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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
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- Pertinências 2 - Diagnóstico Dual - GRATO
- Pertinências 3 - "A Mulher (e as mulheres) segundo Fernando Pessoa"
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- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
- Pertinências 7 - Equipes de Rua - GRATO
- Pertinências 8 - Rastreio e Prevenção do cancro do colon e recto
- PERTINÊNCIAS 9 - Enredados nas Palavras - Dulce Maria Cardoso
- PERTINÊNCIAS 10 - H(á) Mercado - Brasa Doirada
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- PERTINÊNCIAS 13 - Por Dentro do CHEGA
- Pertinências 14 - Epicuro e Epicurismo Por Gabriela Baião
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23 de outubro de 2019
Zanzibar
18 de outubro de 2019
tropicalmente chove
17 de outubro de 2019
Na praia
Me deitei numa esteira no meio da praia. Eu, o mar e o sol. Também estava um bocado de vento. De tarde estás á espera mais do quê?
Acho levitei no meio dos meus pensamentos. Eu senti a brisa como fosse asa de avião. Subi para lá de mim e me olhei. Eu regressei a mim, revi a minha essência, reconhecimento próprio. É África em mim e eu em África.
O que faz o sol...
16 de outubro de 2019
Num mar diferente
Me olhei no espelho e me imaginei eu do outro lado. Eu era o reflexo e o reflexo era eu. Pensei que o meio caminho da loucura tinha chegado. Me afastei e me olhei num repente, e eu era o reflexo, o medo de ser irreal, imaginário, a fraude, a falsificação de mim. Me sentei. Eu vou no kimbanda, me soliloquei. Professor Karanka me ajuda, pedi baixinho. Peguei num avião, daqueles que voam contra as leis da física, grandes, pesados, abarrotados de consciência pesada e fui na mãe. África. Diferente. Hoje eu sou diferente mas preciso da água, do ar, do sol e do perfume da mãe.
Hoje, nas águas do Índico me lavei, esfregando a alma com areia que um dia o vento trouxe e deixei de ter medo. Nem que seja enquanto estou aqui.
Hoje, depois duma chuva que deixou a roupa pesada e perfume de terra, eu sou feliz.
Sanzalando
29 de abril de 2011
11 de abril de 2011
7 de dezembro de 2007
Miradouro
Olha este mar azul, frio sim, mas tem este cheiro de sal, estas ondas, esta espuma. Fecha os olhos e verás que ainda vais ver melhor.
Acorda que não é hora ainda de sonhar!
ps: reescrito depois de 3 anos
Sanzalando
6 de setembro de 2007
reconstruindo o passado
Me sento na sorte de um acaso.
Recordo-me de construir castelos na areia das mil cores. É, quando ia passear na areia, esperar as mukandas que me chegavam desde lá do outro lado do início do zulmarinho, construía castelos de areia e depois fazia bolas de areia como que a me preparar para a brande batalha, que só ia existir na minha imaginação.
À volta do castelo construía sempre um muro com um túnel de acesso bem escondido, pois assim ficava mais protegido, pensava eu.
Ainda hoje brinco de castelos de areia, mesmo que não possa tocar na areia que fica de baixo do sol. Brinco quando encontro pessoas da minha memória, brinco quando estou na solidão da minha caminhada. Mesmo que não se consiga ver o castelo de areia construído numa praia qualquer, ele existe, mesmo que seja só na minha cabeça. Às vezes parece ruína destruída por uma onda mais atrevida e desmancha prazeres. Mas ele existe e acho vai existir sempre.
Mas acho que ele tem um muro mais forte a lhe rodear a toda a volta. Acho mesmo é a continuação do muro que comecei a lhe construir ainda eu tinha esperança de lhe encontrar o biquini azul a lhe mirar do alto do seu ar de autoridade.
Tantas vezes esse muro foi derrubado que cada vez eu lhe construí mais forte.
