2 de abril de 2025

Óscar Ribas - Autor


Sanzalando

Tesourinhos Musicais 36 - Sónia Delfino


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Esta Música tem uma História 03 - Rui Veloso


Sanzalando

Crónica 49 - K'arranca às Quartas


Sanzalando

Programa 61 - K'arranca às Quartas


Programa de Rádio com palavras, livros e música  - 02 de Abril de 2025, tal e qual como se fez em directo para ouvir indirectamente aqui ou em qualquer outro lugar, aos cortes ou de seguida. 
Ouça com ouvidos de pensar e olhos de ler
Ler só faz mal à ignorância
Quem não ouviu em directo ouça agora indirectamente como directo fosse. 
Podem comentar para poder melhorar

Hoje tivemos a Crónica, falámos Óscar Ribas, tivemos um poema de Alberto Caeiro dito por Mário Viegas
Tivemos ss estórias da Música ou Música com história, em que cantámos Rui Veloso - Paixão

Tivemos nos Tesourinhos Musicais  com Sónia Delfino, primeira vez que aqui fomos ao Brasil

Tudo imperdível

Não perca e ouça a boa música que tenho para lhe dar

Sanzalando

1 de abril de 2025

do ontem ao amanhã

Olho à minha volta e vagueio. De pensamento em pensamento caminho fazendo uma estrada de vida. Na verdade, vivemos cercados de múltiplas razões para amar e por vezes passamos por elas sem as notar. Quem não se sente feliz ao ver um pôr-do-sol que nem em fotografia arranjada por artificialismos sofisticados? Quem não se sente agradado pelo sorriso inesperado de um estranho numa forma simples de agradecimento. Tantos pequenos gestos que são grandes afectos.
O amor está nas entrelinhas da vida, nos detalhes que deixamos escapar pela rapidez do passar do tempo e nós sem tempo para num instante olharmos com olhos de admirar e coração de amar.
Com tanto para amar, o que é que nos impede? Medos, orgulhos ou distrações?
Está na hora de soltar amarras e ver a vida como o tempo que intervala o ontem do amanhã.


Sanzalando

31 de março de 2025

falta palavras

Como tenho morrido de amores deu-me para pensar em quanto me custar levantar todas as manhã.
Mas na verdade eu gosto de morrer de amores porém faltam-me palavras para escrever

Sanzalando

27 de março de 2025

a ver se me vejo

Vou de passeio pelas ruas da minha cidade. É fim da tarde e os tristes vão passear. Digo assim porque ouvi a minha mãe dizer que era o passeio dos tristes. Nunca percebi, porque os via a rir ou pelo menos a sorrir quando se cruzavam comigo.
A minha cidade fica à beira-mar e é encantadora. Tanto na praia e na sua baía como nas costas do deserto a perder de vista. E o Pôr-do-Sol tem um encanto que me encanta. 
Mas hoje vou num passeio até na praia, relaxar ouvindo o marulhar e saboreando a maresia. Sentir a brisa do mar faz-me desacelerar e me torna especial. 
Vou só sentar aqui nos hexágonos a olhar para lá do infinito e ver se me vejo.



Sanzalando

26 de março de 2025

Crónica 48


Sanzalando

Amarelo Tango - Nicolau Santos - Livro


Sanzalando

Esta Música tem uma História 03


Sanzalando

Tesourinhos musicais 35 - Shegundo Galarza


Sanzalando

Programa 60 - K'arranca às Quartas


Programa de Rádio com palavras, livros e música  - 26 de Março de 2025, tal e qual como se fez em directo para ouvir indirectamente aqui ou em qualquer outro lugar, aos cortes ou de seguida. 
Escolha e ouça com o pensamento. Ouça-nos com ouvidos de pensar
Ler só faz mal à ignorância
Quem não ouviu em directo ouça agora indirectamente como directo fosse. 
Podem comentar para poder melhorar

