Navega à vontade que a Sanzala é segura, mesmo que te pareça lenta!
A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

20 de fevereiro de 2017

vejo e revejo

Me sento na areia da praia e revejo as minhas amizades, belamente coloridas em contraste com tantos sorrisos a preto e branco com que me cruzo nos por aí da vida. Me vejo assim a soprar vento feito brisa, alisando as irregularidades da praia como um brilho de esperança e revejo rostos feitos furacão num passeio imaginária,ente tortuoso.
Me sento por aí na praia e traço a minha rota, sigo um alimento, traço um azimute, desconto os nortes verdadeiro e magnético e revejo que tem gente que é sempre inverno tempestuoso mesmo na calmaria dum luar de verão.



Sanzalando

18 de fevereiro de 2017

Medo, timidez e arrogância.

Sanzalando

15 de fevereiro de 2017

65 - Estórias no Sofá - O avião do amor

Lhe disseram assim num anuncio de televisão que ia haver o dia dos namorados. Ele pensou mesmo como fazer para surpresa da sua amada. Quem ama surpreende, pensa ele todos os dias. Nesse dia especial tinha de ser como o nome indica, um dia especial. Vai fazer mais como? Ela tem tudo. Flores murcham, só se fossem de plástico e isso não é natural nem fica bonito oferecer baclite. 
'Já sei', disse ele para si mesmo. 
Foi na internet. Quer dizer, ligou o tablet que ele é gajo moderno. Procurou uma viagem que coubesse no bolso dele. Isto é, que não estragasse o resto do mês nas contas para pagar. Olha aqui. Viagem a Londres a preço de ir à barra. Leu e releu até ter a certeza que nas linhas mal lidas não ia estar uma armadilha que lhe ia estragar não só o resto do mês como o resto do ano. Preencheu todos os campos até conseguir comprar os dois bilhetes e pagar sem erros ou enganos, nas datas que dava jeito.
Marcou hotel num subúrbio para ficar mais em conta. Tudo na internet. Londres é grande e subúrbios tem muitos pelo que comboio para norte, sul, leste ou oeste tanto faz. Este tem fotografia e é bonito. Fica já este. Sai mais caro o hotel que a viagem toda. 
'Mas se já marquei o avião... tem de ser. É dia dos Namorados...' disse isto soletrando como se fosse difícil decidir.
O sol até brilha nos intervalos da chuva. Lá vai o casalinho numa viagem de sonho a preços económicos. Maneira de dizer para justificação pessoal.
Entram no avião depois de passar por tantos corredores que parece é um labirinto de fitas, de descalçar os sapatos, de ser apalpado com delicadeza, de mostrar bilhetes e cartões, chaves e desodorizantes, lacas e creme da barba. Avião cheio. Ele pensa que ainda tem gente que vai ter que ir em pé que nem em autocarro da Carris.
O sr. Comadante fala em inglês uma coisa que nem ele entendeu porque o som era baixo ou as outras pessoas falavam muito que nem lhe deixaram ouvir. Irrequietou-se. Avião é assunto sério. Não é autocarro ou comboio carregado de gente ao abuso.
O avião faz marcha ré. Ao mesmo tempo tem hospedeiro que fala em português correcto e claro.
- Srs passageiros, o Comadante Lewis deseja a todos uma boa viagem. A Viagem até Londres vai demorar 2 horas 27 minustos e 04 segundos, podendo atrasar uns três segundos. Não se pode fumar  dentro do avião nesta viagem. Quem o quiser fazer tem que ir lá para fora e acertamos com a IATA que nesta viagem não íamos abrir a porta para ninguém...
Disse mais umas coisas por causa da segurança e se calou. O avião parou, acelerou muito começou a andar e assim num momento parece tiraram o chão debaixo e começou a voar. Ele só olhava na janela. Que lhe visse ia pensar que ele ia com medo. Mas era só curiosidade. Ele ia a fazer contas assim na velocidade que podiam ir. Mas aqui não tem marcos para fazer contas de cabeça e este avião não tem ecrã para mostrar o mapa.
Lá continuou ele a sua viagem rumo a Londres.
- Srs passageiros, peço um pouco de atenção porque neste voo têm à vossa disposição um serviço de vendas que para além da isenção de taxas também dá desconto nos cartões Continente e Pingo Doce. Podem comprar desde pioneses até carros de luxo a entregar ao domicilio.
Claro que foi gargalhada geral.
'Então não servem nada a bordo?' perguntou ele em voz baixinha à sua apaixonada. 'Ouve lá, ao preço que compraste o bilhete querias o quê?' resmungou ela assim como que acordada dum susto. 'Vou pedir uma cerveja', balbuciou ele assim num temor. 'Pede sim, coração'. Respondeu ela já acordada e docemente.
'Faxavor!!!?
- Sim senhor pasageiro? Que vai comprar, um carro ou uma casa? Um relógio ou um chupa chupa? era o mesmo comissário que havia feito os anuncios anteriores. Só podia.
'Quero uma cerveja?'
- Com certeza. Bem gelada, calculo?
Timidamente respondeu que sim, não fosse sair ali uma piada sem resposta.
- Aqui a tem. Os tremoços o meu colega que ficou de trazer não veio hoje trabalhar.
Gargalhou timida e envergonhadamente. Nunca havia viajado num avião feito machibombo com serviço de bordo assim.
Após o avião aterrar e ainda rolava pelo aeroposto parecia cem kilometros mais, lá foi o Comissário falando:
- Senhores passageiros, aqui o tempo está ruim, chove e faz frio. Não se esqueçam que têm de falar inglês que aqui ninguém entende outra língua e se por acaso não souberem falar não soletrem em português, calem-se apenas.
E foi assim que começou a aventura de Tedy num fim de semana a Londres



