recomeça o futuro sem esquecer o passado
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinando. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinando. Mostrar todas as mensagens

23 de outubro de 2013

Pequena pausa à pausa que tenho feito

Pequena pausa à pausa que tenho feito
Aos angolanos, aos portugueses, a todos os outros e fundamentalmente a mim:

O mal da minha geração, aquela que teima em não passar a ser a geração seguinte e ainda por cima se acha muito especial, pensa que de um jeito ou de outro dá para ser alguém, como se um gênio saísse detrás de cada lata chutada na rua. Esta coisa de acordar todo dia desejando levantar da cama com o pé direito esta-me a cansar.
É idiotice ficar à espera que a vida entre na época de ouro, quando essa época talvez já esteja em andamento e só nós não vêmos. Pode não ser tão dourada quanto sonhei, e nem sequer prateada e nem bronzeada pelo sol que tanto apanhei, quanto prometia ser, mas com talvez um pouco mais de berço, sorte, esperteza ou empenho... Só que uma vida bronzeada não é tão má assim, não é? Quero ser o número um? Então me apresso, porque a fila é quilométrica, e às vezes a inércia emperra.
Seja bem-vindo à Decepçolândia, país semi-tropical, onde tem gente que não está bem nem mal, antes pela dúvida, onde um sorriso é mais caro que uma lágrima, onde uma carícia é mais rara que um tabefe e onde o amanhã já passou e não parou na paragem de ontem.

Sanzalando

2 de novembro de 2010

Dia de Finados

Eu hoje queria opinar mas toca a ser dia de finados. 
Passaram-se 5 anos em que fui visitar a campa do meu pai no cemitério do Namibe. Com a ajuda de desconhecidos, que num momento de, para mim, grande solidariedade, nos ajudaram a limpar, a dar um ar de dignidade àquele que para mim foi um grande Homem, que é para mim o meu Herói.
De lá para cá pouco mudou na mentalidade dos grandes senhores, dos que já eram, dos que passaram a ser, dos que pensam que são e dos que por muito que tentem não conseguem lá chegar mas continuam a dar ar da sua graça.
Hoje, Dia dos Finados, que alguns dizem dia dos Santos Finados, talvez porque se viram livres dalgumas espécies que lhes faziam a vida negra, ou, porque eram mesmos santas pessoas e lhes sentem muito a falta. Afinal de contas há finados para todos os gostos.
Depois de se morrer é que alguns vão definir bem quem era o morto antes desse consumado acto de morrer ter acontecido. Grande Homem ou Mulher que aqui o sexo não interessa. Uma peste, foi uma bênção dos deuses e afins, tudo se pode ouvir. Mas para a mesma pessoa existirão opiniões tão diferentes que é melhor mesmo a gente deixar passar o tempo e, um dia, num qualquer compêndio da memória, recapitular e já sem sentimentos à flor da pele, se lhe definir e mesmo assim não de forma definitiva.
Faz hoje cinco anos que visitei a campa do meu Herói e só o consegui fazer porque fui apoiado por amigos e muitos que apenas conhecia de nome dito num qualquer monitor de computador.
Tenho tantas saudades e tenho tantos agradecimentos que se me dispusesse a fazê-los aqui não restaria espaço e a memória iria falhar num ou noutro nome, o que deixaria de ser simpático da minha parte.
Para além disso ir-me-ia falhar a memória dos que morreram em vida que ainda vivem e não deixam viver.



Publicado inicialmente no Pensar e Falar Angola

Sanzalando