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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

10 de Outubro de 2014

tem tempos

Tem assim mais ou menos que nem dar uma paragem nas palavras. Mesmo nas outonais. Eles precisam ficar presas no dicionário a procriarem ideias para mais tarde nascerem. Tem assim uma especie de pausa para ver o que vai sair depois se é que sai alguma coisa. Tem tempos assim em que é preciso fechar a boca e pensar, pular, saltar, divertir, chorar e em silêncio criar palavras novas mesmo que já gastas pelo tempo.
Tem tempo é preciso dizer pára que a gente já vem. Não tarda!

Sanzalando

9 de Outubro de 2014

outono outonal

Outono. Quando é que vou chorar desertos e viver rios de palavras?
Outono. Quando é que eu soube que o destino brinca com as pessoas?

Ora, é outono e juntos vamos trilhando o mesmo caminho e escrevendo apenas uma só história.  Assim sendo vou ler uma estória de embalar e em pensamento te desejar uma saudade cheia de mim, ouvindo a chuva e inventando o perfume a terra molhada.
Sendo assim, escondo a solidão por trás das palavras e soletro versos que só tu um dia entenderás.


Sanzalando

8 de Outubro de 2014

delírios de outono

Se eu pudesse ser traduzido por palavras não sei qual as que escolheria para me definir. Encrenca, seria suficiente? Nostalgia seria retrato fiel? Chato, palavra rude demais?
Na realidade eu não me consigo ver mais para alem dum pacote de sopa liofilizada, um tupperware de sopa congelada ou um saco de comida précozinhada. 
Afinal de contas eu estou com delírios de outono e já não sei quem sou para além de quem se apaixonou..


Sanzalando

7 de Outubro de 2014

simples outono

Tempo quente e o sol brilha. Perfeito. Não sou perfeito o tempo todo nem um feliz para sempre, sou um quanto baste neste verão de outono.
Deitado no meu quarto deixo-me levar nos teus abraços. Dói-te o corpo mas mesmo assim deixas sorrir os lábios. É outono e eu pouco importado com isso. 
Mesmo sendo outono eu não tenho inveja do tempo em que eu sentia nostalgia incontrolavel. Agora anseio. Simples outono.

Sanzalando

6 de Outubro de 2014

outonamente

Me deixo embrulhar pelo silêncio como que a saborear o que sinto. Faz vento e talvez fosse melhor gritar para dar sentido. Mas prefiro o silêncio para sentir. O silêncio é acolhedor e o grito aterrador. Quero saborear. o que sinto.
Ouço o silvar do vento. Ouço-me respirar. Saboreio-me.
Outonamente deixo acastanhar sonhos para os revigorar noutras primaveras.


Sanzalando

5 de Outubro de 2014

vento outono

Deixo o vento quente me despentear. Me empurra em sentido contrário. Desfaz-me vontades. Vento sem sentido soprado de noroeste.
Com isto tudo existe algum investimento seguro. Até o amor é vulnerável. Amar é sofrer, se for dado a alguem. 
Mas eu não consigo fechar o meu amor numa caixa forte que nem Patinhas. Eu te dou-o. Sofro-te por amor.
Sabes, não amar é mesmo um inferno!
Sopra vento. Força que aqui estou imperturbável a amar.


Sanzalando

4 de Outubro de 2014

outono temporal

Céu aberto, céu fechado. Outono descontente. Irritante. Adjectivamente chato.
Fechado no canto da sala, empunhando lufadas de raiva, suspiros de sonhos sonhados e ideias reais me pergunto quantas vezes eu te vejo nos meus sonhos, mesmo nos acordados. Por falar nisso quantas vezes eu senti um aperto no alma ao mesmo tempo que desejo a tua chegada? E já agora quantas vezes eu pensei que tu eras o meu abrigo, a minha protecção?
É verdade. Olhando para ti tenho a certeza que encontrei o que tanto procurei.
Não sou normal. Eu desejo ser um final feliz.


