Sanzalando
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12 de novembro de 2013
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6 de novembro de 2013
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Eu e mais alguns faltamos nas aulas. Não fomos na praia nem nada. Não fomos ver a miúdas do Lubango que vem sempre nas Festas do Mar. Não senhora fomos só mesmo para o Aero Club - Rua dos Pescadores- jogar bilhar. Perde paga e não tem discussão. O Reis joga para caramba, eu também, o Zé Pedro, o Victor, irmão do Fisga. Já disse nomes e não tem lista que podia parecer era edital. Depois fomos comer um pastel de nata à Oásis. Ué, alcatrão está quente e tem tampinhas soldadas parece é serpentina e queima nas sandálias gastas com buracos. Vamos mas é até ao Liceu que tem lá as nossas Garinas bonitas. Mas eu sei elas so ligam mesmos aos mais velhos... Cresce e aparece, miúdo. Filho da Lavadeira tem destas coisas, quer parecer mais do que é. Que aconteceu mesmo? Chumbou! E tudo isto foi no liceu e aconteceu mesmo..
Sanzalando
5 de novembro de 2011
recordando um passado.
tira a borracha da caixa
empresta a borracha oh Rocha
tira da caixa a borracha
apaga o lapes com a borracha do Rocha
e mata o Lopes com a rocha da borracha"
Sanzalando
16 de maio de 2011
vento e a cidade
Sanzalando
19 de março de 2011
Dia do meu Pai
Tinha 4 anos e sem dizeres adeus, por falta de tempo, só pode, desapareceste da minha vida. Não me consigo lembrar se depois do carro preto do Dr. teu amigo, dono dessa foto em que lhe roubei o teu pedaço, que foi lá em casa dizer que tu tinhas viajado para sempre, e que eu me lembro como se fosse hoje dessa hora de almoço desse domingo, eu chorei muito, eu desesperei, birrei ou que é que fiz. Se apagou tudo da memória e ao longo dos tempos, quando eu comecei a juntar pensamentos e ideias na minha cabeça fui juntando fragmentos e fui fazendo a tua história. Me lembro de para aí ao 12 anos ter 'assaltado' aquela caixa de madeira que a mãe guardava zelosamente e quase que parecia secretamente na garagem e ter tirado de lá o Advogado do Diabo e lido como se estivesse a cometer um crime. Me lembro de me dizerem que te escondias em casa se o teu clube perdia lá terra que não conhecias e parece que até nem gostavas, para que os teus amigos não brincassem com essa tua 'doença'. Sorte que nesse tempo até parece que não te acontecia muito, pois se fosse hoje eles iam pensar que tinhas hibernado ou que a tua águia tinha deixado de voar. Me lembro que me disseram que tinhas tanta certeza que o teu primeiro filho ia ser um másculo e te saiu uma fêmea e por isso te escondeste uns tempo. Me disse a mãe que andavas sempre de gravata, só que amarrotada no bolso porque a lei não dizia onde é que ela tinha de estar.9 de janeiro de 2011
Me confesso e não sei porquê
Podia contar estórias de caça em que na noite de luar chutou uma raíz a pensar era uma cobra e partiu um dedo e nunca mais foi em caçadas; podia contar a única vez que atirou uma linha com anzol ao mar e mais não fez que apanhar uma pedra que lhe deu cabo da faina; podia falar de tantas paixões, umas correspondidas, outras não e as não sabidas pelas outras partes; podia fazer tanta coisa aqui sentado a olhar este mar que hoje teima em ser uma tela branca. Podia ler a Arquitectura Urbana da Cidade X, a biografia do Herói ou Heroína Y e Z; podia apenas estar aqui sentado a ver se conseguia ver-te com o teu ar de adolescente, o teu sorriso inocente e o teu olhar ausente mas seria mais ima tarde de imaginação porque hoje estás... como direi se não sei?Sanzalando
7 de janeiro de 2011
recordando (6) - último (digo eu que nem sei se digo a verdade)
Aqui, perto do mar revolto, recordo-te. Apenas porque me revolto por saber que não me olhaste no dia que eu te olhei e vi que tu eras o meu cinema, o meu filme de amor que acabou numa película muda dum actor apenas. Tu ias ao cinema e eu ia ao cinema. Não sei que filmes vi. Apenas queria no intervalo olhar-te, ver-te e saber-te ali, na mesma sala que eu, mesmo que estivéssemos ao ar livre. Não sei se vi filmes com a Scalett O'hara, a Natacha Kinsky ou Brigite Bardot e outras que nessa altura se calhar ainda não eram dadas como nascidas. Eu apenas via-te e suspirava-te e o resto do mundo era apenas cenário.Sanzalando
6 de janeiro de 2011
recordando (5)
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5 de janeiro de 2011
recordando (4)
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4 de janeiro de 2011
recordando (3)
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3 de janeiro de 2011
recordando (2)
Sanzalando
2 de janeiro de 2011
recordando (1)
Me lembro as tuas estórias, me lembro o teu sorriso, me lembro o teu olhar e me lembro de te ver a jogar ténis nos sábados de manhã.
