recomeça o futuro sem esquecer o passado
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15 de junho de 2020

Há uns que sim e outros que nunca mais

Podia começar com era uma vez ainda fazia sol embora fosse hora do se pôr dele.
Passeava eu por uns aquis como se fosse um vagabundo, sem hora marcada nem destino definido. Ia só mesmo por ali a caminho de lado nenhum. Vagabundava o meu tempo.
Já sei, vou parar aqui e jantar, pensei e decidi.
É gente boa e pouca como convém a quem vai namorar num solilóquio entre si, num monólogo interior. Entrei, cumprimentei e gente simpática me sorri e devolve o bem estar. Muitos sorrisos e muitas simpatias. Começou a entrar gente, gente doutros reinos e aí comecei a ver que a gente precisa levar muitas tapas para aprender que não se aprende quando se desleixa. Uma palavra simpática não basta. Tem que se ser.
Chegou o Menu. Escolha foi feita rápida, não fosse aquilo encher com mais gente doutros reinos que me poriam desconfortáveis. E assim começou o calvário. Santos da casa não fazem milagres e nem todos os meus choros eram suficientes para me segurar. Entradas? que é que é isso? Todas as que eu vi foram para outros lugares, outros reinos Fiquei ali e esperei vinha o prato, se não queres vai te embora que tem clientes que vão gastar notas maiores que a minha, pensei eu com os meus botões e talvez com os do vizinho porque os meus não eram suficientes. Tu só vens é comer, bebes pouco, não dás lucro... Acho foi isto que eu li nos olhos, ou pelo menos eu pensei que foi o que eles pensaram. Pedido chegou. Estava bom sim, que não me surpreendeu porque já tinha provado noutra altura. Mas não era o que tinha sido pedido. Engano? Pode ser que sim. A desculpa dada não pegou porque se notou foi inventada na hora.. Lamentamos. Sorrindo paguei sem direito à pergunta dum docinho ou cafezinho, que até era para pedir. Paguei e agora fiquei a remoer se os santos da casa não fazem milagres agora, não vão fazer nunca. 


Sanzalando

29 de agosto de 2015

delírio numa tarde de verão

Assim descalço sigo caminho rente ao mar. Ouço o marulhar e me lembro das vozes dos anteriores aos antepassados me contar estórias que eu não sei eram verdadeiras ou apenas delírio dos tempos mortos. Sei assim num fugazmente que se eu me calar eu vou morrer sufocado nas palavras que calei. Por isso agora vim ao mar gritar todas as vozes que ouço das palavras que um dia direi.
Delírio, pensam.
Loucura, imaginam.
Vertigem de vapores alcoólicos, sussurram.
Apenas palavras. Exercito letras, parágrafos e concluo ideias. São escritos de verão, dum tempo que não dá tempo para parar e pensar. Ouve-se e anda-se num embora para a frente que o tempo não pára.
Afinal de contas as palavras não acabam.


Sanzalando

9 de junho de 2015

tenho a certeza

Tenho a certeza que entre mim e o mar existe um quase nada. Às vezes um quase nada frio, outras um pouco nada de vento e outras ainda um calor tórrido. Tenho a certeza que entre o mar  e a tua alegria não existe espaço. Tenho a certeza que somos um.
Me disseste uma vez, ou pelo menos eu fiquei com essa ideia, que mil vezes zero é nada. Daí eu nunca mais ter colocado a minha intensidade onde não existe nada. 
Entre nós existe um só nós.
Tenho a certeza que mais logo vais dizer que eu falo pareço as estrelas do céu, cintilantemente belas mas... mas nada.