Sanzalando

3 de Outubro de 2014

Escrita outonal descabida

Tudo na vida chega e vai embora sem avisar. O que pode ficar mais tempo a gente quase nem dá valor e quantas vezes é o mais valioso que a gente tem. 
É verdade que quero um mundo melhor. Vou fazer esse mundo rodar ao contrário. 
Mas não é hoje que eu hoje tenho muito que fazer para deixar como está.
Escrita outonal descabida

Sanzalando

2 de Outubro de 2014

outonal confuso

Pôpilas, outono quente que até parece ferve a cabeça. São ideias, senhora, diria eu me lembrando das aulas de história dum remoto antigamente. Mas ferve dum outonal sol quente.
Afinal de contas, eu, prisioneiro da dor e cúmplice da saudade, bêbado de amor e vazio de raciocínio, vivo da silva porem sem viver a vida tal e qual é possível, estou para aqui a lembrar-me de remotas histórias de engatar, enganar ou simplesmente encantar, numa de amigo ou mal dizer.
Miúdo que não cresceu porém orgulho em pessoa, certeza de tudo e de nada, dúvidas metódicas absolutamente decido não falar mais de maldade e prometo me renovar numa de dentro para fora.
Complicado?
Acredito.
Quem é que percebe o tempo?

Sanzalando

30 de Setembro de 2014

deitado no teu colo a sonhar

Levanto-me preguiçosamente porque o outono me carrega de preguiça. Tu gostas de música, dias de sol e de mar e eu detesto sentir-me despenteado pelo vento, pele irada pelo frio e a barriga a doer de fome de sol. Gostas de chocolate, de filmes e tv e eu prefiro fins de tarde de rua em tronco nu. 
Já sei, é o outono que me faz experimentar esta solidão. O outono não é solidário.
Fazes-me rir ou pelo menos sorrir. Fazes-me lembrar os mergulhos nas ondas de prazer do verão bem passado.
É outono e sinto-me bem deitado no teu colo a sonhar.

Sanzalando

outonal

De todas as formas e feitios é outono.

As roupas perderam as cores alegras e os corpos perderam o brilho. Os olhares trocados já não são os mesmos e sorrisos esboçados são isso mesmo, esboços.
Outonal época de adaptação.
Os nervos à flor da pele, o cansaço se nota no respirar, no olhar e no desejar.
Outono.
Ouve-se o silêncio da queda outonal.
O que me vale é que tenho um particular sol a me brilhar.


Sanzalando

29 de Setembro de 2014

ouço

Aqui estou estendido na noite de outono ouvindo os últimos pássaros que por aqui, como eu, vagueiam. Uns cantam e outros parece choram. Ouço,  apenas. Acho amanhã não estarão aqui. Ouço-Os parece marcam a hora da partida.  Sinto. 
Mas os pássaros cantam à noite? Sou livre e ouço quando me apetece, nem que seja de memória. 
Aqui, onde me vês, ouço não só os pássaros, ouço também o teu coração acelerado quando me olhas. 

Sanzalando

27 de Setembro de 2014

vagabundo-me na cidade

Vagabundo-me perdido na cidade como a descobrir novas fachadas, novos recantos e outros esconderijos. Vagabundo-me sem pensamentos e esquecidas palavras. Onde foi que perdi um sorriso? Onde foi que desbaratei palavras? Onde foi que sequei sentimentos? 
A cidade é tão complexa.
Vagabundo-me por ruelas como que interessado na vida e sem saber dela. Procuro insistentemente como criança que não sabe qual o brinquedo com que quer brincar.
Vagabundo-me nas calcadas já percorridas tantas vezes que já nem sei o número de cada porta, apenas sei como é que ela é,.
Vagabundo-me em conversas contigo e contigo tento encontrar-me. 
Olha um sorriso ou uma palavra perdida, te ouço o pensamento.



Sanzalando

26 de Setembro de 2014

o limite somos nós

Não existe limite porque o limite somos nós. Alguém disse isto e eu assinei por baixo sem ver. Assim mesmo como me perdi num tempo que não sei onde foi.
Frases. Contexto. Sem texto. Pretexto. Pré texto. Palavras que dou continuidade num caminho que traço por aí. Às vezes a minha coragem aparece quando desaparece a oportunidade de a mostrar, assim como não consigo colher os frutos do amor que espalhei por aí. Definições. Condições. Predisposições.
Afinal de contas é outono e como sempre eu não consigo parar de pensar no meu maior sonho. Por mais que eu sonhe o sonho seguinte é sempre maior.
Gosto de ti, pá!


