recomeça o futuro sem esquecer o passado
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22 de agosto de 2014

dançam as folhas

Dançam as folhas nas árvores num verão parece quer ser outono. Esse mar parece é água que saiu dum frigorífico.  Eu pálido vagabundo na areia que rasteja nos meus pés empurrada pelo que deveria ser brisa mas virou é parecido com ciclone.  Eu fico triste porque de vez em quando gostava de demolhar este corpo mas o frio ia me quebrar até na alma.
Este verão do meu contentamento virou outono de reflexão,  inverno de recolhimento. 
Quem sabe esse mar volta a aquecer, esse vento volta a ser brisa e esse sol volta a dar cor na minha pálida pele, assim como o meu sorriso seja um misto de alegria e felicidade. 


Sanzalando

29 de julho de 2013

um dia há-de ser um hoje

Hoje mesmo esteja como estiver eu vou entrar nesse zulmarinho e me lavar até na alma. Preciso me encontrar comigo, saber se tem porto seguro, se tem cais de amarração ou ficar só mesmo assim à deriva no zulmarinho do alto, lá perto onde a linha se afasta e fica na mesma distância que um dia se vai cansar de fugir eu lhe vou agarrar de unhas e dentes e com ventosas ainda me vão chamar é sanguessuga.
Oh, já estou a imaginar as pessoas que estão a ouvir a minha voz rouca de tanto falar a dizer que pouco faço. Não são aquelas que logo de entrada a gente está a dizer que não tem interesse. Essas são as piores mas a gente nem lhes liga para não ouvir um assim vai-te matar, mas que não tem grude nem força. São mesmo aquelas que a gente tem vontade de conhecer num assim mais aprofundadamente mas não sabe nem como começar. Aquelas que parecem escondem o meu mundo, não sabem a gente existe e a gente fica só de olhar a embalagem e fica sem saber se o conteúdo é mesmo aquele que o sonho criou.
Hoje tenho que entrar no zulmarinho e lavar até os pensamentos.
Oh, como me aproximar de quem te diz apenas um olá como se estivesse só a ser bem educada?
Não, não quero mais me rodear daquela gente chata, insuportável, vazia, que o aleatório pensamento é um esforço sentido até por quem está à volta.
Hoje entro no zulmarinho nem que as picaretas caiam do céu porque preciso abrir aquelas pessoas fechadas no seu mundo e trazer até no meu para ao menos eu saber tirar as minhas dúvidas.
Hoje entro no zulmarinho mesmo que tenha que me contrariar.



Sanzalando

31 de agosto de 2007

palavras light = 0 % de assunto (28)

Me sento por aqui nesta vida de corrente alterna. Mais de um par de vezes estive nos meus sonhos. Mais de mil pares de outras vezes lhes re-sonhei e lhes senti a inquietude que não desejava ter nesta vida sonhadora.
Me encontro a olhar para o meu rosto golpeado de feridas do tempo e não vejo se tenho tempo para lhes tocar outra vez.
Me pergunto o que é que me aconteceu?
E num silêncio tardio não encontro a resposta.
Me sento assim nesta mistura de alegria e tristeza. Alegria de poder sonhar e tristeza de poder olhar no cinzento intervalo de sonhos.

Sanzalando

30 de agosto de 2007

palavras light = 0 % de assunto (27)

Me sento por aqui e me recosto num não fazer nada. Me dizem que preciso é descansar e eu lhe faço com sacrifício. Se fosse noutra altura até que eu não ia dizer que não. Mas assim como que em obrigação até custa. Nem parece é descanso. Me apetece mesmo é largar-me por aí e deixar que o tempo leve as minhas tristezas e preocupações, bem como seque as minhas lágrimas.
As más notícias me cercam continuamente e, se elas não chegam, a minha cabeça lhas fabrica como se elas fossem um dever de ser continuado.
Mas eu sei que quando reunir as forças para dar a volta encerrarei esta borbulha de dor e mágoa e enfrentarei o destino como lhe sempre fiz.
Me sento por aqui e vejo o mundo a cair em pedaços, assim parece um cristal depois de cair duns metros de palavras ditas, num reflexo desfigurado. Cada pedaço é um pouco de mim. Falta a paciência para lhes reunir e com cola lhe fazer a reconstrução. Mas com mais ou menos lágrimas, com sorrisos forçados ou gargalhadas vivas num on-line, com suor e dores musculares caminharei pelos sonhos sonhados e ainda não realizados.
Me sento por aqui sabendo que um dia me levantarei e voltarei outra vez, quantas as necessárias, a fazer os caminhos traçados até lhes atingir o fim.
Estou a me habituar à dor, à saudade e às feridas, mas tudo isto um dia não passará de estória contada num dia cinzento da vida.
Jamais serei um condenado ao sofrimento eterno, enquanto tiver a capacidade de recordar os sonhos sonhados.

