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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

19 de Setembro de 2014

Sigo em passo apressado como que a fugir dalguma chuva que possa cair e lavar-me a alma. É que eu quero a minha alma mesmo assim como está. Feliz!
Sigo em passo apressado acelerado pelo vento que teima em ventar, impedindo-me de passear â minha velocidade quando vou contra ele.
Sigo por aí à procura duma resposta à pergunta que nunca me fiz, mas que sei um dia terei e então saberei qual a pergunta que deveria ter feito, e quando.
Sigo de suspiro em suspiro suspirando por ter hora ouvida num qualquer sino a dizer-me que chegas tarda nada.
Sigo a seta que inventei nos meus olhos com vontade de escrever nela o teu nome.
Sigo por mim.


Sanzalando

18 de Setembro de 2014

auto-retrato de letras

Se eu soubesse escrever desenharia o meu auto retrato. Sem modéstia e claro está, fidedigno. Não me escreveria com palavras sem verdade, nem me pintaria com palavras garridas, nem desbotoaria cinzas ou negros e nem usaria pincéis de fingir.
Eu nem sei todas as palavras, todas as regras de gramática e o traço já não é certo por defeito de muitos temporais.
Se eu soubesse escrever desenharia um retrato contigo ao lado para poder sentir-me acompanhado sempre.


Sanzalando

17 de Setembro de 2014

afinal de contas

A chuva bate no vidro da janela e eu até recuo com medo que ela me entre alma dentro. Aproveito para sonhar e sonho por cima de palavras, de sons e de ideias. Me acuso culpado de querer viver o tempo que perdi num não sei onde, porem numa vida transloucada de lágrimas e gargalhadas, de marmotos e calmarias, de gritos e silêncios. Felizmente nunca me deu para sair a meio da viagem. Como é que agora ia ser feliz assim?
Afinal de contas o tempo com o tempo que faz, nos mostra o tempo que a gente vive. Afinal de conta tudo se supera e nada é para sempre, nem as dores!


Sanzalando

16 de Setembro de 2014

hoje é hoje e pronto finalmente

A areia está molhada assim que nem carga de água que não para de cair. Faz calor que até faz ir buscar memórias guardadas na caixa delas. Me sento mesmo assim na areia e olho o mar tentando ver para lá do que consigo ver. Eu lhe queria contar todos os meus segredos mas ele, o mar, sabe faz tempo que ela é parte integrante deles.
Olhando o mar eu desentendo-me de como é que eu quero sempre ir na memória buscar os segredos lá guardados. Estou farto de me dizer que esse já era, olha em frente e vive-o amanhã.
Tu olhas-me e me entendes. Ele, o mar, finge descompreender e me quer dar banho de espuma numa onda parece é revoltada.
Afinal de contas com tantas memórias e tantas procuras eu me lembrei agora que estou integralmente ocupado por ti, pelas tuas carícias, teus beijos e tuas falas certas.
Na areia molhada eu me vou recordar que esqueci a memória dom passado que quero viver no futuro e dizer ao mar que hoje é hoje e pronto finalmente.


Sanzalando

13 de Setembro de 2014

viver

Não quero gastar por aí as palavras bonitas que acho ainda tenho para dizer.

Acho mesmo vou-as deixar repousar em lume brando, assim num não arrefecer nem queimar.
Vou guardar as palavras da saudade e de alegria. Vou guardar as letras dos nomes felizes da minha vida.
Não vou gastar mais as palavras de amor que tenho para te dizer, vou vivê-las.


Sanzalando

12 de Setembro de 2014

delírio de amor

Aqui estou sentado na praia deserta dum quase outono. 
Tu estás fotografada na memória como impressão dum fio de água, permanente mesmo que aparentemente invisível. Só por isso não estou na solidão da limpeza dum sotão que um dia alguém chamou de memória.
Vasculho assuntos, pendências e interdependências, ligações e desligações e por fim encontro uma carta que nunca escrevi, mesmo que ela começasse num para ti.
Eras a destinatária. Porque não escrevi já não me lembro, se calhar nem assunto teria. Olhei-a de todos os ângulos, não encontrei nenhuma pista e nela não repousava mais nenhuma letra para além das que diziam para ti.
Fiz um esforço que acho até sinais de fumo a minha cabeça deitava.
Acho que para ti era para dizer apenas que te amo e algum medo me impediu de te dizer.


Sanzalando

11 de Setembro de 2014

Maré cheia

Olho o mar desde aqui onde me abrigo do vento e de alguma chuva possa cair só para me chatear. A maré está cheia até parece vai derramar sobre fora do mar.
Sentado, lápis na mão e folha em branco à frente olho o mar.
Estou a organizar os meus sentimentos para lhes escrever, assim sei não me vou esquecer deles. Sei parece difícil mas ultimamente até que não é. O meu primeiro pensamento hoje fostes tu e me lembro perfeitamente que o ultimo de ontem foste tu. Logo parece é facil. Estranho, mas o papel ainda está em branco. É que hoje penso em nós.
É isso. Escrevo na folha de papel em branco que está à minha frente enquanto olho o mar: amamo-nos!