Sanzalando

25 de Setembro de 2014

Para quê gastar palavras

Para quê gastar palavras se posso dar sorrisos?
Eu sei é que se deixar de amar perco não só as palavras como a cor e a alegria delas, perco o sorriso e a face carrancuda vincada no olhar de quem me vê se torna trovoada em dia de sol.
Não quero dor, silêncios, ansiedade ou ciúme, desespero ou implicâncias, palavras carregadas de inconcordâncias e desconformidades.
Para quê gastar palavras se posso usar sorrisos?
A culpa é das estrelas, dos astros ou dos signos. Minha não é. Sou quem sou no uso integral das minhas palavras e sorrisos.

Sanzalando

24 de Setembro de 2014

sorriso de outono

Todo o céu que me habituara a ver azul está branco de tufos de algodão. Algumas zonas estão sujas que parece são cinzentas. Adivinho tempestade. Sempre que tentei adivinhar errei por isso vamos lá a ver se assim isto melhora.
Mas mesmo com este céu assim eu digo que o teu sorriso é o sol que me enche as noites vazias de sono. Com este ar de tempestade é a tua calma que me acolhe a minha alma. 
Afinal de contas, de todas as provas reais e dos nove, eu sei que um dia, se não for hoje, tudo vai dar certo porque as coisas são feitas pelo lado certo e nunca pelo lado errado de ver.
Pode estar céu de tempestade que o meu sorriso brilhado pelo teu sol sorrirá enquanto estiver de mão dada contigo.


Sanzalando

23 de Setembro de 2014

Estou feliz neste tempo

Não faz cacimbo, não faz sol. Não sei que tempo é este. É tempo de ter tempo para gastar tempo no tempo que faz.
Assim como assim deixei-o sentar-se na minha cama e de surpresa o tempo acordou-me. Não morri de susto porque o tempo não assusta ninguém. Desgasta.
Deixei-o balancear-me em conversa mole e de olhos fechados fingi insegurança enquanto me equilibrava no colchão. 
O tempo deu-me carinho, o tempo cuidou de mim enquanto me fez companhia. O tempo me deu a certeza que a insegurança de estar sozinho terminara quando te conheci.
Estranho a maneira de ser e de estar, talvez a de vestir e de falar. Gosti, pá! Bebo mais um gole de tempo, o olfato se apurou, o olhar se afinou e o paladar de sensibilizou,  Gosti, pá!
Com tempo que o tempo me deu fui passear o cão e sonhar com ela.
Sorri ao tempo do tempo da memória chorosa. Ela escolhe o cinema, o programa ou o desprograma. Eu curto o tempo. Curto ou longo. Futuro que é isso?
Não faz cacimbo, não faz sol. Não sei que tempo é este. Estou feliz neste tempo.


Sanzalando

21 de Setembro de 2014

feliz

Solto-me livre pela praia de outono, limpando depressões, varrendo medos e areando inutilidades que me dariam um ar pesado de quem caminha por nadas.
Tudo acabado, tudo limpo, tudo livre na praia de outono. 
Dou-lhe um beijo e recebo um exercito de poderosos poderes para continuar a adolescência que se calhar deixei passar em branco.
Solto-me livre de braço dado e de olhos nos olhos vivo a vida de palco tal e qual nos bastidores: feliz.


Sanzalando

19 de Setembro de 2014

sigo

Sigo em passo apressado como que a fugir dalguma chuva que possa cair e lavar-me a alma. É que eu quero a minha alma mesmo assim como está. Feliz!
Sigo em passo apressado acelerado pelo vento que teima em ventar, impedindo-me de passear â minha velocidade quando vou contra ele.
Sigo por aí à procura duma resposta à pergunta que nunca me fiz, mas que sei um dia terei e então saberei qual a pergunta que deveria ter feito, e quando.
Sigo de suspiro em suspiro suspirando por ter hora ouvida num qualquer sino a dizer-me que chegas tarda nada.
Sigo a seta que inventei nos meus olhos com vontade de escrever nela o teu nome.
Sigo por mim.


Sanzalando

18 de Setembro de 2014

auto-retrato de letras

Se eu soubesse escrever desenharia o meu auto retrato. Sem modéstia e claro está, fidedigno. Não me escreveria com palavras sem verdade, nem me pintaria com palavras garridas, nem desbotoaria cinzas ou negros e nem usaria pincéis de fingir.
Eu nem sei todas as palavras, todas as regras de gramática e o traço já não é certo por defeito de muitos temporais.
Se eu soubesse escrever desenharia um retrato contigo ao lado para poder sentir-me acompanhado sempre.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007