Hoje tivemos a Crónica, falámos de Amarelo Tango de Nicolau Santos, tivemos um poema de Oswaldo Montenegro dito pelo próprio - A minha Metade
Tivemos As estórias da Música ou Música com história em que cantámos em italiano com IO CHE AMO SOLO TE cantado por Chiara Civello e Chico Buarque de Holanda

Tivemos nos Tesourinhos Musicais  Shegundo Galarza e o seu Conjunto

Tudo imperdível

Não perca e ouça a boa música que tenho para lhe dar

Sanzalando

25 de março de 2025

A dois amigos que partiram

Eram colegas no trabalho. Eram dois amigos fora dele.
O tempo ensina-nos que a vida é feita de encontros e despedidas. Hoje, com o coração apertado, dedico as minhas palavras a vocês, que partiram, mas deixaram a amizade, gargalhadas e algumas estórias para lembrar.
Cada conversa, cada gesto e cada memória construída ao lado de vocês segue no meu coração. Por aqui, hoje só consigo dizer Obrigado por terem sido parte da minha história. Sigam em paz, amigos.

Sanzalando

24 de março de 2025

Olha bem para mim e sorri.

Olha bem para mim e ouve-me atentamente. Atira os teus olhos carregados de rancor e ouve-me, porque eu não vou gritar e muito menos tenho pachorra para repetir. A dona da tua felicidade és tu. Não causes dores tridimensionais em ninguém nem atentes contra a minha paciência porque o problema teu é teu unicamente. Perdes a cabeça, doí-te o corpo e tens os olhos sem brilho. Refresca-te e retira essa pose de vingança. Canta-te e sorri, atira o drama borda fora que ele não precisa do teu corpo para dramatizar. Deixa o drama viver a vida dele e tu vive a tua. 
Olha bem para mim e sorri. 



Sanzalando

22 de março de 2025

Num Março de antigamente

O vento quente do deserto soprava pela marginal, levantando finas nuvens de areia que se misturavam ao cheiro salgado do Atlântico. Ela semicerrou os olhos contra o brilho dourado do fim de tarde e  segurou os cabelos, protegendo-se da brisa persistente.

Caminhava devagar, os pés quase não pisavam o passeio irregular. Ao longe, os barcos de pesca balançavam no porto, as suas sombras espelhavam na água do zulmarinho. A cidade, com suas ruas quadriculadas e prédios coloniais de cores desbotadas pelo tempo, parecia presa no tempo, entre a memória e o presente.

Ela sentou-se num banco próximo à praia das Miragens. De onde estava, podia ver as dunas estirando-se para o interior, como ondas congeladas de areia. Lembrou-se das histórias que a minha avó lhe contara, sobre os primeiros navegadores que chegaram ali, sobre os mistérios escondidos na terra árida e bela de Moçâmedes.

Parou. Olhou-me e disse-me:

- O deserto é um mar inerte;

- Não. O deserto pode ser a vida. Começas sem nada e se nada fizeres, terminas como começaste.

Olhou-me e partiu sem nada me devolver


Sanzalando

20 de março de 2025

divagação

Todos os meus caminhos têm destino mesmo que eu não saiba qual é. Não vagueio ao deus dará. Tem que ter um propósito nem que eu não saiba onde vou.
O destino é tudo, porque estou predestinado a ser o eu que sempre fui, ou que tento ser. Mesmo que eu não seja o eu que eu penso ser.
Delírio de uma noite de chuva ou apenas um desabafo de um calado ser vagabundo?


