31 de maio de 2019

divagações de primavera

Ai minha nossa senhora dos aflitos e desamparados, os ananases se cozeram neste calor que parece é tropicalmente fabricado e europamente plantado. Os putos da minha rua têm os chinelos colados no alcatrão que se derrete, parece é cérebro de adulto feito mau feitio. Eu já sou assim como mais crescido porem em embalagem parece é nova. Digo eu que já me falta a vista para temperar a imagem que tenho de mim. Com este calor transpirei e não sei se foi desse calor se foi da esperar dum sinal da saudade que tu ias dizer sentes por mim. Passou a manhã, chegou a tarde e rompeu a noite e a esperança morreu vã, para não dizer virgem e saloia. Não foi por falta de aviso, mas eu até ver para crer não acredito. Minha mãe sempre me avisou. Tira a cabeça do sol, miúdo teimoso. Tira o corpo desse calor, reguila duma figa. Na verdade não perdi a esperança de num fim de tarde de calor assim, chinelo colado no chão, te ver chegar no teu ar minado de deixa andar com qualidade, sorriso difícil mas sincero, chinelo moderno e cabelos esvoaçados. Sou assim que nem feito de vertiginosas fantasias de pessoa boa que te espera ver caminhar na minha direcção com olhos de ternura e infinitamente carregados de carícias. 
Afinal de contas era apenas mais um texto dos meus, daqueles que não acontecem senão na minha imaginação, daqueles que são peitos de primavera morena numa praia de muitas cores, voando palavras pintalgadas de maresia e olhos de zulmarinho entrando oceano a dentro.
Bolas. era domingo de manhã e não voltei a sonhar com medo que na segunda, no trabalho, iam ver os meus sonhos se derreter num corredor uniformemente acelerado pelo frenesim dum trabalho nunca acabado.
Tenho medo das noites sem amanhã para nós.


Sanzalando

#flores


30 de maio de 2019

torrei no sol

Torrei no sol parece foi dia de verão dos tempos de criança. Daquele tempo que os mapundeiros viravam camarão dum pé para a mão, isto é, de manhã até na tardinha. Acho nesse tempo ainda não tinham inventado o protector solar, que era mau para a pele e que alem de arder parecia tinha febre e a gente nem importava. Desse tempo que eu tenho lembrança e me lembro de ti e mim a saltar no mar, mesmo no tempo do cacimbo. Acho a temperatura mínima de lá era a máxima do lado de cá, se já tivessem, inventado a meteorologia . Acho nesse tempo não tinham inventado nada que fosse ruim. Havia era coisas que aconteciam e ponto final. A gente nem tinha de inventar ser outra pessoa, era o que é. Nada mais fazia sentido, éramos uns apreciadores de distracções, fizesse sol ou caimbo na nossa cabeça.
Afinal de contas as contas de missangas eram primavera por outras bandas.



Sanzalando

#zulmarinho


29 de maio de 2019

no meu chão

Deixo o sol torrar-me o corpo e deixo a brisa refrescar-me. Caminho ao longo do zulmarinho, umas vezes com o sol de frente, outras pelas costas. Permaneço em silêncio enquanto ouço-me cantarolar um mantra que acabei de inventar. Aos poucos me perco do mundo e não sei se lhe deixo alguma coisa. A minha mente voa e não sei onde vai cair, o céu é o limite e o sul o horizonte. A minha pele escamada pelo sol e perfumada por maresia parece segue o pensamento e me vai deixando lentamente. Ultrapassei espinhos, saltei barreiras e chorei tristezas. Num segundo, que foi a eternidade que consegui largar-me do mundo.
Uma onda me acordou e com isso aprendi que a minha vida tem um chão e vivo-a no chão que estou.


Sanzalando

28 de maio de 2019

#comida


#comida


#comida


E se fez sol

E de faz sol me dispo de preconceitos e caminho directo aos assuntos.
E se faz sol, me sento à beira do zulmarinho e deixo-me navegar de onda em onda à procura da onda final.
E se faz sol, deixo-me subtrair de tudo o que é mau e canto o refrão de que a poesia só faz sentido se as forças se acabarem. 
E se faz sol, peço que me retirem de todos os meus pedaços tristes e de roupa mudada caminho para ser feliz.
E se faz sol, carregando todo este amor no meu peito, me deixo ir pela felicidade, onduladamente como corrente de ar por caminhos da imaginação.

e se fez sol.



