recomeça o futuro sem esquecer o passado
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21 de julho de 2021

Constança e Francisca


Ainda não era o dia mas ambas estavam com vontade de ver o mundo e aliviar a mãe de as transportar. Assim às 9:21 e 9:22 de hoje foram postas cá fora. O avô caminhava cá fora feito tonto. Recebia mensagens de dentro e de fora. Subiu, viu e num misto de felicidade adulta e júbilo infantil tirou a foto sem pensar que podia ter feito uma selfie para mais tarde recordar. 
Vamos fazer o tempo voltar atrás e fazer bem... não, podia estragar a foto que está tão bonita.
E depois num repente começou a doer na anca, no joelho, na alma. Doía só uma dor que não sabia nem explicar. Dor que dá para rir? Dor que provoca baba? Tão jovem e é avô? Ai uê, vida nossa que gira em torno dum momento. Ser feliz é ser assim? Eu sou assim e ponto final que vai continuar.

Sanzalando

6 de junho de 2009

festa (2)

E a festa continua.
O ambiente eufórico vai tomando conta do lugar. Trocam-se números de telefone, recombinam-se encontros e a festa ainda vai no adro. Mais um brinde, desta vez com um copo. Depois outro. É clássico. Assim como o é também haver pequenos grupos formados que se disformam em novos num sucessivo movimento perpétuo. O ambiente é cada vez mais familiar, nalguns casos tão familiar que até parece de grande intimidade. Com o passar das horas vão ficando cada vez mais poucos, intimamente ligados, como se fosse um grupo de irmãos. As mulheres, talvez devido ao efeito diurético das bebidas, vão amiúde à casa de banho. Em bando, não vá alguma perder-se, penso eu.
Mas a verdadeira verdade é que para a festa começar demora horas, é preciso muito tempo para as pessoas ficarem cómodas, integradas no ambiente. Mas o final da festa chega em minutos. Ou porque têm que fazer amanhã logo cedo, e se alguém diz que se vai embora logo mais de metade aproveita a boleia, no sentido lato e no restrito também.
Afinal de contas a festa é mesmo um luxo. A vida é um luxo e a vida é uma festa. Materialmente não existe diferença entre ambas. Para ambas não existe idade, nem impedimento económico, porque assim como há vidas caras também há festas sem dinheiro nenhum. O que interessa mesmo é a atitude. O que importa é que haja vontade de divertir-se.
E depois há festas para tudo. Aniversários, casamentos, despedidas, motivos aparentes e desaparentados motivos são razões para festa. Para a vida basta saber que há uma festa. Que até pode ser um carinho, uma ternura, um sorriso, um afago ou uma carícia. Há que desfrutar a festa ao máximo. No dia seguinte à festa posso sentir-me cansado fisicamente, mas estarei arejado mentalmente.
Estás a ver que enquanto eu falei em festas não andei aqui a soluçar o teu perfume?

Sanzalando

5 de junho de 2009

a festa (1)

Entre móveis e vasos de flores, rodeado de sons que me parecem vir dum baile, pois as luzes e o som saturam-me os sentidos, pergunto-me como começo estes meus solilóquios ao ritmo de vento. Às vezes é de gritos, outras de lágrimas, outras raras de gargalhar. Umas são estórias, outras Histórias, outras nostalgias vividas e outras muitas são saudades dum futuro que teima em não chegar.
Mas hoje a luz e o som não me deixam nem pensar. Talvez seja porque chove e quando isso acontece eu deprimo-me num encarquelhar de alma, saturação de água que não a das minhas lágrimas.
Vou ter que aprender a fazer da vida uma festa. Vou ter que aprender a dançar. Vou ter tanta coisa que fazer, que alguma me irei esquecer, mas não de viver. O melhor das coisas das nossas vidas estão nas festas. A festa é muito mais que apenas uma festa. Antes da festa perguntamo-nos quem irá. Como irão elas vestidas? Só de imaginar o tempo perdido atrás, ou à frente?, dum espelho num retoque a mais ou a menos. Estarei mais gorda perguntará uma, estou certo. Eu limitar-me-ei a olhar ao espelho e ver se a ruga número 1000 já cá chegou. Afinal de contas eu só quero é mesmo a festa. Chegado à festa é um beijo aqui, um abraço ali. Aos amigos do peito é um cumprimento mais fraternal e mais emocional. Cruzam-se olhares. Em grande parte os olhares nem se tocam mas algum irá cruzar-se em profundidade e intensidade. Faz-se um brinde, se calhar apenas com o sorriso cúmplice.
E a festa continua.

Sanzalando