Sanzalando

29 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (26)

Me sento por aqui e deixo cair uma gota salgada que rola na cara sulcando as rugas que surgiram num repente. Não é gota de zulmarinho disfarçada de lágrima, é mesmo lágrima que me trás o sabor do zulmarinho. Não lhe quero deixar cair, não quero que me torne num fonte nem que a minha cara se torne num relevo de cansaço. Mas é assim a vida e vamos lhe fazer mais como. Lutar sem esquecer todos os minutos que lhe vivemos.
Acendo um cigarro, mesmo sabendo que me enterro mais nesse lume que me queima num respirar ofegante, e me ponho a falar palavras ao acaso num ocaso de casos.
Eu sei que devia rir, ou pelo menos sorrir, agradecendo ter-te tido para mim. Eu sei que tive o que desejei.
Mas, afinal, a gente nunca fica satisfeito e quer mais.
Eu estou a querer mais, mesmo que eu não me considere merecedor.

Sanzalando

28 de agosto de 2007

palavras light = 0 % de assunto (25)

Me sento e espero. As andorinhas estão a ocupar todos os fios que lhe consigo ver da minha janela. Vão me deixar aqui e vão partir. Lhes pergunto a direcção e não me respondem. Vais ver não entendem a minha voz suave e sumida.
Mas é bonito terem vindo na minha rua como que a me dizer adeus.


Sanzalando

27 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (24)

Aqui sentado, recapitulando odores, ventos e maresias. Ouvindo sons que me chegaram desde lá do inicio dele ao longo dos tempos, fechando lágrimas derramadas na solidão de silêncios, recordando o zulmarinho nos seus movimentos arritmados se atirando preguiçosamente nas areias de mil cores, revejo o filme de tantos dias passados.
Me salta à vista falar um epilogo, a ultima fala que te falo desta minha estória que não deveria ter fim porque não tem sentido.
Mas não é fácil falar numa página em branco.

Sanzalando

26 de agosto de 2007

palavras light = 0 % de assunto (23)

Sentado nesta sobra onde não sinto a maresia, não me queimo ao sol, qual estufa de flores frageis, navego-me em pensamentos como quem navega em tempestades.
A essencia da palavra é o seu silêncio, aquele que me remeto para não misturar sibalas com sabores salgados das lágrimas que clandestinamente choro.
Sentado percorro os caminhos desertos de sabor.

Sanzalando

25 de agosto de 2007

palavras light = 0 % de assunto (22)

Me sento por aqui com os olhos por ali.
Meu corpo, 60% de água e 40% de matéria orgânica por onde caminham para aí umas 60 biliões de células, mais coisa menos coisa que não estou para contar-me, que se dividem em conjuntos que se chamam órgãos. Tudo isto suportado num esqueleto de cerca de 208 ossos e equilibrado por 650 músculos.
Como me quero organizado ordenei-me em 8 aparelhos diferentes que, por eu ser democrático, lhes dei autonomia relativa.
Até há bem pouco tempo todo este conjunto se portou sem grandes problemas e cumpriu os seus objectivos.
Agora me sento e olho para trás para ver onde mesmo foi que ele começou a falhar e não lhe descubro.
Só mesmo me preocupa é lhe arranjar de novo e lhe dar um brilhozinho.


Sanzalando

23 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (21)

Me sento por aqui, que bem podia ser por ali, que parece estou nem aí.