Sanzalando

23 de maio de 2019

sou quem sou

E se faz sol eu caminho num passo meditativo como que a olhar para dentro de mim e me perguntar coisas. Acho, às vezes que tanta curiosidade me faz mal. Mas vou fazer mais como? Me olho e vejo que mudei. Bastante assim? Sei lá. Mudei. Já não sou quem eu era antes. Perdi vícios, mudei cores, mudei o perfil, mudei o penteado, mudei o olhar. Complicado. Se não mudei a cabeça como dei a volta sem abrir a mão de mim? Misturei-me renovando-me diáriamente. Mais coisa menos coisa. A minha essência é a mesma, penso eu. O zulmarinho também já não é o mesmo. Mudou, muda e mudará. Tem marés. Já não sou o mesmo. É inevitável. Gosto de ver, de ouvir e às vezes falar. Gosto de sentir.
Sei lá mais quem sou. Sou eu, por enquanto.

Sanzalando

#mangueira


21 de maio de 2019

primavera que não sorri

Indecisa primavera que não me deixas tomar balanço para o que quer que seja. Com esta instabilidade termal já me chego a culpar de não gargalhar na alegria, de gargalhar sobre a tristeza, de estar à porta do abismo e depois voltar atrás com medo de dar o passo em frente. Mas não chove para acabar comigo feito diluido; se sou 70% feito de água, uma boa chuvada ia diluir o resto, acho eu.
Com este tempo já gritei até perder a voz, já chorei até secar os olhos, já pulei até romper os músculos. Já é tempo de ter tempo para contemplar o zulmarinho e toda a sua energia.
Com este tempo já gastei os meus sonhos e tenho que me socorrer da realidade que é crua e dura, quando o que eu gosto é de morar na comodidade da casa dos meus sonhos.
Com este tempo preciso ter coragem para sorrir. Sempre


Sanzalando

#caminhos


19 de maio de 2019

primavera dê-se ao respeito

Faz brisa parece é vento. Primaverou, invernou e veraneou, tudo no mesmo dia. E eu? Baralhei-me. Se tem coisa que gosto é respeitar e entender ou entender e respeitar dando-me ao respeito desgostar a meu gosto. É por isso que julgamento eu não faço. Não julgo. Entendo e respeito mesmo que eu não não goste. Esta primavera não é a meu gosto. Respeito. Mas não entendo. Se é primavera tem de se portar como tal. Mas eu não vou julgar mal a primavera porque está a ser indecente, porque sopra vento parece é frio soprado num frasco de gelo. Respeito-a. Mas está difícil entender neste tempo incerto.
O zulmarinho está arrepiado. A falésia parece desabrigo. O silêncio parece é sopro. A maresia parece é inodoro porque vai de contra mim.
Me sinto magoado com essa primavera que calhou este ano. Respeito-a mas acho merecia mais. Não a entendo.

Sanzalando

#caminhos


17 de maio de 2019

#bebidas


#flores


#caminhos


Tem gente é cometa

Tem sol que brilha parece desigualdade no mesmo lugar. É uma pena, porque lugares se tornam sombrios que até parecem tristes, porque tem pessoas que passam como fossem cometas, rabo grande que parece esteira bagunçada a pensar são o centro do universo. Nem o sol de primavera consegue brilhar nem o zulmarinho consegue ondular beleza.

Sanzalando

primavera mais real

O sol foi de fim de semana e deixou por cá o vento, essa horrível força que me despenteia e me atira pequenas areias contra as minha pernas desnudas como se fossem afiadas agulhas. O zulmarinho estonteantemente se atira contra a areia da praia a parecer que lhe quer devorar, não me deixando estar ali sentado a lhe admirar ou meditar ou simplesmente estar.
Este vento parece é o mundo que deixou de ter tempo para se recomeçar, para ir buscar os valores que se perderam por causa da enganosa tecnologia que nos trás uma proximidade virtual e que nos leva a um afastamento humano, a uma conversa em que os olhos nunca serão vistos, em que as carícias são símbolos e não físicas. Como posso conversar sem ver a expressão nos olhos de quem me ouve?
Com este tempo assim me sinto mais longe da realidade, mais longe de ouvir as pronuncias e o colorido das vozes, sinto que os laços que crio mais não são que círculos de vastidão deste mar.
Viver está no sentir e no sentido de vida e amar está na acção, não no dizer.
Com este vento, acho vou-me recolher num canto desta praia e esperar a outra primavera, a mais real

Sanzalando

16 de maio de 2019

manta de retalhos

Faz sol ou eu sei que faz sol. Eu digo que sim e isso me chega para dizer que está sol. Eu sou forte, é o que me digo. Não sou louco para pensar que não existem abismos, sismos, tempestades, inverdades, ciclones e vendavais na vida de cada um. Aparentar, fingir, esconder e ou desligar não vai a porto seguro. A instabilidade do tempo não pode descontrolar a estabilidade do meu tempo por onde ando. Por isso eu sou forte, mesmo que a minha existência pareça como uma manta de retalhos como a minha avó fazia. Eu sempre as achei bonitas. Juntar pedaços, ao acaso ou por acaso, condizentes ou contrastantes. É poesia. É lindo. O tempo é lindo. A vida é linda. Pode parecer a vida uma manta de retalhos, pedaços cozidos uns aos outros, quando bem feitos até que é linda e é uma manta.
Assim é a a vida, assim é o tempo. assim sou eu nesta primavera.