Sanzalando

3 de junho de 2015

eu lembro, amor

Olha só eu por aqui sentado pés na água salgada e meditando em levitação temporal. 
Eu lembro, amor, de cada passo que demos, das diversas direcções que tomámos, das guerras que abafámos, das palavras que calámos e dos silÊncios que criámos para chegarmos aqui hoje.
Olha eu, amor, aqui sentado a refrescar os pés de modo a pensar sem sobressaltos.
Eu me lembro, amor, das vezes que fiquei triste por te deixar triste e das vezes que fiquei feliz por me lembrar de ti. Eu me lembro, amor, que isto não é filme, é mesmo vida real.
Eu me lembro, amor, de tudo o que consigo. 
Não te esqueças de me ir lembrando alguma coisa que me esqueça, amor.


Sanzalando

2 de junho de 2015

olha só para mim

Olha para mim a passear na beira mar parece um faz nada.
Assim até parece o céu é mais azul e logo a lua cheia vai parecer quer rebentar.
Dou passos curtos e certos por esta areia onde marco a minha passagem para uma onda qualquer me apagar deste mapa, como se eu fosse um transparente de existência fictícia. Mas na verdade dou os meus passos como certos, cabeça erguida e costas direitas.
Olha só para mim a caminhar nesta areia inclinada parece houve tempestade um dia destes e eu não dei por nada.
Olha para mim a caminhar os meus pensamentos por esta praia fora, gastando palavras soltas numa ode a ti, coração.
Olha só para mim...


Sanzalando

27 de maio de 2015

Quem me dera ser criança outra vez

Sentado a ver o mar dou comigo para lá de mim. Assim no mais ou menos a ver-me do lado de fora como que a me olhar com olhos de outro alguém que não eu mesmo.
Sonho com o querer estar todo o tempo ao ar livre, ser novamente aquela criança selvagem de quem não sabe quem é nem o porquê das coisas, rir às gargalhadas sem noção do parece mal ou não é bonito.
Sentado a ver o mar dou comigo a pensar porque ferve-me o sangue por palavras que ouço e se me apagam os brilhos nos olhos com a tristeza que vejo.
Quem me dera ser criança outra vez.


Sanzalando

24 de maio de 2015

olhar

Olho o mar como quem olha para amanhã, lugar onde ainda ninguém sabe como é que é ou vai ser. Afinal de contas num distrair de tempo, olho para lá do lá que há em mim.
O vento sopra fraco mas trás o teu perfume, o que faz com que eu sinta na alma todas as dores do mundo só porque eu deixei-te faz cinco minutos ainda não contados.
Olho o mar e parece desembarco nesse porto de abrigo que é o teu peito onde encosto a cabeça.
Olho-te.


Sanzalando

23 de maio de 2015

caminho ao som de um mantra

Vou caminhando na praia, olhando umas quantas vezes para ver se a linha que me separa do lá de lá está mais perto do lado de cá, outras vezes olhando para ti e é quando me lembro que és outra pessoa, quando me pareces uma parte essencial de mim, um pedaço do meu coração, um orgão vital da minha existência.
Vou caminhando na areia da praia, pensamentos livres como que em busca de um momento de solidão interior quando dou comigo a ver que não consigo preencher um espaço vazio com o tempo que já perdi. Na verdade os pedaços de vida perdidos nunca mais caberão dentro de nós.
Vou caminhando como que voando de mão dada na areia da praia, a teu lado, meditando ao som dum mantra que me ensinaste


Sanzalando

18 de maio de 2015

Era apenas a minha onda

Dei um mergulho no mar, daqueles que nem nos filmes. Ao mergulhar fechei a minha mão direita e agarrei, literalmente, a onda. Feliz me levantei, me aplaudi pela perfeição, mas sem abrir a mão, não queria a onda se fosse mar dentro..
Estiquei a toalha apenas com a minha mão esquerda. Difícil porem missão cumprida e não deixei a onda fugir. 
Devagarinho fui abrindo a mão e lá estava a onda porem estava desenrolada na concha que a minha palmão da mão fazia.
Olhei-a de todos os lados e de todos os lados sorri-lhe.
Ali estava a minha onda, a primeira onda que apanhei este ano e não era do meu mar. Era apenas a minha onda.


Sanzalando

7 de maio de 2015

Hoje gastei palavras

Hoje ando com vontade de gastar palavras, soltas e ao acaso. Umas para ti e outras para quem as apanhar. Hoje deu-me para aqui. Antes assim do que pior, diz-se em mentalidade daqui. Eu digo que afogada morre a saudade. Em lágrimas ou em álcool, acrescento.
Às vezes gastar palavras tem custos acima da média, porque ser adulto quer dizer que tenho que dizer as coisas certas, fazer as coisas certas mesmo que não seja essa a vontade.
Bem, meu amor, guardei as partes boas de mim para ti. Doces palavras, meigos pensamentos e tivesse eu um dom literário, dava-te uma moldura de amor, deste amor quase imperfeito.
Eu te escuto no meu silÊncio enquanto debito estas palavras soltas que me ditas na transmissão de pensamentos, calma a e tranquilamente ditados. Escutas bonito as minhas palavras soltas, as palavras que aprendi porque prestava atenção e não porque vinha num livro de escola.
Hoje gastei palavras, espero não me venham a fazer falta.



Sanzalando

6 de maio de 2015

Eu, sujeito de mim e da frase também

De verdade eu gosto da palavra EU. Bem que ela podia ter acento que assim assentava melhor, acho eu. Mas como não o tem eu não vou desdenhá-la só por essa causa. Mas pelo sim pelo não, Eu, sujeito de mim e da frase também, afirmo que trágico mesmo é poder olhar para o céu e me lembrar que não sou mais que um pedaço minorca de carne e osso, falível no tempo e sem necessidade de ter espaço.
Afinal de contas o tempo passa mais rápido que Eu e eu começo a me arrepender de não te ter dito tantas coisas que Eu, sujeito de mim e da frase também, te deveria ter dito para nunca te sentires só.
Eu só te posso dizer que os meus olhos tem dias que salgam mais que qualquer maré porque não te vêem tantas vezes como gostariam


Sanzalando

5 de maio de 2015

existe que eu sei

Existe remédio para o cansaço da alma?
Tenho um à mão de semear.
Olha, ficar assim a te olhar, descobrindo detalhe sobre detalhe e dizer que mais vou te amar.
Vais dizer que eu me perdi em ti. Se não fosse hoje seria amanhã.
Olha, sou assim um todo teu, em qualquer lugar ou em qualquer hora.
Existe remédio para o cansaço da alma!

Sanzalando

19 de abril de 2015

livremente

Calcorreio a minha praia de muitas as cores e formas. Aqui sou vagabundo, astronauta, rei e senhor, nada ou quase tanto. Aqui me perco na correria do pensamento, na força da meditação e na leveza da vadiagem.
Foi por aqui que me perguntaram se eu gostava mais de amar ou ser amado. Foi por aqui que fiquei sem saber se gosto mais da perna direita ou da esquerda.
Calcorreio a minha praia não deixando ferver o meu sangue nos pensamentos traduzidos em palavras largadas ao vento. Aqui sou livre de ser eu amando-te, vendo-te entrar no mar.


Sanzalando

14 de abril de 2015

trocado por miúdos

Trocado por miúdos, as palavras são ecos da alma. Assim num faz de conta, as verdades são certezas em que as coisas nunca ficam vazias, em que o amor não é um temporal, em que as estrelas do céu iluminam mesmo que poucamente.
Trocado por miúdos, eu não deixei de ser eu mesmo que as palavras estejam caladas.
Mas se eu parar para pensar eu vou concluir que estou sempre a recomeçar. Mesmo quando estou parado a olhar-te.

Sanzalando

7 de abril de 2015

as minhas palavras

Passeio-me por ruas claras e revejo palavras, uma a uma. 
Bonitas as palavras que escrevo. Letra redonda, legível, soletradamente corretas. As frases que essas palavras formam é que..., como direi, não sei a cor nem decorei uma. São palavras em carreirinha escritas em letra redonda e bem legíveis. 
É, tenho uma lado estranho que às vezes encanta quem as lê. 
As minhas palavras não têm sentido quando estão soltas. Mas em carreirinha às vezes também são bonitas como as palavras que as compõem. É, contigo ao meu lado as carreirinhas de palavras até são bonitas. Às vezes gosto das minhas palavras escritas em carreirinhas.
As minhas palavras não têm horário. Chegam e partem quando lhes apetece. Mas são bonitas as minhas palavras.
As minhas palavras são como a paixão. Umas vezes sim, outras não.


Sanzalando

5 de abril de 2015

Sorrimos à beira mar

Beira mar. Perfume de maresia. Marulhar das ondas. Tantas vezes o silêncio é a melhor opção mas, quando nos atolamos nele, quando lhe ficamos prisioneiros nos sufocamos e se nos distraímos pode ser tarde de mais.
Beira mar. Perfume de maresia e descobrimos que o mundo é triste porém solene. Procuramos o mundo maravilhoso, caminhos juntos que se entrecruzam. Inexplicavelmente surgimos lado a lado, em silêncio, mãos dadas.
Sorrimos à beira mar

Sanzalando

3 de abril de 2015

à luz dum candeeiro

Sentado num candeeiro de esquina, deixo-me levar nos sonhos desde os tempos de criança, assim moleque de sandálias de pneu, despreocupado das coisas da vida até aos dias de facto e às vezes gravata, parece é sessão solene. Num recanto me lembro que o amor verdadeiro começa lá naquele ponto onde não se pede nada em troca, naquele degrau onde tudo fica claro como água da Senhora do Monte, onde os relógios deixaram de ser ditadores de compassos marcados numa língua áspera de espaço compartimentado em horas distintas e por vezes sem fuso nem horário.
Sentado numa esquina com candeeiro mais nada me resta a não ser adiantar o relógio para o tempo sem ti passar mais depressa

Sanzalando

1 de abril de 2015

se tem vezes

Se tem vezes que não sei quem sou, sei sempre que sou o Homem mais importante para mim. Pelo menos o melhor da minha vida. Não sou comediante mesmo que às vezes me veja a sorrir, não sou rico nem dou presentes caros, não sou Homem de luxo porque o único tesouro que tenho é ser eu. Um eu que te ama, que me cuida te cuidando, um chefe de cozinha que não sabe qual a tua comida perfeita e que ainda assim te agrada, um piloto de avião que te eleva ao céu da vertigem, um explorador de recantos que tenta te encantar em cada gesto sintonizado na pureza da alma, um caminhante reflectido no teu sorriso enquanto caminhas a meu lado, um médico que não sabendo os teus sintomas te olha com olhos doce de cura.
Se tem vezes que não sei quem sou, sei sempre que sou o Homem mais importante para mim.

Sanzalando

30 de março de 2015

quem sabe

Amarro as letras num fio de guita bem apertado e, para segurança, as fecho numa gaveta duma paragem solitária. Não quero perder nem uma, porque me pode fazer falta num qualquer dia de passado, presente ou futuro. 
Quem sabe um dia, assim como que esquecido das rosas porque uma roseira me picou, eu resolva estragar os sonhos porque não se realizaram e desatar a escrevê-los com essas letras atadas num atilho.
Quem sabe um dia, perdidas todas as amizades eu escreva todos os nomes num livro de pardo papel e utilize essas letras guardadas na gaveta.
Quem sabe um dia, lembrando todas as lembranças, eu vá à garagem buscar esse molho de letras e desatilhadas eu as encarreire num palavreado simples para dizer quanto gosto de ti.


Sanzalando

23 de março de 2015

palavras sem vento

Procuro palavras para descrever sensações,  feitos e feitios. Procuro perder-me em alfabetos simples, letras vivas em sorrisos de trocadilhos e não sei onde me encontro. Atravesso parágrafos, tropeço em pontos e vírgulas e dou de caras com retratos pintados em letras soltas.
Afinal de contas gastei letras trocadas em silêncios preguiçosos só para perder um segundo e por esta via dizer um  gosto-te.




Sanzalando