recomeça o futuro sem esquecer o passado
Mostrar mensagens com a etiqueta #covid19. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta #covid19. Mostrar todas as mensagens

18 de janeiro de 2021

o bicho

E com o aumento do frio tive de reacender a lareira. Vejo o dançar das labaredas e me deixo vaguear por sorrisos que sorrio sem tino que até parece virei maluquinho. Mas este dançar anacrónico faz-me pensar em toda a matemática que andei a estudar e que não sei se existe uma fórmula que preveja estas chamas no espaço e no momento. E fico para ali a conjecturar teorias, ypslons e xizes, elevações ao quadrado e integrais. Nada. Não acerto uma. Confino-me à ignorância momentânea e sorrio. 

Há quem ande por aí a vaguear sem saber a formula mágica de passar ao lado desta pandemia e por ele paro o meu sorriso. Um que abusivamente vai ocupar o lugar de alguém que teve todos os cuidados porém inadvertidamente foi apanhado por um bicho que procura um momento que pode ser único do baixar a defesa. Bicho de tão pouco tamanho que até parece é maior que muitas inteligências raras que por aí abundam. E tem gente que só procura como fazer para contornar aquilo que foi pensado para lhe defender. Não do bicho, só mesmo das complicações que ele pode causar, directa ou indirectamente. Tem gente que se calhar precisa levar no corpo, viver mesmo sem ter qualquer liberdade porque o bicho parece tem mais inteligência. 

A dança das chamas, aleatórias, me acalmam e me dizem que outra ditadura não, pois sou agora mais inteligente do que era faz anos passados e não é por causa duma centena de zerados mentais que eu vou ficar sem a minha liberdade de pensar.


Sanzalando

8 de janeiro de 2021

Fui chipado e não sabia


A hoje uma aplicação deu-lhe para me dizer por onde andei. Eu não tenho chip mas chipei-me com esta modernice de alguém saber onde estou mesmo que eu não saiba. E daqui me ter lembrado que a vacina contra o SARS-COV2 mais não seria que a implantação dum chip para isto e aquilo. Mas mais para quê. Conferi 2019 e estava certo também e ainda não havia essa do COVID19. Foi um ano que andei pouco, que não deixei que os meus olhos absorvessem outras paisagens, outras gentes e culturas. Foi um ano que mais uma vez o meu coração latejou porque não foi lá em baixo que nem aparece neste mapa por onde andei. Foi mais um ano em que de ausência mais cresceu a minha saudade. E foi neste mapa que eu descobri onde fica a linha recta que é curva e não me deixa olhar para o meu destino.
Fiquei a saber que caminhei 106 km (24 h), que fiz 7 141 km (308 h) de carro, 1 392 km (100 h) de bicicleta, que fui a 60 restaurantes, a 29 lojas fazer compras e que visitei montes de sítios, sendo apenas um fora de Portugal. E preciso de chip para quê? 



Sanzalando

17 de maio de 2020

sigo praia fora

Sigo praia fora. Ninguém à minha volta. Minha caminhada meditada. Viro um, viro dois ou três pensamentos. Sigo em passo firme como se levasse comigo um sorriso que alguém me deu. Olho nos olhos que ninguém me olha. Alguém dirá solidão ao que me transpiro em reflexão. Os meus olhos castanhos albergam o meu universo, as minhas memórias albergam a minha vida e os meus sentidos albergam o meu futuro. Por mais que tentem ninguém me rouba o futuro nem o passado. Um não sei como vai ser pelo que ... o outro ninguém pode mexer.
Sigo praia fora soletrando pensamentos, vagarosamente porque parece tenho todo o tempo do mundo.
Afinal de contas só eu apenas pode apagar tudo. E não o faço porque só podia dar certo da forma como foi.
Sigo praia fora preparando o meu verão. Sem esquecer o confinamento social, rumo ao futuro da forma que ele for. Sorrindo.



Sanzalando

16 de maio de 2020

sou assim

Me deixo levar por dá cá aquela palha. Literalmente, o que não quer dizer correntemente. Eu acredito na boa fé das pessoas, eu aceito um dia mau bem como uma gripe mental. Eu, neste canto desta falésia que é a vida, vou meditando e aprendendo, vou sorrindo e gargalhando, vivendo. A vida é uma alegre estar neste mundo, com esta gente que nos rodeia, com este ar que por vezes é vento, tempestade ou apenasmente irrespirável. É a vida.
Todos são importantes na minha vida, mesmo aqueles que dizem que nem me podem ver, mesmo os que mudam de lugar quando chego. Todos são como aqueles que escalam montanhas para estar comigo. Importantes. Todos são as minhas insónias e os meus dormires serenos. Todos contribuem para que eu seja assim. Todos fazem parte da minha realidade. Mas há sempre uns e outros. Uns mais que outros, por mais igualitário que eu queira ser. Fazer parte do meu ser é ter um dia cruzado comigo. Vou fazer mais como. Sou assim, com defeito e bem feito.