Sanzalando
8 de setembro de 2010
6 de julho de 2007
Hoje sou memória
Caminho sentado sobre palavras e pensamentos, numa salada de coisas boas que o tempo me foi deixando como reserva. Viajo na memória, de memória. Desnecessito cábula, sebenta amarelecida no tempo, ponto soprando em voz ciciada. É essa reserva mesmo que me ajuda a dar os passos que dou, a olhar o amanhã com um sorriso, a me sentir uma sombra embebido de sol.Já houve tempo que eu pensei era uma cidade sem nome, uma rua deserta, uma porta perdida. Já houve tempos que eu suspeitava que era portador de passos cegos, mãos vazias de promessas secas. Já houve tempo que eu pensei era um coração perdido assim como uma flor sem jarra.
Hoje assim de memória sei que sou uma chave. Não me lembro mesmo é de qual é que é porta.
Mas eu sei, também de memória, que a porta está mais ou menos aqui, no labirinto da vida, num sinal luminoso que se calhar ainda não acendeu, na curva duma estrada que se calhar ainda não foi feita. Mas está que eu sei, de memória, que está.
Assim como eu sei, de memória, as estórias que eu contava-me ao pé das gazelas de bronze, das horas a que o boca de sapo dourado passava e eu me mostrava para que fosse visto, dos amigos que em troca de um café ficávamos horas a falar de coisas e tantas assim de coisas nenhumas.
Por isso eu sei, de memória, que o teu sorriso se abriu agora quando me ouviste falar as palavras que me saem da memória.
De memória eu sei que te vou voltar a encontrar, mais dia menos ano que o tempo não apaga a memória.
Sanzalando
15 de março de 2007
Valeu a pena
Vá lá, esperemos que amanheça num amanhecer de sol, mas façamos algo de útil, alguma coisa que nos dê prazer, que nos faça feliz no instante deste momento.
Se eu tivesse um espelho para olhar-me, ver as curvas da cara se vincarem numa marca indelével do tempo, que abstractamente não existe porque o tempo é real, e ver-me sorrir porque me sinto feliz.
Depois de uns tantos anos de sonhos e fantasias queria olhar-me e ver se valeu a pena, queria perguntar-me se é o destino que me conduz ou se é a força de um trabalho que me alcançou até aqui. Queria ver-me, numa de cara a cara, e saber se o desejado tinha sido alcançado e se por algum motivo eu devia estar arrependido dos caminhos até então percorridos.
Sem o espelho eu imagino que o esforço das vontades confluíram até este momento em que sorrio porque estou feliz. Sem o espelho penso que valeram a pena os anos, os dias e as noites de insónia.
Esse lugar que me persegue nas horas que têm os dias está ali. Espera-me. Eu lhe olho outra vez desde longe. Experimentei-o, saboreei-o, vivi-o. Cresci, amadureci e aprendi. Sem o espelho digo-me que valeu a pena, mesmo que eu me sinta prisioneiro dele. Mesmo que a força dos meus desejos arrastem para longe as moscas que, num equilíbrio instável, pairam sobre a minha cabeça como se fossem helicópteros tentando ler-me o pensamento. Mesmo que os meus suspiros façam acinzentarem os castanhos cabelos que ainda teimam em resistir. Mesmo que o sorriso fácil tenha dado lugar ao esboço e eu me sente sobre as piadas contadas. Mesmo que olhares confusos me olhem. Valeu a pena!
Sanzalando
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18 de janeiro de 2007
Me arrumando

Tu sabes que há dias em que a gente se derruba por dentro. Sabes que hoje me olhei e no espelho e parecia uma dessas casas assim do tipo património mundial ou coisa mais pequena, em que só lá está a fachada e por dentro está assim é um vazio grande que enche qualquer espaço que parece está escondido dos olhos. É, parece o mundo desabou nos pés e a desordem se inundou-me. As recordações se amontoam sem qualquer ordem sobre a capacidade de pensar, que por sua vez se descola dos sentimentos. Misturei-te as ideias? Pois é mais ou menos assim que eu me baralho hoje nesta desvontade de caminhar e recuperar alguma força para continuar a caminhada.