Sanzalando

15 de maio de 2019

#comida


#caminhos


#comida


primavera de verão, cacimbo de chuva

Faz sol parece virou verão que ainda não chegou. O zulmarinho se revolta empurrado pelas forças do sueste. Lá longe começa o cacimbo, mais ou menos como se houvesse horas para essas coisas. Aqui, no lado norte da minha vida dizem é primavera e eu sinto é verão, lá no meu sul dizem é cacimbo e é chuva que cai. Como pode ter hora marcada assim?
Faz conta o tempo é como a lindeza. Acaba por ser subjectiva. Uns sentem assim é que é bom, outros assado e outros é péssimo. Eu sorrio seja lá o tempo que for. Se eu sentir é verão, é verão e não me verão empalidecido no mimmesmo, no ar triste que pode soprar, nos vendavais mentais que certos ciclones, que mais parecem clones de coisa nenhuma, tentam assoprar para ver se despenteiam. Sorriso sim. Sempre. Por dentro e por fora porque tudo está aqui, apontei o meu dedo na cabeça e na força que ela tem para mudar o mundo. O meu mundo.


Sanzalando

#caminhos


#caminhos


#zulmarinho


#zulmarinho


13 de maio de 2019

#flores


#zulmarinho #caminhos


O que diz o zulmarinho

Hoje, faz conta madruguei antes do sol e fui ver o zulmarinho que ainda era um escuromarinho não definido. Aos poucos, com a madrugar do sol propriamente dito, fui vendo-o aparecer, primeiro perto e depois cada vez mais longe até que onde a vista não ia mais. Num intervalo de tempo que não contei, porque estava pasmado a olhar, eu vi as ondas do mar como que a me dar um código que não percebi à primeira. Parecia era sms, ou whatsap ou sei lá o quê. Continuei a ler a vi que afinal ninguém sabe quem eu sou. Nem eu. Qual a minha estrela preferida? Nunca pensei nisso. E constelação? Pior ainda. E que mais gosto de fazer para além de ver o zulmarinho? E eu sei? 
O sol já ia alto quando percebi que a mensagem que ele me escrevia dizia só: ainda é primavera e ainda há muito para conhecer, ainda há pessoas para conhecer, ainda há abraços para dar. 
Este zulmarinho diz-me cada coisa...


Sanzalando

12 de maio de 2019

#imbondeiro


#caminhos


Praia das Miragens

Ai mesmo sentado na praia das miragens. São horas do boca de sapo aterrar ali num estacionar em espinha e descarregar as donas e seu chapéu de sol azul. Me vão ver porque eu estendi a minha toalha mais ou menos no sitio do costume. Não vou passar despercebido, nem que eu tenha de fazer o pino, que é coisa que o Prof. Cândido da Silva não conseguiu nunca que eu fizesse. Mas aqui eu vou conseguir. Ela tem de olhar para mim. Nem que seja só para me enxotar para longe.
Domingo de praia na Praia das Miragens sem este sal não era mais a minha praia. 
Noutras praias eu fico só a ver o zulmarinho e me deixo levar em pensamentos que não sei onde me levam. Aqui é diferente. Aqui é o eu de ser adolescente apaixonado, que esquece o bem parecer e tenta conseguir escalar o gelo do olhar reprovador da vizinha do lado que não quis estar ao lado na vida.
Hoje nem que tenha pica-pica, nem que tenha água do rio, nem que sei lá o quê, ela vai olhar para mim e dizer: pobre coitado, não vai ser ninguém nunca.
Noutras praias eu subi a maré, fui na onda, dancei na espuma, comi na areia. Aqui na Praia das Miragens vou ficar mesmo na miragem da minha adolescência


Sanzalando

11 de maio de 2019

mundo real

Olhei o zulmarinho do alto da minha altura e lhe disse numa voz de quem manda e não tem dúvidas: tu me mereces porque eu sou eu mesmo em toda a minha essência, virtudes e defeitos, virtual e real. Na verdade é custoso saber o que é a realidade, a distorção da realidade e a virtualidade desfocada dos olhos cansados de ver.
Na verdade, no meu veleiro de papel, a favor do vento, cortei ondas neste zulmarinho de imaginação, caminhei sobre o mar nos meus sapatos de boiar, voei sobre o mar com as minhas asas de sonho e fantasia, e desconsegui de sair do meu mundo porque este é o meu mundo, mesmo quando eu gostava que ele fosse diferente.
Medito e certo é, este é o meu mundo real.



