu queria ser grande. É verdade, eu na altura não sabia que o Titanic era grande e foi ao fundo. Eu só tenho saudade porque consigo viver o hoje me lembrando das coisas bonitas que eu já vivi. 
Coisas más? 
Há coisa pior que vestir pulôver porque a mãe tem frio?
Há coisa pior que calçar meias e usar sandálias ao mesmo tempo?
Há lá coisa pior que andar sem dentes?
Há coisa pior que morrer de amor e continuar vivo alegre e feliz?
Eu também tive coisas más, sim. Mas vestir pulôver aos 25 graus, não há pior.
São coisas da primavera



Sanzalando

20 de março de 2019

primavera

Me lembro que nem fosse hoje da primeira balada que catávamos na rua, descaradamente sem saber que era contestação. Se gostava, cantava-se. Vou esquecer mais como? Uns seguiram a vida fora cantarolando ou tocando viola. Ninguém, eu saiba, profissionalizou, mas eu... ouvindo e declamando as letras adulteradas no improviso continuo com a falta de jeito que parece se acentua com o decorrer do tempo. 
Quem me dera as minhas palavras fossem baladas, fossem festas, fossem mundo para lá da imaginação. As minhas palavras nem são as minhas loucuras, são os silêncios dos meus delírios.
Pega na viola e me acompanha na Primavera florida que vamos viver.


Sanzalando

19 de março de 2019

#comida


#caminhos


#comida


afinal de contas é fim de verão

Faz sol e quase se acaba o inverno sem que eu tivesse dado por ele. O mar bravo bate na falésia como a lhe querer derrubar como se fosse um castelo de areia feito por mim quando era miúdo e não tinha jeito para a coisa. No meu trono de meditação observo absorto nos pensamentos que me invadem num soletrar de ideias feitas a desfazerem-se na humidade e no sabor da maresia.
Afinal de contas a melhor parte da vida é a surpresa com que elas nos surpreende cada vez que se passa do presente.
Afinal de contas quem ia dizer que aquela miúda de cabelos compridos e ar supremo um dia ia ser gente simpática, bonita e carinhosa?
Afinal de contas quem ia dizer que os rascunhos iam um dia dar livros, que prosas poéticas encheriam de alegria saudades chorosas? 
Afinal de contas quem ia pensar que eu passei ao lado mas a minha memória memorizou os cantos da minha infância e mais tarde os ia cantar numa salada de letras e palavras com tropeções na areia fina do deserto que me chega através do zulmarinho e as suas correntes paradoxais?
Afinal de contas quem ia dizer que a minha idade é real quando já nem eu sei quais a reais estórias que vivi?
Neste meu trono de meditação e observação verifico que os meus tropeções, as minhas quedas, os meus momentos de herói, a minha imaturidade não são mais do que o meu eu num pedaço de papel em PDF, rabiscado com uma BIC e amarelecido pelo fumo duma vela de cera tirada à socapa da minha igreja mental e posta a imitar o tempo diferente do agora viver.
Afinal de contas, graças aos céus termina o inverno e começará o verão sem dar por isso.

Sanzalando

15 de março de 2019

sol do meu sul

Olha-me o sol que faz neste mar e Março do meu atentamento espiritual. É, acho o sol do sul subiu ao norte para me contemplar porque ele sabe que não havia maneira de eu  não lhe gostar. Ele sabe o meu sorriso é verdadeiro, de real a tempo inteiro como o meu sorriso quando quero esconder que eu não estou muito bem. É que falar desse meu sul bate a saudade a as palavras saem enroladas nas lágrimas, misturadas na comoção. Eu sou o meu sol de sul que tanto queria ser sul do do meu sol.
É, sol de inverno aqui faz parecer é verão de lá e eu me confundo de emoções, me baralho nos abraços e me canto nos cansaços. 

Sanzalando

14 de março de 2019

#comida


Arthémis faz anos

Faz sol e é 14 de Março. No meu meu sul é dia de festa e aqui passou a ser também. Juntou gente na sanzala e Arthemis  cantou.
Eu de facto sou gente assim de sorte e sem palavras para agradecer o que ela tem feito npor este desenhador de letras soltas e palavras vadias.
É dia de festa quer se queira quer não porque a gente vai na rua cantar de modo a secar as lágrimas que se chorou, as noites em claro no troca palavra de modo a criar coisas que foram grandes e deram grandes coisas.
Obrigado mesmo e muitos parabéns.
Valeu amiga de Angola, nos lados norte.


Sanzalando

#caminhos


#comida


12 de março de 2019

#pordosol


#zulmarinho


#caminhos #zulmarinho


#zulmarinho #caminhos


#caminhos


o que me importa é reflectir, meditar ou simplesmente macaquear pensamentos

O sol empalideceu-se com o cair do dia e o entrar da noite. A queda não foi abrupta pelo que não houve estrondo e o entrar também não foi de rompante pelo que nada se rasgou. Foi lenta e friamente mudando do dia para noite. Neste tempo deu tempo para para o acinzentadomarinho ficar num escuro de adivinhar a mar.A Lua em quarto crescente fininho, que nem unha do 5ºdedo, reflecte seja lá o que for. 
Que importa é que deu tempo para reflectir, meditar ou simplesmente macaquear pensamentos.
Assim, com uma ou outra birra vou empurrando os problemas goela abaixo. Não tenho a quem cantar as minhas preocupações, divagações e problemas sem soluções. A solidão da multidão é o que maise apoquenta. Ouço ondas do zulmarinho e a boca do meu estômago se azia de tanto sofrimento melancólico, de tanto choro calado, de tanta tentativa e erro que ao longo dos tempo fui ouvindo e guardando para mais tarde resolver. Ouço vozes falando continuadamente falando de si, explosões de raiva, socos e pontapés virtuais misturados com reais. 
Ouço sem explodir porque o que me importa é reflectir, meditar ou simplesmente macaquear pensamentos, mesmo que eu esteja fraco e cansado.
Mais uma birra ou outra e enalteço fracassos e transformo pesadelos em sonhos. Se  eu quiser falar não sei se alguém vai ouvir, entender ou se importar.
Afinal de contas, se eu tivesse aqui um espelho veria que entre as minhas lágrimas, soluçõs e olhos inchados, só me importa reflectir, meditar ou simplesmente macaquear pensamentos, porque tudo acaba sempre em bem