As sensações desapareceram, todas menos a tristeza, que se fez senhora e dona do meu cérebro, dominando acções, reacções, gestos e palavras.
Pois é, tu sabes, que há dias em que eu mesmo me derrubo por dentro.
Assim como mais assim é mesmo melhor a gente se sentar nesta areia de mil cores, olhar o zulmarinho se baloiçando e ver se consigo pôr em ordem a desordem em que me arrumo e que faz um peso danado nos meus pés este desabar do mundo sobre eles.
Um a um vou-lhes organizar os pensamentos, as recordações e os sentimentos. Os que não me interessa ter porque são velhos, absurdos ou são aborrecidos deixarei enterrados aí num buraco que farei na areia. Assim, me reconstruirei por dentro e se verá por fora.
Sentes a brisa que sopra? Ela mesmo vai tapar esse buraco.
Olha bem para cima daquele monte de areia que fizemos numa das nossas caminhadas. Em cima dele está a minha indecisão. Como é pesada a brisa ainda não lhe conseguiu levar para longe. Olha ali rebolando contra o zulmarinho todas as palavras que eu nunca deveria ter dito. Agora vê sobre as ondas, como que boiando, os antigos amores como que não sabendo se vão ao fundo ou se voltam para terra para arrancar o que resta do meu coração.
Vês como é fácil a gente se arrumar por dentro e transparecer por fora?
15 de outubro de 2004
RECORDAR (41)
Forum: Liceu Américo Tomás
Estou sentado nos hexágonos que seguem a marginal mesmo caté ao Porto grande, onde tem cancela que só quem pode é que passa. Estou sentado a ver que o mar vai para trás e para frente como que tá a desafiar eu e ainda salpica água salgada para cima de mim. Ele ameaça chegar nos meus pés mas um hexágono antes ele vai de arrecua. Eu estou só sentado admirar ele. Como é que este monte de azul que parece a calma em pessoa de vez em quando desata a subir isto tudo e ainda vai atá mesmo na Minhota? Não pode ser este mar aqui. Vais ver de vez em quando ele vai de férias e fica outro aqui no lugar dele. Vou sentar mais vezes aqui e tomar conta para ver se não é como eu penso. Me lembro da casa do caminho de ferro, que ficava mesmo no fimzinho de onde acabou o alcatrão e que depois ainda fizeram o parque de campismo, e que a água desse mar mesmo ia regar as flores de mamãe, por isso ela não queria mais a não ser nas celhas.
7 de março de 2004
um jantar (7)
7 03-02-2004 22:14 Forum: Estamos Juntos!
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(...)
Que tou aqui a imaginar o que falaram na mesa lá daquele canto onde estava F. Nóbrega, Orlando Salvador, Walter e o Toninho das estórias. Duas enciclopédias juntas deviam que estar a falar de cada grão de areia do deserto, dos arbustos da savana, da Serra da Chela e das suas mulolas que de vez em quando não deixava vir os mapundeiros molhar os pés na beira do mar. Se calhar estavam a falar do Sr. Zé qualquer coisa, das romarias à Kipola ou á Senhora do Monte. Como pode saber se estava mesmo longe, na Cimeira Imberso/Karipande...Que faltou ali Pássaro, Quilha, Rui Amaro, Muganda e Pedro Dornellas - queres ver que inda está a procurar máquina de lavar. E Cadima que disse que ia mas num foi que faltou? E se vai organizar congresso próximo se vai! Ficou tantas ideias no ar que sem Congresso de 3 dias nunca vai acentar.
Mas mesmo Fenix que desvia o olhar e assunto novo estava na mesa.
Começa um momento que tem parece o 10 de Junho. Vitor Carrilho tenta chamar pessoa por pessoa mas os abraços e o matar de saudade num deixa que ouvir a sua Voz. Veio a ajuda sempre prestável da impagável LengLoi e pôs todo o mundo em silêncio. Trabalheira de VCarrilho num CD que só posso dizer que divinal que num sei escrever palavra mais dificíl para definir ele. Aqui o repórter da Holla (edição L'avante) também ganhou e já deixou cair uma lágrima no canto do olho.
(...)




