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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

20 de dezembro de 2014

esculpir palavras

Hoje eu gostava de ser um escultor de palavras. Assim palavras gigantes desenhadas sob granito, resistentes ao tempo, unidade de medida ou universidade atmosférica. Assim dessas palavras que durassem para além de mim uns séculos de paixão ou milénios de amor.
Imagina assim palavras de amor que não sofridas, porque amar não é sofrer e não amar evita sofrimento, tamanho gigante perpetuadas no campo de visão que vai além da imaginação.
Imagina assim palavras de granito, esculpidas por mim num dizer que para se ser feliz é necessário amar. Se não amar evitamos sofrer. Confusão de escultor me sai. 
Também quem me mandou esculpir em granito? Umas coisitas de barro eu eu teria a desculpa da fragilidade deste.
Mas eu como gostaria de ser escultor de palavras eu vou esculpir o teu nome numa das paredes do meu coração


Sanzalando

19 de dezembro de 2014

São tuas, de alma e coração

Se eu fosse poeta fazia as palavras saltarem do coração para o papel. Não o sendo, tenho de as procurar nos meu cantos redondos, quadrados ou triangulares, as letras soltas duma frase sentida, o soletrar adequado à entoação referida e despejá-los numa folha de papel de linhas paralelas..
Como eu gostava que as palavras voassem... assim de ouvido em ouvido, sorridentes e felizes.
Eu não quero as palavras para mim.
Como é que se diz que o amor não tem preço?
São tuas, de alma e coração, todas as palavras que penso!

Sanzalando

18 de dezembro de 2014

afinal porquê

Saí por aí a calcorrear mundo como se procurasse o que não está dentro de mim. Sem letras gordas nem palavras pesadas, sem trocadilhos ou pronuncias disfarçadas, andei por aí a procurar como se não estivesse em mim.
Afinal de contas, somadas todas as parcelas conclui que não fiz mal a ninguém senão a mim mesmo e que as noites que não dormi foram apenas insónia e não algo que estava fora de mim.
Afinal de contas se eu mudei, não foi por ninguém, foi por mim mesmo.
Saí por aí a calcorrear o mundo afinal porquê se estava tudo aqui tão perto?


Sanzalando

17 de dezembro de 2014

African art

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13 de dezembro de 2014

RETRAT ART 7

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12 de dezembro de 2014

RETRAT ART 6

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11 de dezembro de 2014

RETRAT ART 5

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10 de dezembro de 2014

RETRAT ART 4

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9 de dezembro de 2014

RETRAT ART 3

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8 de dezembro de 2014

RETRAT ART 2

Sanzalando

7 de dezembro de 2014

vivo de empréstimo

Sanzalando

De vez enquando apareço no centro desta sanzala. Vou fazer mais como? Vivo aqui de empréstimo há muito tempo, do tipo, entra sai quando me dá vontade e sem fazer barulho. Não pago renda, ninguém me xinga, leio o que eu quero, é assim como viver em Paris, mas sem a filosofia tradicional – Torre Eiffel é mesmo o embondeiro no meio da terra vermelha, e o Sena é o regato filho caçula do kuanza, que corre quando chove. Pus minha cubata onde eu quis, sem plano de urbanização e sem preocupação com vizinho. Ué Esta sanzala tem cubata, sim! E tem música todo o dia. Música de kissanje, de maracas, de batuque e marimba que nos leva lá na linha recta que se faz à curva do mapa abaixo do equador. Aqui tem um soba, que é tipo presidente da junta mas para melhor- sem saco azul, sem contas na cabeça, sem agenda para agendar, sem gravata e sem chofer na porta de casa. Tem por aqui muitas árvores. Não dão papaia, manga, cajú, árvores que tem letras como fruta. Letras que se juntam como a vontade, quer e desquer. A política do nosso soba é cuidar das letras, dar-lhe mimos e partilhá-las quando lhe dá vontade. Só tem bicicleta, que utiliza para espalhar as palavras pelo vento. Eu me habituei por aqui, porque sou feliz, nesta vida mansa de ler as palavras criadas por ele, quando eu quero e de vez enquando mando uns bitaites, recolho algumas palavras para mim e imito o soba daqui, enquanto ele vai no pólo norte ou no pólo sul, acertar contas nas famílias do zulmarinho e do pai natal, confiando que eu não bagunçarei muito por aqui. Utilizo por empréstimo autorizado a sua máquina de fazer palavras, e tento brincar com elas ao vento, como se fosse um lego de madeira de jacarandá, ou uma pipa de papel colorido, lhes dou forma de chuinga ou de machimbombo, soltando a imaginação por ai nesta sanzala sem plano director. Nessas palavras eu desenho sorrisos, olhares ternos e perfumes de figo da índia e misturo tudo numa tela de conversa vadia. Estou por aqui de empréstimo sem data, não pago imposto disto e daquilo, e a tal da burocracia, depositei no fundo de um grande buraco, do fundo do meu quintal, cobri com o tal do stress, e respinguei feitiço de todos os lados, para tudo lá ficar adormecido até ao infinito. Aqui o sol nasce e pôe-se sem obrigação de fazer rotação na terra. Bumbas não tem, kumbu também não. Vivo de empréstimo no paraíso. Árthemis

