recomeça o futuro sem esquecer o passado
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8 de janeiro de 2023

deixo-me

Me deixo estar aqui num sentar faz de conta está um calor de rachar. Olho nas modernidades as fotografias de agora do que é apenas a minha memória. Lhe falta o som, o cheiro e calor abafado duma temperatura que me desabituei. Nas fotos me pareces feliz e progressiva, melhor que o tempo que estive contigo. Me lembro que nas esquinas de cá ouço reclamar, protestar e desabafar uns murmúrios que tens desabado como um castelo de cartas. Me engam as fotografias que te vejo ou os ouvidos com que ouço?
Se eu pudesse, metia-me assim num avião, numa super foguete e te ia confirmar e quem sabe iamos ser felizes outra vez.
Olho no zulmarinho e vejo no céu o caminho dum jacto transformado em vapor parece é pegada ele deixou ao passar e não me mexo para lhe apanhar. Me deixo embalar na modernidade das fotografias e saboreio com imaginação o teu estado longínquo



Sanzalando

7 de janeiro de 2023

desde

Desde este final do zulmarinho, onde me sento e descanso, faz de conta sou rei e senhor do que me deixo pensar, agradeço o ser suficientemente forte para aguentar um adeus e recomeçar um novo caminho. Vou tentar ser um divertido, um ocupado sorridente deixado de fazer o que o é obrigado para fazer o que bem lhe apetece, sorrindo nas palavras e nos ócios. 
Me sento só por aqui a me imaginar ir por aí, esses aís que perdidamente vagueiam na minha cabeça em forma de desejo, em forma de querer.
Espero ter força para tudo isto e não me criar em monstro inactivo que se deprime com os minutos que passam como se fosse um filme de capa espada e muita lágrima à despedida.
Desde este final do zulmarinho quero seguir em frente.


Sanzalando

6 de janeiro de 2023

medo

Olho o zulmarinho e me deixo levar pelos sonhos. Era meu desejo que o meu pensamento fosse traduzido para palavras, carícias, beijos e afectos, parágrafos, textos e livros, sem tempo de os perder e sem eu perder-me da realidade.
Mesmo que tudo não tivesse significado, mesmo que as carícias fosse arrepiantes, os beijos de sabor a fel e os afectos ásperos, eu continuaria a querer traduzir-me em palavras mesmo que não fossem reais.
Eu tenho medo de que os meus pensamentos vagabundem por aí, perdidamente e sem significado.




Sanzalando

5 de janeiro de 2023

medito sim

Olho com olhos de não ver, medito com os olhos no zulmarinho, sobre coisas e sobre nada. Passado, presente e futuro; estados de alma que às vezes são líquidos, outras vezes lamacentos e outras rijos que nem pedras. Medito nas mais variadas horas sem causa ou sem quereres. Às vezes sinto que a vida é assim como esse de zulmarinho, vai e vem que nem as suas ondas; outras parece está bravo que nem calema e galga muros e barreiras que nem as dores congeladas resistem a tamanha inundação. Se foi enxurrada ou apenas um acaso da natureza, eu medito sobre tudo e sobre nada, não deixando que o inverno tome-me como seu.


Sanzalando

29 de dezembro de 2022

acho eu

Zulmarinho, delirios ao sabor das ondas o meu segundo livro deixou-me assim num modo de off, em que me vou reconstruindo sobre um baralho de ilusões, uma amálgama de sentimentos, uma lamaçal de ideias que se sobrevalorizam uns sobre outros em cada instante. Eu gostava de chegar aqui e conseguir ppor palavras explicar o que me vai na alma. Desconsigo, porque não me desejo repetir, porque não quero chorar nem embandeirar em arco de vaidade.
Eu acho entrei na minha sombra e não consigo acender a luz do sol, sair desse zulmarinho e entrar noutro qualquer caminho. Acho vou ter que esperar para o ano que vem.

Sanzalando

28 de dezembro de 2022

Rescaldo do Zulmarinho

Fazendo o rescaldo do lançamento do Zulmarinho, delírios sobre as ondas, ainda estou em fase de assimilação.
Elogiaram o Homem que sou, com defeitos e virtudes. Surpreenderam-me nas palavras e na presença. As solicitações decorrem num ritmo que direi surpreendente. 
Transparentizo-me sem me identificar. Mostro-me sem ser descarado ou exagerado. Invento sem ser fantástico ou transcendente, exagerado ou irreal. Deixo-me correr nas nas palavras, poéticas sem ser lamechas ou doente de amores.

