recomeça o futuro sem esquecer o passado
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25 de junho de 2026

Angola Toma a Palavra - Feira do Livro de Portimão





Ontem a Feira do Livro Portimão 2026 recebeu "Angola Toma a Palavra", um encontro especial que reuniu os autores Tomás Lima Coelho, Sedrick Carvalho, Kalunga, João Rodrigues, Graça Sousa, Valério Guerra e João Carlos Carranca para uma conversa plural sobre literatura, sociedade, humanidade, cultura e os laços que unem diferentes experiências e perspetivas.





Tudo imperdível
Mesmo assim vale a pena ouvir

Não perca e ouça a boa música que tenho para lhe dar

Sanzalando

24 de novembro de 2020

uma carta à minha terra

Faz tempo não escrevo uma carta. Será que ainda sei como é que se fazia? Naquele tempo tinhas que escrever uma carta para saber ou dizer como é que estavas e coisa e tal. Telefone estava difícil. Tinhas que saber o número e a hora exacta em que o destinatário ia estar ao pé dele. E havia poucos para não dizer muito poucos. Era só por carta e ficavas ansioso á espera ela chegasse lá, o destinatário tivesse pachorra para te responder e aí ficavas a saber um bocado mais. Hoje me apetece escrever uma carta à minha terra. Não lhe vou meter no correio pois tenho a certeza não está lá quem tenha vontade de me responder.

Minha querida terra, tu sim, que me viste nascer e às prestações me viste crescer., como é que tu estás? Faz tempo, anos de dúzia por assim dizer, que não te olho e não te sinto no meu coração. Começo por te pedir perdão deste tempo todo passado, mas não só tenho tido muitas coisas para fazer por cá, como também sei me faltam as palavras para te expressar de modo suficiente o que me vai na alma. Eu sei que tens crescido muito, na altura e na largura pois me têm mostrados fotografias tuas. Mas não é a mesma coisa, falta o perfume, o peso do ar e da vontade. A minha ausência te tem feito doer? Desacredito, pois foi por culpa minha esta nossa separação e tu não ias ficar plantada na beira do mar a me esperar. A minha cobardia, o meu medo e a minha comodidade foram mais fortes que eu e me fizeram ficar por aqui e agora já me faltam as forças de vontade para suportar um recomeço a começar do menos que muita coisa. Tem só paciência comigo e se um dia eu conseguir essa força eu te vou abraçar e fazer esquecer a falta que te fiz neste tempo todo.
Minha terra, espero que guardes um pouco a tua intensidade, da tua força de te ergueres, para quando eu um dia ai chegar tu teres paciência para me ensinar a curar as tuas dores, o teu modo de vida, o teu querer.
Minha terra eu não deixei de gostar de ti. Nem um bocadinho. Foi só mesmo outros amores que me fazem estar por uns aquis tão longe de ti.
Com muita saudade o sempre teu

Eu


Sanzalando

19 de agosto de 2020

a minha terra

Eu nasci na minha terra. Assim, sem ninguém me perguntou nem ouviu opinião. Nasci e agora és daqui ponto final. Com orgulho eu sou filho da minha terra. E vou ser sempre da minha terra. Se tem sol eu lhe gosto. Se tem cacimbo vou fazer mais como? Cacimbo-me em gostar na mesma! Eu sou filho dela e vou lhe contestar? 
Eu não estou na minha terra porque estou na terra doutro alguém e eu lhe respeito e por respeito lhe gosto também. Eu gosto desta terra que não é a minha terra mas não vou deixar de gostar da minha terra. Eu nasci e sou dela. Sem contestação. Procurem minha placenta e encontrarão as minhas raizes. Aqui nesta terra tenho os meus ramos, a minha copa e faço a minha somba.
Eu sou da minha terra e tenho saudades dela. Mas eu gosto desta terra e fico contente por ter duas terras com o mesmo sabor de um gosto muito.


Sanzalando

11 de novembro de 2011

36 anos de Independência

Bailarina negra
A noite
(Uma trompete, uma trompete)
fica no jazz
A noite
Sempre a noite
Sempre a indissolúvel noite
Sempre a trompete
Sempre a trépida trompete
Sempre o jazz
Sempre o xinguilante jazz
Um perfume de vida
esvoaça
adjaz
Serpente cabriolante
na ave-gesto da tua negra mão
Amor,
Vênus de quantas áfricas há,
vibrante e tonto, o ritmo no longe
preênsil endoudece
Amor
ritmo negro
no teu corpo negro
e os teus olhos
negros também
nos meus
são tantãs de fogo
amor.

António Jacinto

Sanzalando