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A Minha Sanzala: Memória sem ramo
recomeça o futuro sem esquecer o passado

26 de outubro de 2015

Memória sem ramo

Olho o mar que teima em parecer bravo. Espumoso, barulhento e espraiando-se como que violentamente na areia e atirando a maresia até mim. Não me trás nenhuma mensagem nem recorda nenhuma lembrança. Olho à volta e vários somos os que desde aqui de longe vamos olhando admiradamente. Devem ter eles mensagens ou lembranças e nada sobrou para mim. As folhas continuam nas árvores e os parques estão cheios de gente que brinca ao tempo no tempo que tem.
Está a fazer anos que eu pensava que a vida fora deste mar era mais bonita que a vida que eu iria viver nele. Talvez tanta coisa foi acontecendo que passados anos eu me lembro como se fosse hoje das caras, dos sorrisos e gargalhadas, das surpresas e abraços, das certezas e dos cansaços.
Olho o mar e vejo a conterra com um maboque a sorrir-me.
Vejo tanta gente bonita a gostar-me.
Mas as folhas continuam nas árvores e o mar não me trouxe nenhuma mensagem.


Sanzalando

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