Sanzalando

15 de maio de 2020

faz de conta

Faz de conta abriu o sol. Assim num brilho de fazer inveja a muitos dias de verão. Eu corri para a praia mais próxima e olhei o zulmarinho em meditação. Esvaziei-me de pensamentos e outros tormentos. Me deixei ir na vaga. Nem o meu mau humor me alucinou ou me apoquentou, essa coisa horrível que me persegue. Flui por aí. Acho cheguei a criança. Acho me lembrei de ser feliz despreocupado e adolescente. Acho lancei âncora na vida sorrindo, feliz e contente. Acho cheguei ao ponto que já nem falo, transparentizei-me por completo. Sem falar já meio mundo me entendeu. Outro meio está em vias disso.
Faz de conta abriu o sol de verão outra vez. Do tempo em que eu era criança. Mosquito picou? Faz mal não. Pica pica picou? Não faz mal não. É verão e tudo isso faz parte dele. Nem que seja só de faz de conta


Sanzalando

14 de maio de 2020

a minha música

Dizem que todos temos uma canção. Juro que não sei a minha. Fazendo um exercício de memória não me consigo lembrar duma. Le it be dos Beatles poderia ser. Mas só porque me lembro. Yellow Submarine porque me faz lembrar qualquer coisa como alô tamarino. Because I Love you, outro nome que me veio à memória. The Wall. E... mas eu não sei a música ou a letra de nenhuma. Devo ser coisa rara. Eu não tenho uma canção. Eu não tenho valores antigos? Não é por não ter uma canção que vou dizer que não tenho passado. Eu saí cá um despistado musical... 
Se não tenho uma canção como é que vou assobiar? Eu não nasci para a música nem ela tem algo para mim intrinsecamente. É que eu estou sempre com o rádio no on. Mas que música ouvi hoje? Não me lembro. Acho sou caso raro. Mas sou eu. Não vou fazer disto a minha ferida que não curou com o tempo. Ainda ninguém escreveu a minha música e ponto final.


Sanzalando

13 de maio de 2020

se eu tiver futuro

Se eu tenho a arte de fingir que tudo está bem mesmo que esteja morrendo é porque não quero ocupar o lugar do morto. Nem no carro nem na vida. Não quero estar ao lado da estória nem de lado para ela. Às vezes me custa pensar que eu podia ser outra coisa que não esta que sou. Era uma desilusão, até mesmo para mim. Tenho medo de ser uma madrugada a anunciar mau tempo, por isso todas as madrugadas eu arrumo as minhas ideias e medito num futuro próximo.
Se eu tivesse a arte de contador de estórias eu inventa-me uma real para contar-me e viver. Não mudava a minha passada, dava era uns retoques na futura. Mas eu não seria uma personagem de ficção, daquelas que prometem e não sabem o que é cumprir. Eu mudava a minha personagem futura mas mantinha a minha pessoa presente.
Se eu fosse uma estória de interesse não teria feridas por sarar nem abcessos por drenar, eu era já uma estória acabada. Isso era eu ser já uma estória sem futuro. 
Deixem-me continuar a minha estória sem saber como é que ela vai ser, incognitamente histórico.



Sanzalando

11 de maio de 2020

Ser eu

Faça sol ou esteja nublado eu faço mil estórias na minha cabeça. Eu tenho esperança que pelo menos uma delas um dia seja real. Eu gosto de me deixar levar pelos caminhos da imaginação, mesmo que ela muitas vezes me leve pelos caminhos da realidade. Nos meus sonhos, nas minhas ideias eu não tenho medo que elas me causem dano. Eu tenho medo é que o meu medo me cause prejuízo. Também nestas minhas deambulações vagabundas eu não julgo ninguém só porque não pensam que nem eu. Eu só gosto é de me imaginar e quase sempre feliz, mesmo que o sol não pareça querer brilhar. Não ganho nada em fazer as minhas estórias de céu nublado ou chuvosas. Às vezes eu desejo não saber que quase estive a um passo de ser outro. É, afinal de contas eu gosto mesmo é de ser eu.



Sanzalando

10 de maio de 2020

é sol

E tem trovoada no céu. Mas não é das minhas trovoadas. Daquelas que me faziam tremer de medo. Tenho sim saudades dos meus tempos de menino. Tenho medo de me esquecer desse tempo. Não te estou a dizer que era melhor ou pior. Te digo apenas que era o meu tempo aquele tempo. Vivi e deu-me prazer. Vou fazer mais como? Chorar? Voltar para trás em modo birra? Esquece. Tenho saudade saudável. Foi aquele tempo que ajudou eu ser como que nem agora. Aquelas trovoadas que me faziam tremer de medo, aquelas chuvas que pareciam era dilúvio ainda antes de eu saber bem o que é que isso era, fazem parte da minha vida. Eu sou essas estórias. Mas eu sou o hoje e esta trovoada é a minha presente trovoada. Vou zangar por isso? Vou sim, porque eu hoje queria era sol. É sempre mais bonito ser dia de sol.
Não faz mal. Dentro de mim é sol sempre.