6 de dezembro de 2014

RETRAT'ART 1


                                         Sanzalando

5 de dezembro de 2014

As coisas que o amor faz

Pulando canções de amor lá vou vivendo a minha nossa vida. Umas vezes aproveito para dançar outras acho nem um passo sei dar. Umas vezes não danço porque sim, outras porque as minhas pernas me desequilibram numa esquizofrenia de condução ao cérebro que até parece eu sou tonto de vinho derramado directamente nas veias. Umas vezes caminho sorrindo outras sorrindo sem jeito rastejo por carreiros que nem formiga passa.
Lá vou eu soletrando palavras soltas numa prosa versátil como se eu só soubesse dançar contigo, falar contigo, sorrir contigo. Mesmo quando tu não estás.
Pulando canções de amor lá vou em de barrete chamado gorro passear o cachecol pelo polo quase norte.
As coisas que o amor faz.

Sanzalando

4 de dezembro de 2014

Os gajos, como eu

Data de inverno porém tempo de sol. 
Os gajos põem-se a escutar silêncios à espera de respostas, ancorados em recifes de memórias como se tivessem sido condenados a prisão perpétua, pensando que são gente de letra grande num universo vazio de estrelas.
Afinal de contas eu posso contar os dias ou os anos que ainda tenho?
Nesta indecisão a gente de letra pequena se perde no tempo, se derruba no ruído e se consome na nebulosa nuvem do egoísmo.
Data de inverno mas com tempo de sol e os gajos como eu vivem sorrindo num bom dia dado com alegria sentida no instante.
Os gajos, como eu, gracejam, saltam, empurram barrigas ou arrastam peitos felizes porque reconhecem que se não chegarem a lugar nenhum pelo menos aqui chegaram


Sanzalando

2 de dezembro de 2014

coisas da música ou nada a haver

Eu pego num batuque e finjo sei tocar no ritmo que nasci. Faz conta é merengue, faz conta é samba, é ritmo puro. Claro que eu estou a falar do meu ouvido duro que às vezes nem campainha de porta ele ouve.
Mas nesse ritmo do eu africano eu canto:
- Faz conta fiz um verso
carregado de melancolia, 
mas saiu uma prosa
de assunto tão diverso
que nem a cor do dia
eu diria, 
nem a lua
eu acharia.

Inventei um refrão que repeti cem vezes

é o espinho da rosa, 
é o luar sem lua
é o rumo da prosa
da alegria mais pura

e depois continuava a cantar

versos que vão...

assim num repente me calei e olhei a minha voz rouca, desafinada e preferi calá-la. Não dou mesmo para esta coisa da música.


Sanzalando

1 de dezembro de 2014

de vez em quando

De vez em quando encontro uma letra e passados outros tantos de vez em quando lá sai uma prosa que me leva ao cansaço. 
Hoje te falo porque me apeteceu recordar que um teu abraço, uma palavra amiga que me deste, um sorriso que me atiraste me fizeram feliz até este instante e quem sabe mais até quando..
O tempo passa, a fila dos minutos se gastam porque o tempo não pára. 
Mas quando o amor permanece o que mais posso fazer se não to dizer?
De vez em quando consigo dizer letras seguidas que tu entendes.


Sanzalando

30 de novembro de 2014

Stephen Wiltshire

Sanzalando

28 de novembro de 2014

palavras que escondi

Malditas letras que não encontro.

Como é que escrevo que estou a rir sem parecer um tonto? Dito assim secamente parece sou tonto de rir. Quando falo que choro me dizem lá está o sentimental. E rir? É que é bom. Como o descrevo? Malditas palavras que não sei onde as escondi.
Amor. Sinto amor. O mais que poderia acontecer é não ser correspondido mas isso não precisava escrever. Quero é rir. Como escrevo sem parecer um tolo?
Olha, amor, vou-me rindo e seja como for. Gosto-te assim sem ter as palavras para te escrever porque as arrumei não sei onde.


Sanzalando

27 de novembro de 2014

a chuva e a realidade

Olho pela janela e me revejo escorrendo pelos vidros como a água da chuva que cai. Se eu não soubesse que os meus vidros eram transparentes eu ia dizer eles estavam transformados em deturpadores da visão, tal é a distorção que fazem.
Ali, distorcidos vejo os meus medos. 
Olha-me tu a tropeçares numa qualquer rua e um qualquer sorriso mais puro que o meu te levar.
Olha-me tu a ficares cansada da minha constante e sempre igual gargalhada.
Olha-me tu a seres acariciada pela água da chuva e eu aqui fechado com medo de me molhar.
Olha só o que a água da chuva faz ao bater na minha janela. Distorce a realidade


Sanzalando

ABC

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007