Sanzalando

10 de Setembro de 2014

lado nenhum

Sob chuva que apareceu assim num repente vagueio ideias pelos caminhos abrigados em que me passeio. Dumas vou gostando, doutras vou limando aresta, de outras mais vou esquecendo e de poucas tantas vou compreendendo. Mas o que sublinho é que vou indo, vou andando nestes caminhos, umas vezes sabendo explicar outras calando-me em palavras doces e sempre entendo-me.
Sob chuva vou caminhando mesmo que seja para lado nenhum.


Sanzalando

9 de Setembro de 2014

caminhos

Percorro os caminhos do pensamento como quem caminha pela solidão de ser gente solidário. Guardo as minhas expectativas ou tento não criar novas sem gastar as anteriores. Na verdade, é que se eu espero assim tanto por algo e isso não acontece ainda acabo surpreendido e arrefecido e verifico que tudo não passou duma perda de tempo. Se der errado vou achar que a minha expectativa não valia a pena existir, assim como o tempo que perdi nela.
Percorro os caminhos do pensamento porque afinal tenho que caminhar, pela vida na vida.
Não quero perder o poder de chorar.



Sanzalando

7 de Setembro de 2014

caminho

Sentei-me numa beira de estrada a ver o caminho passar. Quer para a direita, quer para a esquerda ele vai dar a lugar algum mesmo que esse lugar nada me diga. Mas eu pacientemente deixo-o passar e com o olhar sigo-o. Todos os caminhos dão a lugar algum, repito-me.
Fechei os olhos e chorei lágrimas infinitas e virtuais, afoguei-me dentro de mim. Qual caminho eu vou escolher? Dói-me ver aqui preso na minha indecisão.
Sentei-me na beira da estrada e sem pensar na estrada da Beira adormeci nos teus braços sem saber qual o caminho que tomei.


Sanzalando

6 de Setembro de 2014

e foi assim

Olho a praia deserta no seu ar de quem vai levar com chuva. Quem diria que dum dia para outro ia ficar assim. Sem aviso prévio ou distracção minha.
E foi assim que eu fiquei com esta cara sem sorriso. Odeio saber que um dia tudo pode ser reduzido a nada. Os amores. Os poemas. Frases feitas e desfeitas obras..
E foi assim que fiquei sem brilho os olhos porque veio à memória que um dia, sem saber quando, terei um palmo de terra como tecto.
E foi assim que lacrimejei ao lembrar-me que passo mais de metade da vida feito parvo para acabar feito morto.
E foi assim que comecei a andar, sorrindo porque afinal há sempre um sol, mesmo que esteja por trás duma nuvem densa, que me brilhará todas as alegrias que já tive.


Sanzalando

4 de Setembro de 2014

meditação

Parti do principio que...
Quê?
Nunca parto do meio e muito menos do fim.

É verdade que às vezes digo coisas que nem o diabo entende. Fosse eu diabo e respondia-me.
Agora penso numa pessoa chata, melodramática, estranhamente teimosa, insuportavelmente feliz ou infeliz...
Eu!
Bolas que hoje as palavras saem como se fossem torpedos, balas de borracha, carícias fictícias.
Hoje simplesmente não falo. Soletro me di ta ção.


Sanzalando

3 de Setembro de 2014

estradas

Mete-me à estrada como se não tivesse um rumo e recomecei a pensar como se fosse uma primeira vez.
Troquei as voltas e verifiquei que doeu muito ter um coração partido, porém, a dor maior foi quando verifiquei que não me lembrava como é que era antes de o ter partido.
Acelerei, assim num misto de angustia e amargura, a estrada passava por baixo de mim mais depressa do que eu a podia ver ao pormenor. Sorri e pensei que a vida era a estrada e que eu tinha andado mais depressa do que devia. Quase nesse instante parei e veio-me à memória a tua frase doce a dizer-me 'respira'. Respirei e mentalmente sorri-te. Acho tu sentiste porque eu acho senti-o.
Destravei, andei ao relanti, ao sabor da suave descida, penteei-me, aprumei-me e fui ter contigo sorrindo, sabendo-me feliz porque sei o nome de todas as minhas saudades e que sei não desisto do que quero, apenas da dor.



Sanzalando

2 de Setembro de 2014

quando

Estendi-me na areia como que a captar todo o sol do mundo e reparei que a gente não se encontrou, acho foi uma colisão de olhares, um acidente sem sentido que deu sentido a tanta coisa.
Quando me sufoco na ansiedade das descobertas que me faço, encontro o teu olhar me sorrindo como se o sorriso fosse uma multidão em rua deserta.
Quando o mar me molha numa distracção momentânea ouço a tua gargalhada feliz como se fosse uma manta a aparecer numa noite fria de inverno.
Quando tropeço na solidão recordo-me das tuas palavras a me encherem de ser eu.