Sanzalando

8 de maio de 2020

olha o sol

Olha o sol que nasceu brilhante até parece quer imitar o meu sol de criança.
Olha eu a ver o zulmarinho até parece renasci feito homem maduro. Mas nada mudou. Apenas há a esperança. Também o sonho, a ideia e a meditação. Há a escrita, aquela que ninguém lê, ninguém quer ler ou alguma vez será entendida na entrelinha inexistente. 
Eu sou mesmo da escrita de esquina, do erro gramatical e letra esfarrapada dum texto sem rimas ou sem nexo aparente. Não sei onde junto o colibri com o ponto vírgula dum amor perfeito. Não sei onde o parágrafo não é o reflexo duma saudade interrompida dum coito de brincadeira de criança.
Eu sou um vagabundo de frases feitas, meias feitas e imperfeitas. Se eu fumasse escreveria na mortalha dum cigarro antes do fumar. jamais deixaria para a posteridade rascunhos nus e crus duma alma fabulosamente minha. Eu sou a imagem circunflexa dum poeta reticente.
Olha o sol que nasceu como quando eu era adolescente...


Sanzalando

7 de maio de 2020

vagabundar meditações

E dou comigo a vagabundar o pensamentos e memórias pela vida fora, transformado em romeiro numa romaria estática, paralisado numa contingência social para bem de todos. Tem vantagens e desvantagens. Consigo me suportar, ouvir e ajuizar. E parece nada mudou. A esperança que algo ia mudar não ocorreu. Por acaso ou ocaso da esperança. Algo paralisou a minha ideia e ficou a subsistência, a gente cabisbaixa e ao que aparenta, desmoralizada. Pouco sobrou da minha esperança. Acho ficou só a esperança do milagre espero ainda aconteça. 
Não desanimo nem me deixo adormecer na fraqueza incandescente do mal comum. Dou a volta ao pensamento, mastigo-me na raiva contida e medito na incoerência descabida do que podia ter sido e não fui.
Venha a noite e venha o dia, que por aqui ou por lá andarei, mais tarde saberei se valeu a pena ou não. 
E dou comigo a vagabundar-me numa meditação sem limites.



Sanzalando

6 de maio de 2020

eu, desconfinado

À terceira será de vez. Ou quem sabe precisarei de mais umas tantas outras.
É claro que vou ter de pedir paciência. Vou respirar fundo e manter-me calmo. Ninguém vai perceber o meu estado de ansiedade. Eu não sou transparente. Sou coerente e jamais mostrarei a minha insegurança ou o meu medo. Eu sou forte o suficiente para me segurar em mim. para mim parece não existir o difícil. parece. As aparências iludem. As minhas palavras, os meu sonhos e minha estórias são a incandescência do meu ferver sem fervor. Nem o brilho da tirania medíocre e ignorante me deixam ao sabor da insónia.
Conheço o peso das palavras e a minha pele o calor dos sentimentos. Sei-me humano mesmo no engano duma palavra mal falada.
Desconfinadamente jamais serei um finado feliz, mas um refinado refilão feliz.
Nada mudou. 
Num fim de tarde, vendo o pôr-do-sol, sei que mais nada sou que não seja o que sempre fui: Eu!


Sanzalando

5 de maio de 2020

abraços

vamos fazer de conta. Por causa das coisas tem de ser num faz de conta. Imagina eu sou apaixonado por um abraço. Eu ia me sentir privado dessa paixão eu ia ficar doente. Doente de saudade, doente de insegurança, doente de esperança. Um abraço é isso tudo. Um abraço substitui tantas palavras e traduz tantos silêncios.
Virtualmente abraço-vos

Sanzalando

4 de maio de 2020

ontem foi dia da mãe

Caminhei por ai, perdidamente falando. Vagabundei-me por campos e mares. Encontrei-me. Tantas e tantas vezes igual que pensei não podia ser eu. Despreocupei-me com o que outros pensam porque eu tenho a liberdade de ser o meu infinito.
Na verdade eu repetiria todos os meus passos, todas as dores e todos os equívocos. Só assim eu seria o que sou. 
Tudo devo à minha mãe que me gerou. 