Sanzalando

#zulmarinho


9 de maio de 2019

sorriso primaveril

Olho no ar e vejo chuva miudinha de primavera esvoaçando na brisa que por aqui passa. Meditando me embalo em voos largos de imaginação. Vou pedir perdão, principalmente pela minha ansiedade e depois pelo meu desejo de ser feliz. Ansiedade e felicidade parece não gostam de andar de mãos dadas. Ansiedade parece gosta de destruir a ilha que há em mim. A ansiedade provoca incerteza e essa me acende um semáforo na minha vontade de sorrir e eu, carrancudamente, fecho o sorriso paisagem da minha cara. Eu não gosto de metades nem de confusões multiplicadas por dois. Esta incerteza, esta ansiedade, este tempo incerto é muita confusão na minha mente e eu quero sorrir sorriso verdadeiro, sorriso de olhar, de lábios e de calma mental.
Acredito em mim, medito em mim e vou continuar sorrindo mesmo que o tempo assim não queira.


Sanzalando

#flores


7 de maio de 2019

todos os dias há sol, mesmo que não

Faz sol, mas sol que não é brilhante e ponto por ponto cinzenta-se como que arrependido do seu brilho. Sento-me na praia, encho-me de areia e divago por entre pecados e saudades. A dor consome-me, tudo ao meu lado se desmorona e toda a consciência se despedaça num apagar de sorrisos da minha cara.
Nada será como dantes, sobrará dor, afogada em lágrimas e tingidas de tristeza. Faz conta feri-me de quase morte. Destrui-me na consciência dum dever que ficou por cumprir.
O zulmarinho ataca-me numa onda que desprevenida cobre-me o corpo já de si gelado. as feridas não sangram por são de alma feitas, porque são lamentos silenciosos. Outra onda abate-se sobre mim e eu pergunto-me se é justo. Preferia queria cair no esquecimento do que nesta ansia de ser triste. Molhado agito-me. Acordo-me e com a alma ensanguentada levanto-me, sorrio e como guerreiro enfrento batalhas mesmo que assim me custe muito ser feliz. Esta carcaça pesada, usada mas não danificada, regressa sorrindo contra dragões e outros animais matreiros e oportunistas.
Na primavera todos os dias são de sol mesmo que não.


Sanzalando

5 de maio de 2019

Dia da mãe

Liguei o rádio e me disseram, até parece estavam à espera eu ligá-lo: é dia da mãe. Me olhei no interior de mim e queria chorar de saudade.  Vou ligar à mãe, foi logo o pensamento de quem tem telemóvel para tudo e mais qualquer coisa. Mas, mãe, tu partiste faz tempo que nem tempo tiveste para deixar o indicativo do lugar eterno do meu coração.  O rádio deu-me música, parecia me queria confortar. Melhorei do estado de choque sentimental.
Fez 10 anos que arracaram-me como se fosses um bocado de mim. Minha alma, achei, tinha ido contigo. Afinal ficou o teu saber e a tua educação dentro de mim. Quando foste eu pensei vinha aí tempestade mas aos poucos, pensando em ti, fui madrugando serenamente nesta primavera que se mantém.
Obrigado, mãe. Quando eu souber o indicativo do lugar eterno do meu coração, eu não te ligo, vou só ter contigo e te abraçar sempre.


Sanzalando

3 de maio de 2019

#comida


solte-se o sol sobre o mar

Solto sol sobre o mar. Meio-dia. Não há sombras porque ele picou no alto do meio-dia. Zulmareou-se como uma planície serena. Me sento por aqui na busca do tom brozeado dum verão que hei-de ver. Medito. Maldito tempo que me foge. 
Será que vou ter tempo de realizar os meus sonhos? Aqueles que sonhei, que inventei e aqueles que desejo ardente como se fosse efeito deste sol.
Ter um amor para a vida toda, diz a canção. Sou romântico, digo eu. Não sou ingénuo mas vou mudar o mundo para eu ter tempo de ver os meus sonhos. Na primavera ou no inverno, ao meio-dia ou à meia-noite. Com sol ou com chuva. Solte-se o sol sobre o mar.



Sanzalando

2 de maio de 2019

#comida


#caminhos


sol de primavera

E primaverou que até parece é verão.
O meu sorriso se abriu parece é flor, minha vista melhorou parece foi corrigida e minha letra se legivelou que até consigo reler-me.
O que faz um raio de sol. Um raio que me parta não consegue fazer isto, porém o astro rei me muda parece eu sou agulha de bússola, indicando o caminho do lado sul, porque eu sou da outra ponta da agulha.
Ouvindo o marulhar com ouvidos de sol até parece estou ouvir uma canção de amor e uma lágrima de felicidade cai dos meus olhos e eu vou dizer foi salpico desse mar que me embala.
Azar mesmo é de quem amou pouco porque amar é melhor coisa, depois de ver o sol.


Sanzalando
recomeça o futuro sem esquecer o passado