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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

3 de maio de 2016

Para chegar aqui

Para chegar aqui não caminhei em linha recta. 
Tantas curvas dei, tantas vezes parei para descansar, umas quantas pensei em desistir, porem, circularmente ou mais a direito, aqui cheguei.
Soletrei palavras doces, gaguejei impropérios, mas aqui cheguei.
Pisquei olhos, mantive-os abertos e outras cerrei-os como se me escondesse do mundo. Mas cheguei aqui.
Pedi-te a mão e suavemente me seguraste. Deste-me o ombro e a caricia que necessitava. Cheguei aqui.
Tantas voltas depois, num caminho de rectidão, sem atropelos nem saltos, eis-me aqui.
Sorriste-me. Estamos aqui.


Sanzalando

27 de abril de 2016

Afinal de contas para que quero eu as palavras?

Rabisco com letra ilegivel umas quantas palavras. Olho-as, uma, duas, três, mais de não sei quantas vezes. As palavras não são minhas. Tenho eu direito de usá-las, abusadamente algumas vezes? Não me detenho a ter resposta. Soletro. Vejo mar. Vejo terra. Vejo céu. Cheiro maresia. Sinto brisa. Sabe-me a sal. Fico por aqui a olhá-las. Soletradamente a vê-las. As palavras não são minhas, mas uso-as como se fossem. Peço desculpa ao dono das palavras. Mas quero usá-las para proveito próprio. Soletradamente ou de ilegivelmente parece gaguejo. As palavras que não usar não se vão gastar? Afinal de contas para que quero eu as palavras? Se elas fossem estrelas... eu faria desenhos a que chamaria constelações. Se elas fossem corpos, eu desenhava o teu assim num traço suave de quem rabisca uma folha de papel para ganhar tempo. Mas elas são palavras assim que eu decorei vá-se lá saber porquê.


Sanzalando

20 de abril de 2016

Imaginando-me

E há quem se esmoreça e faleça após uma queda. Há quem renasça. Afinal de contas o que mais é a escuridão senão o lado negativo da ausência de luz. Frases simples. Conceitos complexos. Aqui e ali vou meditando numa levitação de palavras que me levam a porto seguro. Aqui e por um qualquer ali vou-me perdendo em labirintos de coisas por fazer, caminhos por percorer, abraços por dar e palavras esquecidas em silêncios envergonhados. 
Aqui e ali vou imaginando-me.


Sanzalando

19 de abril de 2016

Soletradamente

As palavras se soletram num silvo de brisa que sopra desde o outro lado do mar. Ouço-as em silêncio enquanto vejo o crescer das árvores.

Sanzalando

14 de abril de 2016

a vida por acaso

Aproveito a brisa que sopra e me desloco tal qual barco à vela. Afinal de contas o que mais é a vida que o aproveitamento destes momentos de descontracção? O resto é complicação, momentos que temos que passar, e pouco mais. Bem vistas as coisas a vida mais não é que falta de por acaso. Nada é por acaso. Assim, devemos fazer a vida de somatório de momentos. Destes, o de descontracção é a escolha.
A vida é perfeita, naquilo que tem que ser, por acaso.

Sanzalando

12 de abril de 2016

Perco as minhas palavras num beijo

Perco as minhas palavras numa distracção de outros afazeres. Quem me dera ser assim, carregado de palavras que não fogem de mim, que neurónios não as absorvam como se esponja fossem, vapores de água duma febre que não tenho, discurso calado por preguiça de mexer a boca, máscara de metáforas que se colam no céu da boca e dão nó na garganta. Tivesse eu estas todas palavras e não estaria agora aqui nu de silÊncio.
Perco as minhas palavras noutros caminhos ou caminhadas que me fazem sorrir, outros campos outros lugares que apenas num gesto me aconchego. 
Perco as minhas palavras num beijo


Sanzalando

9 de abril de 2016

autoretrato perdoativo

Num andar por aqui e por ali sinto que tem gente que me vai perdendo, que me deixa ir no esquecimento do tempo e aí eu começo a ver que a importância que eu pensava tinha ela não era mais que uma ilusão.
Num andar por aqui e por aí, perdido em palavras e muito trabalho sinto que tem gente que vou perdendo, que me esqueço de dizer nem que seja um alô como estás, que não lhes mostro o meu sorriso porque me perdi em pensamentos interiores, e aí eu começo a ver que a importância que eu pensava tinha lhe estou a apagar suavemente.
Num andar por aí ou por aqui me vou entregando a coisas novas e parece o tempo é curto e até os inimigos parece começam a gostar da gente que a gente até que sente necessidade de arranjar outros para estimular .
Num parece que faz muito tempo deixei de ter aquela voz doce de quem fala na rádio, aquele sorriso encantador e quem sabe o brilho nos olhos de quem chora calado.
Num andar por aí, mundos percorridos nos sonhos duma qualquer geografia, me deixo levar como a criança que nunca deixei de ser.