Sanzalando

3 de maio de 2020

viver

Pouco a pouco vou soltando amarras. Já não sei qual o meu porto. Já percorri meio mundo e não sei se tenho tempo para percorrer o que me falta. Mas sempre tenho arranjado tempo para sair de mim e ver, pensar e falar as muitas palavras que já esgotei.
Aos pouco soltei a saudade e os pensamentos tristes, a génese da depressão, a auto destruição. Aos poucos amandei-me com um ponto final na luta mental que me levava ao desequilíbrio. Encontrei-me comigo, fiz penso em feridas, sorri e pensei se ainda amo e sinto é porque a vida me quer. Vivo-a



Sanzalando

2 de maio de 2020

quando vai passar

Olhei o sol de frente e lhe perguntei quando tudo isto passar. Eu sei que tudo tem um começo e um fim. Foi assim quando eu era criança, adolescente, jovem adulto e agora sénior adulto ia ser diferente? A saudade e a memória essas parece não passam. Não somem, ao menos as negativas, as que me enganei de ter. Essas aí deviam ser transferidas para um ponto esquecido do cérebro. 
Olhe o sol de frente e lhe agradeci de me deixar ser assim. Com vontade de ser assim. 
Um dia vai acabar e vai ficar uma memória algures numa outra qualquer saudade.



Sanzalando

1 de maio de 2020

prefácio do posfácio

Faz sol e ainda não vagabundo para fora de mim. Já não sei quando o voltarei a fazer como fazia, nem sei de alguma vez mais o vou fazer. Nada de especial, mudo-me para melhor. Muito melhor digo eu. 
É que com esta coisa do confinamento social eu optei por fazer um processo meditativo para me conhecer melhor. Sou muitas coisas, fui muitas coisas, serei outras tantas e dependendo das circunstâncias não sou nenhuma delas. Posso dizer que sou um sonhador, um pensador que sonha mais do que pensa, que retira muito peso da consciência voluntariamente. Sou alguém que vagabundeia pelas ruas da cidade, seja ela a do passado ou outra qualquer. Sou alguém que de olhos vendados vê as feridas sofridas desde que nasceu, sente o medo que elas sangrem a qualquer momento.
Sou um pensador e sonhador que vive em constante vazio emotivo em relação à incógnita construída na base da ansiedade.
Sou um sonhador pensador que se convence que vence demónios por mais fortes que eles sejam.
Sou um ser vivente desta vida contente.


Sanzalando

30 de abril de 2020

igual que nem


Cada dia que passa eu digo que até os meus olhos brilham quando falo de ti. É, cada dia eu sei que tinhas de ser tu.
Lá estás tu a dizer que eu fiz ou estou para fazer alguma coisa.
Tal e qual a D. Madalena me dizia.
Mas não. Não fiz nem penso em fazer nada. É só mesmo constatar uma realidade. 
Tem cada dia eu penso se é o mesmo que pensas tu. Dúvidas da incógnita. Porque é que tem isso aqui e até na matemática. Dúvida metódica, diria Descartes. Descarto essa. É só mesmo porque pensar faz bem. Medito-me na duvida certa. Eu tenho um coração bonito e por isso vou fazer mais como?
D. Madalena me desconta aí alguma coisa que fiz quando era criança. Não pensava ainda. Dá desconto agora neste futuro incerto. 
Mas os meus olhos brilham porque deves estar a pensar em mim. Eu sei. Eu sou sabedor dessas coisas. Acho eu. Convencido que sou. Vou fazer mais como?
Mantenho-me assim: igual.




Sanzalando

29 de abril de 2020

com este sol

Com este sol e este zulmarinho, falo de memória, pois acho começo a ter uma vaga memória dele, me fazem delirar pensamentos que eu acho nunca pensei. Pelo menos nunca menos de uma dúzia de vezes. É mais ou menos assim quando me lembro dos olhos dela, das curvas e do sabor dos beijos que sonhei. Se existisse um manual de pensamentos acho ia ter um meu em cada página. Se houvesse um manual de saudade ia ter uma minha também em cada página. 
Na verdade, no meio deste barulho todo ainda cabe o meu silêncio. Pelos menos enquanto houver céu azul para lá do horizonte.
Assim aqueço o meu coração. Com este sol.

Sanzalando

28 de abril de 2020

chegar ao fim

Soleia mas ainda não com o calor da minha terra nem com a vontade de me fazer sair de casa. Faz tempo eu tropeço nas minhas recordações, me divirto nos meus passados e gargalho-me nas minhas desilusões. Soleia tempo de meditação, faz conta a vida é um livro que ninguém folheia, como nos livros de verdade e os que folheiam não entendem nada. Faz conta eu faço uma linha da vida e ela me parece tão tortuosa que não sei como cheguei ao hoje direito.
Mas no livro da vida, na linha da vida, as palavras se trocam, as folhas se colam e na intimidade a gente é mesmo a gente, quer a gente vá para onde a gente for. A linha parece eterna até quase a gente sente chegar ao fim.



Sanzalando