Ainda não me consigo desligar da emoção de ver mais 'um filho' sair de mim para o mundo, com todos os receios do que podem dizer ou achar. 
Outro virá. Melhor? Pior? Não sei porque ainda não decidi o que gostava que ele fosse. Se calhar vai ser como os outros: independente da minha vontade. Nome? Desconheço. Para o ano logo verei. Por enquanto ficarei no cimo da falésia a olhar o zulmarinho que aqui termina e lá começa.


Sanzalando

17 de dezembro de 2022

a minha apresentação ao Livro

A minha apresentação ao livro

 


 

E aqui estamos para apresentar o meu segundo ponto de vista desta trilogia que é a vida. Nascemos, vivemos e morremos.

Eu, o Imbondeiro e o livro. Eu, as letras e as minhas estórias que conto sem serem contáveis. Não são contos, porque não fazem de conta, não tem nexo nem significado especial. Conto, novela ou romance. Trilogias. Vidas. Agora eu estou aqui, o imbondeiro está lá em casa e o livro está à vossa disposição. Deixa de ser meu e passa a ser de quem o lê, de quem nele se reveja ou apenas de quem o critica. Na forma ou conteúdo.

Fisicamente o livro também é uma trilogia. Foi pensado num avulso por caminhos, carreiros ou auto-estradas da minha vida. Foi elaborado segundo uma ordem anárquica de liberdade de pensamento. Foi impresso numa forma linda de ser apresentado, apreciado e gostava eu, ser devorado.

Não contem que seja a minha biografia, nem um compendio de estórias ou de História. Vou dizer-vos que é um somatório de saudades, de recordações, reais ou fictícias, verdadeiras ou sonhadas. Pouco me importa a veracidade desde que seja útil como companhia no acto solitário de leitura.

A cidade que tantas vezes retrato não existe. É uma miragem do meu tempo que o sol plantou no desrto. É um oásis da minha cabeça vazia, dos meus momentos de nostalgia ou da minha própria solidão. Aquela cidade foi ultrapassada pelo tempo porque o tempo a fez crescer, mudar de habitantes, mudar de características porque o tempo outros tempos trouxe.

Esta minha nova cidade de Portimão já não é a cidade que encontrei quando aqui cheguei em 1996. Mudou, cresceu e transforma-se de tal forma que quando eu a deixar, partir para a parte final da trilogia da vida, não será igual há que é hoje.

Os tempos são trilogias. Eram, são e serão.

 

O zulmarinho agora é vosso:

- apesar de ser uma homenagem que faço aos meus professores, sabendo que a memória fez-me esquecer de alguns;

- apesar de ser momentos de reflexão e meditação pessoal;

- apesar de ter uma carta escrita por mim à minha terra de nascimento



Sanzalando

Passagem de testemunho





Sanzalando

15 de dezembro de 2022

Zulmarinho parte 2 de que serão três

Se agora faz frio e está a chover eu não preciso de muito: um café ou um copo de tinto, um livro e passeio pela memória ao saber das páginas.
Se por acaso fizer calor, uma cerveja, um livro e zulmarinharei por mares outrora navegados



Sanzalando

14 de dezembro de 2022

transparentizo-me

Como imagino que deve ser difícil viver o que se imagina ser, escrevo. Escrevendo vou libertando os meus eus nas palavras, dando-lhes espírito, largas à imaginação e deixo-as voar livremente. Às vezes elas agrupam-se em parágrafos, estes em textos e estes em forma de livro vivem juntos, podendo ser lidas separadamente. 
Como é-me difícil ter uma oralidade clara, transmitir através da palavra oralmente dita uma ideia ou um pensamento, vou-me transparecendo em frases, em ideias escritas e desnudado delas agradeço o que tenho de agradecer, abraço o que devo abraçar e elogio o que deve ser elogiado. 
Não são contos de era uma vez... são estórias, às vezes sem princípio mas sempre presente um princípio: ajudar, nem que seja a gastar o tempo vazio.




Sanzalando

10 de dezembro de 2022

Zulmarinho, delírios ao sabor das ondas

E agora começa a preparação mental para a exposição das minhas letras transformadas em passos, caminhos, carreiros ou auto-estradas. 
Não é uma biografia, não é um conto, não é História. É um somatório de saudades, lembranças e de caminhos que me trouxeram até aqui. Há estórias da minha cidade quadriculada. Reais ou fictícias. Seja a verdade uma miragem, um oásis ou uma ideia pré-concebida, a minha cidade ali está desenhada, descodificada.
A minha cidade não existe. A cidade de hoje não é nem nunca poderia ser a cidade de então. A de amanhã não será como a de hoje. Mau seria o mundo se não fosse um mundo de mudança. A minha cidade de hoje não é a cidade que encontrei quando cá cheguei e espero que quando for a minha hora de partir ela seja diferente do que é hoje. Nós somos mudança mesmo que tenhamos resmas de estórias passadas. Eu quero só deixar esse caminho longo marcado nos hieroglifos das memórias de quem me ler.




