recomeça o futuro sem esquecer o passado
Mostrar mensagens com a etiqueta poemas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poemas. Mostrar todas as mensagens

16 de março de 2022

estar longe

Hoje vou só dizer que não me apetece estar aqui. Fui para longe de mim, para um qualquer jardim onde floresçam flores de jasmim, onde cresçam ervas ou simples capim. Hoje quero estar longe, até de mim.

Sanzalando

4 de julho de 2021

versejando-me

Passei o dia a reler apontamentos. 
Estórias soltas, palavras vadias, 
ideias e pensamentos, 
algumas más outras sadias
e nada novo li
nada novo encontrei, 
sei que o que vivi
e nada me diz como viverei.

Estou certo chegará o dia
que do alto da minha sabedoria
gritarei
foi difícil mas cheguei.



Sanzalando

26 de abril de 2019

não me digas

Não me digas que por causa do vento eu não posso dizer-te ao ouvido que te gosto.
Não me digas que não suportas que eu te ouça respirar.
Não me digas que não posso sentir os teus lábios com os meus.
Não me digas que não te posso acariciar, olhar-te e admirar-te.
Não digas nada, deixa-me apenas cantar uma balada de amor como sei: em silêncio!


Sanzalando

5 de março de 2019

tentei poeMAR

Eu sei que um dia,
depois de esperar,
eu vou voltar.

Eu sei que verei
a senhora da Muxima
cá de baixo ou lá de cima.

Eu sei que o Bero
em dia de cheia
correrá na areia
em direcção ao mar
e se o alcançar,
tal como espero,
me acastanhará o mar
com areia do Lubango


Sanzalando

26 de dezembro de 2010

simples 26 de Dezembro de 2010


Faz sol
e eu anoiteço no sofá
preguiçosamente.
Petisco, 
enfardo
e digo sou feliz,
pelo menos até daqui a pouco.
Simples Domingo!
Festa!
Sanzalando

18 de abril de 2009

Canto canções de amor (2)

Me sento no caminho de lado nenhum. Não me apetecia andar, não me apetecia apanhar vento. Olho para o espaço outrora ocupado pela minha pobre Pitangueira que além das seis flores e muita esperança, não me deu mais nada. Mas acho que nunca esperei mais nada dela para além da esperança.

Mas, preguiçosamente aqui sentado me apeteceu cantar uma canção só para mim. Não me lembrei de nenhuma. Inventei uma letra que juntei uma melodia. Dentro da minha imaginação, é claro. Se por acaso eu tivesse tentado, chamemos assim, cantado em voz alta, estou certo que seria um alvo abatido por algum ouvido mesmo que surdo.

 

Quero ser uma palavra serena e calma,

Uma paz livre na madrugada,

Quero ser um desejo feito alma

Nesta voz rouca ou calada.

Quero ser os olhos da lua

E olhar-te tantas vezes,

Umas vestida, outras nua.

 

Quero ser uma jura de amor,

Pegadas livres no mar,

Quero cantar –te uma flor

Com os olhos de te amar.

Quero ser uma estação,

Dar-te frio ou calor,

Ser teu Inverno ou verão.

 

Quero ser apenas eu,

Num teu!


Sanzalando

12 de abril de 2009

Canto canções de amor (1)

Olho o mar. Daqui de cima desta rocha, abafado pelo barulho das ondas canto uma canção de amor. Cantar é uma forma simpática de dizer uma palavras que chegam à boca vindas directamente do coração, esquecendo a passagem na razão.

É mais que amor o que sinto por ti,
feroz, verdadeiramente animal,
impiedoso como um javali
e sedento como um chacal.
É a alma que se me prende
num instinto criminal,
é amor que se rende
à facada dum punhal.
É amor, é dor.
Sofrimento.
Tormento.
Se eu pudesse tocar a tua pele,
sentiria um frio de metal,
porque neste destino cruel,
és gelo feito cristal.

E assim, abafado pelo mar continuo a cantar, versos soltos que não se me passam na razão.
Olho o mar. Choro lágrimas que não se vêem, sinto tristezas que não se tocam.
Memórias de amor. É um começo.

Sanzalando

7 de dezembro de 2008

(06) Texto Pedido - MORROS DE BENGUELA

MORROS DE BENGUELA

Vós que vos ergueis agrestes
Sob o azul do céu nevoado,
Vós que pareceis negros gigantes
Que a Terra (santa mãe)
Não sepultou no ventre ubérrimo,
Dizei-me: Quem sois?
Sim! Contai a glória, ou martírio
(Mistério transcendente)
Dessa vossa vida surpreendente.
Sois monumentos sagrados
De feros dramas e façanhas?
Quem pisou o vosso chão?
Tu, pedra escura,
Que linguagem estranha,
Que mistério escondes?
Dalgum santo missionário
Que pisou e sagrou a tua gleba?
Dum valente, indómito colono
Que com galhardia e amor pátrio
Fecundou Angola, que era Portugal?
Falai-me, por Deus,
Da vossa vida, da vossa lenda,
Penedos escuros de estranhas vidas.
No silêncio perpétuo e eterno
Oh morros de Benguela,
Concedei-me que eu, um dia,
Feita pó, feita lodo,
Durma prostrada, em paz.
Mas depois da minha morte
Feito pedra, pedra forte,
Meu pobre coração
Permaneça eternamente
Repousando a vosso lado.

Vera Lucia

Sanzalando

15 de outubro de 2004

poemando

Jograis 09-06-2004 14:45

Vou dar uma volta ao jardim
ouvindo os meninos do coro.
Se alguem perguntar por mim
digam que me pintei de loiro.
De loiro dourado
como papagaio ou arara,
desta vez encarnado
para ser ave ainda mais rara
Mais rara alma da serra,
da Chela ou da Estrela,
desde que haja guerra,
procurem: hão de vê-la!
Avis rara - no prego
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca