17 de junho de 2019

em quase fim de primavera

Com primavera quase no fim o vento parece se acalmou. Pelo menos deixou-me ir à rua sem me arrancar a cabeça, sem me fazer andar em modo dança. Pelo menos agora que daqui a pouco é futuro e esse eu ainda não vivi. Eu acho que não merecia o tempo assim. Para mim era sempre sol. De dia e de noite. Calor. Sempre. Mesmo que o planeta ficasse caótico, mesmo que a frequência do pulso não fosse rítmico, mesmo que a testa suasse como fonte. Calor sem vento, sempre. Eu gostava era assim. As palavras acho vinham mais coloridas, os sorrisos eram mais descontraídos, os olhos tinham mais pureza. Seria este o melhor mundo, pelo menos para mim. Eu, se fosse assim, punha as minhas expectativas no mais alto patamar, nem que fosse só para amar e ser feliz.
Bebo um copo de água e vou ver o sol a ir para lá do zulmarinho.


Sanzalando

#zulmarinho


#caminhos


16 de junho de 2019

#selfie


vento de primavera

Acabando a primavera será que o vento vai para outro mundo? Eu não lhe vou implorar para ficar, para continuar a me empurrar como se fosse um abraço de chega para lá. Eu não gosto dele! Mesmo ele ocupando muito tempo da minha vida. Eu não lhe posso obrigar a deixar de soprar, não lhe vou obrigar a ir, mas fecho a janela para ele não entrar. Quando ando na rua é que o vento desta primavera me deixa exausto, palavra cara, na tentativa de um me deixar ficar por inteiro.


Sanzalando

#caminhos


#caminhos


#caminhos #zulmarinho


#caminhos #zulmarinho


#caminhos


15 de junho de 2019

leste

O vento continua a bater forte, dizem-me é vento leste. Para mim chega saber só é vento. Na minha terra ele trazia areia e parecia picava nas pernas desnudadas da criança que só andava de calções, aqui ele despenteia os poucos cabelos que ainda transporto e me incomoda só de abrir os olhos. Primavera tem ventos constantes? Deslembrei-me como foi no ano passado, e no outro para além doutros. Afinal de contas a gente é que muda e só dá por ela nos pormenores ou depois de ter mudado. Afinal de contas com o tempo desapeguei-me de detalhes e entalhes, excepto do tempo que vento trás. Afinal de contas esse tempo não me faz esquecer a pessoa que sou embora me tenha esquecido do que poderia ter sido por nunca saber o que é que era. Afinal de contas o vento só trás ar em grande velocidade, venha ele do norte ou do leste. A verdade é que me leste.

Sanzalando

13 de junho de 2019

#comida


#flores


#arlivre


Fui no planalto porque era cacimbo

Me sentei perto do zulmarinho e com o vento fui sonhar acordado coisas do meu passado. Deixei-me ir assim num ir meditado.
E num repente chegou o cacimbo. Se embarca para o planalto, se vai na casa da família. O avô também nos quer ver crescer. Os tios e primos precisam nos conhecer. A gente é família e da família da gente a gente gosta sempre. 8 horas no comboio, parece vai atravessar um continente. Neste tempo de cacimbo ninguém se lembra do tempo. De carro pode ter mulola que faz as horas se perderem no tempo de espera. Mas não tem carro vai mais como? Comboio. Leva farnel que é croquete ou franco assado e bebida na garrafa. Era cacimbo e ainda não tinham inventado a lata de bebida. Comboio está cheio, meio ou vazio, não importa. Interessa é que são uns meses passados lá no planalto. Nunca perguntei na kota quanto custa o bilhete. Não lhe vou pagar nunca. Quero ir e pontos finais. Cacimbo aqui é frio de tremer. 
Na esquina da casa amarela me vou sentar a ouvir os mais velhos a contar coisas que eu vou achar estão-lhe a aumentar a veracidade. Eles nasceram um a três anos antes de mim. São mais velhos nas estórias inverídicas que contam. Eu me derreto a ouvir. Felizmente eu uso calções e não vou molhar as calças com a tanga que eles estão a me contar. São os meus heróis. Tios e vizinhos destes meses de cacimbo lá de baixo.
Na outra esquina tem casa dizem é assombrada. Quase mo borrei quanto meu tio, noite alta numas nove horas, com folhas de bananeira nas mão me assusta na porta da casa branca abandonada nunca soube a verdade do porquê. Corri que nem vi se tinha combustível na Sacor.
No carreiro da Senhora do Monte me perdi centos de vezes. Malditos eucaliptos que me fazem afastar do caminho. Olha a piscina que é um lago grande que deve ter bagres de metro. Me disseram na esquina da casa amarela. Mergulho? estão doidos que eu só mergulho no zulmarinho. Nessa banheira grande nem me meto. Tem prancha e tudo. Loucos estes do planalto. Verdade verdade eu só vi o meu tio lhe mergulhar e só foi uma vez. Também não me posso lembrar de tudo que ainda sou novo, né.

Sanzalando

12 de junho de 2019

sonhos

Me sento com os olhos num horizonte largo. O zulmarinho nos seus múltiplos montinhos me descansa a mente e me abre o sorriso. Faz-me feliz, que mais me importa? Não sou perfeito, eu sei. Tenho quinhentas imperfeições, mil medos e milhão de sonhos. Todas as noites sinto saudade. Todos os momentos me ouço sussurrar frases imperfeitas de saber feito.
Eu, o zulmarinho e as minhas ideias fazemos constantes voos sem asas, percorremos caminhos sonhados ou apenas desejados. Sorrimos ao sabor do vento da primavera. Sabemos que mostrar o que sentimos é um vão. Sabemos que os sonhos são ideias inventadas no desejo e são o mote da vida. São sonhos de primavera que voam com o vento dum pôr do sol.


Sanzalando

11 de junho de 2019

um sorriso

Quando os meus olhos se perdem no nada eu me perco no pensamento. E em que penso eu tanto. Na alegria. Todas as coisas e todas as situações têm um lugar, minúsculo por vezes, para a alegria. Mas têm. Lá no fundo de mim mesmo, num pensamento apagado, tímido ou simplesmente ignorado, eu encontro alegria. Tenho de encontrar, por isso é que há vida. E se não houver outra, esta tem de ser vivida.
Um sorriso trás tanta alegria... mesmo que seja para outrem.


Sanzalando

#comida


10 de junho de 2019

#imbondeiro


trampolim do 10 de Junho

Primaveril vento que me trás uma vontade de vestir o meu melhor sorriso e ir por aí espalhar alegria. Porém, empurrado por ele, me sento no sofá e navego por recordações e outras paixões. 10 de Junho, saltei o trampolim num salto acrobático e por mero acaso não fiquei como o Camões ou figura pintada por Picasso. Tinha gente na bancada e era festival de ginástica e as férias iam começar. Eu aprumei a linha recta que me levava à mesa alemã, contei os passos para acertar no trampolim com o meu melhor pé. Desacertei com ele e lhe bati com o pé contrário. Lhe acertei com a barriga e fiquei a meia haste. Acabou-se o meu 10 de Junho. Não era primavera, era só cacimbo, e a gente da bancada se levantou, devia ser para ver se eu continuava ou tinha acabado ali a minha carreia futura. Apenasmente deu para mudar de carreira, saltando sempre o 10 de Junho e fugindo do trampolim propriamente dito.


Sanzalando

#comida


9 de junho de 2019

#comida


vento

Sopra vento parece é assoprador mágico. Cabelo ralo parece vai sair da cabeça. Olhos mal se abrem. Venta pela primavera toda. Eu não quero o meu dia assim soprado. Vá lá, uma brisa. Não preciso deste sopro todo parece quer gastar tudo hoje. Parece tudo se desmantela na minha mão aberta. Eu assim ainda acabo morrendo na rotina, enclausurado fugido desse vento que sopra na força toda que ele trás. Não me venham dizer que há bom vento. Nem o do meu mais a sul era assim chato que nem esse que sopra aqui no meu norte sul.


Sanzalando

#comida


#flores


6 de junho de 2019

ouço-me no silêncio

Primaverou parece é tempo do meu cacimbo. Já nem o tempo me mostra o lado sul. O vento parece vem de lá, mas se arrepiou num bloco de gelo pelo caminho. As crianças assim não conseguem nem brincar na rua como quando eu era da idade deles. Talvez seja por isso que eu me sento algures aqui numa gruta de imaginação a ver o tempo vento passar e ouvir os meus silêncios, essa voz que eu tenho dentro de mim que me sussurra caladamente as verdades que eu sinto. Eu me ouço nas falsas partidas da voz, nas pausas respiratórias imprecisamente usadas. 
Eu ouço o meu amor, o meu discurso da faz de conta e os meus gritos sentimentais.
Não me destruo por pequenas coisas nem por pequenos tempos actuais. Eu ouço o meu silêncio levado pelas ondas do vento rasante do zulmarinho, eu me eternizo na silabas que me digo.



Sanzalando

#comida #bebidas


5 de junho de 2019

no tempo da minha mãe

Primaverou de novo. Vesti o casaquinho de malha que a mãe mandava vestir quando ela tinha frio ou adivinhava que ia fazer frio mal ouvisse o estrondo da noite a cair. E era matemático, mesmo que a matemática não fosse o meu forte, até ao romper da aurora era frio de cacimbo gelado. Hoje vesti o casaco de malha e me lembrei de minha mãe. O seu ocaso por acaso me deixou muito só. Fiquei, para lá de todas as coisas que possa passar pela cabeça, sem aquele ombro onde eu podia encostar a cabeça de descansar do enrolamentos da vida. É que a vida às vezes nos enrola em enredos que até parece novelo com que foi feito o meu casaquinho de lã. No tempo dela eu não me sentia uma pessoa fria porque sentia o seu calor e cada mágoa ou decepção ela lhe dava a volta e transformava em calor para me devolver. No tempo dela eu não tinha tempo para perder em lutas dentro de mim. Ela me olhava com aquele olhar de mãe e dizia que eu não devia perder tempo a lutar comigo mas sim aliar-me comigo e viver. E isso eu vou fazer ainda hoje.


Sanzalando

#comida


3 de junho de 2019

#comida


#zulmarinho


Eu sou

Não tem estação do ano definida para eu me deixar abater por vezes com coisas de nada. Assim mesmo, de nada. Ai que sou forte e faço e desfaço e depois lá vou na ribanceira da vida num dia triste. Humano tem um mano que deixa triste só porque acontece tristeza e nem sabe nem explicar direito mais o que é que começou essa coisa na cara. Acho só é a gente tem de se pôr, assim de vez em quando, no lugar do outro e sentir. Ninguém vai parar. Só sentir por sentir.
Faz tempo, eu era criança e queria ser tanta coisa que tanta coisa sou que já nem sei. É estação do ano que me faz ser assim. Apeadeiro do ano não pára minha maneira de ser e estar. Só mesmo estação. E primavera tem ribanceira. Verão também. Outono e inverno já nem me lembro. Mas acho tem. Todos os dias pode ter. A gente é que não vê e não sente. Eu sou humano que tem um modo de ser. Eu sou.


Sanzalando

31 de maio de 2019

divagações de primavera

Ai minha nossa senhora dos aflitos e desamparados, os ananases se cozeram neste calor que parece é tropicalmente fabricado e europamente plantado. Os putos da minha rua têm os chinelos colados no alcatrão que se derrete, parece é cérebro de adulto feito mau feitio. Eu já sou assim como mais crescido porem em embalagem parece é nova. Digo eu que já me falta a vista para temperar a imagem que tenho de mim. Com este calor transpirei e não sei se foi desse calor se foi da esperar dum sinal da saudade que tu ias dizer sentes por mim. Passou a manhã, chegou a tarde e rompeu a noite e a esperança morreu vã, para não dizer virgem e saloia. Não foi por falta de aviso, mas eu até ver para crer não acredito. Minha mãe sempre me avisou. Tira a cabeça do sol, miúdo teimoso. Tira o corpo desse calor, reguila duma figa. Na verdade não perdi a esperança de num fim de tarde de calor assim, chinelo colado no chão, te ver chegar no teu ar minado de deixa andar com qualidade, sorriso difícil mas sincero, chinelo moderno e cabelos esvoaçados. Sou assim que nem feito de vertiginosas fantasias de pessoa boa que te espera ver caminhar na minha direcção com olhos de ternura e infinitamente carregados de carícias. 
Afinal de contas era apenas mais um texto dos meus, daqueles que não acontecem senão na minha imaginação, daqueles que são peitos de primavera morena numa praia de muitas cores, voando palavras pintalgadas de maresia e olhos de zulmarinho entrando oceano a dentro.
Bolas. era domingo de manhã e não voltei a sonhar com medo que na segunda, no trabalho, iam ver os meus sonhos se derreter num corredor uniformemente acelerado pelo frenesim dum trabalho nunca acabado.
Tenho medo das noites sem amanhã para nós.


