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19 de março de 2025

carta a meu pai

Carta ao Mau Pai

Querido Pai,

Escrevo-te esta carta com o coração pesado e a mente atabalhuada. Há muito que guardo dentro de mim as palavras que hoje te dirijo, na esperança de encontrar algum alívio e, talvez, entendimento. Esta carta não é um ataque, mas um apelo à reflexão e à compreensão.

Desde a minha infância, sempre desejei a tua presença, o teu carinho e o teu apoio. No entanto, apenas encontrei o silêncio, porque vazio estava o teu lugar. Um pai é a primeira figura de autoridade e de amor na vida de um filho, e eu ansiava por ser visto, ouvido e valorizado por ti. Sempre o fiz na imaginação, pelo que via outros pais a fazerem aos seus filhos

Recordo-me dos momentos em que me esforçava para ter uma recordação. Cresci sentindo que me faltava qualquer coisa. A tua aprovação ou o teu sorriso.

Pai, a tua ausência física teve consequências além das que eu próprio percebo. Houve momentos em que precisei desesperadamente de um conselho, de um abraço ou simplesmente de alguém que me escutasse e me apontasse um caminho. Em vez disso, eu estava sozinho a navegar pelos desafios da vida sem a tua orientação, que tanto desejava.

Apesar de tudo, não escrevo esta carta para desculpar ou protestar. Escrevo para tentar encontrar um caminho para a minha cura e para a reconciliação do eu que exigi de mim, ser gente de letra maiúscula.

Eu gostaria de ter conhecido o teu lado da história. Sei que o passado não pode ser alterado.

Pai, quis o destino que morresses quando eu era criança. Quis o destino que eu fosse um sonhador que te imaginou sempre ao meu lado, em silêncio, mas de olhos abertos a ver-me crescer.

Com carinho

JCC


Sanzalando

19 de março de 2024

Dia do Pai

Acordei e recebi o desejo de feliz dia de pai. Saboreei-o como se fosse o primeiro dia de ser pai. Eu não vou dizer que a vida é um conto de fadas e que eu sou feliz todos os dias e que pai é para a vida toda cheia de felicidade. Também não vou dizer que eu sou a pai careta, avô birrento, mão de ferro e caricia de arame farpado. Eu não sou o príncipe que salva o mundo nem o carrasco que o prende. Sou eu que nem o eu de sempre, faz muitos anos que até tenho de fazer contas para não me esquecer. Cresci cada dia desde que sou pai, amadureci cada dia que passei a pensar no meu pai, arrumei-me de aprumo cada vez que me lembro que sou o dito filho de dito. 
Quando eu era pequenino eu pensava tu eras um herói que não teve tempo de se mostrar como tal. Hoje eu ainda não cheguei lá, ainda não consegui atingir o patamar que te coloquei. Achas, meu pai, que um dia eu vou conseguir chegar lá sem ter livro de instruções?


Sanzalando

19 de março de 2023

Dia do pai

E lá vou eu tentar falar do meu pai que faz anos eu só tenho pequenos flash de memória. Começa só por ser saudade, a falta daquela mão amiga, aquela voz a me orientar, aquele segurar. Depois começa a lembrança das coisas lindas que me disseram e a tua ausência passou a ser um memorial constante, um porto seguro de inspiração e segurança mental. 
Te sinto falta sabendo que estiveste sempre a meu lado como ainda agora nestas linhas que escreveste que até parece fui eu.


Sanzalando

19 de março de 2022

Acordei e me disseram de consciência que era dia do meu pai. De imediato chorei. Eu o amava quando ainda não sabia o que era amor porque ele partiu para parte incerta era eu ainda um cadengue que não se recorda do som das gargalhadas diziam ele dava. Chorei num cansaço profundo, não por melancolia, apenasmente porque não me lembro do perfume natural do Meu pai. Chorei exausto porque envelheço na rotina de recomeços sem me recordar da palma da sua mão a me acariciar os cabelos que eu tinha antes dele partir para parte incerta. Chorei por uma infinidade de razões até conseguir abrir a arca do tesouro de ser pai e me recordar que ausentemente não deixei de o ser assim como não deixei de o ter, o Meu pai.


Sanzalando

19 de março de 2021

dia do Pai

Na despedida do inverno ainda cabe lá o dia do pai. 
Para mim o pai devia ser eterno. Pai e mãe têm aquele ombro que a gente sempre precisa, mesmo quando não precisa. Por isso eles deviam durar enquanto a gente dura. Mas hoje vou só falar com o meu pai mesmo sabendo que ele não me vai ouvir nem ler.
Meu pai não estava lá no meu primeiro dia em que fui na escola. Nem quando entrei no Liceu. Nem quando fui na Universidade, nem quando comecei a usar os conhecimentos que fui aprendendo. O meu pai não estava nos natais de que me lembro. Em nenhuma festa que me recorde. O meu pai não estava lá quando estive doente. Também não estava nos momentos em que fui o mais feliz dos mortais.
O meu pai não soube das minhas paixões e desamores. Não sentiu o sal das minhas lágrimas de amor nem as de dor de alma de tanto desalento. 
O meu cabelo foi-se ralando e branqueando e o meu pai não estava lá. E no dia do pai o meu pai não está lá.
O meu pai não está em nenhum momento da minha vida, mas o meu pai está sempre comigo desde o dia que lhe levaram para parte incerta quando eu era criança de não me lembrar de quase nada.
Na verdade, em cada momento meu eu lhe sinto a me olhar e parece até me toca no ombro a me dizer se estou no caminho certo ou não. Eu sempre tenho o ombro dele mesmo quando é só para encostar a cabeça e vagabundear-me por aí.