Me olhando por aqui, eu vejo que construí esse muro, sem dar conta, tão forte que ninguém mais lhe consegue atravessar. Com esse muro mesmo, eu me sinto mais protegido mas ao mesmo tempo eu me sinto assim mais como que sozinho. Vais ver, me esqueci de deixar uma porta onde possa entrar a companhia. Não lhe vou destruir assim num repente mas acho lhe vou fazer uma porta, mesmo que seja estreitinha.
Sanzalando
23 de junho de 2007
meu querido Zulmarinho
Te escrevo hoje uma carta porque hoje não estou com vontade de falar com ela, que jaz ali estirada na areia como se não houvesse coisas mais importantes no mundo para fazer. Por isso me calo e te escrevo. Ela não sabe ler, acho eu, e se por acaso o soubesse, naquela posição não ia conseguir ver nada.
Mas te escrevo porque sinto medo de sair por aí a correr, entrar-te e ir a caminho da linha recta que é curva, querer saber profundamente dela, lhe sentir o cacimbo me humedecer até nos ossos, lhe falar com amigos de que lhes tenho saudade de ouvir gargalhar, da Armanda, da mesa farta cozinhada pela D. Fernanda, dos cigarros seguidos da Di, de reaccionar a Té e lhe levar a levantar a voz até parece está zangada mas é só mesmo até ela descobrir que lhe descobri o ponto fraco, de ouvir o chorar da viola do Manel, de perguntar no Vasco a que horas ele ma vai buscar no Mussulo, mesmo hoje que tem cacimbo que não lhe deixa nem ver.
Sei que é difícil mudar sem a gente conhecer a gente no seu todo de interioridade profunda que não transparece na periferia. Sei que é difícil ficar sentado na esperança, que é impossível voar no vento e caminhar sobre palavras até lá lhe chegar.
Não te parece lógico o que eu te escrevo? A mim é mais lógico que a própria lógica, logicamente.
E assim deixo o lápis rabiscar estas palavras que te vou entregar em mão própria para não se perder num mão em mão até à mão final, com o acrescento de pontos e letras que essa via pode acrescentar,
Zulmarinho, fica a saber que toda esta sensação é de quem anda perdido, desamparado, desequilibrado de não ter nada para além da obscuridade de lhe ser ninguém, de sentir frio porque está sozinho neste infinito de longe.
Escrevo-te zulmarinho, para que saibas que me abraço e não me sinto calor, porque fecho os olhos e não me acho.
Escrevo-te, zulmarinho, porque quero que me tires o medo para poder estar comigo e encontrar-me completamente onde quer que eu esteja. Quero sair deste buraco e poder ver o sol mesmo quando a noite estrelada invade este canto.
Te escrevo, zulmarinho, porque foste sempre tu que sentiste as minhas emoções e me deixas acom uma paz que me ilumina, mesmo quando a tempestade se cai dentro de mim.
Sanzalando
17 de junho de 2007
Insónia
É a saudade que me afoga e que me salva, porque é a saudade que me mantém desperto nesta caminhada de mil passos, mil palavras, mil ondas, porque é a saudade que me desespera na insónia dessonhada.
E nesta insónia me irás encontrar acordado quando um de nós o outro encontrar.
Sanzalando
16 de junho de 2007
Quem nunca chorou de amor?
Despido de palavras, acaricio o que está para lá da linha recta que é curva, mimo-me de ternura numa forma de amar definitivamente eterna.
Tu que me segues, imaginaste a um passar de brasas nos seus braços? O seu calor a nos afagar, o seu perfume a nos perfumar, a sua doçura a nos ternurar. Hum… caté me dá vontade de desatar a correr sobre esse zulmarinho, me esquecendo que ele é feito de água.
Já sei que vais dizer que também tenho os meus momentos de debilidade, que me entristeço, que choro. Mas quem nunca mesmo chorou de amor?
Sanzalando
15 de março de 2007
Valeu a pena
Vá lá, esperemos que amanheça num amanhecer de sol, mas façamos algo de útil, alguma coisa que nos dê prazer, que nos faça feliz no instante deste momento.
Se eu tivesse um espelho para olhar-me, ver as curvas da cara se vincarem numa marca indelével do tempo, que abstractamente não existe porque o tempo é real, e ver-me sorrir porque me sinto feliz.