Sanzalando

#flores


30 de maio de 2019

torrei no sol

Torrei no sol parece foi dia de verão dos tempos de criança. Daquele tempo que os mapundeiros viravam camarão dum pé para a mão, isto é, de manhã até na tardinha. Acho nesse tempo ainda não tinham inventado o protector solar, que era mau para a pele e que alem de arder parecia tinha febre e a gente nem importava. Desse tempo que eu tenho lembrança e me lembro de ti e mim a saltar no mar, mesmo no tempo do cacimbo. Acho a temperatura mínima de lá era a máxima do lado de cá, se já tivessem, inventado a meteorologia . Acho nesse tempo não tinham inventado nada que fosse ruim. Havia era coisas que aconteciam e ponto final. A gente nem tinha de inventar ser outra pessoa, era o que é. Nada mais fazia sentido, éramos uns apreciadores de distracções, fizesse sol ou caimbo na nossa cabeça.
Afinal de contas as contas de missangas eram primavera por outras bandas.



Sanzalando

#zulmarinho


29 de maio de 2019

no meu chão

Deixo o sol torrar-me o corpo e deixo a brisa refrescar-me. Caminho ao longo do zulmarinho, umas vezes com o sol de frente, outras pelas costas. Permaneço em silêncio enquanto ouço-me cantarolar um mantra que acabei de inventar. Aos poucos me perco do mundo e não sei se lhe deixo alguma coisa. A minha mente voa e não sei onde vai cair, o céu é o limite e o sul o horizonte. A minha pele escamada pelo sol e perfumada por maresia parece segue o pensamento e me vai deixando lentamente. Ultrapassei espinhos, saltei barreiras e chorei tristezas. Num segundo, que foi a eternidade que consegui largar-me do mundo.
Uma onda me acordou e com isso aprendi que a minha vida tem um chão e vivo-a no chão que estou.


Sanzalando

28 de maio de 2019

#comida


#comida


#comida


E se fez sol

E de faz sol me dispo de preconceitos e caminho directo aos assuntos.
E se faz sol, me sento à beira do zulmarinho e deixo-me navegar de onda em onda à procura da onda final.
E se faz sol, deixo-me subtrair de tudo o que é mau e canto o refrão de que a poesia só faz sentido se as forças se acabarem. 
E se faz sol, peço que me retirem de todos os meus pedaços tristes e de roupa mudada caminho para ser feliz.
E se faz sol, carregando todo este amor no meu peito, me deixo ir pela felicidade, onduladamente como corrente de ar por caminhos da imaginação.

e se fez sol.



Sanzalando

23 de maio de 2019

sou quem sou

E se faz sol eu caminho num passo meditativo como que a olhar para dentro de mim e me perguntar coisas. Acho, às vezes que tanta curiosidade me faz mal. Mas vou fazer mais como? Me olho e vejo que mudei. Bastante assim? Sei lá. Mudei. Já não sou quem eu era antes. Perdi vícios, mudei cores, mudei o perfil, mudei o penteado, mudei o olhar. Complicado. Se não mudei a cabeça como dei a volta sem abrir a mão de mim? Misturei-me renovando-me diáriamente. Mais coisa menos coisa. A minha essência é a mesma, penso eu. O zulmarinho também já não é o mesmo. Mudou, muda e mudará. Tem marés. Já não sou o mesmo. É inevitável. Gosto de ver, de ouvir e às vezes falar. Gosto de sentir.
Sei lá mais quem sou. Sou eu, por enquanto.