Sanzalando

9 de março de 2019

#caminhos


e o tempo passa

Faz sol de inverno no lado de cá da terra. Nem vento nem frio. Só mesmo esse sol de brilho pálido. Por vezes o céu nubla para dar um lado escuro ao tempo, um horizonte carregado, um pico de montanha virtual aos olhos nús que olham para lado nenhum.
O zulmarinho, revolto, batendo ferozmente contra a falésia, trás-me um ar de humidade, um perfume de chuvisco com sabor a sal.
No meu trono sentado olhando para lado nenhum, rindo-me de coisa nenhuma parece danço uma música que ninguém toca e medito. Um beijo que não dei, uma carícia que não fiz, um estado de alma que não transmiti, um interior que não exteriorizei.
O tempo passa e talvez eu tenha tempo um dia para escrever todos os meus pensamentos, quando já não sentir nenhum, quando a dor não já passar de recordação, quando o morrer de amor já só for uma estória bonita de viver.


Sanzalando

#caminhos - onde já fui feliz, onde sou feliz, onde serei feliz; a felicidade está onde eu estiver.


8 de março de 2019

#bebidas


por do sol

Voltou a cair sol de inverno sobre o meu corpo arrepiado de frio. Abrigado aqui na falésia deixo o mar se marulhar num som bravo de águas revoltas. Faz conta eu não lhe ligo e ele se acalma e me eleva na meditação de que a dor dos outros também pode doer em mim, pode ferir-me e como tal eu lhe referir. E nessa meditação eu vou falar em mestres de todas as sabedorias, em profetas de todas as idades e me vão dizer que virei espiritual. E se nessa meditação eu falar de mim, vão dizer sou egoísta, egocentrista e não sabem que dentro de mim existe um eu que também pode ter dor. Por tudo isso eu não vou falar em mestres nem em mim. Nem de saudade, nem de passado e nem de futuro. Vou só mesmo ver o sol de inverno atracar-se lá longe, onde o zulmarinho acaba. 


Sanzalando

#comida


#flores


7 de março de 2019

sonhos

Me deixei embalar pelo marulhar e meditei
Deixei do meu corpo sair a alma que vagabundou por aí num sul doirado de areia fina e encontrei o meu passado sorrindo num plano desenhado por mim, feliz e livre num presente que encontrarei no futuro.
Me deixei levar por amor, num não esquecer qualquer lugar, nenhum sonho ou nome.
Me deixei levar e por correntes me dirigi a um sul quase posto no meu contentamento.


Sanzalando

5 de março de 2019

tentei poeMAR

Eu sei que um dia,
depois de esperar,
eu vou voltar.

Eu sei que verei
a senhora da Muxima
cá de baixo ou lá de cima.

Eu sei que o Bero
em dia de cheia
correrá na areia
em direcção ao mar
e se o alcançar,
tal como espero,
me acastanhará o mar
com areia do Lubango


Sanzalando

4 de março de 2019

hoje, dia do parece

Chuvisca parece perdigoto. Faz sol parece é timidez. Faz vento parece é brisa. Hoje está dia de perece. Hoje parece me sento a ver o zulmarinho e sinto que vai acabar. Sim, tudo vai acabar, mas quando esse dia chegar eu quero olhar para trás e ter a certeza de que nunca me deixei levar pela facilidade, mesmo nos dias em que segui porque ia de mão dada, porque segui os caminhos que me disseram eram os mais seguros. Fui sim pela felicidade, lembrando-me do calar das mãos dadas em trincheiras dessa guerra comigo, dos nomes que me alumiaram nos momentos de escuridão cobarde ou dos mujmbos de hipocrisia que sempre aparecem num funeral antecipado.
Hoje, num dia que parece, me lembro que vivi sem resistir, sangrando ou dançando, sorrindo feliz mesmo quando os meus olhos choravam as saudades que um dia eu iria sentir. Hoje parece vi os caminhos sangrantes que selvaticamente as minhas rosas floresceram.
Hoje, num dia de parece, acho nunca foi minha opção desistir.
Hoje nunca.

Sanzalando

2 de março de 2019

#caminhos


#flores


tem dias assim

Tem dias que resolvo bater as minhas asas e sair por aí numas divagações em busca de mim e mesmo que haja melancolias nos meus olhos eu arranjo melodias no meu assobiar e não paro até me encontrar de sorriso em riste.
Tem dias que a vida parece agiota a pedir juros e juras de amor e os pequenos momentos de felicidade a gente parece fica a dever, porém bato as minhas asas e olhando o zulmarinho me elevo para cima desse horizonte cinzento e rio.
Tem dias a vida parece uma fracção de aula de aritmética e um piscar de olhos não é mais que um arrepio que me leva à gargalhada.
Tem dias que até estar apaixonado parece ser doença incurável mas me lembro que a vida é uma obra de arte para ser admirada e vivida.


Sanzalando
recomeça o futuro sem esquecer o passado