É, faz dias eu acordo, que às vezes eu durmo, de ombros descaídos, costas encurvadas, olhar amarelecido e baço.

É, tem dias que parece eu sou um provisório na vida, um passageiro de bilhete de ida.

Aqui sentado podia dizer muitas coisas, umas mais sensíveis que outras, muitas palavras soltas ditadas directas da alma.

Mas afinal ainda estou vivo e o estar vivo tem coisas incríveis.

Podia falar da morte do Sol, que está mais brilhante agora, do que há uns milhentos anos atrás, porque está a se desintegrar. Cada vez mais gases colidem no seu interior o que lhe provoca aumento de tamanho. Crescerá tanto que um dia não vai haver mais céu azul, somente um vermelho vivo de sol. Mas aí eu já não estarei aqui para te falar estas coisas.

Mas eu que sei eu do Sol para te falar dele?

Mas eu te falava que viver tem coisas incríveis. Dormimos e temos esperança de acordar amanhã, comemos hoje porque essa comida tem consequências amanhã. Viver tem repercussões amanhã.

Quero acordar amanhã.

Também!


Sanzalando

22 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (20)

Me sento por estas bandas e sonho com um beijo teu, assim como para apagar a amargura da tua ausência.
Pudesse eu olhar a tua boca e recordava-me de todos os beijos que ficaram por dar.
Mas tu não beijas e a ausência é minha.
Contradições.
Mas de qualquer maneira te guardo ocultamente dentro de mim, pronto a dar os passos que mereces que eu dê, um dia, quando deixar de estar sentado neste canto inferior de mim.
Sanzalando

19 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (17)

Estou por aqui sentado e te diria que estou no inferno. Pode ser que não seja, mas que é o que sinto isso eu lhe sei de cor e salteado.
Pudesse eu e estaria espreguiçadamente estendido na areia de mil cores a ouvir o marulhar do zulmarinho no sei vai e vem arritmado se atirando na areia como que a dar-me os recados que me trás desde lá do inicio dele. Mas aqui só lhe ouço de imaginação ou se me der ao trabalho de encostar uma concha no ouvido, fechar os olhos e me deixar embalar no sonho.
Pudesse eu e estaria agarrado a uma birra loira estupidamente gelada a afogar a minha sede e a deixar os meus olhos calcorrearem caminhos nos corpos desnudados dessa praia fértil de ideias e sonhos.
Mas como não posso me sento aqui com ganas de repetir gestos mais de mil vezes repetidos de forma mecânica, vociferando palavras surdas.
É Domingo. Quem me diria.

Sanzalando

18 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (16)

Me sento por aqui e navego no pouco que resta da imaginação. Não vejo o final do zulmarinho, não lhe sinto a brisa, não lhe cheiro a maresia, só me chega o filme projectado de memória.
Porquê eu? Me pergunto carregado de egoísmo.
Mas hoje me sento, como tantas outras vezes eu me deveria ter sentado, e me recordo de muitas coisas e muitos sentimentos de outros tempos que eu pensava já ter esquecido.
Só acontece aos outros! Afirmo-me eu carregado de raiva.
Passa o tempo e tudo muda. Os erros de certo dia voltam à mente, em etapas cíclicas, em forma de passado num presente de futuro escondido.
Mas eu merecia? Pergunto-me na duvida de mim.
Me sento e penso de forma mais madura e distinta.
Prometo-me não viver assim.
Prometo-me repensar-te.
Prometo-me dedicar-me à luta pela mudança.
Porquê a mim se só acontece aos outros mesmo que eu mereça?

Sanzalando

16 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (14)

Me sento aqui e te digo desde já que nem me apetece nem pensar. Parece, faz de conta, as minhas pilhas se descarregaram e só apetece é mesmo dormir, assim numa falta de energia.
Vais ver foi a minha imaginação chocou como uma rocha parece no filme do Titanic, mas em vez de iceberg gelado, foi uma pedra tropical fixamente pregada no meu caminho.
Já sei, amanhã vai amanhecer um dia bonito e os raios de luz vão fazer brilhar a minha pele embranquecida e macilenta, eu vou apanhar as gotas salpicantes do zulmarinho a me fazer lembrar lágrimas e vou rir até não me lembrar mais das noites de trovoada.