Sanzalando

1 de novembro de 2021

zulmarinho

Pelas bandas daqui chove que parece é só para irritar. Molha mas não se vê as micro gotas que caiem vindas lá do céu.  Minha avó ia dizer era molha tolos, mas como eu não sou tolo não lhe repito a frase. Molho-me apenas. 
Com este tempo é mais difícil fazer caminhadas, amadurecer ideias, meditar ou simplesmente soliloquiar-me.
Olhar o zulmarinho torna-se difícil pois parece caiu um cacimbo nos meus olhos, os óculos tornam a imagens irregular porque as gotas parecem são lentes, e a mente só imagina as memórias do outro zulmarinho que é este mas mais lá longe. Ele é misterioso, formoso, às vezes calmo outras tempestuoso que até nem cabo das tormentas. Mas o que é verdade é que eu gosto de ver este ondular, regularmente irregular, balanceando o meu barco imaginário e escondendo-me a sua profundeza. 
Eu, mesmo com essa chuva lhe gosto de admirar e deixar os meus pensamentos serem lavados pela lindeza desta vista.
Com o olhar eu consigo chegar ao outro zulmarinho porque afinal de contas ele é eu.


Sanzalando

6 de novembro de 2020

mar de saudade

Se calhar faz hoje anos que eu estava na praia a apanhar banhos de sol e a namorar sem que ela soubesse que eu lhe namorava enamorada e profundamente. O boca-de-sapo-tinha pousado suavemente no estacionamento das arcadas, tu, que caminhavas suavemente na elegância dos teus 15 anos, alta e direita porém não altiva, em direcção à areia onde eu deitado te procurava no melhor ângulo de te ver sem ser visto. Se houvesse mais mar daquele eu me afogava, me afundava, por ter engolido tantas vezes as frases de amor que decorava e repetia no espelho de casa para mais tarde para sempre calar. Mas nesse tempo eu engoli os restos de tanto amor, apaguei tantos incêndios ardentes no coração que se sofresse de remorsos eu era uma manta de retalhos. Mas nesse mesmo mar eu naveguei sonhos levando-te como capitã num barco que afinal nunca houve. Tu fugiste do meu barco porém eu continuei a navegar até chegar a algum porto que me abrigou, felizmente.
Se calhar faz anos hoje e tu nem eu nos lembramos de quase nada.


Sanzalando

16 de agosto de 2018

Férias de verão

O zulmarinho parece chão, assim azuleijado com desnivel de escoar para se esparramar na areia. Eu, em cima da minha rocha, faz parece poltrona do rei dos mares, observo com olhos de ver-me nos meus olhos, os passados, presentes e inventar futuros. Daqui consigo fazer barcos de papel, grandes de imaginação, vê-los balouçar no chão de mar e ao sabor da brisa irem rumo ao sul dum qualquer norte.
Sorri, gargalhei, cantei verão e no meu silêncio saboreio a brisa que me dá uma cor torrada. Com tão pouco posso fazer-me tanto. Deixo só os pés na água a refrescar como se fossem radiador de camião a subir a serra.
Eu sou eu no mais eu que posso ser, aqui a olhar o zulmarinho.

Sanzalando

3 de junho de 2017

engolido na onda

Olho o zulmarinho. Hoje acordou parece revoltado. Lhe pergunto em silêncio que é que aconteceu e ele me responde assim num desmanchar de onda parece me quer engolir. Medei-me todo. É fiquei mesmo com medo de ser engolido por ele e ele se indispor depois comigo. Eu que ganho a vida a cuidar de vida de repente tremeliquei-me. Eu que tenho de ter a capacidade de me inovar, superar e se calhar ultrapassar para que alguém continue com a capacidade de pensar e fundamentalmente de sentir, tremeliquei-me com a onda que parecia me queria levar dentro do zulmarinho e sei lá me fazer o quê. 
Olhei para a imagem de Einstein e me lembrei da sua fórmula, em que E é igual a mc ao quadrado e do que ele dizia sobre o fazer as coisas sempre da mesma maneira e esperar resultados diferentes. Sempre olhei o zulmarinho e agora ele me faz esta coisa horrível de me engolir sem mastigar e se calhar a seguir me deitava cá para fora inanimado. Tolice minha que já lhe devia conhecer e nestes dias não me devia nem aproximar. Só mesmo lhe pensar.
É, esse zulmarinho me faz chegar lá na minha placenta sem pontos de vazio no meio. Lhe gosto e gostarei mesmo que o medo esteja na minha alma.



Sanzalando