Depois de uns tantos anos de sonhos e fantasias queria olhar-me e ver se valeu a pena, queria perguntar-me se é o destino que me conduz ou se é a força de um trabalho que me alcançou até aqui. Queria ver-me, numa de cara a cara, e saber se o desejado tinha sido alcançado e se por algum motivo eu devia estar arrependido dos caminhos até então percorridos.
Sem o espelho eu imagino que o esforço das vontades confluíram até este momento em que sorrio porque estou feliz. Sem o espelho penso que valeram a pena os anos, os dias e as noites de insónia.
Esse lugar que me persegue nas horas que têm os dias está ali. Espera-me. Eu lhe olho outra vez desde longe. Experimentei-o, saboreei-o, vivi-o. Cresci, amadureci e aprendi. Sem o espelho digo-me que valeu a pena, mesmo que eu me sinta prisioneiro dele. Mesmo que a força dos meus desejos arrastem para longe as moscas que, num equilíbrio instável, pairam sobre a minha cabeça como se fossem helicópteros tentando ler-me o pensamento. Mesmo que os meus suspiros façam acinzentarem os castanhos cabelos que ainda teimam em resistir. Mesmo que o sorriso fácil tenha dado lugar ao esboço e eu me sente sobre as piadas contadas. Mesmo que olhares confusos me olhem. Valeu a pena!
Sanzalando
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14 de dezembro de 2006
Saudade
Sanzalando
11 de dezembro de 2006
A areia do meu desejo

Esse lugar de onde tu vens, de onde estás, de onde és.
Procuro-te, nas areias da minha desilusão, um sentido adequado para dizer-te desta angústia desconectada do conteúdo de um disco rígido.
Estranhos medos dos silêncios que me devolves.
Caminho nesta areia das mil cores neste verão do meu interior, procurando o teu lugar.
Que lugar ocupas em mim?
Alucino-me na textura das tuas imagens, das tuas recordações, dos teus amigos. Tu tão terrena e para mim tão celestial.
Tento encontrar o caminho nas horas que passam, de modo a aprender a voltar para o teu encadeado silêncio.
Silencio-me também? Sabes que eu jamais conseguiria ser o teu silêncio, a tua boca fechada. És tu a minha lágrima.
Afinal somos feitos de areia, maleável e despretensiosa, mas ao mesmo tempo firme e serena.
Caminho ouvindo o marulhar arritmado das ondas do zulmarinho tentando abafar os teus silêncios.
Alucino-me!
As nossas partes infinitesimais sabem levar uma mensagem. Nostalgia, angustia, saudade.
Caminho de um lado para outro. De areia em areia à procura do teu lugar dentro de mim.
Se calhar era mesmo ao contrário o que eu devia procurar, o meu lugar dentro de ti.
Olho-te na minha imaginação. Subo os teus montes, desço as tuas colinas. Saboreio-te com a vontade de te possuir de uma forma frenética. Não encontro nada mais belo que o teu contexto. Não há nada mais belo em mim se não o caminhar-te nos pensamentos, procurar-te nos meus lugares comuns. Vivo-te ausente.
Eu sei que vou descobrir-te, um lugar novo onde possamos ser tu e eu num alucinado ritmo de utilidades reciprocaras.
O que eu sempre devia ter descoberto é que não te devia ter perdido nunca. Hoje não teria que te procurar, não estaria na dúvida dos nossos lugares em cada um do outro.
Te esculpo, em cada segundo de mim, numa imagem real de todas as dimensões e calores.
Procuro-te na minha desilusão cobardemente disfarçada de medos.
Construo-te na perfeição imperfeita de um ser perfeito.
Construo-te nas minhas cores e paladares.
Construo-te castelo de cartas enfadadas de sonhos.
Bebo à tua saúde.
Na nau da minha imaginação recolho as velas e deliro-me nas tuas areias, beijo-te a alma.
És a areia do meu desejo.
10 de dezembro de 2006
Num ritmo de antigamente
Sanzalando