Sanzalando

19 de março de 2020

Dia do meu pai

Tinha 4 anos e sem dizeres adeus, por falta de tempo, só pode, desapareceste da minha vida. Não me consigo lembrar se depois do carro preto do Dr. teu amigo, que foi lá em casa dizer que tu tinhas viajado para sempre, e que eu me lembro como se fosse hoje dessa hora de almoço desse domingo, eu chorei muito, em desesperei, birrei ou que é que fiz. Se apagou tudo da memória e ao longo dos tempos, quando eu comecei a juntar pensamentos e ideias na minha cabeça fui juntando fragmentos e fui fazendo a tua história. Me lembro de para aí ao 12 anos ter 'assaltado' aquela caixa de madeira que a mãe guardava zelosamente e quase que parecia secretamente na garagem e ter tirado de lá o Advogado do Diabo e lido como se estivesse a cometer um crime. Me lembro de me dizerem que te escondias em casa se o teu clube perdia lá terra que não conhecias e parece que até nem gostavas, para que os teus amigos não brincassem com essa tua 'doença'. Sorte que nesse tempo até parece que não te acontecia muito, pois se fosse hoje eles iam pensar que tinhas hibernado ou que a tua águia tinha deixado de voar. Me lembro que me disseram que tinhas tanta certeza que o teu primeiro filho ia ser um másculo e te saiu uma fêmea e por isso te escondeste uns tempo. Me disse a mãe que andavas sempre de gravata, só que amarrotada no bolso porque a lei não dizia onde é que ela tinha de estar.
Me contaram que nas terras do Lobito escreveste porque as mulheres começaram a andar de calças e tu não gostaste de ver, hoje estavas feito na azia porque onde quer que olhes não ias ver saias.
Me contaram que salvaste pessoas do primeiro balcão no dia do incêndio no cinema que até parecias eras herói.
Pai, tanta coisa mais me contaram e eu não te posso perguntar se é verdade, ou foi só coisas para me encher o ego. Eu sei que por aí se ouve tudo e por isso estás a ouvir o que eu estou aqui a te falar e assim me vais dizer que a tua falta de tempo nestes tempos todos foi só porque estavas ocupado a ser como sempre foste: boa gente e um dia vais me contar tudo e voltar a ser o meu Pai.

escrevi em 19-03-2011 e desde então passou tanta água na ponte do meu rio mental que hoje eu vou só te recordar 

Sanzalando

19 de março de 2018

Num dia do pai

Eu sou pai que também é filho. Mas por coisas do destino não sei se alguma vez tive oportunidade ou saber para lhe dizer lhe gosto ao ouvido, assim como tantas outras coisas que eu queria lhe dizer e que acho não lhe disse uma única vez. Eu sei, meu pai, que sempre tiveste esperanças, novinhas em folha, que eu não ia desistir de ser quem sou, que eu jamais ia esquecer as verdades e confundir-me em mentiras, que eu iria congelar-me em ideias preconcebidas ou enlamear-me em mentiras. Eu sei, meu pai, que tu sempre soubeste que um dia eu usaria as palavras  (que quase não tiveste tempo para me ensinar e que porém me passaste nos genes)para descrever a vontade enorme de ser feliz, as coisas boas que dão certo e os sonhos de alegria feitos.
Eu que sou pai e também filho não abro a mão de ser feliz mesmo que para isso eu tenha que ser descrente absoluto que sem esperança não há vento que empurre uma vela nem gente que invente a melancolia só pelo prazer de ser um apagado evento.


Sanzalando

19 de março de 2015

eu e o Meu pai

Acordei e me disseram de consciência que era dia do meu pai. De imediato chorei. Eu o amava quando ainda não sabia o que era amor porque ele partiu para parte incerta era eu ainda um cadengue que não se recorda do som das gargalhadas diziam ele dava. Chorei num cansaço profundo, não por melancolia, apenasmente porque não me lembro do perfume natural do Meu pai. Chorei exausto porque envelheço na rotina de recomeços sem me recordar da palma da sua mão a me acariciar os cabelos que eu tinha antes dele partir para parte incerta. Chorei por uma infinidade de razões até conseguir abrir a arca do tesouro de ser pai e me recordar que ausentemente não deixei de o ser assim como não deixei de o ter, o Meu pai.