Sanzalando

1 de Setembro de 2014

azul

Ia eu a passar por mim quando reparei que sorria e me indaguei como é que é possível sorrir assim e por nada.
Olhei o mar e lá estava ele azul como sempre. Olhei o céu e lá estava ele azul como tantas vezes. Olhei para o chão e lá estava ele a me segurar como quase sempre, mesmo não sendo azul.
Assim num repente dou comigo a dizer-me que estava apaixonado. Norte, sul este e oeste, bem orientado no tempo e no espaço. Passeio o cão e rego as flores. Só pode ser paixão. Ou novos tempos. Melhor: ambos!

Sanzalando

30 de Agosto de 2014

sopra vento

Sopro contra o vento e o resultado é nenhum. Ele sopra mais que eu e eu desisto de lhe resistir. Deixo-me levar como se fosse uma folha de papel ainda por escrever e ele, o vento, sopra sopros de inspiração e o papel parece continua em branco mas voa de lugar em lugar sem parar. Pareceu-me ver nesse papel uma lamento de dor antiga mas vi logo era impossível porque isso poderia criar uma nova dor. Foi mesmo só reflexo de sol arrefecido pelo vento que deu rajada na hora errada.
Soprei contra o vento e o resultado foi nenhum. Despentei-me e solidarizei-me com ele e sorri como fez a folha de papel ainda por ser escrita e fui com ele ao seu sabor.
Sopra vento que eu sopro contigo, amor.


Sanzalando

29 de Agosto de 2014

descobertas ao sol

Assim como menino bem comportado e arrumadinho coloquei ambos chinelos nos cantos superiores da toalha que estendi na areia escaldante da praia. Parece fizeram verão de propósito quando eu não posso veranear. Mas assim estendi a toalha, amarrei a azia no ego de mim, mergulhei num bem feito a água está gelada, e estiquei-me ao sol para ver se a cor pardalenta se pardalava num escaldão depenante.
Estendido desatei a divagar que nem delírio de febre gripada, dizem no verão é mais lixada que lixa grossa que nos lixa a vida das vontades e afins.
Mas divagando eu, num devagar para não cansar, quando descubro que a melhor solução para uma desarranjado amor é arranjar outro. Parece é comédia precisar dum amor para apagar outro, parece é usar gasolina para apagar um fogo. Também descobri que há coisas piores do que estar só, mas a gente precisa de décadas para as descobrir, o pior é que quando a gente as descobre é tarde de mais. Acho não há coisa pior que ser tarde demais.
Já com a toalha desarranjada da perfeição inicial descubro que é preferível viver junto e poder dizer obrigado amor.


Sanzalando

23 de Agosto de 2014

a gente se ganha

Me deixa só seguir nessa praia como se fosse uma praia sem fim. É que assim o meu pensamento não tem que ser interrompido porque tem de virar na volta e o sol fica de frente e eu vou ter que fechar os olhos por causa dele e assim não verei com clareza as minhas ideias.
Toda a gente já teve um amor.
Vamos lá dar de barato e dizer que quase toda a gente para não pensarem que eu sou um todo universal sem defeito.
Afinal de contas amor não é assim um produto final, básico e barato. Apesar disso ele é muito mais, porém fácil, sem mistério, sem jogo de azar ou sorte. Não tem empate, ganha ou perde. Ele é doação, é querer.
Bem, com o sol eu não estava a ver que afinal no amor se ganha. A gente se ganha outra vez.

Sanzalando

22 de Agosto de 2014

dançam as folhas

Dançam as folhas nas árvores num verão parece quer ser outono. Esse mar parece é água que saiu dum frigorífico.  Eu pálido vagabundo na areia que rasteja nos meus pés empurrada pelo que deveria ser brisa mas virou é parecido com ciclone.  Eu fico triste porque de vez em quando gostava de demolhar este corpo mas o frio ia me quebrar até na alma.
Este verão do meu contentamento virou outono de reflexão,  inverno de recolhimento. 
Quem sabe esse mar volta a aquecer, esse vento volta a ser brisa e esse sol volta a dar cor na minha pálida pele, assim como o meu sorriso seja um misto de alegria e felicidade. 


Sanzalando

21 de Agosto de 2014

mar e cicatriz

Neste mar onde desaguam muitos rios e muitas lágrimas deram à costa, onde passeio o pensamento e onde alinhavo ideias e construo os meus sonhos e coloro as minhas ideias, dou comigo a perguntar-me porque não tenho notícias tuas e porque o meu telefone não toca quando estás a trabalhar. Porque será que fico assim com cara tão idiota como um adolescente que não sabe nem andar direito? Já sei que a seguir a minha consciência vai dizer que já não tenho idade para brincar ao amor assim, que o meu tempo era e não o é.
Mas o marulhar me leva estas ideias e me trás o sorriso, a descoberta pulsátil dum ser que cresce ainda, que ainda tem tempestades para chorar e de dias de sol para brilhar.
Por este mar eu me entrego em amor e fecho às feridas incuráveis que a saudade não permite cicatrizar.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007