Sanzalando

19 de março de 2025

Camilo Castelo Branco - Autor


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Crónica 47


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Música com História - Tom Jobim - Fotografia


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Tesourinhos Musicais 34 - Vum Vum


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Programa 59 - K'arranca às Quartas


Programa de Rádio com palavras, livros e música  - 19 de Março de 2025, dia do Pai  tal e qual como se fez em directo para ouvir indirectamente aqui ou em qualquer outro lugar, aos cortes ou de seguida. Escolha e ouça com o pensamento. Ouça-nos com ouvidos de pensar
Ler só faz mal à ignorância
Quem não ouviu em directo ouça agora indirectamente como directo fosse. 
Podem comentar para poder melhorar

Hoje tivemos a Crónica, falámos de Camilo Castelo Branco que fez 200 que nasceu a 16 de Março, tivemos um poema de António Gedeão dito por Mário Viegas - Poema a Galileu
Tivemosuma rubrica nova - As estórias da Música ou Música com história

Tivemos o Vum Vum nos Tesourinhos Musicais 
Tudo imperdível

Não perca e ouça a boa música que tenho para lhe dar

Sanzalando

carta a meu pai

Carta ao Mau Pai

Querido Pai,

Escrevo-te esta carta com o coração pesado e a mente atabalhuada. Há muito que guardo dentro de mim as palavras que hoje te dirijo, na esperança de encontrar algum alívio e, talvez, entendimento. Esta carta não é um ataque, mas um apelo à reflexão e à compreensão.

Desde a minha infância, sempre desejei a tua presença, o teu carinho e o teu apoio. No entanto, apenas encontrei o silêncio, porque vazio estava o teu lugar. Um pai é a primeira figura de autoridade e de amor na vida de um filho, e eu ansiava por ser visto, ouvido e valorizado por ti. Sempre o fiz na imaginação, pelo que via outros pais a fazerem aos seus filhos

Recordo-me dos momentos em que me esforçava para ter uma recordação. Cresci sentindo que me faltava qualquer coisa. A tua aprovação ou o teu sorriso.

Pai, a tua ausência física teve consequências além das que eu próprio percebo. Houve momentos em que precisei desesperadamente de um conselho, de um abraço ou simplesmente de alguém que me escutasse e me apontasse um caminho. Em vez disso, eu estava sozinho a navegar pelos desafios da vida sem a tua orientação, que tanto desejava.

Apesar de tudo, não escrevo esta carta para desculpar ou protestar. Escrevo para tentar encontrar um caminho para a minha cura e para a reconciliação do eu que exigi de mim, ser gente de letra maiúscula.

Eu gostaria de ter conhecido o teu lado da história. Sei que o passado não pode ser alterado.

Pai, quis o destino que morresses quando eu era criança. Quis o destino que eu fosse um sonhador que te imaginou sempre ao meu lado, em silêncio, mas de olhos abertos a ver-me crescer.

Com carinho

JCC


Sanzalando

18 de março de 2025

delirante vida

Despi-me de corpo e alma e desatei a sonhar-me. Não sei se fui longe ou se fiquei por mim, deitado no meu canto, aparvalhado de espanto e por enquanto nada fiz. Se eu fosse poeta desenhava corpos nus nas palavras sentidas, escritas com alma e transparentes. Mas tosco sou e esculpo arestas cortantes nas frases pintadas nas folhas amarelas do tempo.
Desistir-me nunca. Despir-me em transparências e caminhar em intransigências são vícios acrescidos numa vida livre, sem hospícios e outras dores mal doridas.
Vou-me embora das palavras que escrevi, são livres para irem onde lhes apetecer. Deixo-as que já não são minhas.

Sanzalando

17 de março de 2025

inverno e chuva

Era tarde e pouco havia para fazer. Lá fora a chuva caía persistente e copiosa o que me convidava para me manter em casa. Chuva e frio são dois ingredientes que me entristecem. Não sei explicar. Talvez o sol me faça ver o que nestes dias eu desconsigo.
Olhei pela janela e vi a água que corria pela rua abaixo parecia um ribeiro acastanhado.
Perdi-me a olhar para não conseguir ver mais do que a minha alma, triste e solitária num dia de inverno e com chuva.

Sanzalando