Sanzalando

14 de fevereiro de 2017

De Arthemis, com amor

Sanzalando

este mar não é o meu

Estou sentado na praia. O mar agitado faz barulho quando se atira com força nas pedras. Nem parece é a minha praia. A minha é mais assim um deslizar de água parece é carícia, um beijo de ternura. Este mar tem parece é raiva que tudo quer levar na maré. Este mar de hoje não parece um mar prudente, não parece uma aventura planeada, não parece quer chegar ao amanhã.
Eu estou sentado na praia de mão dada, trago merenda na mochila, trocos para um copo ao fim de tarde e tantas palavras doces para dizer.
Mas este mar hoje está com pressa, tal é o modo como se atira.



Sanzalando

13 de fevereiro de 2017

dormi na praia

Me sentei na praia. Me embalei no marulhar. Me diverti a ver os longínquos barcos pescando lá quase onde se vira para o outro lado do mundo visual daqui. Hoje brilha a lua e prateia o zulmarinho. E no entanto ainda me falta brilho para poder ver o teu olhar, sentir o teu respirar e quem sabe um abraço apertado de carinho.
Sentado na praia, embalado no marulhar deixei-me dormir e nem uma onde de calema era capaz de me acordar.Senti salpicos de mar, senti frio da noite de inverno empurrada pela brisa marítima e foi então que me consegui lembrar do sabor dos teus beijos, da suavidade do teu cabelo e do perfume da tua pele. 


Sanzalando

11 de fevereiro de 2017

Trovoada por aqui

Troveja que até parece o Arquitecto resolveu bombardear os mortais daqui. Não posso me sentar junto ao zulmarinho e deixar a minha cabeça vagabundear por planícies calmas do pensamento, surfar nas ondas das turbulências dos meu preconceitos, desatar nós dos meus problemas.
Troveja e eu tenho medo de perder uma tonelada de luz que me esmague ou cegue, de forme firme ou irónica, me enfraqueça na letargia dum cinzento baço deprimente.
Troveja e eu não posso brincar na areia do zulmarinho as minhas imaginárias memórias de infância.




Sanzalando

9 de fevereiro de 2017

é inverno, sei lá

Sentei na rocha e deixei o meu corpo fugir-me para uma éter qualquer. Parece adormeci sem perder a consciência do lugar e do ser. Me perguntei se era problema ter dúvidas e me respondi sem pensar que errado era não me perguntar.
Tudo foi assim num clic, porção de tempo não mensurável.
As ondas do mar iam e vinham, salpicando-me ali e aqui e eu nada. Nem respirar parecia que estava.
Meditei, digo eu. Pois o meu pensamento andou assim sem rumo. Contemplava a lua que ainda não tinha aparecido, contava as estrelas qua ainda não tinha escurecido, esquecia o início do pensamento. Acho deixei-me a vagabundear em pensamentos melancólicos, lavando-me a alma num banho de felicidade.
É inverno.


Sanzalando

8 de fevereiro de 2017

porque os há

Tem dias sem vento e outros que corro atrás dele. Tem dias que o dia é cinzento e tem outros ele é colorido. Tem dias que posso pensar que só as pessoas lives são educadas e tenho outros que penso que só as educadas são livres. Tem dias que não vejo nem ouço e outros há que consigo isso e até sentir.
Afinal de contas os problemas não são meus. São dos dias porque o há.


Sanzalando

7 de fevereiro de 2017

A primeira entrevista

Revisão da apresentação do Livro Estórias Soltas e Palavras Vadias



Sanzalando

3 de fevereiro de 2017

SINFONIA

Sanzalando

2 de fevereiro de 2017

Mar

Ouço o mar na minha imaginação. Vejo o mar no meu pensamento. Vivo o mar sem tempo de lhe olhar.
Fico horas a olhar livros e palavras em livrinhos. Leio e releio. Sublinho e guardo. Mas não consigo desligar-me do mar. 
Sento na secretária. É noite de frio e chuva. Leio o mar como se fosse a minha sina. Ouço o mar como se o tivesse gravado na minha memória volátil porem eterna.
Olho o mar e os meus olhos falam mais que a minha boca ou escrita.
Sinto o mar.