Sanzalando

15 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (13)

Palavras que solto e me dão a sensação de que as falo quando tinha a inocência de criança. Imaculadas e brancas. Palavras perfeitamente desenhadas na boca, limadas nas suas arestas menos suaves, dando-lhes um cuidado vocal que às vezes até parecem frágeis.
São estas palavras que me fazem vir aqui dizer-tas, enquadradas em margens, soletradas sobre linhas imaginárias numa redacção quase perfeita.
Palavras transparentes, esborratadas aqui e ali por um azul ou negro borrão, engorduradas por emoções ou desfocadas por lágrimas.
São palavras do meu caderno mental que teimo em ditar-te para te ter sempre aqui a meu lado.

Sanzalando

14 de agosto de 2007

palavras light = 0% de assunto (12)

Se eu pudesse esquecer tudo o que sei…
Neste momento era esse o meu maior desejo.
Não que me esforce para esquecer o passado. Não que queira esconder uma linha, um degrau, uma palavra.
Unicamente porque não sei se quero o meu futuro.

Sanzalando

13 de agosto de 2007

palavra light = 0% de assunto (11)

Queria eu perder-me no teu corpo, desviar-me nas tuas formas, dançar na tua voz, transpirar no teu calor e encontro-me aqui como numa viagem sem regresso, num caminho sem espaço, num fogo que não se vê que arde.
Queria socorrer-me suavemente do teu corpo, das tuas carícias, estremecer os meus instintos em cada uma das tuas curvas e encontro-me aqui engasgado com uma palavra que ninguém me disse mas que não me sai da cabeça e desconsigo repetir em voz alta, martelando constantemente dentro de mim, num eco repetitivo como que a querer gastá-la para que perdesse significado e poder.
Queria, mas não ouço outros sons para além dos que me martelo insistentemente.

Sanzalando

12 de agosto de 2007

palavra light = 0% de assunto (10)

Dou voltas sobre mim e ouço o vento que sopra.
Lhe imagino a levantar tudo o encontra pela frente, formando um remoinho de papéis, palavras e ideias.
Eu, um ramo seco, tentando fazer-lhe frente num oscilante equilíbrio que me prende à imaginação.
Eu, de frente ao vento que me sopra, seguro-me aos sonhos e revejo o filme que tem muito de preto e branco e não lhe encontro um sitio onde eu deva gritar:
CORTA!

Sanzalando

11 de agosto de 2007

palavra light = 0% de assunto (9)

O tempo abre feridas e cada momento é diferente dos momentos já passados. Assim mais parece que onde era uma floresta, hoje é um deserto, o que era o objecto do desejo hoje é uma miragem, quem hoje nos é indiferente foi ontem um amor. O tempo é um cura tudo, porque cada coisa tem o seu tempo e o tempo põe cada coisa no seu lugar.
Mas o tempo é generoso porque se encaixa na nossa vida permitindo tê-la, porque se deixa passar ao mesmo tempo que nos vai oferecendo cada vez mais. O tempo passa mas deixa-se ficar visível na nossa cara e no nosso corpo, até à alma.
Mas o tempo abre asas para que possamos viajar na nossa nostalgia.
Espero sempre ter tempo de dar ao tempo o que o tempo já me deu.

Sanzalando

9 de agosto de 2007

palavra light = 0% de assunto (8)

Me sento e procuro nas palavras o significado das muitas ideias que tinha para te falar. O problema é que agora não recordo nem uma palavra que te diga o que eu queria tanto dizer-te.
Eram coisas importantes, profundas e vitais. Eu sei que eram, mas agora, neste instante, não sei mesmo mais nada.
Olho-te nos olhos e me vejo por dentro. Todas as ideias parece murcharam, parece deixaram de ser importantes.
Percorro todas as palavras que sei de cor e não encontro uma que consiga dizer Obrigado sem ser um seco som saído dos lábios.
Um dia, sei que um qualquer dia, eu vou encontrar essa palavra e te direi com o brilho nos olhos.

Sanzalando