Sanzalando

8 de abril de 2016

Música e Kandinsky

Aqui neste vídeo, fica evidente a importância do exercício da tolerância, cotidianamente!

Publicado por Pazes em Domingo, 3 de Abril de 2016
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6 de abril de 2016

acho eu, sei lá

Sigo lentamente pela longa praia como que a não querer acordar. Os nossos passos na areia são facilmente abafados pelo marulhar. Acho enlouquecia se não conseguisse ouvir esse mar a se estender na longa praia da minha imaginação. Acho enlouquecia se eu achasse que caminhava nela sem te ter ao meu lado, pelo menos no pensamento. Acho enlouquecia se a areia passasse a ser silenciosa debaixo dos meus pés.
Acho enlouqueci por não saber as palavras para fotografar este meu abraço no teu sorriso. Acho existem horas que o aperto do coração me enlouquece se eu não souber ver-te para além das linhas do céu azul.
Acho eu, que perdi alguma coisa através desse vento que teima em despentear-me os pensamentos.
Sigo lentamente pela praia como quem não quer acordar. Sei lá para onde vou neste passo lento de cada palavra simples.
Acho eu, sei lá!


Sanzalando

5 de abril de 2016

Tolerância

Aqui neste vídeo, fica evidente a importância do exercício da tolerância, cotidianamente!

Publicado por Pazes em Domingo, 3 de Abril de 2016
Sanzalando

3 de abril de 2016

eu não gosto e pouco mais

Eu não gosto de picos, salpicos e outras coisas mais. Eu não gosto de problemas cardíacos, hepáticos e outras coisas mais. Eu não gosto da saudade e nem da vaidade. Eu não gosto de pensar pequeno e às vezes esqueço-me de pequenas coisas. A mania de pensar grande é que posso perder a oportunidade de ver as pequenas coisas, algumas maravilhosas. Afinal de contas eu não perdi o dom de sentir, de gostar, de apreciar e de escolher.
Eu não gosto e por eu não gostar não quer dizer que não existam. Mas, por favor, deixem-me ser livre de não gostar do que não gosto, de sentir o que sinto e de apreciar o que aprecio.

Sanzalando

22 de março de 2016

palavras em segredo

Descruzo palavras no vaguer de ideias com vontade de gritar aos quatros cantos deste redondo mundo  o que tenho de saudades tuas. Por vezes tenho medo de ser mal interpretado, encarado como fraco, vazio como ser único ou apenasmente um simplório com vontade de gritar.
Mas as palavras me fintam e o som rouco levado pelo vento destas praias desertas se perde em longos silêncios. Calado falo melhor com os olhos, aqueles olhos que tu olhas e vês que te sorriem, que te brilham e que te afagam num doce olhar.
E as palavras, num vocabulário minimalista, te segredam o quanto tenho saudades tuas mesmo quando acabo de te beijar.

Sanzalando

17 de março de 2016

Dei comigo

Dei comigo a caminhar ao deus dará num qualquer lado de cá. Ouvia o marulhar e me perguntava se tu eras capaz de ali na praia te deitares comigo e esquecer o mundo? 
E enquanto a gente conversava, dizia piadas sem rir, enchia o diálogo de lugares comuns, deixava escapar um segredo ou outro, dava as mãos e sussurrava um amor eterno?
E enquanto se falava de amor sentiamos o mundo girar sabendo que ninguém é de ferro e a ferrugem pode atacar?
E enquanto tudo isso o tempo se gastava sem risos de plásticos nem palavras de mentira.
Dei comigo a caminhar num por aí, ao deus dará.

Sanzalando

10 de março de 2016

Digo eu

Sigo no carreiro das palavras, silêncio dos pensamentos, ouvindo o mar como música de fundo. Não é o meu mar mas é a maresia deste mar que me liga ao mar de lá. É o silÊncio que me leva aos sons de lá. É a palavra que lá que me dá a força de cá.
Cruzo-me com alguém que me diz:
- Você faz-me pensar...
Sorri, como sempre sorrio quando as palavras não saem, brilhei os olhos como que espantado.
Desentendi.
- Escreve cada coisa...
Mais surpresa para os meus ombros.
Carrego palavras que digo a ti pelos cantos dum livro de poesia. Silêncios respiratórios que me fazem, como direi, pausas pensativas.
É verdade. A felicidade não se compra. Vive-se! Digo eu.


Sanzalando

3 de março de 2016

silêncio personificado

Eramos dois ou três a passear na areia das muitas cores, ouvindo o mar e deixando o pensamento pairar por sobre a maresia que nos chegava ao nariz.
Mais não eramos naquele extenso areal a saborear o silêncio de palavras. Dava para ver que até o pensamento das duas ou três pessoas estava em silêncio.
Um risco no céu azul denunciava a passagem dalgumas outras pessoas sobre nós lá nos dez mil metros de altura, pelo que cá em baixo era o silêncio deles também.
Éramos o silêncio personificado a ouvir o mar.


Sanzalando

1 de março de 2016

procuro palavras

Tento procurar nas palavras aquilo que sou. Momentos há que me sinto tão ruim que até parece sou brilhantemente maravilhoso, momentos tenho de loucura que não me lembro da lucidez da filosofia, momento vivos tenho que me acho cedo de mais para ser velho e sábio tarde de mais.
Procuro nas palavras o mistério de não me conhecer nem ter coragem de me ler.
Procuro nas palavras a alegria de não morrer de tristeza.
Procuro os parágrafos escondidos que não consegui escrever por medo ou vergonha.
Procuro-me nas palavras que te escrevo onde me sinto maravilhosamente feliz por estar vivo a procurá-las

Sanzalando

26 de fevereiro de 2016

tanta palavra

Nesta troca de palavras entre o mim e o eu muitas coisas vão acontecendo. O relógio da vida não pára, o noite e dia segue sem lamentos ou choradeiras, a lua mantém as suas fases e se apresenta com cada face no seu quarto. As palavras são ditas ou caladas, gritadas, sentidas ou atiradas. São silêncios interrompidos num diálogo sem estória, com muita ou pouca importância. São palavras que podem ser aprendizagens, muros, barreiras ou suportes.
As palavras são letras seguidas com sentido.
Tantas palavras eu tenho plantado no meu jardim interior. 
Tantas palavras eu tenho soletrado no teu nosso ouvido.
Tantas palavras me fazem ser conhecido pelos silêncios.
Tantas palavras para dizer que te gosto.


Sanzalando

24 de fevereiro de 2016

são tuas as minhas palavras

Vou por um aí degustando palavras como quem saboreia o vento num dia de calor. Com elas percorro desertos, desenho silêncios e rabisco coisas de pensar. Vou por ai pregando, com elas, aos quatros cantos dum quadrado as sabedorias que acumulei, as crenças que acreditei e as fés que tive. 
Soubesse eu mais palavras das que já gastei, em pilha de folhas que rasurei com um lápis mal afiado, e hoje eu era um palavreado de estilo e não um estilo sem palavras.
Vou por aí, ao teu lado a lado nenhum, com a minhas palavras que me dizes serem ditas por ti, braço dado, cantando e sorrindo, as palavras que soletrei para uma sebenta de capa vermelha que um dia te darei.
Sorriste. Sorri. Afinal de contas as minhas palavras são tuas, sempre!

Sanzalando

14 de fevereiro de 2016

Amigos e Palavras

Há palavras que partem ao vento num ar que se lhes deu. Há palavras que ficam como se de cimento fossem. Há palavras sem significado e há outras que nem precisam ser ditas para significarem tudo. Eu sei que todas são palavras que não são caladas. Algumas são apensas pensadas e nestas estão muitas que arrependidamente sentem-se culpadas de silêncio.
O que me deu para gostar de palavras. Talvez mesmo só porque gosto de as dizer. Gosto de ti. Me respondes Muito. Diálogo perfeito num dia de imperfeições.
Amigos e palavras.
Amor de palavras sérias.
Palavras hoje.


Sanzalando

12 de fevereiro de 2016

palavras minhas, não

Faz conta esqueci tinha um blog onde costumava gostar de escrever palavras. Onde um dia eu me dissera que ia aprender a escrever para contar estórias dum antigamente assim presente com futuro. Onde eu me escorregava de pantanas sem corar com vergonha de babosear nexos feitos de nada. Onde eu construia os meus castelos, voava de nuvem em nuvem ou me debruçava sobre coisa alguma. Tás a ver um sítio assim onde eu me escondia às claras? Pois faz de conta me esqueci que tinha e me baldei às tuas escritas mentais ou telepáticas. Aos solilóquios e outros colóquios. 
Um sítio onde o passado não doía, o presente não assustava e onde o futuro não metia medo. Era um cantinho de mim que ali inventei num tal de ano 2003, ali ao virar da esquina ou qualquer coisa de semelhante.
Mas na verdade não esqueci. Não tenho arquivo nem sei tantas coisas para diariamente ali me espelhar transparentizado ao mundo que não sabe eu existo. Faz-me bem às vezes não me apetecer dizer palavras escritas e apenasmente falá-las.
As que te digo ao ouvido são nossas, as que aqui transcrevo numa poema prosado são tuas e as outras são de quem as apanhar.
As palavras minhas não são.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007