Sanzalando

31 de janeiro de 2017

sem sol

Vou vagabundeando sem nexo, lógica ou ideia alguma. Não medito. Vagabundo-me por inteiro. Se o sol hoje não deu ar da sua graça porque raio de graça havia eu de me dar. Não me interessa se passeio-me física ou metafóricamente. Vagabundo-me por caminhos desenhados por palavras. Antagónico sol que me deprimes. Por minha mera sorte em vez de chorar gargalho-me com satisfação, prazer de olhos brilhantes. Porque vivo.
Sem nexo vagabundo-me de olhos fechados para te sentir mesmo quando não estás a meu lado. Sorrio para esquecer que o sol hoje não deu graça.



Sanzalando

28 de janeiro de 2017

Sem gravidade

Sanzalando

24 de janeiro de 2017

educar o pensamento

Deambulo o corpo pela areia tentando acompanhar uma linha de pensamento desde o seu início, pelo menos até um intervalo. Desconsigo de todo. Salta-me deste para aquele pensamento num tempo que nem dá tempo de reagir. Caminho lento para contrabalançar a rapidez dele.
- Chorei? Sim, mas é claro. Sofri? Como não?! É verdade, houve dias que eu pensei que o mundo ia acabar e que faltou pouco para eu ver a noite virar um dia contínuo, sem ritmo e sem melodia, sem poesia e sem brilho. Houve dias que senti a voz estremecer e não era de paixão, era mesmo a loucura ali à porta.
Mas que raio de pensamento é este que este caminhar me está a trazer? 
Mudo o passo. Vou ao ritmo duma salsa que trauteio mentalmente. Nenhum sofrimento foi maior que a minha vontade de mudar e, zás.
- Olha como o mar é azul. É o zulmarinho a me festejar. Olha como é lindo este caminhar sobre as ondas até à linha recta que é curva e um dia me vai levar até ao outro lado deste mar.
Sorri.
Tenho que educar este pensamento e mantê-lo assim.


Sanzalando

23 de janeiro de 2017

livre pensar

Deixo o meu corpo  fixo num canto da praia, abrigado do inverso sol que arrefece a alma, enquanto o meu pensamento vagabundear num interminável novelo de ideias, sonhos e simples pensamentos. Faço sempre a conta que é a última vez. Porque um dia vai ser e eu não quero ser apanhado desprevenido e com a certeza que ninguém passa na minha vida assim só porque sim, aconteceu. Eu sei que há coisas e pessoas incomparáveis. Tudo o é. O Presente e pronto.
Sim, neste corpo, aqui num canto, fiz a morada de sentimentos que o pensamento lhes vive


Sanzalando

20 de janeiro de 2017

faz conta

Faz conta eu me meti dentro do frio e deixei-me gelar, deixando ficar o corpo rígido em pensamentos voláteis por uma eternidade sem fim à vista, assim num modo de estar acordado sonhando coisas de antes, de agora e de amanhã.
Faz conta eu era a eternidade sorrindo, corpo gelado porém cabeça livre de ver tão longe como longa é a imaginação.
Faz de conta eu era mar de ondas interligadas noutros mares, sonhos sonhados noutros lugares, vidas vividas noutros ares, abraços abraçados noutros amores, sorrisos sorrindo flores.
Faz conta eu sou sempre eu.


Sanzalando

18 de janeiro de 2017

reflectindo

Sentado na rocha da praia, adormecido pelo marulhar das pequenas ondas deste inverso de sol, dou comigo a viver as minhas vidas. Eu sou pedaços de quem me abrigou na vida, na amizade e mesmo na ignorância, no bater de pé. Eu sou pedaços que as pessoas que cruzaram os meus caminhos deixaram ficar . Eu pensava que era pedaços de quase fim, porém sinto que sou a parte luminosa dum farol, o sorriso restante duma gargalhada, o brilho intenso dum olhar, a sabedoria estagnada de cada amanhecer que vivi.
Sentado na rocha da praia me sinto navegar nos sonhos, desejos e esperanças. 


Sanzalando

16 de janeiro de 2017

Os gatos da sanzala

https://www.facebook.com/konstantin.panteleevic/videos/1155040384616106/?pnref=story
 Sanzalando

13 de janeiro de 2017

Está sol de inverno

Está sol de inverno. Abrigo-me da humidade caminhando antes do fim da tarde. Tropeço em pequenos torrões de areia molhada revolta por alguém na brincadeira. Vou distraído, pensando na vida, passada e futura que a presente está aqui, na minha forma de viver o hoje.
Tem vezes que desgosto da dificuldade de falar coisas simples como eu gosto de ti. Mas a vida nem sempre corre a direito e se assim fosse era monótono e se calhar levava à desistência. Às vezes há que inventar olhares, acreditares ou apenas mudar de ares. 
Tem vezes que se mediarmos cérebro e coração e confessar as palavras caladas tudo fica tão claro como esta tarde de sol em dia de inverno.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007