Sanzalando

19 de março de 2014

a vida de pai, da amigo e namorado

Não me importam as dores, as angustias, as decepções porque ainda tenho de passar. Escolhi ser verdadeiro. O meu caminho é o abraço apertado, o aperto de mão verdadeiro, o beijo saboreado. Não estranhes a minha maneira de rir nem de te fazer sorrir. É assim que eu passei a ver a vida e é assim acho que lha vou viver.
Tantas vezes procurei a aventura e me perdi na selva das ideias. Quantas vezes deixei de ver porque tinha os óculos no bolso? Tantas vezes fiz o filme em câmara lenta e a preto e branco. Quantas vezes chorei lágrimas evaporadas para ninguém ver só porque tinha vergonha?
Não me importa mais outra que não a minha opinião.
Vou por este caminho, que escolhi ou fui-me escolhido... gosti, coração e não digas que falo de amor. Falo mesmo de vida. A escolhida, desejada e não perdida, mesmo que ainda me faltem dores, angustias ou decepções.
Falo de pai. Falo de namorado. Falo de amigo. Falo de mim, sem invejas nem gaguejos, sem soletrar ou sucalcos temporais.
De cadeira, feita na faculdade do tempo, te digo, ainda bem que sou assim como que nem eu mesmo.


Sanzalando

5 de maio de 2013

Eu, Dia da Mãe e Dia do Pai

Enquanto me vagabundo nessa praia que tem areia cola nos pés, arranha os dedos, coisa de gente sem nada para fazer, me lembrei que era dia da mãe. Me lembrei porque ouvi uma senhora gritar no filho 'me deixa hoje em paz que é o dia da Mãe'. 
Não, não comprei nada para o dia Mãe. O mesmo fiz no dia do Pai. Não é esquecimento, é mesmo só porque eu ofereço de memória. Não é justo comprar para ambos e ficar eu com as prendas. Mas essa parte eu sei não vos é importante. Mesmo vivos sabiam eu esquecia e dava só um alô no telemóvel e para ti, meu pai, nem me lembro mais como é que era, pois não tinha idade e nem sei se Bell já tinha inventado.
Mas deixemos as coisas menos importantes e passemos ao que importa. Lhes ofereço de memória, gargalhadas de recordações, olhares cúmplices trocados noutros tempos, recordações de abraços apertados com carinho.
Já sei que vão dizer-me que eu contínuo igual até nos pormenores. É verdade! Até nos momentos mais negros da vida eu vos gargalho com vontade, que até me lembro de tu dizeres, mãe, 'tu e o teu pai nunca sei quando estão a brincar ou não'.
Mas afinal de contas eu estou só aqui para agradecer vocês dois um dia se terem encontrado e criado esta obra de arte abstracta, de terem sido meus grandes amigos e quando eu consigo qualquer coisa de bem feito é logo em vocês que eu penso. Isto é só um aparte!





Sanzalando

19 de março de 2011

Dia do meu Pai

Tinha 4 anos e sem dizeres adeus, por falta de tempo, só pode, desapareceste da minha vida. Não me consigo lembrar se depois do carro preto do Dr. teu amigo, dono dessa foto em que lhe roubei o teu pedaço, que foi lá em casa dizer que tu tinhas viajado para sempre, e que eu me lembro como se fosse hoje dessa hora de almoço desse domingo, eu chorei muito, eu desesperei, birrei ou que é que fiz. Se apagou tudo da memória e ao longo dos tempos, quando eu comecei a juntar pensamentos e ideias na minha cabeça fui juntando fragmentos e fui fazendo a tua história. Me lembro de para aí ao 12 anos ter 'assaltado' aquela caixa de madeira que a mãe guardava zelosamente e quase que parecia secretamente na garagem e ter tirado de lá o Advogado do Diabo e lido como se estivesse a cometer um crime. Me lembro de me dizerem que te escondias em casa se o teu clube perdia lá terra que não conhecias e parece que até nem gostavas, para que os teus amigos não brincassem com essa tua 'doença'. Sorte que nesse tempo até parece que não te acontecia muito, pois se fosse hoje eles iam pensar que tinhas hibernado ou que a tua águia tinha deixado de voar. Me lembro que me disseram que tinhas tanta certeza que o teu primeiro filho ia ser um másculo e te saiu uma fêmea e por isso te escondeste uns tempo. Me disse a mãe que andavas sempre de gravata, só que amarrotada no bolso porque a lei não dizia onde é que ela tinha de estar.
Me contaram que nas terras do Lobito escreveste porque as mulheres começaram a andar de calças e tu não gostaste de ver, hoje estavas feito na azia porque onde quer que olhes não ias ver saias.
Me contaram que salvaste pessoas do primeiro balcão no dia do incêndio no cinema que até parecias eras herói.
Pai, tanta coisa mais me contaram e eu não te posso perguntar se é verdade, ou foi só coisas para me encher o ego. Eu sei que por aí se ouve tudo e por isso estás a ouvir o que eu estou aqui a te falar e assim me vais dizer que a tua falta de tempo nestes tempos todos foi só porque estavas ocupado a ser como sempre foste: boa gente e um dia vais me contar tudo e voltar a ser o meu Pai.
Sanzalando