Sanzalando

#mangueira


21 de maio de 2019

primavera que não sorri

Indecisa primavera que não me deixas tomar balanço para o que quer que seja. Com esta instabilidade termal já me chego a culpar de não gargalhar na alegria, de gargalhar sobre a tristeza, de estar à porta do abismo e depois voltar atrás com medo de dar o passo em frente. Mas não chove para acabar comigo feito diluido; se sou 70% feito de água, uma boa chuvada ia diluir o resto, acho eu.
Com este tempo já gritei até perder a voz, já chorei até secar os olhos, já pulei até romper os músculos. Já é tempo de ter tempo para contemplar o zulmarinho e toda a sua energia.
Com este tempo já gastei os meus sonhos e tenho que me socorrer da realidade que é crua e dura, quando o que eu gosto é de morar na comodidade da casa dos meus sonhos.
Com este tempo preciso ter coragem para sorrir. Sempre


Sanzalando

#caminhos


19 de maio de 2019

primavera dê-se ao respeito

Faz brisa parece é vento. Primaverou, invernou e veraneou, tudo no mesmo dia. E eu? Baralhei-me. Se tem coisa que gosto é respeitar e entender ou entender e respeitar dando-me ao respeito desgostar a meu gosto. É por isso que julgamento eu não faço. Não julgo. Entendo e respeito mesmo que eu não não goste. Esta primavera não é a meu gosto. Respeito. Mas não entendo. Se é primavera tem de se portar como tal. Mas eu não vou julgar mal a primavera porque está a ser indecente, porque sopra vento parece é frio soprado num frasco de gelo. Respeito-a. Mas está difícil entender neste tempo incerto.
O zulmarinho está arrepiado. A falésia parece desabrigo. O silêncio parece é sopro. A maresia parece é inodoro porque vai de contra mim.
Me sinto magoado com essa primavera que calhou este ano. Respeito-a mas acho merecia mais. Não a entendo.

Sanzalando

#caminhos


17 de maio de 2019

#bebidas


#flores


#caminhos


Tem gente é cometa

Tem sol que brilha parece desigualdade no mesmo lugar. É uma pena, porque lugares se tornam sombrios que até parecem tristes, porque tem pessoas que passam como fossem cometas, rabo grande que parece esteira bagunçada a pensar são o centro do universo. Nem o sol de primavera consegue brilhar nem o zulmarinho consegue ondular beleza.

Sanzalando

primavera mais real

O sol foi de fim de semana e deixou por cá o vento, essa horrível força que me despenteia e me atira pequenas areias contra as minha pernas desnudas como se fossem afiadas agulhas. O zulmarinho estonteantemente se atira contra a areia da praia a parecer que lhe quer devorar, não me deixando estar ali sentado a lhe admirar ou meditar ou simplesmente estar.
Este vento parece é o mundo que deixou de ter tempo para se recomeçar, para ir buscar os valores que se perderam por causa da enganosa tecnologia que nos trás uma proximidade virtual e que nos leva a um afastamento humano, a uma conversa em que os olhos nunca serão vistos, em que as carícias são símbolos e não físicas. Como posso conversar sem ver a expressão nos olhos de quem me ouve?
Com este tempo assim me sinto mais longe da realidade, mais longe de ouvir as pronuncias e o colorido das vozes, sinto que os laços que crio mais não são que círculos de vastidão deste mar.
Viver está no sentir e no sentido de vida e amar está na acção, não no dizer.
Com este vento, acho vou-me recolher num canto desta praia e esperar a outra primavera, a mais real

Sanzalando

16 de maio de 2019

manta de retalhos

Faz sol ou eu sei que faz sol. Eu digo que sim e isso me chega para dizer que está sol. Eu sou forte, é o que me digo. Não sou louco para pensar que não existem abismos, sismos, tempestades, inverdades, ciclones e vendavais na vida de cada um. Aparentar, fingir, esconder e ou desligar não vai a porto seguro. A instabilidade do tempo não pode descontrolar a estabilidade do meu tempo por onde ando. Por isso eu sou forte, mesmo que a minha existência pareça como uma manta de retalhos como a minha avó fazia. Eu sempre as achei bonitas. Juntar pedaços, ao acaso ou por acaso, condizentes ou contrastantes. É poesia. É lindo. O tempo é lindo. A vida é linda. Pode parecer a vida uma manta de retalhos, pedaços cozidos uns aos outros, quando bem feitos até que é linda e é uma manta.
Assim é a a vida, assim é o tempo. assim sou eu nesta primavera.



Sanzalando
recomeça o futuro sem esquecer o passado